segunda-feira, março 22, 2010

REFÉNS DE LULA

Talvez pelo seu imediatismo e apesar da sua inconsistência , as práticas do governo têm um enorme apelo popular e eleitoral.O resultado é que se instalou no Brasil, como em nenhuma outra época, uma fantástica máquina de aliciamento das massas com o dinheiro público visando a perpetuação no poder de um grupo político.


REFÉNS DE LULA

Na última semana, indagado sobre a sua posição em relação à disputa federativa pelos royalties do petróleo, o presidente Lula disse que esse não era problema seu, mas sim do Congresso. Mais uma vez, Lula provoca o incêndio,e, quando o fogo se espalha , sai pela tangente e finge que não é com ele.

Lula é um político medroso, mas é também egocêntrico, esperto e ardiloso. E sobre essas “virtudes”construiu uma carreira política bem sucedida que o conduziu à presidência. Demonstrou saber dançar conforme a música, tanto na oposição quanto, agora, no poder.

Quando na oposição, desempenhou com competência, durante mais de duas décadas o papel de político intransigente em relação às mazelas políticas, contundente nas críticas aos donos do poder e único conhecedor dos remédios para a cura do mal. Em nome da luta em favor do que, na sua concepção, seria um país melhor e mais justo, o ex-metalúrgico e seu partido muitas vezes se colocaram contra diversos avanços que ocorreram no campo político e econômico.

Expulsaram do partido parlamentares que votaram a favor de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral; foram radicalmente contrários ao Plano Real e previram o seu fracasso; criticaram com veemência o Proer, a Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações das teles e a primeira reforma da previdência ;comandaram ou apoiaram greves, invasões de terras, conflitos no campo e nas cidades; e demonizaram todos os acordos financeiros com o FMI, visando a estabilização financeira.

Quem esperava ou temia que Lula, uma vez no poder, colocasse em prática as idéias que defendia na oposição ficou surpreso ao encontrar um político conservador, pragmático, muitas vezes indeciso e ausente em relação às graves questões que se colocavam na ordem do dia do país.

As reformas foram negligenciadas ou abandonadas. Algumas delas, como a tributária, a política e a da Previdência foram apresentadas ao Congresso , mas o Executivo não moveu uma palha para torná-las factíveis.Por seu turno, as reformas da educação, segurança e da saúde, setores vitais para a transformação econômica e social, nem chegaram a ir para o papel.

Nas relações com o Congresso, com os partidos e com os políticos em geral, Lula se portou como o mais tradicional e fisiológico dos políticos, provocando inveja até mesmo no mestre de todos eles, o ex-presidente José Sarney. Numa prova de que o tempo em que se referia ao Congresso como um antro de “picaretas” ficou definitivamente no passado , figuras de proa no campo da picaretagem são, agora, fiéis guardiões da estabilidade do governo.

A propósito, como bem escreveu Dora Kramer, em seu artigo Companheiro Iscariotes, “Lula pretende demonstrar pragmatismo, mas o que exibe mesmo é um imenso conformismo, incurável conservadorismo e oceânica indiferença em relação a qualquer coisa que não tenha a ver com sua pessoa”. (1)

Os dois sucessivos mandatos de Lula foram alavancados por meia dúzia de medidas e de fatores que, em parte, explicam a sua popularidade. São as práticas populistas de caráter assistencialista, a conjuntura econômica interna favorável, a mastodôntica incompetência da oposição e a massiva propaganda governamental.

Mas as alardeadas medidas do governo no campo social e no campo econômico têm a consistência de um castelo de areia. A distribuição de bolsas podem aliviar momentaneamente algumas famílias, mas não as colocam de maneira efetiva num patamar mais elevado na escala social; a política de cotas raciais pode fazer felizes meia dúzia de estudantes negros, mas não resolve o drama de milhões de estudantes pobres, brancos e negros, submetidos a um ensino público de péssima qualidade; e a diminuição do IPI sobre alguns manufaturados, especialmente automóveis , pode fazer a festa de uma parcela da classe média, mas agrava o trânsito caótico das grandes cidades, e atrasa a busca de uma solução para o transporte público de massa.

Talvez pelo seu imediatismo e apesar da sua inconsistência , as práticas do governo têm um enorme apelo popular e eleitoral.O resultado é que se instalou no Brasil, como em nenhuma outra época, uma fantástica máquina de aliciamento das massas com o dinheiro público visando a perpetuação no poder de um grupo político.

Do outro lado, vazia de idéias, carente de projetos e refém da popularidade do presidente a oposição evita o confronto direto com ele. O provável candidato tucano, José Serra, espera o início oficial da campanha , quando Dilma Rousseff deverá estar sozinha no palco, para, então confrontá-la. Bobagem, porque mesmo aparentemente ausente, Lula estará onipresente ao longo da campanha , e a oposição não terá como fugir dessa realidade.
220310

4 comentários:

Val disse...

Parabens pelo artigo. Só não poddo dizer aqui o que penso a respeito de Lulla porque posso ser processado.Pior que Lulla so mesmo Dillma.

Val disse...

Parabens pelo artigo. Só não poddo dizer aqui o que penso a respeito de Lulla porque posso ser processado.Pior que Lulla so mesmo Dillma.

Dilma Rousseff nossa futura presidenta disse...

Dilma Rousseff nossa futura presidenta
Dilma Rousseff nossa futura presidenta
Dilma Rousseff nossa futura presidenta
Dilma Rousseff nossa futura presidenta
Dilma Rousseff nossa futura presidenta

Sérgio Nassara disse...

Se o povo não se deixar levar pelas ilusões criadas pelo governo, Lula está com os dias contados. O analfabetismo do povo pode deixar que os canalhas continuem por mais tempo no poder É uma lástima