segunda-feira, agosto 16, 2010

ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.
ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Para muitas pessoas, dentre as quais me incluo, o Estado é um mal necessário. Infelizmente, a cada dia somos convencidos de que ele é mais um mal e menos uma necessidade. Isto porque os gastos da sociedade com a máquina governamental se avolumam, numa proporção inversa aos benefícios proporcionados em obras e serviços.Cada vez mais, fica evidente que a maioria dos serviços hoje prestados pelo Estado poderia perfeitamente estar a cargo da livre iniciativa, com muito mais vantagens e com custo zero para a sociedade.

O mau gerenciamento dos recursos, o desperdício generalizado, o aparelhamento da administração, os abusivos salários de políticos, magistrados e altos funcionários, o alto custo da manutenção de um exército de funcionários parasitas,a corrupção generalizada e a promiscuidade entre agentes públicos e “investidores” privados são apenas algumas mazelas inerentes ao gigantismo do Estado. Elas geram déficits crescentes, cujas tentativas de correção levam inevitavelmente a aumento de impostos, contração de empréstimos ou emissão de dinheiro.O resultado , todos sabemos, é o endividamento progressivo e a inflação descontrolada.

No Brasil, o gigantismo e a complexidade do aparelho estatal, a carga tributária elevada, e a excessiva burocracia na administração explicam em grande parte o vacilante crescimento da economia e o imenso atraso social nas últimas décadas. Desde Getulio Vargas, nossos governantes não têm feito mais do que aumentar o tamanho e a ineficiência da máquina, sempre sob a justificativa falaciosa de que o intervencionismo induz o crescimento econômico e promove a “justiça social”.

Desde então, o que temos assistido prova justamente o contrário: o crescimento econômico se deu muito mais apesar dos governos do que graças a eles. Governos como os de José Sarney e Fernando Collor, por exemplo, se constituíram em verdadeiras catástrofes, acentuando, com seus irresponsáveis planos econômicos , para o caos econômico e social. Quanto a decantada justiça social, não resiste mesmo a um olhar superficial, diante do quadro de imensa degradação dos serviços essenciais e de intensa violência em que vivemos.

Em determinado momento, forçados pelo caos econômico, alguns poucos tiveram a lucidez de colocar ordem na casa. Itamar franco e Fernando Henrique tomaram medidas no sentido da estabilização financeira ( Plano Real ) e da redução dos gastos governamentais ( privatização de estatais, reforma da Previdência e Lei de Responsabilidade Fiscal ). Foi pouco, porém o suficiente para que o país fosse entregue ao governo petista em situação menos caótica do que se encontrava na década anterior.

Ao assumir a Presidência em 2003, portanto, Lula tinha a faca e o queijo nas mãos para, a partir da promoção de um clima de maior liberdade econômica, menos impostos e pouca burocracia ,colher os frutos de uma era de desenvolvimento mais consistente. Isso, se ao invés de inchar a máquina governamental, aumentando os seus custos e penalizando a sociedade, tivesse, por exemplo, priorizado a reforma educacional. Estaria fazendo muito mais pelos carentes do que a soma de todas as práticas assistencialistas e eleitoreiras do seu governo.

Mas, seria muito exigir que um político com visão tão limitada e tão apegado aos velhos preconceitos ideológicos de uma esquerda moribunda tivesse o discernimento de implementar um projeto de governo moderno e liberal.

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.

Sobre Dilma Rousseff, nem é preciso falar: unindo as suas raízes comunistas ao pragmatismo oportunista do seu mais forte aliado – o PMDB –, é possível que tenhamos a reprise, em escala mais radical e autoritária, do que foi o governo do seu padrinho.

Marina Silva tem o DNA petista, participou do atual governo e padece da mesma visão estatizante que caracteriza a atual gestão e dos mesmos preconceitos políticos que marcam o PT. De diferente, a sua intransigente e particular visão sobre preservação do meio ambiente, que levada ao governo se traduzirá em mais burocracia na liberação de novos empreendimentos econômicos .

José Serra talvez tenha um perfil menos populista e mais democrático, e uma prática menos assistencialista em políticas públicas. Mas, pelo seu histórico como governante e pelas suas promessas de campanha, nada sugere que seria menos intervencionista em matéria de ações econômicas do que os demais concorrentes. Neste particular, os projetos do PT e do PSDB são mais semelhantes do que os discursos, de um lado e de outro, parecem sugerir.

Deste modo, uma parcela significativa do eleitorado está se sentindo órfã diante das candidaturas já postas na atual campanha eleitoral: é a que se identifica com os valores do liberalismo econômico ,e acredita que somente um Estado mínimo, enxuto e organizado é capaz de cumprir com eficiência as suas funções básicas - educação, saúde e segurança -, liberando a sociedade para os empreendimentos lucrativos.

160810




3 comentários:

Anônimo disse...

Serra, Marina e Dilma de esquerda?!De onde vc tirou essa?Nunca vi tanto neoliberalismo idiota num espaço. São os empresários da Paulista ou os latifundiarios do MRB que te sustentam??

Fernando Soares disse...

Pode ficar tranquilo, amigo, que a "cumpanherada" está garantida com a vitória petista. O que eu não sei é se vc tem prestígio para estar lá, pois me parece mais um pau mandado. Estude mais sobre o liberalismo e pare de falar bobagem. Se vc está disposto a dar 40% do que ganha para uma corja de inúteis se sustentar no poder, o problema é seu. O meu problema é evitar que o dinheiro dos que trabalham e produzem seja desperdiçado de forma tão acintosa.

Rosena disse...

Fernando, os petralhas estão assanhadinhos pq sonham com mais oito anos de poder. Não é pra menos, milhars de cargos vao ser distribuidos e a boquinah será grande né?. pena que o serra tá errando muito desde o inicio.