segunda-feira, abril 12, 2010

RIO,UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Seria simplificar as coisas culpar São Pedro – como fez Lula -, a geografia da cidade, ou a má educação da população, e isentar o poder público. Faz sentido perguntar aos governantes a razão da inexistência de obras de infra-estrutura que permitam um melhor fluxo da água acumulada pelas chuvas, bem como da ausência de uma estratégia efetiva e coordenada de defesa civil. TRAGÉDIA ANUNCIADA

Fenômenos naturais de grande intensidade, que resultam em catástrofes, ocorrem no mundo todo. Mas no Brasil costumam tomar proporções gigantescas devido ao acúmulo de erros humanos e sistemático processo de agressão à natureza. Foi o que aconteceu no Rio de Janeiro, na última semana.

A região metropolitana do Rio foi assolada pelo maior temporal das últimas décadas, cuja intensidade seria, por si só, suficiente para causar estragos materiais de grande porte, e, mesmo, perdas de vidas, mas não nas proporções em que ocorreram. Até o último de semana, foram contabilizados 230 mortos, muita lama e destruição e , sobretudo, governantes atônitos.

É certo que a geografia do Rio atrapalha: premida entre os morros e o oceano, com muito asfalto e cimento no meio, não se poderia esperar outra coisa que não o acúmulo de água e de detritos nas ruas e avenidas da cidade. Isso, somado à conhecida falta de civilidade da população, que insiste em transformar vias públicas em depósitos de lixo, resulta numa ambiente sujeito às catástrofes.

Mas seria simplificar as coisas culpar São Pedro – como fez Lula -, a geografia da cidade ou a má educação da população, e isentar o poder público. Faz sentido perguntar ao presidente da República, ao governador do Rio e aos prefeitos do Rio e de Niterói a razão da inexistência de obras de infra-estrutura que permitam um melhor fluxo da água acumulada pelas chuvas, bem como da ausência de uma estratégia efetiva e coordenada de defesa civil, que possa atuar com rapidez e eficácia em momentos como esse.

Faz sentido, também, indagar aos governantes a razão de continuarem a permitir que pessoas continuem a construir casas e barracos em morros e lixões, assim como questioná-los sobre a falta de um plano de remoção de moradores dessas áreas de risco. Sobretudo, cobrá-los por um sistema educacional deficiente, incapaz de incutir nas mentes das crianças e dos jovens conceitos básicos de cidadania, civilidade e respeito à natureza.

O Japão, situado numa área altamente sujeita a abalos sísmicos, investiu alto em prevenção, e colocou a técnica e a ciência a serviço do abrandamento dos efeitos danosos dos abalos sísmicos. É possível fazer algo semelhante no Brasil, em relação às enchentes.

Sabe-se, entretanto, que os nossos governantes – não por mera coincidência, os mesmos envolvidos na recente tragédia – dedicam todo o seu empenho no patrocínio de dois megaeventos esportivos , e não terão tempo,disposição e recursos para empreendimentos que resultem em segurança e melhores condições de vida para a população do Rio de Janeiro. A continuar como está , anuncia-se novas catástrofes iguais ou de maiores proporções do que essa.
120410

3 comentários:

Anônimo disse...

Nem tudo é tragédia.Pode ser que no meio da tragédia tenham morrido alguns criminosos das favelas.

Everaldo disse...

Talvez seja ignorância também apontar os problemas em outros países depois das chuvas. Não sei o que diriam esses ignorantes sobre o mais recente desastre natural dos USA - o furacão katrina - que destroçou quase 80% dos arredores de News Orleans. Não devia, pois lá é um país organizado, rico, sem bandidos ou corruptos, que ainda hoje, quatro anos e meio pouco ou nada está se fazendo por aquelas pessoas. Imagine se eu não fosse ignorante, o que eu diria disto? ... ...

China Gomes disse...

Numa altura em que Lula é confrontado com o estado e preparação do Brasil para os eventos de futebol que se avisinham, é extremamente importante que o Governo brasileiro trace objetivos e elabore projetos de ordenamento do território, preferencialmente nos locais críticos das principais cidades brasileiras, onde existem favelas. "Estados de calamidade" como estes não poderão existir tão cedo no Brasil!