segunda-feira, agosto 30, 2010

DILMASIA: A INFIDELIDADE PREMIADA


Em Minas, as mais recentes pesquisas colocam o candidato governista, Antonio Anastasia ( PSDB, DEM, PPS, PP) em situação de empate técnico com o seu principal oponente, Helio Costa ( PMDB). Costa está coligado ao PT e tem o apoio formal de Lula. Há poucos meses, poucos imaginariam uma situação tão confortável para o tucano, pois, a exemplo da presidenciável petista Dilma Roussef, Anastasia era um ilustre desconhecido pela maioria dos mineiros. Isso, apesar de sua participação ativa nos dois mandatos do padrinho, Aécio Neves. O que o levou a uma ascensão tão rápida?

Para Hélio Costa, a resposta é simples e óbvia: o uso indecente da máquina pública a favor da candidatura adversária. E não deixa de ter razão.De fato, após assumir a governança do Estado, devido a renúncia de Aécio para concorrer ao Senado, Anastasia mostrou uma desenvoltura até então desconhecida.
A exemplo do que acontece em nível nacional com a campanha da afilhada de Lula, mas talvez de uma forma menos obscena , vem usando e abusando da força e do prestígio do cargo para convencer prefeitos e políticos do interior a aderirem a sua campanha.

Mas o uso da máquina estadual explica apenas parte do crescimento de Anastasia. A outra parte pode ser explicada na produção bem elaborada da campanha e no discurso mais convincente do candidato, contrapostos ao discurso demagógico do opositor e ao evidente desinteresse do presidente Lula em ajudar os seus aliados mineiros.

O fato é que tal situação tem levado boa parte dos políticos de ambos os lados a um não dissimulado descompromisso em relação aos seus respectivos partidos ou coligações. Enquanto políticos da aliança de Helio Costa mudam de barco e apóiam o atual governador, seus adversários da coligação tucana, que deveriam, por obrigação partidária, trabalhar pela candidatura presidencial de José Serra, não se envergonham de declarar amor eterno a Dilma Rousseff.

O resultado da traição generalizada é o surgimento, nesta campanha, de um monstrengo apelidado de “Dilmasia”, ou seja, a campanha de políticos dos dois lados pelo voto casado em Dilma, para presidente, e em Anastasia, para governador. Pelos resultados das últimas pesquisas, em Minas, a infidelidade partidária vem sendo premiada.
300810

segunda-feira, agosto 23, 2010

OCULTANDO SERRA

Um dos indícios mais fortes de que uma campanha presidencial não vai bem aparece quando, nos Estados, o nome do principal candidato começa a ser omitido na propaganda eleitoral dos demais candidatos do partido ou coligação do presidenciável. É o que vem acontecendo com a candidatura de José Serra. Enquanto no campo situacionista todos fazem questão de associar seu nome ao de Dilma Rousseff , no campo da oposição tem acontecido o contrário. As recentes pesquisas eleitorais, que sinalizaram a irreversibilidade da queda do candidato tucana, estabeleceu um clima de velório entre os partidários de Serra. Para muitos, esta situação é reflexo dos seguidos erros de estratégia eleitoral cometidos desde o início da campanha, e que dificilmente serão revistos e corrigidos , por absoluta falta de tempo. O fato é que faltou a Serra um discurso convincente , um projeto atraente, e sobretudo ousadia para enfrentar Lula e a máquina do governo.

O desânimo que toma conta da campanha nacional se projeta nos Estados, onde os candidatos ao governo, ao Congresso e às Assembléias não fazem a mínima questão de terem as suas campanhas associadas à do candidato presidencial. Fogem de Serra como o diabo da cruz. Isso acontece mesmo nos Estados onde tucanos e aliados têm grandes as chances de vitória.

Enquanto isso, no campo petista políticos se acotovelam em busca de espaço ao lado de Dilma e de Lula . O poder de atração da candidata em ascensão nas pesquisas já começa a ir muito além do ponto de vista programático e ideológico, e se aproxima perigosamente do campo do mais puro fisiologismo.

