segunda-feira, junho 07, 2010

CRIADOR E CRIATURA


Nos países desenvolvidos e com fortes raízes democráticas, é praticamente impossível que políticos saídos do nada, e sem um recheado currículo político e eleitoral, ascendam, através das urnas, aos mais altos cargos do executivo. No Brasil, isso não só é possível, como é bastante comum. Aqui, onde os partidos políticos são meros trampolins para que políticos personalistas incrementem suas carreiras, é rotineiro que governantes bem avaliados pela população, e em final de mandato, se dediquem a fazer de figuras inexpressivas os seus sucessores. É a velho e conhecido preceito do governante tão prestigiado que consegue eleger até mesmo um poste.

Que não me deixem mentir, por exemplo, Orestes Quércia e Paulo Maluf. O primeiro saiu do governo de São Paulo, em 1990, com grande aprovação. Ainda não pesavam sobre ele as denúncias de corrupção que mais tarde marcariam a sua carreira política. Fez do inexpressivo Antonio Fleury Filho, secretário de Segurança Pública , o seu sucessor. Da obra política e administrativa de Fleury pouco ficou, exceto o tristemente famoso massacre do Carandiru, que vitimou 111 detentos, em outubro de 1992.

Paulo Maluf teve o seu momento de glória em 1996, quando deixou a prefeitura de São Paulo com fama de bom administrador e tocador de obras. Inebriado pelo fugaz sucesso, inventou Celso Pitta, secretário das Finanças do município, como seu candidato à sucessão. Com argumentos de tipo “votem no Pitta, e se o Pitta não for um bom prefeito nunca mais votem em mim”, não teve dificuldade em elegê-lo. Como sabemos, o pupilo herdou do professor a mesma vocação para se apropriar do dinheiro publico, mas não a esperteza e o cinismo do mestre. Resultado: Pitta foi afastado do poder por corrupção, e, mais tarde, acabou preso.

No atual processo eleitoral, Lula e Aécio Neves, ao lançarem politicamente os desconhecidos Dilma Rousseff e Antonio Anastasia, deixam claro o propósito de , através deles, continuarem a ter o controle e a influência sobre seus respectivos partidos e territórios. Em outras palavras, não querem perder o poder construído nos oito anos de mandato. Pode dar certo. Mas o tiro pode sair pela culatra se, uma vez eleita, a criatura traçar os seus próprios trajetos, ganhar liderança, prestígio e popularidade, e , ao final, se rebelar contra o criador.
070610

Um comentário:

Rosena disse...

Pois é Fernando Só mesmo no Brasil se inventa candidato como essa Dilam. Quem é ela ? O que fez de importante na poítica ou em outro setor? Seique ela foi guerrilheira, deve termatado gente. E seremos governados por ela nos proximos anos. Seus me livre!!