segunda-feira, abril 05, 2010

PRIVILÉGIOS VITALÍCIOS

Como aqui a cidadania é incipiente, os governantes agem como se proprietários fossem dos recursos públicos, e não agentes políticos e administrativos sob procuração de milhões de cidadãos contribuintes. Legislar em causa própria passou a ser espécie de esporte nacional, praticado tanto em Brasília quanto no mais remoto e insignificante município, passando, é claro, pelas capitais dos Estados. PRIVILÉGIOS VITALÍCIOS

No Brasil, políticos, magistrados, e funcionários dos altos escalões da República gozam de privilégios, vantagens e benesses capazes de deixar estupefatos ou invejosos colegas de países com PIB, renda per capita e IDH muito superiores ao nossos. É que neste país os cidadãos não desenvolveram o saudável hábito de fiscalizar os seus representantes e exigir deles uma conduta sóbria e honrada quando no exercício da função pública.

Como aqui a cidadania é incipiente, os governantes agem como se proprietários fossem dos recursos públicos, e não agentes políticos e administrativos sob procuração de milhões de cidadãos contribuintes. Legislar em causa própria passou a ser espécie de esporte nacional, praticado tanto em Brasília quanto no mais remoto e insignificante município, passando, é claro, pelas capitais dos Estados.

A multiplicação de privilégios e mordomias tem a chancela da lei, e é acobertada pela Constituição: a partir daí , fica difícil extirpar o mal, pois ele se enraizou de tal forma nos hábitos políticos, que o senso comum passou a considerar normal a sua existência.

Vejam o caso dos ex-presidentes da República. É razoável que após deixar o poder eles tenham direito a uma aposentadoria, ou pensão, digna. Mas nada, além disso, se justifica. No Brasil, entretanto, por uma lei sancionada pelo presidente José Sarney, em 1986, alterada durante o governo de Fernando Henrique, e regulamentada por Lula, em 2008, os ex-presidentes têm direito, de forma vitalícia, a dois carros de luxo e oito servidores pagos pelo contribuinte.

Cada funcionário colocado à disposição dos ex-mandatários recebe entre R$1,9 mil e R$8,4 mil. Apenas com gastos de salários desses servidores, sem considerar as despesas com combustível e com a manutenção dos veículos, um ex-presidente custa anualmente R$489,6 mil aos cofres públicos.

José Sarney, Fernando Collor – ambos atualmente no exercício de cargos públicos –, Itamar Franco e Fernando Henrique são os felizes beneficiados com as regalias que eles mesmos criaram, ou mantiveram.

A partir de janeiro de 2011, Lula entrará no time dos felizardos. Mas ao atual presidente toda essa mordomia não basta: ele tentou recriar a pensão para ex-presidentes, extinta pela Constituinte de 1988, como parte de uma reforma política enviada ao Congresso. Felizmente, para alívio dos nossos bolsos, a proposta não foi adiante.
050410


3 comentários:

Ramires disse...

Parabéns pelo tema, mas Essa gente tem essecomportamento indecente pq não encontra reação da chamada sociedade organizada.Organizada pra que?Pro carnaval, pra copa do mundo, mas não protesta contra o assalto que os polítios pratica. Se isso acontecesse em países como Alemanha, Noruega e Japão já tinha gente na rua exiginso decoro. Me respondam pra que um ex presidente precisa de dois carros de luxo?

nidia disse...

Pois é Fernando, é disso que estou falando também. É vergonhoso, é imoral, é...

Anônimo disse...

Como diria Boris Casoy, é uma vergonha!!!