segunda-feira, novembro 15, 2010

EM CAUSA PRÓPRIA


Findo o período eleitoral, os eleitos deixam de lado os temas repetidos ad infinitum, com o propósito de amaciar as mentes e os corações dos eleitores – saúde, educação, segurança, desemprego, salário -, e se concentram nos que lhes interessam particularmente, mas que mexem com o bolso de milhões de contribuintes.

Mal as urnas foram fechadas, os governadores , quase em uníssono, reivindicaram o retorno da CPMF. Agora é a própria presidente eleita que reclama dos valores pagos no Poder Executivo, e, em causa própria, propõe um “ reajuste salarial”. Segundo ela, alguma coisa precisa ser feita, porque o salário “é muito defasado em relação ao mercado”.

Se comparado com os dos demais poderes da Federação, os salários do Executivo de fato são inferiores. Enquanto um ministro recebe pouco mais de R$11 mil, um parlamentar federal ganha R$ 16 mil, e um ministro do Supremo, R$26 mil. Com o reajuste proposto, o presidente da República passaria a receber R$ 28 mil , e um ministro, R$12 mil.

É preciso considerar, entretanto, que os ganhos de um membro do primeiro escalão do Executivo não se limitam ao salário. Cada membro da elite dirigente acumula uma série de vantagens, privilégios e mordomias que não são claramente qualificados e quantificados. Ademais, qualquer aumento salarial na ponta da pirâmide do serviço público pressiona para o alto os salários da base do funcionalismo, provocando um efeito cascata.

Mas não é só. A presidente eleita falseia , ou tenta confundir o contribuinte, quando argumenta que com os atuais níveis salariais do primeiro escalão, “fica difícil conseguir pessoas qualificadas”para o exercício das funções de ministro, secretário, e dirigente de estatais ou autarquias.

O argumento carece de fundamento porque muitos dos escolhidos, quando tem outra cargo público, como senador, por exemplo, optam por permanecer com o salário do cargo de origem..Também porque a escolha dos auxiliares do primeiro escalão raramente se dá pelo critério da qualificação e da competência, mas sim pelo princípio político, levando-se em conta exclusivamente os interesses dos partidos que constituem a base governista. Finalmente porque o atrativo maior da atividade política não são os salários, mas a possibilidade de exercer alguma forma de controle – legal ou ilegal - sobre o destino dos bilhões que alimentam os cofres da União.

Salários maiores para a cúpula dirigente só faria sentido se acompanhados de mais transparência na atividade política. Quando fosse esclarecido, por exemplo, o que leva um candidato a deputado federal a gastar, em média, R$1,1 milhão para se eleger, quando em quatro anos de mandato receberá um total de R$792 mil. Algo está errado nessa equação. Nem a Velhinha de Taubaté acredita em tamanho altruísmo ou tamanho desapego ao dinheiro.
151110

5 comentários:

Anônimo disse...

Quanto preconceito com Lula e Dilma...sabe quanto ganha o presidente de uma Empresa Privada e um simples Diretor? Se informem e verão que o tamanho da RESPONSABILIDADE não condiz com os salários do setor público.

atdeu disse...

Calma gente, é apenas o Bolsa Ministro que ela está criando antes de assumir. É triste mas é a realidade, muita gente morrendo e eles discutindo o salário que irão ganhar no ano que vem. Usa o dinheiro para aumentar o salário mínimo rebanho de ....

nidia disse...

Sem comentários...
Aliás, tudo isso já era esperado porque já conhecemos as intenções dos políticos brasileiros. O objetivo é conseguir a oportunidade de ficar bilhardário e garantir vida boa e mansa pra si e pros herdeiros. Mas o que ainda surpreende é como o povão encara a coisa. tem gente que acha que eles merecem...então tá né...

Ildo disse...

Aviso ao anônimo acima: os salários pagos pelo setor público no Brasil só se comparam aos dos países desenvolvidos. mas lá o controle da sociedade é muito maior. Portanto, não tem cabimento querer relacionar o salário de ministros com os das empresas privadas

Rebeca disse...

É agora o Pttralhas está com a faca e o queijo inteiro nas mãos. Estarão ávidos em devorá-lo. E tem o PMDB e a sua fome pelo dinheiro não tem fim. Mas o povão quis assim e assim o será. Diz a máxima que o povão gosta de ver riqueza e ostentação? E verá de longe e ainda irá aplaudir. Será a vez da São Dilma. Eu não mereço isso. Por enquanto, antes de tomar a posse é só os salários, mobílias novas, vestuários novos...e depois só Deus sabe. Será que Dilma vai abrir mão do gordo salário (que passa da casa de 100 mil por mês) do cargo que ocupa na diretoria da Petrobras para participar de apenas UMA reunião mensal? Para o próximo ano veremos escândalos e desvios de dinheiro. Acho porém, que os Pttralhas aprenderam a assaltar e dessa vez, deixarão menos rastros e cofres vazios. Fico a imaginar os bilhões que serão usados e desviados para as reformas para a copa do mundo e a educação (agora nem se toca nessa palavra) ficara pior ainda, os hospitais nem se fala e as estradas então??!! Mas aumento das taxas tributárias, esta sim, aumentará muito. Dessa vez, São Dilma tem um gosto mais apurado que o sapo barbudo e isso requer mais e mais dinheiro para a sua ostentação.