A essa altura, muitos candidatos não se envergonham de pular do barco oposicionista para o barco governista de olho na velha política do toma lá, dá cá que foi uma das marcas registradas do governo Lula, e que , tudo indica , marcará também o provável governo de sua afilhada política.
230810



segunda-feira, agosto 16, 2010

ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.
ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Para muitas pessoas, dentre as quais me incluo, o Estado é um mal necessário. Infelizmente, a cada dia somos convencidos de que ele é mais um mal e menos uma necessidade. Isto porque os gastos da sociedade com a máquina governamental se avolumam, numa proporção inversa aos benefícios proporcionados em obras e serviços.Cada vez mais, fica evidente que a maioria dos serviços hoje prestados pelo Estado poderia perfeitamente estar a cargo da livre iniciativa, com muito mais vantagens e com custo zero para a sociedade.

O mau gerenciamento dos recursos, o desperdício generalizado, o aparelhamento da administração, os abusivos salários de políticos, magistrados e altos funcionários, o alto custo da manutenção de um exército de funcionários parasitas,a corrupção generalizada e a promiscuidade entre agentes públicos e “investidores” privados são apenas algumas mazelas inerentes ao gigantismo do Estado. Elas geram déficits crescentes, cujas tentativas de correção levam inevitavelmente a aumento de impostos, contração de empréstimos ou emissão de dinheiro.O resultado , todos sabemos, é o endividamento progressivo e a inflação descontrolada.

No Brasil, o gigantismo e a complexidade do aparelho estatal, a carga tributária elevada, e a excessiva burocracia na administração explicam em grande parte o vacilante crescimento da economia e o imenso atraso social nas últimas décadas. Desde Getulio Vargas, nossos governantes não têm feito mais do que aumentar o tamanho e a ineficiência da máquina, sempre sob a justificativa falaciosa de que o intervencionismo induz o crescimento econômico e promove a “justiça social”.

Desde então, o que temos assistido prova justamente o contrário: o crescimento econômico se deu muito mais apesar dos governos do que graças a eles. Governos como os de José Sarney e Fernando Collor, por exemplo, se constituíram em verdadeiras catástrofes, acentuando, com seus irresponsáveis planos econômicos , para o caos econômico e social. Quanto a decantada justiça social, não resiste mesmo a um olhar superficial, diante do quadro de imensa degradação dos serviços essenciais e de intensa violência em que vivemos.

Em determinado momento, forçados pelo caos econômico, alguns poucos tiveram a lucidez de colocar ordem na casa. Itamar franco e Fernando Henrique tomaram medidas no sentido da estabilização financeira ( Plano Real ) e da redução dos gastos governamentais ( privatização de estatais, reforma da Previdência e Lei de Responsabilidade Fiscal ). Foi pouco, porém o suficiente para que o país fosse entregue ao governo petista em situação menos caótica do que se encontrava na década anterior.

Ao assumir a Presidência em 2003, portanto, Lula tinha a faca e o queijo nas mãos para, a partir da promoção de um clima de maior liberdade econômica, menos impostos e pouca burocracia ,colher os frutos de uma era de desenvolvimento mais consistente. Isso, se ao invés de inchar a máquina governamental, aumentando os seus custos e penalizando a sociedade, tivesse, por exemplo, priorizado a reforma educacional. Estaria fazendo muito mais pelos carentes do que a soma de todas as práticas assistencialistas e eleitoreiras do seu governo.

Mas, seria muito exigir que um político com visão tão limitada e tão apegado aos velhos preconceitos ideológicos de uma esquerda moribunda tivesse o discernimento de implementar um projeto de governo moderno e liberal.

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.

Sobre Dilma Rousseff, nem é preciso falar: unindo as suas raízes comunistas ao pragmatismo oportunista do seu mais forte aliado – o PMDB –, é possível que tenhamos a reprise, em escala mais radical e autoritária, do que foi o governo do seu padrinho.

Marina Silva tem o DNA petista, participou do atual governo e padece da mesma visão estatizante que caracteriza a atual gestão e dos mesmos preconceitos políticos que marcam o PT. De diferente, a sua intransigente e particular visão sobre preservação do meio ambiente, que levada ao governo se traduzirá em mais burocracia na liberação de novos empreendimentos econômicos .

