segunda-feira, maio 31, 2010

MICOS INTERNACIONAIS DE LULA

O Irã vem desenvolvendo o seu projeto nuclear fora das regras do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Por isso, e por ter dado seguidas provas de que considera a destruição dos Estados Unidos e de Israel o desígnio prioritário de Alá, Teerã, desperta a justa desconfiança do Ocidente. Mas Lula, na sua incontida admiração por ditadores, insiste que o mundo deva dar uma chance a Armadinejad.

MICOS INTERNACIONAIS DE LULA

Política internacional é coisa para gente grande. O presidente Lula parece não entender isso. A referência jocosa de Barack Obama - "este é o cara" -, que Lula tomou como elogio, o envaideceu de tal forma que, parecendo tomado pelo espírito do Barão do Rio Branco, e não se limitando ao antigo desejo de fazer do Brasil membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, quer se tornar Secretário Geral da ONU. Para isso, partiu em errática e frenética peregrinação pelos cinco continentes, a promover o que julga ser um mundo mais pacífico e menos desigual. Por isso, mais do qualquer outro governante na História recente, tem pagado vistosos micos.

Tempos atrás, não se acanhou em intervir nos problemas internos de Honduras quando apoiou um pretendente a ditador deposto do poder pelo Congresso e pela Justiça do país. Como se não bastasse o apoio formal a Manuel Zelaya, emprestou a embaixada brasileira para que o presidente deposto nela se instalasse com armas e bagagens.

Da embaixada, Zelaya passou a insuflar o conflito armado,visando retomar o cargo que lhe havia sido legalmente tirado. Lula somente desconfiou que estava sozinho numa canoa furada quando Honduras, de modo pacífico e democrático, elegeu o seu novo presidente. Nem o histrião Chávez ousara pagar um mico tão grande como esse..

Recentemente, em conjunto com o governo da Turquia, também aspirante a protagonista da cena internacional, nosso presidente promoveu um insólito acordo com a ditadura fundamentalista do Irã,visando a restrição do uso da energia nuclear. Como se sabe, o Irã vem desenvolvendo o seu projeto nuclear fora das regras do Tratado de Não-Proliferação (TNP), além de seguidas provas de que considera a destruição dos Estados Unidos e de Israel o desígnio prioritário de Alá, Por isso desperta a justa desconfiança do Ocidente. Mas Lula, na sua incontida admiração por ditadores, insiste que o mundo deva dar uma chance a Armadinejad.

O tal acordo nem chegou a ser levado a sério pelas potências ocidentais. Estados Unidos e União Européia afirmaram a sua descrença no pacto e reafirmaram posição contrária ao afrouxamento das sanções contra o governo iraniano. Para o ditador iraniano , o pseudo-acordo serviu como artifício para ganhar tempo e retardar as sanções que pesam sobre o seu país.

Moral da história: o acordo patrocinado por Lula foi solenemente ignorado, para não dizer ridicularizado, pelos líderes internacionais, a começar pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Nem mesmo o argumento de que teria agido respaldado numa carta do presidente Obama ficou de pé: foi desmentido, no último final de semana, pelo próprio presidente dos EUA.
A Casa Branca deixou claro que a carta enviada ao governo brasileiro sobre o Irã não era "receita" para um acordo que evitaria sanções a Teerã por seu programa nuclear. Hillary Clinton disse que o país tem "discordâncias muito sérias" com o Brasil em relação à abordagem da questão iraniana.

Lula, nos meses que faltam para terminar o governo deve baixar a bola e procurar compreender que as divergências internacionais são um pouco mais complexas que as diferenças entre patrões, empregados e governo que ele rotineiramente conciliava na época em que era líder sindical.
310510




quinta-feira, maio 27, 2010

PÁSSARO NA MÃO


Antes um pássaro na mão do que dois voando. Assim deve pensar Aécio Neves, que já tem assegurado uma cadeira no Senado, caso se candidate. Portanto, é altamente improvável, mas não impossível, que ceda às pressões e aceite compor com José Serra a chapa oposicionista à Presidência. Embora este seja o desejo de muitos tucanos, assustados com a ascensão de Dilma Roussef nas últimas pesquisas eleitorais, o ex-governador de Minas tem seus próprios projetos pessoais e políticos, que não se alinham necessariamente aos de Serra.

É claro que Aécio ficaria imensamente feliz com a vitória do paulista. Isto lhe permitiria – no Senado ou na Vice – um generoso espaço para o exercício de sua influência, e um amplo campo para suas articulações políticas que fatalmente resultaria na candidatura à Presidência em 2014 ou em 2018.

