segunda-feira, julho 26, 2010

DATASERRA VS VOX DILMA


Pode o eleitor confiar no que dizem os institutos de pesquisa eleitoral? Pelos dados discrepantes de dois dos mais conhecidos deles, não. Com intervalo de poucos dias, o Vox Populi e o Data Folha divulgaram os resultados de suas últimas pesquisas sobre a sucessão presidencial. Pelo primeiro, Dilma Rousseff consegue uma pequena, mas significativa vantagem sobre o seu principal oponente, José serra – 41% contra 33% , no primeiro turno, e 46% a 38%, no segundo turno. Já o Datafolha, em pesquisa publicada neste fim de semana, aponta “empate técnico” entre os dois principais candidatos. Quem errou?

Há muito, as principais empresas de pesquisa eleitoral – a carioca IBOPE, a paulista Datafolha e a mineira Vox Populi – vêm sendo alvo de uma justa desconfiança por parte de candidatos e eleitores. Resultados conflitantes e previsões que não se confirmam nas urnas têm fortalecido os indícios de que a neutralidade, a isenção e a aplicação de uma metodologia confiável nos estudos não têm fundamento, conduzindo-os a um progressivo descrédito e acirrando as tocas de acusações entre os partidos políticos.

Num passado recente, levantamentos desfavoráveis ao partido levavam os petistas a acusar o IBOPE de estar a serviço do PSDB. Agora, é o Datafolha que se tornou alvo da ira dos partidários de Lula, enquanto o Vox Populi que vem sendo acusado por tucanos de estar a serviço da aliança governista.

Nesse imbróglio,o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, atribuiu a uma suposta “diferença de metodologia” a razão da disparidade entre os resultados dos dois institutos. Criticou o instituto paulista de “entrevistar pessoas na rua e só falar com quem tem telefone”. Por seu turno, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificou os resultados apresentados pelo Vox Populi: “enquanto um ( Datafolha) faz pesquisa, o outro ( Vox Populi) faz propaganda eleitoral”.

O fato é que somente uma investigação isenta sobre a atuação desses órgãos poderá confirmar se as desconfianças têm fundamento e determinar o grau de comprometimento de cada um deles com interesses partidários ou interesses econômicos escusos. Ou, por outro lado, concluir que tais diversidades são provenientes apenas de metodologias mal formuladas, desatualizadas e, portanto, falhas. A abertura da “caixa preta” desses órgãos e a maior transparência quanto as técnicas empregadas darão maior confiabilidade às pesquisas e afastarão as suspeitas de estarem a serviço de causas menos nobres.
260710

Um comentário:

Ildo disse...

Não existe instituto de pesquisa isento. Eles estão a serviço de algum partido/candidato.Eles conduzem as pesquisas na dieão de seu candidato favorito. Qdo sentem que o candidato vai perder mudam radicalmente o resultado