segunda-feira, março 01, 2010

AS FALKLANDS NÃO SÃO ARGENTINAS

É certo que hoje não existem espaço nem clima para uma ação bélica da Argentina contra as Falklands. Mas, certamente, existirá muito espaço se os governantes demagogos e populistas, que hoje predominam no continente, tomados pelo fantasma de Simon Bolívar e de outros líderes da independência latino-americana,quiserem transpor para o século XXI o ambiente do início do século XIX.




AS FALKLANDS NÃO SÃO ARGENTINAS

O governo de Cristina Kirshner retoma a histórica questão sobre a soberania das ilhas Falklands. Pressionada pela crise econômica e assumindo um viés cada vez mais populista e autoritário, a presidente Argentina apelou para o sentimento patriótico do povo e decidiu levar a reivindicação territorial aos fóruns internacionais, em especial, à ONU.

As Falklands – ou Malvinas, como querem os argentinos –são herança tardia do colonialismo britânico no século XIX. No século XVIII, o território foi alvo de disputas entre colonos franceses, ingleses e espanhóis. No século seguinte, como parte do processo de independência do país,os argentinos se apropriaram das ilhas em 1820, mas o Reino Unido retomou o domínio em 1833, e, a partir de então, foi povoada por colonos ingleses, ocupação que passou a fazer a diferença em qualquer debate sobre o futuro do arquipélago.

Em que pese as relações entre a Grã Bretanha , a Argentina e os habitantes das ilhas terem passado por momentos relativamente tranqüilos na maior parte do século passado,o domínio britânico sobre as ilhas fez permanecer um sentimento nacionalista latente, porém exacerbado em momentos críticos de sua política interna. Gradativamente, a reivindicação sobre a posse do território passou a ser uma questão de honra para o governo e o povo.

A exacerbação patriótica chegou ao auge em 1982, alimentada pelo combustível de uma ditadura militar decadente comandada por um general bêbado. Sob o fogo da oposição que exigia a retomada da democracia, o general Leopoldo Galtieri, que presidia a Junta militar , numa desesperada tentativa de salvar o seu governo do naufrágio, ordenou a invasão armada das ilhas, certo de que os ingleses se acovardariam.

A resposta do governo britânico, comandado pela primeira-ministra Margaret Tratcher foi rápida e contundente: mobilizou a Marinha Britânica, enviou uma força tarefa em direção ao Atlântico Sul , a 10 mil quilômetros de distância de sua pátria, para aplicar uma sova inesquecível nos argentinos.A humilhação militar não foi de todo ruim para os sul-americanos porque a queda da ditadura e a reconstrução da democracia representaram o lado positivo da débâcle Argentina. Devem, pois, ser gratos aos britânicos por isso.

Mas a retomada do tema nas últimas semanas talvez não se desse com tanta intensidade não fosse o fato dos britânicos terem iniciado a exploração do petróleo na bacia oceânica do arquipélago, fato evidentemente não aceito pelo governo argentino. Para Londres, o petróleo abriria a perspectiva de tornar as Falklands rentáveis e auto-suficientes, aliviaria os encargos financeiros que a segurança do arquipélago provoca na folha de despesas do Tesouro, e, ainda mais, levaria gradativamente as Falklands a um processo de autonomia política

Para evitar que as coisas evoluam como querem os britânicos, o governo argentino mobiliza o seu exército de apoiadores na América Latina. E já conta com a solidariedade declarada de uma boa parte dos governantes da região, com destaque para o venezuelano Chávez e o brasileiro Lula. Os Estados Unidos , que em 1982 se colocaram prontamente ao lado da Grã Bretanha, agora se mostram compreensivo em ralação aos reclames da Argentina .

É certo que hoje não existem espaço nem clima para uma ação bélica da Argentina contra as Falklands. Mas, certamente, existirá muito espaço se os governantes demagogos e populistas, que hoje predominam no continente, tomados pelo fantasma de Simon Bolívar e de outros líderes da independência latino-americana,quiserem transpor para o século XXI o ambiente do início do século XIX.

Portanto, é necessário que a discussão sobre a soberania das Falklands seja descontaminada do vírus da demagogia e do falso patriotismo,e que se considere como ponto prioritário e fundamental , acima do maniqueísmo que a Argentina tenta impor, a vontade dos habitantes das ilhas. Se hoje eles apóiam o estado atual de soberania sobre essas ilhas, e desejam continuar ligados à Grã Bretanha , que seu desejo seja respeitado.
010310

4 comentários:

Perrone disse...

A Argentina precisa de muitos investimentos para desenvolver sua indústria de defesa. Não adianta ficar pedindo uma soberania, pois ela não virá! Se desejam reaver seus direitos terão que mostrar força e empenho militar à altura de seu adversário.

Perrone disse...

A Argentina precisa de muitos investimentos para desenvolver sua indústria de defesa. Não adianta ficar pedindo uma soberania, pois ela não virá! Se desejam reaver seus direitos terão que mostrar força e empenho militar à altura de seu adversário.

Anônimo disse...

Os britânicos vem do outro hemisfério explorar petroleo praticamente na costa marítima da argentina, é claro que isso só é possível porque eles tem ampla superioridade militar sobre a Argentina.

Aí eu pergunto:
1) Será que eles fariam a mesma coisa se a argentina fosse uma potência nuclear?
2) Será que o Irã esta totalmente errado?
3) E se fosse na costa do Brasil?

Perguntas que não se calam

Reinaldo disse...

Fernando, vc tem razão quando diz que o problema tem que ser resolvido pelos habitantes do arquipélago. Agora, vá dizer isso aos esquerdiotas e aos petralhas...Eles vem com aquele papo decorado na cartilha de Fidel: é imperalismo!