Mas uma eventual derrota de Serra nas próximas eleições não seria de todo ruim para o tucano mineiro, desde que, em Minas, o prestígio e a influência, conquistados nos sete anos e meio de mandato, permanecessem intactos. Mas, para que isso ocorra é fundamental que seu pupilo, Antonio Anastasia, conquiste o governo de Minas.

Portanto, a recusa do tucano mineiro em formar par com Serra tem relação direta com o receio da perda do controle sobre o seu território, o que aconteceria se a campanha eleitoral em Minas fosse negligenciada, e Anastasia ficasse entregue à própria sorte.

De fato, cedendo às pressões e aceitando a candidatura à Vice, Aécio Neves corre o risco de perder a Vice-Presidência e o governo de Minas. De quebra, permaneceria quatro anos sem mandato algum. Isto sim, seria o desastre total para ele.

segunda-feira, maio 24, 2010

VÍTIMA DA ESPERTEZA


Uma parte significativa dos políticos pratica a esperteza, na crença de que a sociedade é constituída basicamente de idiotas. O que aconteceu no Congresso por ocasião da votação do projeto Ficha Limpa exemplifica bem essa esperteza que, ao final, mutilou o espírito inicial da proposta. Por sinal, esta veio a merecer a atenção dos parlamentares porque chegou ao Congresso respaldada por 1,5 milhão de assinaturas, e porque estamos num ano eleitoral. Em outra ocasião, teria merecido o solene desprezo da maioria.

Aprovado em ambas as Casas, só o foi em virtude de dois golpes sutis que alteraram o seu teor original, mas não chegaram a prejudicar sua essência. O primeiro golpe ocorreu na Câmara, quando ficou estabelecido que somente estivessem inelegíveis os candidatos condenados em segunda instância por órgão colegiado da Justiça. A proposta inicial era a da inelegibilidade de condenados em primeira instância.

O segundo golpe ocorreu no Senado. O senador Francisco Dornelles trocou a expressão “ os que tenham sido condenados” por “os que forem condenados” e abriu a porta para que políticos de ficha suja , com condenação em segunda instância, como o deputado Paulo Maluf, possam concorrer neste ano. Não por coincidência, o senador e o deputado pertencem ao mesmo partido, o PP.

Deputados e senadores comemoraram a aprovação do projeto como uma grande vitória do Congresso. Não foi. Não fizeram mais do que o dever e ainda devolveram à sociedade um projeto modificado e vitimado pela esperteza e pelo espírito corporativo. O Congresso deve continuar sob marcação cerrada, pois falta muito para que atinja os padrões mínimos de eficiência e honestidade que dele esperamos.
240510

quarta-feira, maio 19, 2010

MORTE NO NASCEDOURO


No Irã, Mahmoud Ahmadinejad preside um governo que agride sistematicamente os direitos humanos, sufoca a democracia, e investe pesado no desenvolvimento de um programa nuclear que tem merecido a justa desconfiança da comunidade internacional.

Mesmo assim, o presidente Lula, sem abandonar a sua incontida admiração por ditadores, e representando o seu novo papel de promotor da paz mundial, acredita na boa fé do iraniano. Assim, se dispôs a mediar um acordo diplomático pelo qual o país dos aiatolás se compromete a enviar 1200 kg de urânio com baixo enriquecimento à Turquia. Em troca, receberá 120 kg de combustível enriquecido a 20%, suficiente para fins científicos e médicos , mas insuficiente para produzir armas nucleares.

Descrentes da eficácia do acordo, pelo fato de o Irã se recusar reiteradamente a abrir o seu projeto nuclear para inspeção internacional, e desconfiados que o ditador iraniano somente se dispôs a firmar o acordo para ganhar tempo e evitar a aplicação de novas penalidades,Estados Unidos e União Européia insistem numa nova rodada de sanções ao regime dos aiatolás. Desse modo, o acordo mediado pelo Brasil e pela Turquia morre no nascedouro.

Ao presidente iraniano resta o caminho da boa convivência e do respeito às regras internacionais. Ao presidente Lula fica a sugestão para que se dedique mais aos problemas internos e deixe as questões internacionais serem resolvidas por gente grande.

terça-feira, maio 18, 2010

SINAL AMARELO


Uma luz amarela se acende no ninho dos tucanos. As mais recentes pesquisas eleitorais – Vox Populi e CNT/Sensus - colocam Dilma Rousseff e Jose Serra em situação de empate técnico, mas com ligeira vantagem para Dilma.Os governistas regozijam, enquanto tucanos e aliados tentam desqualificar as pesquisas. O senador Arthur Virgílio, por exemplo, prefere atribuir a uma suposta “orquestração” o resultado positivo da petista. O senador Tasso Jereissati prefere imputar os resultados à exposição maciça da pré–candidata petista na televisão.

