segunda-feira, fevereiro 07, 2011

DISPUTA NO NINHO TUCANO

Aécio não gosta de Serra, e nesse sentimento se faz acompanhar por parte significativa dos partidários do PSDB, especialmente os da nova geração e os que acham que é hora dos paulistas cederem espaço na cúpula do partido. Para os aecistas, Serra já teve o seu tempo e espaço, mas não soube aproveitá-lo. Errou além do possível, e isso conduziu o partido a um papel pequeno no cenário nacional, dominado cada vez mais pelo PT e seus aliados.
DISPUTA NO NINHO TUCANO
Mal saído de uma campanha eleitoral em tudo e por tudo desfavorável - além de não chegar à presidência da República, teve o dissabor de ver diminuída a sua bancada no Congresso-, o PSDB esqueceu o discurso pela " refundação", e se meteu numa personalista disputa pela liderança do espólio.

Neste momento, aos tucanos parece irrelevante saber qual a linha a ser seguida pelo partido para se contrapor â solidez do PT; tampouco importam as questões essenciais que marcam a organização do partido e suas relações com a sociedade; também não interessa determinar a linha programática e ideológica que marcará a conduta do partido nos próximos quatro anos. O que importa é saber quem assumirá as rédeas da agremiação e a conduzirá para mais uma tentativa de chegar ao poder. Nesse sentido, a disputa pela liderança se anuncia pouco cavalheiresca.

Derrotado duas vezes pelo PT na disputa pela presidência, José Serra não desistiu do combate. No discurso de reconhecimento da derrota, o ex-governador paulista já havia sugerido que não pretendia se aposentar. Muito ao contrário, iniciava o trabalho de conquista da presidência do partido. Tudo estaria perfeito para as suas pretensões não fossem as rachaduras no edifício tucano. As desavenças entre Serra e o mineiro Aécio Neves, que haviam ficado latentes na disputa eleitoral, agora se anunciam explícitas e contundentes.

Aécio não gosta de Serra, e nesse sentimento se faz acompanhar por parte significativa dos partidários do PSDB, especialmente os da nova geração e os que acham que é hora dos paulistas cederem espaço na cúpula do partido. Para os aecistas, Serra já teve o seu tempo e espaço, mas não soube aproveitá-lo. Errou além do possível, e isso conduziu o partido a um papel pequeno no cenário nacional, dominado cada vez mais pelo PT e seus aliados.

Para esse grupo, o discurso acentuadamente oposicionista que Serra vem adotando recentemente soa falso e oportunista. Fazem questão de lembrar que nos oito anos do mandato petista, com mensalão e tudo, Serra foi tímido, ambíguo e muitas vezes complacente com os erros de Lula e sua turma. Na última campanha eleitoral, o candidato tucano, do qual se esperava firmeza, chegou a ser reverente para com Lula, e só endureceu o discurso quando a vaca havia ido para o brejo.

No momento, a briga entre Serra e Aécio se materializa na batalha pela presidência do partido. Aécio apóia a reeleição do pernambucano Sérgio Guerra, enquanto Serra se oferece como candidato. Quer ter o comando do processo que levará à indicação do candidato – ele próprio -às eleições de 2014.

Para marcar a diferença entre ele e seu principal oponente no partido, Serra atua como franco-atirador e incorpora uma contundência pouco comum ao seu estilo de fazer política. Atualmente sem mandato, e descompromissado com a administração paulista de Geraldo Alckmin, Serra se dá ao luxo de bater forte no governo federal sem medo de retaliação. Ao contrário, Aécio sabe que o sucesso de sua empreitada depende, em parte, do sucesso da administração de seu afilhado político Antonio Anastasia, no governo de Minas. Para isso, Aécio e Anastasia terão que manter com Dilma Rousseff,por algum tempo, uma relação no mínimo cordial.

A briga promete lances interessantes num futuro próximo, mas não se sabe em que tudo isso desaguará. Espera-se que o PSDB encontre o seu rumo, pois a ausência de uma oposição forte e atuante é meio caminho andado para o autoritarismo.
070211

2 comentários:

Observador disse...

O psdb precisa calçar as sandálias da humildad e, é um partido sem identidade com o povo, com s movimentos sociais.e um partido de eliite, intelectualizado. Nada mais.Vai ter que apanhar muito do PT, para poder sr algo importante na política.

Patrick disse...

Os tucanos foram humilhados pelo PT que mostrou que o povo sabe escolher. AÉCIO tem é que explicar os bilhões gastos com propaganda no governo de Minas. Sem chance...