segunda-feira, setembro 27, 2010

CAMPANHA MEDÍOCRE BENEFICIA DILMA

Para combater os erros, as mazelas e os freqüentes desvios autoritários do governo petista, agora personalizados na evidente mediocridade da candidata indicada por Lula, a oposição enveredou pelo tortuoso caminho da indecisão, da falta de projeto e do acovardamento, sob a responsabilidade maior de seu candidato, José Serra. CAMPANHA MEDÍOCRE BENEFICIA DILMA

As recentes denúncias envolvendo a Receita Federal, os Correios e a Casa Civil da Presidência parecem não ter abalado o favoritismo da candidata oficial. Dilma Rousseff continua a desfilar impávida, convicta de que ao seu eleitorado tais questões estão a milhões de anos-luz do centro de suas preocupações. Para essa parcela majoritária, interessa mais o crescimento econômico, acompanhado do que ela julga serem avanços sociais.

O crescimento econômico é inegável, e se deu em função da estabilidade construída no governo de seu antecessor - que os petistas dão como “herança maldita” -, e do panorama internacional favorável. Os avanços sociais são discutíveis, pois são frutos de práticas assistencialistas, de acentuada matiz eleitoreira. Nos seus oito anos de poder, o governo Lula não levantou um tijolo sequer no sentido de se construir algo de mais consistente e efetivo no campo social - educação, saúde e segurança - que fosse além do imediatismo inconsistente das bolsas e das cotas.

Para combater os erros, as mazelas e os freqüentes desvios autoritários do governo petista, agora personalizados na evidente mediocridade da candidata indicada por Lula, a oposição enveredou pelo tortuoso caminho da indecisão, da falta de projeto e do acovardamento, sob a responsabilidade maior de seu candidato, José Serra. Iniciando tardiamente a sua campanha, o ex-governador paulista talvez acreditasse que os tropeços da inexperiente Dilma seriam suficientes, por si só, para jogá-la ladeira abaixo.

O fato é que, indo adiante das mais pessimistas das previsões, José Serra naufragou na falta de projeto, no discurso vago e na maneira reverencial com que tratou o presidente. Em plena campanha chegou a considerá-lo “acima do bem e do mal”, e mereceu, por isso, uma reprimenda do ex-presidente Fernando Henrique, que criticou essa tendência à mitificação de Lula. O resultado é que a campanha oposicionista mergulhou na mediocridade geral, não demarcou ideologicamente o seu território, e, além de não conquistar indecisos, perdeu muitos eleitores para Marina e para Dilma.

A incapacidade da oposição de gerar, nessa campanha presidencial, uma batalha de idéias, projetos e programas era tudo o que os governistas queriam para fazer Dilma transpor, com poucos constrangimentos e sem grandes questionamentos, a barreira eleitoral, e marchar na direção do Planalto.

Se nos próximos anos a democracia brasileira perder terreno para a construção de um projeto autoritário do tipo chavista, conforme muitos temem, uma parte da fatura deve ser cobrada da atual oposição.
270910

segunda-feira, setembro 20, 2010

MAU SINAL

A candidata petista à presidência, Dilma Roussef, disse que do senador Álvaro Dias não aceita convite nem para cafezinho. A declaração veio em resposta ao manifesto desejo do senador tucano de chamá-la para depor no Senado, no ensejo do mais recente escândalo no governo, envolvendo a sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra. A ex-ministra tem todo o direito de recusar convite de quem quiser para o que quer que seja de suas atividades particulares ou íntimas. Só não pode fazê-lo de uma autoridade pública, numa questão relativa ao patrimônio coletivo.

Álvaro Dias, quando falou em ouvi-la, o fez na condição de senador da República, no bojo de uma série de denúncias envolvendo corrupção, tráfico de influência e abuso de autoridade, e no exercício do cargo para o qual foi eleito por mais de dois milhões de eleitores paranaenses, com a finalidade, dentre outras, de fiscalizar o Executivo.

As falcatruas expostas pela imprensa ocorreram no segundo mais importante gabinete do Palácio do Planalto, quando Dilma ainda era ministra da Casa Civil, e Erenice Guerra era secretária-executiva e “braço-direito”da ministra.Portanto, independentemente da questão eleitoral, a oposição tem o dever de denunciar, investigar e exigir a punição dos responsáveis.

Já se considerando eleita, e tomada pelo deslumbramento, a candidata petista demonstra, precocemente, que os princípios e valores da democracia e da República não dizem respeito a ela. Ao contrario, tanto quanto o seu padrinho político, parece acreditar que a popularidade deva ser a principal referência a balizar os rumos de seu eventual governo.

