segunda-feira, outubro 18, 2010

PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

Colocada contra a parede, em razão de sua posição favorável à descriminalização do aborto, Dilma Roussef vem tentando, com pouco sucesso, se livrar do sobrepeso de outras medidas polêmicas contidas no documento de 228 páginas, que refletem uma boa parte da ideologia lulo-petista. PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

A versão original do Programa Nacional de Direitos Humanos ( PNDH ), ao contrário do que muitos pensam, não tem a paternidade do PT. Ele foi elaborado no governo FHC, em 1996, como resultado do compromisso firmado pelo Brasil na Conferência Mundial de Direitos Humanos, em 1993.

A terceira versão do Plano é que foi concebida por obra e graça do atual governo.O PNDH -3 foi instituído por decreto, em dezembro de 2009, e no segundo turno da campanha presidencial vem se constituindo numa pedra no sapato da candidata petista.

Colocada contra a parede, em razão de sua posição favorável à descriminalização do aborto, Dilma Roussef vem tentando, com pouco sucesso, se livrar do sobrepeso de outras medidas polêmicas contidas no documento de 228 páginas, que refletem uma boa parte da ideologia lulo-petista.

A revisão do programa em maio deste ano, motivada pela reação dos setores conservadores e pela proximidade das eleições, não conseguiu esconder as reais intenções do petismo. O texto, no seu núcleo, é evidentemente autoritário ao impor padrões e normas de conduta à sociedade, e agride a consciência conservadora e religiosa de grande parte da população brasileira.

Na primeira versão, o PNDH-3 propunha a descriminalização do aborto, novas regras para o acesso e a divulgação de crimes cometidos por órgãos de repressão durante o regime militar, o controle da mídia pelo governo, a proibição de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos, e a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Na nova versão do Plano, publicada em maio, o governo recuou de sua posição inicial. Diante da forte reação de setores da Igreja, das Forças Armadas e da imprensa, amenizou o conteúdo do texto, tornando-o palatável aos setores conservadores. Mas não conseguiu convencer quanto aos reais propósitos de sua nova postura.

Na nova versão, por exemplo, a defesa da descriminalização foi substituída pela idéia de considerar o aborto como tema de saúde pública; o controle da mídia ganhou uma versão genérica, em que não são mencionadas as punições aos eventuais “infratores”; a proibição de símbolos religiosos foi simplesmente suprimida.

A exemplo do que ocorreu em 2002, quando recuou de suas históricas e conhecidas bandeiras para alcançar o poder, o PT se repete de maneira igualmente oportunista, mas de forma atabalhoada, comprometendo mais a já comprometida imagem de sua candidata.

Dilma Rousseff foi uma das signatárias do documento e descobriu tardiamente, ao preço de milhões de votos perdidos no primeiro turno, que posições controversas que são caras ao PT,mas rejeitadas por parte significativa da população,estariam a merecer, no mínimo, debate mais prolongado e amadurecido na sociedade e no Congresso.

Ancorado na falsa premissa de que seus altos índices de popularidade lhe garantiriam salvo conduto para ditar regras sobre temas polêmicos, Lula acabou surpreendido pela reação de setores influentes da sociedade. A oposição soube fazer uso dessa fraqueza, e Serra cresceu nas pesquisas de intenção de voto. Se Dilma Rousseff não vencer, o que parece cada vez menos improvável, terá sido por provar do próprio veneno.
181010


4 comentários:

Karina disse...

Comrelação à não votar em Dilminha Pac e Aborto (essa é minha, em homenagem ao Lulinha Paz e Aborto, ops, Amor), eu tenho a seguinte opinião (verídica, pois sou filha não planejada):

“Abortistas não precisam do meu voto. Para eles, eu não estaria viva mesmo.”

Também dá pra aproveitar a musiquinha eleitoral de Lula (essa fica na categoria humor muito negro):

“Dilma lá, apaga uma estrela, Dilma lá, morre uma criança…”

Anônimo disse...

Essa tentativa do Serra de querer pautar o Brasil com um discurso moralista/religioso fundamentalista ainda vai se voltar contra ele. E a reação está vindo da própria imprensa que o patrocina. Ele está dando mais um tiro no próprio pé...

Lima disse...

O Brasil a sociedade democrática não pode ficar reféns de leis autoritárias e amoral. A vulgaridade deste PNDH3 é uma afronta aos princípios morais. Porquê não criar leis que garantem o direito a vída, o direito do preso a cumprir penas integrais sem benefícios que previlegiam aqueles tiram vidas e destroem famílias, porquê não reduzir a maioridade penal, que tanto a população conclama... VOTE SERRA.

R Sanches disse...

Fernando:
O PT é favorável ao aborto.

No PNDH3 (pg. 91), Diretriz 9, ação programática G do objetivo estratégico III:

Na versão antiga:

"g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que DESCRIMINALIZA O ABORTO, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos."

Na versão atual eleitoralmente mais adequada:

"g) Considerar o ABORTO como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde. (Redação dada pelo Decreto nº 7.177, de 12.05.2010)."

Só acredita vendo?

http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

Resoluções do 3º Congresso Nacional do PT de 2007, (pg. 43), título "Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais", contém entre os ítens:

"defesa da autodeterminação das mulheres, da DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem;"

Só acredita vendo?

http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/c091207134809Resolucoesdo3oCongressodoPT.pdf