José Serra talvez tenha um perfil menos populista e mais democrático, e uma prática menos assistencialista em políticas públicas. Mas, pelo seu histórico como governante e pelas suas promessas de campanha, nada sugere que seria menos intervencionista em matéria de ações econômicas do que os demais concorrentes. Neste particular, os projetos do PT e do PSDB são mais semelhantes do que os discursos, de um lado e de outro, parecem sugerir.

Deste modo, uma parcela significativa do eleitorado está se sentindo órfã diante das candidaturas já postas na atual campanha eleitoral: é a que se identifica com os valores do liberalismo econômico ,e acredita que somente um Estado mínimo, enxuto e organizado é capaz de cumprir com eficiência as suas funções básicas - educação, saúde e segurança -, liberando a sociedade para os empreendimentos lucrativos.

160810




segunda-feira, agosto 09, 2010

CAMPANHA MORNA FAVORECE DILMA


O fato é que Serra perde por não se impor como oposição de verdade ao governo Lula, e por não assumir a defesa dos pontos positivos, que não foram poucos, do governo FHC. Temas não lhe faltariam, se preferisse uma campanha menos complacente e mais contundente.

Inferiorizados na corrida pela sucessão presidencial, os tucanos argumentam que os debates televisivos farão o quadro reverter, em razão da maior experiência política e do melhor preparo de seu candidato, José Serra. Pode ser, mas não foi o que se viu no primeiro debate, promovido pela Rede Bandeirantes. A atuação de Serra não foi nada convincente no sentido de se impor como contraponto ao artificialismo das propostas da candidata governista, Dilma Rousseff.

Na verdade, todo o debate foi insípido, inodoro e incolor, com os candidatos, à exceção do franco atirador Plínio de Arruda Sampaio, repetindo sem convicção as mesmas ladainhas que permeiam todas as campanhas eleitorais, com ênfase na saúde, educação e segurança. Difícil descobrir em que pontos as propostas de cada um se difere das dos demais, tal a semelhança entre elas.

Propostas de campanha, como sabemos, não são projetos de governo. Deste modo, tudo o que é dito agora é esquecido adiante, quando o candidato se torna governante. Se não fosse assim, não seriam a saúde, a educação e a segurança, justamente as questões mais negligenciadas e os candidatos estariam a discutir outros temas.Parece até que tomados pelo espírito de Maquiavel, propositalmente desconsideram esses temas, quando no governo, com o propósito de torná-los vedetes na campanha seguinte, no sentido de iludir e conquistar o voto do eleitor carente e menos informado.

O fato é que, voltando ao início, Serra perde por não se impor como oposição de verdade ao governo Lula, e por não assumir a defesa dos pontos positivos, que não foram poucos, do governo FHC. Temas não lhe faltariam, se preferisse uma campanha menos complacente e mais contundente.

Poderia , por exemplo, atacar e propor alternativas para o inchaço do setor público, o aparelhamento da máquina estatal pelo PT e aliados, as políticas sociais predominantemente assistencialistas, a queda da qualidade do ensino superior, as relações promíscuas entre o governo e o Congresso, os baixos investimentos em infra-estrutura, o descaso com a qualidade da educação, a ausência de investimentos na saúde, o caos na segurança, o crescimento da carga tributária , e, como se não fosse pouco, a volta gradativa e ameaçadora da inflação.

Subjugado pelo mito de que a popularidade de Lula é o fruto de uma política interna bem gerenciada , Serra tem direcionado sua fraca artilharia contra a política externa do atual governo: critica, com razão, a suspeita amizade entre o PT e as Farc e bombardeia a não menos suspeita simpatia de Lula pelo regime totalitário iraniano. Mas isso não basta para que Serra se imponha como candidato de oposição, pois política externa é a última das preocupações dos brasileiros.

Ao optar por uma campanha eleitoral morna, bem comportada, ou, como preferem os tucanos, “civilizada”, a aliança oposicionista abre mão da oportunidade de alvejar os pontos fracos do adversário e, de quebra, fornece à aliança governista as armas e o terreno para que , em nome da continuidade no poder, continue a praticar ações lícitas e sobretudo ilícitas em favor de Dilma Rousseff. O progressivo crescimento da candidata governista constatado nas recentes pesquisas indica que muita coisa não vai bem na campanha tucana.
090810

LULA E CABRAL DÃO SHOW DE ÉTICA E ELEGÂNCIA