segunda-feira, fevereiro 28, 2011

CONGRESSO AGACHADO

A esperada evolução nos hábitos e costumes do legislativo brasileiro, a partir da reconstrução da democracia, não aconteceu na intensidade desejada. Ao contrário, foram sendo consolidadas mazelas antigas, e acrescidas outras mais recentes. Na recente votação do mínimo, deputados e senadores guardaram no armário os resquícios de seriedade que ainda sobravam e passaram, de forma despudorada, à prática explícita do fisiologismo, ou seja, o voto no governo em troca de cargos, verbas ou privilégios.
CONGRESSO AGACHADO
O Congresso Nacional acaba de sofrer o primeiro apagão moral na nova legislatura. Não foi digna a participação de seus membros no episódio da votação do novo salário mínimo. Se no palácio do Planalto, a arrogância e o autoritarismo deram o tom, no Parlamento, a demagogia e a submissão predominaram. Demagogia dos oposicionistas, diga-se, subserviência dos governistas.
É fato que, ao longo de sua existência, o Congresso nunca primou pela altivez e independência. Nas últimas décadas, foram poucos os momentos em que deputados e senadores se portaram de forma a provocar aplausos e a despertar sentimentos de admiração ou de gratidão dos brasileiros. Felizmente, alguns desses breves momentos se deram quando o país estava sufocado pela repressão do Regime Militar, e tinha poucas válvulas de escape.
A esperada evolução nos hábitos e costumes do legislativo brasileiro, a partir da reconstrução da democracia, não aconteceu na intensidade desejada. Ao contrário, foram sendo consolidadas mazelas antigas, e acrescidas outras mais recentes. Na recente votação do mínimo, deputados e senadores guardaram no armário todos os resquícios de seriedade que ainda sobravam e passaram, de forma despudorada, à prática explícita do fisiologismo, ou seja, o voto no governo em troca de cargos, verbas ou privilégios.
Nesse sentido, o comportamento dos parlamentares foi emblemático. De um lado, os oposicionistas não se entendendo quanto ao valor que defenderiam para se contrapor ao do anunciado pelo governo; do outro lado, os governistas a exigir cargos no segundo, terceiro e quarto escalões e a receber a dura resposta da presidente Dilma de que qualquer "traição" seria punida com a pena do “degredo”.
Na verdade poucos foram os que levaram a discussão do mínimo a sério. Poucos foram os que procuraram se aprofundar no estudo da viabilidade de tal ou qual valor, poucos se debruçaram sobre a real capacidade do Estado de arcar com determinado valor de tal forma a atender aos trabalhadores sem, entretanto, provocar desequilíbrio fiscal ou alimentar um processo inflacionário. O que predominou foi o show de vaidades e subserviência, encenado por artistas mambembes, para uma platéia desavisada.
A oposição - PSDB, DEM PSP e PSOL - praticou o mais absurdo jogo de cena, na tentativa de se mostrar paladina de uma causa que nem mesmo os seus governadores tinham a coragem de defender, enquanto os governistas visivelmente preocupados em não perder a sombra protetora do Planalto se portavam de maneira subalterna.
Além de aprovar o valor do mínimo da forma que desejava, o Planalto conseguiu autorização para impor através de decretos, o valor do mínimo nos próximos anos sem a necessidade de passar pelo crivo do Congresso. Dessa forma, retira do Congresso a prerrogativa constitucional para discutir e alterar leis emanadas do Executivo.
Dilma Rousseff, como boa aprendiz de Lula, pagou o preço que o Congresso pediu, mas exigiu e conseguiu total obediência. No seu primeiro teste, o novo Congresso, recheado de titiricas, se portou de maneira humilhante ao se agachar dessa forma diante do Executivo. E ainda se arvora capaz de realizar uma reforma política. Na verdade, com esse tipo de comportamento deixa cada vez mais enojados os cidadãos que têm um mínimo de apreço pela democracia.
280211

5 comentários:

Reinaldo disse...

Caro Fernando;De um Congresso presidido por josé sarney (eleito pela quase unanimidade de seus “pares” – apenas 8 votaram contra e três não confessam o voto de jeito algum, graças à hombridade que caracteriza os homens públicos que vicejam por aqui) é possível esperar o quê?
- Um legislativo sempre de cócoras.
E quem leva vantagens é tão-só a Madre e sua honrada Famiglia.
E assim é, caro eles se divertem, a gente paga.

Anônimo disse...

Agachado, de quatro, cheio de merda

Miriam disse...

A situação atual é perigosa. No momento que os três poderes não são independentes, a democracia “foge pelo ralo”! Nas últimas eleições, 44% de eleitores, já demonstraram a sua indignação com o “modelo” (??) instalado no país, nos últimos 8 anos. Eu não desisto. Nós conseguiremos!

FabioBarreto disse...

Politica é isso mesmo. Quem está no poder precisa de aliados.Estes querem "participar" do governo. Como? Com cargos e vantagens. É assim com o PT, foi assim com o PSDB e com o PMDB. E será sempre assim. Politica é um negócio sujo mas necessário.

Atento disse...

Bobagem falar mal do Congresso. A vida é assim, a política é assado.