segunda-feira, outubro 04, 2010

SEGUNDA CHANCE PARA SERRA

Mas o fato de ter avançado não apagou os graves erros de estratégia e as muitas indecisões que irritaram muitos de seus eleitores e correligionários, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique. Extremamente comedido, muitas vezes indeciso e nada contundente, o tucano falhou ao não apresentar uma agenda de governo que representasse um contraponto ao lulo-petismo.

SEGUNDA CHANCE PARA SERRA

O presidente Lula imaginou que, alicerçado na sua popularidade, seria fácil fazer de Dilma Roussef a sua imagem e semelhança e passar como um trator sobre os adversários no primeiro turno das eleições presidenciais. Não conseguiu. Os 46,91% de Dilma foram insuficientes para conduzi-la diretamente ao pódio. Mais da metade do eleitorado optou por remeter a decisão final para o segundo turno.

A candidata do PT, em que pese o esforço do presidente e o uso escandaloso da máquina oficial a seu favor, ainda não conseguiu convencer a maioria de que é portadora dos atributos necessários para o exercício do cargo.

Mas, para os mais atentos observadores, não constituiu surpresa que uma candidata sem nenhuma experiência política, totalmente dependente do seu “criador”, e, mais grave, atingida por um escândalo protagonizado pela sua principal assessora na Casa Civil, não tivesse passado como um furacão sobre os seus adversários, conforme imaginavam os seus correligionários e aliados e conforme previa a maioria das pesquisas eleitorais.

Aliás, as referidas pesquisas também subestimaram o crescimento da candidata verde Marina Silva. Ao longo da campanha, com tempo e espaço na mídia bastante reduzidos, a senadora, sabendo aproveitar os recursos de que dispunha, cresceu, apareceu e se tornou decisiva na derrubada do propósito petista de eliminar o segundo turno. Tendo iniciado a campanha atrelado à agenda monotemática da defesa do meio ambiente, a candidata verde foi diversificando os temas, sem cair na armadilha da pura demagogia.

Sobrou em Marina o que faltou no candidato tucano: garra, otimismo e discurso coerente. Grande parcela do eleitorado reconheceu nela essas virtudes e despejou na candidata quase 20% dos votos válidos, que, ao final, interromperam a festa petista e deram a Serra uma segunda chance. O tucano deve agradecer a ela o fato de estar no segundo turno.

Mas o fato de ter avançado não apagou os graves erros de estratégia e as muitas indecisões que irritaram muitos de seus eleitores e correligionários, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique. Extremamente comedido, muitas vezes indeciso e nada contundente, o tucano falhou ao não apresentar uma agenda de governo que representasse um contraponto ao lulo-petismo.

Raras vezes Serra evidenciou a necessidade de fazer do Estado menos um usufruto de um partido político, e mais uma instituição a serviço da sociedade; poucas vezes foi contundente nas críticas às mazelas e escândalos que marcaram a administração petista; quase nunca soube confrontar a sua reconhecida experiência política e administrativa com a inexperiência da adversária. Para piorar, em alguns momentos, mostrou respeito reverencial e até mesmo uma admiração incontida pela figura de Lula.

Ao final da jornada, apelou para o oportunismo demagógico das promessas mirabolantes e dispendiosas. Mesmo assim, uma significativa parcela do eleitorado, que repudia o modelo petista de governar e o que ele representa em matéria de ameaça às instituições democráticas e à livre-iniciativa, sem opção melhor, deu ao tucano 33% dos votos válidos

Pela mediocridade que marcou a primeira etapa, o segundo turno é bem vindo. Será mais uma oportunidade para que o confronto de idéias, teses e projetos aconteçam de forma nítida, e evidencie a real diferença entre as duas candidaturas. Dilma terá que se livrar da barra da calça do padrinho, se quiser desconstruir a imagem de marionete de Lula, enquanto Serra não poderá continuar tão contido como foi até agora.

Salvo da forca pela campanha afirmativa de Marina Silva, José Serra não poderá fugir do confronto e da necessária contundência nas críticas a Lula e ao modo petista de governar.
041010

4 comentários:

Rosena disse...

Fernando Agora temos que nos unir em torno da cadidatua Jose Serra e extirpar de vez o mulismo-petismo das terras bras leiras. Pelo voto será mais gostoso.

DilmaLá disse...

Os mineiros mostraram se sábios nessas eleições: elegeram Aecio senador Anastasia governador e Dilma presidente! Os cariocas irreverentes: Marina mais votada que o proprio Gabeira e Dilma presidente! Já os paulistas burros como sempre: foram de TIRIRICA Serra e o Alkimista!

nidia disse...

Oi Fernando
Quando a gente vê coisas como essa votação expressiva no "personagem" tiririca a gente percebe que ainda temos muito que avançar no sentido da grande parcela da população deixar de ser massa amorfa, moldável, e começar a pensar...a grande totalidade das pessoas que votou no tiririca, não sabe nem o nome do artista...é bem possível que não o reconheçam na rua sem a cara pintada de palhaço...é pra acabar...
Acho que existe chance do Serra levar essa, mesmo porque os órgãos de pesquisa devem deixar de exagerar e forçar a barra em favor da dilma, além do que o pessoal que converso e que votou na Marina, vai votar no Serra, é só ele não fazer besteiras

Rebeca disse...

A vinda do segundo turno nos mostrou que a democracia no país ainda tenta resistir.BRAVOOOOO.