quinta-feira, janeiro 07, 2010

SAINDO DO ARMÁRIO

A decisão de Serra em adiar para março a definição sobre a sua candidatura foi um golpe certeiro no adversário de partido, mas jogou sobre os seus ombros toda a responsabilidade de comandar o exército oposicionista na próxima batalha eleitoral.


Saindo do armário

Discreto, comedido e, às vezes, tímido, o governador de São Paulo, José Serra faz contraponto ao estilo efusivo, aberto e burlesco do presidente Lula. Mas certamente não foi apenas por força de seu temperamento que ele optou por permanecer no armário enquanto o presidente percorria o Brasil e o mundo, em plena campanha eleitoral, para promover a sua candidata. Serra permaneceu mudo e quieto por uma questão estratégica.

Lula iniciou a sua campanha eleitoral ainda no primeiro semestre de 2009, sob o silêncio da oposição e a conivência da Justiça Eleitoral. Sob o pretexto de inaugurar obras do PAC, apresentou ao Brasil a até então desconhecida Dilma Rousseff, enquanto no território tucano permanecia o dilema sobre quem seria de fato o candidato oposicionista, já que o mineiro Aécio Neves também tinha pretensões ao trono presidencial.

A decisão de Serra em adiar para março a definição sobre a sua candidatura foi um golpe certeiro no adversário de partido, mas jogou sobre os seus ombros toda a responsabilidade de comandar o exército oposicionista na próxima batalha eleitoral. Serra ainda insiste em adiar para março a sua entrada oficial na disputa, e , neste aspecto, não deixa de ter razão: os meses de janeiro e fevereiro chamam mais a atenção da mídia pelas enchentes, desabamentos , e pelo carnaval, do que por quaisquer temas políticos. Assim, o ano político começa, de fato, em março.

De qualquer forma, quando assumir a sua candidatura, uma série de tarefas estará a exigir a atenção do candidato tucano. Terá que promover a união do partido, articular as alianças, escolher o vice, e, sobretudo, elaborar um programa de governo que convença o eleitorado de que será possível substituir o atual modelo lulo-petista por um outro que privilegie o desenvolvimento sobre bases realmente sólidas. A educação, a saúde e a segurança estão a pedir socorro.
070110

3 comentários:

Joel# disse...

Enquanto Serra METEU AS CARAS CONTRA A DITADURA (a favor da democracia) e tinha que fugir para não tomar chá de sumiço nos porões do DOPS onde estava dilma? Escondida em MG, ela não lutou contra a ditadura, ela lutou contra a ditadura capitalista e, se depender dela, SERÁ IMPLANTADA A DITADURA SOCIALISTA NO BRASIL (depois da censura nos meios de comunicação alguém tem duvida disso??)

Reinaldo disse...

Fernando, se José Serra não for eleito presidente neste ano, o Brasil vai perder a grande oportunidade de ter um governante sério e correto, completamente oposto ao oportunista que atualmente está no poder.

Mariazinha de Alencar Silva disse...

MATAR ESQUERDISTA É CRIME IMPRESCRITÍVEL, MAS MATAR UM DIREITISTA É MÉRITO A SER INDENIZADO PELO ESTADO
Há um manifesto das pessoas que se dizem contrárias à anistia para torturadores. É aquele, vocês sabem, encabeçado pelo sambista Chico Buarque, pela petista disfarçada de petista Marilena Chaui e pelo maior subscritor de abaixo-assinados da história do Ocidente, Antonio Candido. Há duas linhas mais vigaristas da história jamais escritas num manifesto, mesmo de esquerdistas. Leiam isto: Não à anistia para os torturadores, seqüestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar. Não! Não cometi nenhum erro de transcrição. Eles são contra a anistia para os torturadores, seqüestradores e assassinos DOS OPOSITORES À DITADURA MILITAR. Já os torturadores, seqüestradores e assassinos de inimigos da esquerda, bem, esses mereciam, naturalmente, a anistia. Os assassinos que compunham a Vanguarda Popular Revolucionária, por exemplo, o grupo a que pertencia Dilma Rousseff, mereciam a anistia porque estavam cometendo um crime “político ou conexo”. Sempre que um esquerdista mata alguém está fazendo política, conforme nos ensina Tarso Genro em seu arrazoado sobre Cesare Battisti. Já um direitista ou “agente do regime”, se mata alguém de esquerda, está cometendo um crime de lesa humanidade. Para esses humanistas, existem o bom e o mau assassinatos: mata-se legitimamente, em nome de uma causa, quando quem tomba é o adversário. E se comete um crime imprescritível apenas quando morre um esquerdista.