De fato, é inegável que a ascensão de Dilma tem muito a ver com o uso e abuso da máquina governamental em favor de sua campanha, e pouco com as possíveis qualidades pessoais e políticas da candidata. Tem tudo a ver com a total ausência de escrúpulos de seu padrinho: respaldado na sua popularidade, e julgando-se acima do bem e do mal, Lula afronta a lei e debocha da Justiça Eleitoral.

Mas chorar sobre o leite derramado, a esta altura, não é o melhor remédio para os oposicionistas. A cinco meses do primeiro turno, sobra tempo para que os tucanos e seus aliados reavaliem as suas estratégias, identifiquem seus erros, e formalizem um programa que, de fato, os diferenciem do atual projeto de governo.

segunda-feira, maio 17, 2010

SUJANDO O FICHA LIMPA


O senador Romero Jucá, é indiscutível, entende de governo. Está com o governo seja qual for. Foi o dedicado líder do governo FHC no Senado, e agora, com a mesma dedicação e subserviência, lidera a bancada lulista. Não se sabe se por causa do governismo, ou pelo fato de estar sendo alvo de processos judiciais em Roraima, seu reduto eleitoral, – ou ambas as coisas - Jucá partiu para dificultar a tramitação do projeto Ficha Limpa no Senado.

Ao afirmar que o Ficha Limpa “não é um projeto do governo, mas da sociedade”, o líder governista foi de uma sinceridade cínica, mas cometeu uma grave imprudência em época eleitoral.Talvez, para o seu curral eleitoral em Roraima o projeto não tenha significado algum. Mas o eleitorado bem informado certamente irá cobrar nas urnas qualquer manobra do governo no sentido de desvirtuar, retardar ou sujar o projeto.

domingo, maio 16, 2010

O BOLSA TRI


É injustificável e injusto o projeto enviado pelo governo ao Congresso , na última semana,que concede aposentadoria especial aos jogadores que participaram do tricampeonato mundial de futebol em 1958, 1952 e 1970. Injustificável porque o fato de alguns deles passarem por dificuldade financeira não é razão para que o Erário arque com o prêmio de R$ 100 mil para cada um dos jogadores, mais uma pensão vitalícia mensal de R$ 3.416. Injusto porque cria mais uma pequena casta de privilegiados num país onde a grande maioria dos trabalhadores tem que labutar por mais de 35 anos, e ultrapassar a barreira dos 65 anos, para ter direito a algo pouco acima do salário mínimo.

Os tricampeões mundiais têm todos os méritos e a gratidão dos brasileiros que gostam de futebol. Mas a demagógica generosidade praticada pelo governo com o dinheiro alheio, para o bem de todos, precisa ser rejeitada pelo Congresso.

sexta-feira, maio 14, 2010

O PT DE SEMPRE


Em Minas, o PT anuncia que terá candidato próprio ao governo do Estado. Mas, quem acredita nisso? De fato, o partido organizou prévias para decidir entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias. Venceu Pimentel, afinadíssimo com Dilma, e disposto a não prejudicar a aliança nacional com o PMDB. Assim, por mais que o PT anuncie que irá para a cabeça de chapa, esta já está reservada para Helio Costa, do PMDB, que vem liderando todas as pesquisas de opinião.Mais uma vez, obediente às ordens do líder máximo, o PT assume uma posição de subserviência e se diminui como partido.

MAIS IDÉIAS E MENOS BOTOX




Os candidatos à presidência precisam ser avisados de que não estão participando de um concurso de beleza. Só isto justificaria tamanha preocupação com a aparência física. Plásticas, botox, alinhamento e clareamento dos dentes, correção das pálpebras têm estado na ordem do dia dos três principais candidatos, que , convenhamos, não são nenhum modelo de beleza. Serra , Dilma e Marina , por mais intervenções estéticas que façam, jamais parecerão críveis ao eleitor se não possuírem idéias consistentes e poder de convencimento. É isto que vai decidir as eleições.

segunda-feira, maio 10, 2010

TÁTICAS

No início, Dilma é Lula, Serra não é FHC e Marina tenta ser os dois
Apesar de a campanha ainda estar no início, o debate dos presidenciáveis realizado na quinta-feira em Belo Horizonte deu uma boa amostra das táticas escolhidas pelas coordenações neste momento de pré-campanha. Os três concorrentes escolheram maneiras diferentes para tentar chamar a atenção do público que começa agora a observar melhor os prováveis postulantes à cadeira presidencial.

Dilma Rousseff, como esperado, preocupou-se mais em exaltar os feitos do presidente Lula. Não importa se as questões falavam de futuro, a petista dava sempre um jeito de citar os feitos do atual governo, não necessariamente dentro do assunto proposto. Misturou royalties com habitação e PAC2. Ficou chato.