Assim, convencida de que ao povo que vai elegê-la pouco importa os incômodos da oposição, já começa a dar um show de soberba, autoritarismo e desprezo pelas instituições. Um mau sinal.
200910

segunda-feira, setembro 13, 2010

ROTINA DE ILEGALIDADES

A invasão do sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outras pessoas ligadas à oposição, configura, portanto, mais uma grave ilegalidade, na rotina de ilegalidades que o governo vem praticando desde que assumiu o seu primeiro mandato, em 2003.Pelo que as autoridades e políticos do governo e do PT deixam transparecer em suas declarações sobre o mais recente escândalo, os acessos ilegais aos dados sigilosos da Receita Federal são atos rotineiros e de menor importância, não merecendo, pois, a relevância que a mídia vem dando ao caso. Pode até ser corriqueiro para o partido e para o governo, se considerarmos que esse não é o primeiro e, provavelmente, não será o último caso envolvendo dossiês, trambiques, espionagem e propina. Mas jamais será um caso menor.

A democracia pressupõe, entre outros, o princípio da inviolabilidade bancária, fiscal, telefônica e de correspondência. O governo Lula, que se movimenta na fronteira entre a constitucionalidade e o autoritarismo populista, tem a sua ação pautada na lógica de que os fins – no caso, a perpetuação no poder – justificam os meios – a agressão frontal aos direitos dos cidadãos. O caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, executada presumivelmente a mando do ex-ministro da Fazenda e atual coordenador da campanha de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, ainda está vivo na memória de muitos para que seja reprisado.

A invasão do sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outras pessoas ligadas à oposição, configura, portanto, mais uma grave ilegalidade, na rotina de ilegalidades que o governo vem praticando desde que assumiu o seu primeiro mandato, em 2003.

O presidente Lula, inebriado pela sua popularidade, empolgado pela ascensão meteórica de sua candidata nas recentes pesquisas, e convencido de que o tema tem pouca ou nenhuma repercussão entre a grande parcela da população carente e desinformada que constitui a maioria de seu eleitorado, debocha da oposição e decide que não tem que dar satisfação do ocorrido à parcela esclarecida da sociedade.

Por sua vez, José Serra e seus aliados, que agora mostram justa indignação e revolta, pagam o preço alto por terem sido, ao longo do governo Lula e mesmo no início da atual campanha eleitoral, tímidos, evasivos e condescendentes diante do festival de mazelas e arbitrariedades praticadas por Lula e sua turma. Agora é tarde, Inês é morta.
130910

segunda-feira, setembro 06, 2010

TIRIRICAS NO CONGRESSO


Afora o cinismo e a hipocrisia que sempre caracterizaram o nosso mundo político, a atual campanha eleitoral tem acrescentado mais um ingrediente: o deboche, como tática de conquista do votos.Não que tal componente estivesse ausente dos pleitos anteriores. É que agora ele aparece de forma mais evidente, por conta do grande número de decadentes “astros” da TV e do esporte que resolveram testar o que ainda resta de sua popularidade e disputar um lugar no Congresso Nacional ou em alguma Assembléia Legislativa.

E não são poucos: Maguila, Sérgio Reis, Dedé Santana, Túlio Maravilha ,Mulher Melão,Tati Quebra Barraco,Ronaldo Esper, Romário, Marcelinho Carioca e Tiririca são apenas alguns dos pretensamente populares, somados a centenas de candidatos extravagantes e grotescos que parecem não possuir outro objetivo que não seja melhorar de vida com o dinheiro público.

O comediante Tiririca protagoniza a mais inusitada debochada e risível de todas as apresentações, digna de seus melhores momentos nos humorísticos da televisão. Sob o lema “vote no Tiririca, pior do que tá não fica” , o candidato diz não saber o que faz um deputado, e pede que seja eleito para cuidar dos mais necessitados , entre eles “a sua família”.

A fala de Tiririca e de outros candidatos do mesmo naipe revela apenas a ponta do grande iceberg da degradação da política, desmoralização dos políticos e despolitização do povo brasileiro. De fato, não são poucos os que desconhecem a finalidade do Parlamento e a função dos parlamentares, em parte porque o comportamento desvirtuado dos políticos leva a esse desconhecimento, e em parte porque o próprio processo eleitoral coloca em segundo plano as eleições legislativas. A atual legislação eleitoral é rígida, anacrônica e discriminativa em relação às eleições para o Legislativo. Desestimula o debate, o confronto de idéias e o conhecimento amplo que o eleitor deveria ter sobre cada candidato.

Sufocada pela maciça campanha na mídia para os cargos executivos, as campanhas para o Congresso e para as Assembléias Legislativas ficam resumidas aos outdoors e ao limitadíssimo espaço no rádio e na TV. Exemplo de como a política não deve ser tratada, o horário eleitoral “gratuito”na mídia eletrônica deveria ser abolido, para o bem da democracia.

Dessa forma, pouco se conhece das idéias, propostas e história pública dos candidatos. E é nesse enorme vazio de idéias e de projetos que figuras excêntricas ganham espaço e visibilidade. A continuar assim, corremos o sério risco de ver, em 2011, grande parte das cadeiras da Câmara e do Senado ocupadas por centenas de tiriricas.

06/09/10