Já José Serra parece concentrado em desfazer a fama de antipático. Distribuiu sorrisos, brincou com os presentes, usou metáforas futebolísticas - a exemplo de Lula - e até disse que quer o PT e o PV ao seu lado.


Mas, ao contrário da petista, o tucano evita a todo o custo citar o ex-presidente de seu partido, Fernando Henrique Cardoso. Em todas as comparações, nas frases, precedidas sempre por "nós fizemos", não havia créditos para FHC. Ficou artificial.

Dos três presidenciáveis, Marina Silva foi a que mais arrancou aplausos de uma plateia dividida entre apoiadores do PT e do PSDB. Pode parecer óbvio, mas Marina foi a que mais tocou em temas que interessava aos presentes: os problemas dos municípios. Ressaltou os avanços dos dois governos anteriores. Mas não ousou fazer críticas diretas às duas gestões. Ficou superficial.

O resultado do "jogo-treino" entre os principais pré-candidatos em Belo Horizonte é que todos terão que mostrar mais - e certamente têm mais para mostrar. O clima de cordialidade dificilmente vai se manter quando as campanhas estiverem nas ruas, pra valer. Os candidatos serão incitados a se mostrar, a defender-se e a atacar.

Rafael Gomes - O Tempo

segunda-feira, maio 03, 2010

CALMARIA APARENTE

Se no campo governista tudo caminha conforme o desejado, o mesmo não se pode dizer do campo da oposição: PT e PMDB não chegam a um acordo. O pré-candidato do PMDB, senador Helio Costa, lidera todas as pesquisas de opinião, tem o apoio de Lula e a aprovação do Diretório Nacional do PT. O governo petista projeta um palanque forte para a sua candidata Dilma Rousseff, mas o PT estadual, por razões particulares da política mineira, insiste em lançar uma candidatura própria.
CALMARIA APARENTE

A política em Minas é como um jantar fino em que os convivas se comportam de maneira aparentemente civilizada e cavalheiresca, mas trocam pontapés por debaixo da mesa. Na atual disputa eleitoral pelo governo do Estado, não tem sido de outra forma o comportamento dos políticos, especialmente os do PT. Publicamente, prevalecem a cortesia, as boas maneiras, mas , nos bastidores, são frequentes os choques, as confrontações, e, mesmo, a troca de farpas.

No campo da candidatura oficial, tudo parece transcorrer como o programado. A meta é fazer Antônio Anastasia, atual governador e candidato de Aécio Neves, conhecido em todo o Estado, e convencer os eleitores de que ele é o único capaz de dar seqüência à obra do ex-governador, que deixou o governo bem avaliado pela população.

Anastasia foi o “braço direito” de Aécio nos dois mandatos do tucano. Primeiro como secretário de Planejamento, e, depois, como vice-governador. Não seria exagerado dizer que o atual governador se comportou como uma espécie de primeiro – ministro do governo mineiro: implementou o “choque de gestão” e teve influente e decisiva participação em todas as principais questões políticas e administrativas.

Se no campo governista tudo caminha conforme o desejado, o mesmo não se pode dizer do campo da oposição: PT e PMDB não chegam a um acordo. O pré-candidato do PMDB, senador Helio Costa, lidera todas as pesquisas de opinião, tem o apoio de Lula e a aprovação do Diretório Nacional do PT. O governo petista projeta um palanque forte para a sua candidata Dilma Rousseff, mas o PT estadual, por razões particulares da política mineira, insiste em lançar uma candidatura própria.

O problema é que o partido não se entende sobre quem deva ser o candidato. Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social, disputam a candidatura, e, mais do que isso, a liderança do partido em Minas.Para tanto, promoveram , no último domingo, uma consulta às bases.

A Vitória, ainda oficiosa, de Fernando Pimentel (Leia ) , amigo particular de Dilma Rousseff e mais propenso a acatar as ordens do Planalto, faz prever, mas não sinaliza com certeza, uma composição entre o PT e o PMDB, e a formação, em Minas, de uma réplica da aliança nacional que pretende levar Dilma ao poder.Neste caso, Helio Costa encabeçaria a chapa, enquanto os dois petistas ficariam com as candidaturas à vice e ao Senado.

Se, ao contrário do previsto, movido pelo deslumbramento ou pela ambição exagerada, Pimentel se julgar capaz de entrar na disputa pelo poder do Estado, a base de apoio ao presidente Lula e de oposição ao governo do Estado ficará irremediavelmente cindida, e Anastasia sinceramente grato por isso. Como se vê, a calmaria em Minas é apenas aparente.
030510