segunda-feira, dezembro 27, 2010

MAU COMEÇO

A presidente eleita tem demonstrado que no trabalho de constituição do primeiro escalão tem prevalecido o velho e conhecido fisiologismo. Na escolha dos futuros ministros, prepondera o atendimento às exigências dos partidos aliados, a reserva dos melhores lugares para os correligionários mais influentes, e a abertura de novos espaços para amigos derrotados nas últimas eleições.
Diferença : Nos EUA Bill Richardson, indicado secretário de Comércio, foi descartado por Obama; no Brasil, Ideli permanece incólume.
MAU COMEÇO

Se Dilma Roussef tem marca política própria e capacidade de imprimir um novo estilo de governo que a diferencie de Lula, essas virtudes não estão sendo reveladas na formação de sua equipe de governo. Em tudo e por tudo, ela se iguala aos métodos de seu padrinho político, e ,em alguns casos, consegue superá-lo negativamente.

A presidente eleita tem demonstrado que no trabalho de constituição do primeiro escalão, muito longe da competência e do mérito, que deveriam servir de referencial a nortear a escolha dos nomes, tem prevalecido o velho e conhecido fisiologismo, Na escolha dos futuros ministros, tem preponderado a preocupação em atender às exigências dos partidos aliados, em reservar os melhores lugares para os correligionários mais influentes, e em abrir novos espaços para amigos derrotados nas últimas eleições.

O resultado tem sido a formação de uma equipe gigantesca e constituída por pessoas cuja qualificação específica para as pastas para as quais foram indicadas é uma incógnita para o grande público eleitor e contribuinte. A adição de novos cargos aos já existentes no escalão ministerial tem efeito multiplicador sobre os níveis inferiores, jogando para o espaço as promessas de campanha e a necessidade urgente de racionalização e enxugamento da estrutura governamental.

As conseqüências imediatas de tal disparate já se fazem sentir. Pelo menos, dois dos escolhidos para compor o futuro ministério aparecem envolvidos em maracutaias com dinheiro público. A senadora Ideli Salvatti, indicada ministra da Pesca, que recebe do Senado R$3800 mensais para custear sua moradia, cobrou do erário R$ 4606 referentes à hospedagem num hotel em Brasília.Por sua vez, o octogenário deputado Pedro Novais, escolhido ministro do Turismo por indicação de José Sarney, recebeu da Câmara R$ 2156 por conta de uma suposta hospedagem num motel (?) de São Luis ( MA), em junho deste ano.

Nos Estados Unidos, no momento da formação de seu secretariado, o então presidente eleito Barack Obama teve o desconforto de saber que alguns dos escolhidos não eram exatamente o que se pretendia em matéria de correção moral e probidade. A solução foi imediata: os indicados tiveram que “ desistir “ do cargo para não comprometerem o início do novo governo, não sem antes se submeterem a um constrangedor pedido público de desculpas.

No Brasil, a senadora Ideli e o deputado Novais permanecem incólumes e consideram perda de tempo dar explicações à sociedade, enquanto a presidente eleita, Dilma Rousseff, acha desnecessário afastá-los da equipe.Sem dúvida,um mau indício para um governo que ainda nem começou.
271210

quinta-feira, dezembro 16, 2010

TAPA NA FACE DO BRASILEIRO

Ontem, o Congresso Nacional agiu de forma pouco comum em sua história recente. Deputados e senadores, da situação e oposição, finalmente se uniram em torno de um ideal. Menos de dois meses depois de uma conturbada eleição presidencial, deixaram as diferenças políticas de lado, bate-bocas, as ofensas pessoais, dossiês e acusações, para votar uma proposta de maneira quase uníssona e em uma agilidade impressionante.

Não, caro leitor, não foi por um novo regime tributário, que acabaria com as cobranças em cascatas de impostos que sufocam as empresas - principalmente as menores - travando o crescimento do país.Não é a reforma política, que impediria o uso de figuras populares para quebrar recordes de votação, alavancando coligações e elegendo consigo mais uma trupe de candidatos que tiveram menos votos do que muitos que ficaram de fora.

Infelizmente, a união de todo o Congresso ontem não foi para aumentar o salário mínimo, cujo governo oferece dar um aumento de R$ 30 para cada trabalhador, depois de gritar aos quatro cantos que o país já deixou a crise econômica para trás há meses. Pelo contrário. Ontem, parlamentares do PT e do PSDB, peemedebistas, democratas e todas as outras legendas - exceto o PSOL - fizeram questão de esquecer tudo aquilo que deveria ser prioritário para o país, em favor de si mesmos.

A indignação não é pelo valor em si - R$ 10,2 mil a mais para cada parlamentar -, mas pelo ato simbólico de ignorar a realidade do país dias depois de subirem em palanques e prometerem agir com ética, responsabilidade e dignidade.
É claro que as caras deles não queimam. Ardem as nossas com mais esse tapa.

Rafael Gomes

segunda-feira, dezembro 13, 2010

DIVIDINDO A SOCIEDADE

Apesar do discurso rancoroso e demagógico ter soado como música nos ouvidos dos mais carentes e menos esclarecidos, Lula não contribuiu um milímetro para arrancá-los efetivamente da pobreza e da ignorância, e ainda se permitiu a práticas de distribuição de cotas e bolsas, fato que só fez acentuar o caráter puramente assistencialista de suas políticas sociais . Fez de ações que deveriam ser apenas emergenciais e paliativas, a marca registrada de seu governo.
DIVIDINDO A SOCIDADE

Ao afirmar que governa somente para os pobres, porque os ricos não precisam do Estado, Lula colocou mais um tijolo no muro de asneiras que proferiu ao longo de seus dois mandatos, e confirmou que se esforçou pelo apartheid social. Dentre outras, Lula deixa como herança maldita o fato de ter incorporado ao cenário político,de forma insistente e proposital, o surrado maniqueísmo. Com suas declarações, acirrou o ódio entre as classes, bem ao velho estilo marxista, mas de forma canhestra.

Lula tem alimentado o ódio entre as classes ao atribuir aos “ricos” a culpa por todas as mazelas do país. Estabeleceu uma nítida linha demarcatória entre os que potencialmente formariam o seu eleitorado – a maioria absoluta do povo – e os que lhe fariam oposição.

Apesar do discurso rancoroso e demagógico ter soado como música nos ouvidos dos mais carentes e menos esclarecidos, Lula não contribuiu um milímetro para arrancá-los efetivamente da pobreza e da ignorância, e ainda se permitiu a práticas de distribuição de cotas e bolsas, fato que só fez acentuar o caráter puramente assistencialista de suas políticas sociais . Fez de ações que deveriam ser apenas emergenciais e paliativas, a marca registrada de seu governo.

O líder petista se engana, e tenta enganar aos incautos, quando diz que os ricos não precisam do Estado. Toda a sociedade, independentemente de classe social, é credora do Estado. Todos contribuem com seus impostos para que o Estado aja em benefício de todos. Se, por exemplo, ao invés de práticas assistencialistas. o governo implementasse a melhoria da educação, “ricos” e pobres se beneficiariam.

A classe média – que Lula chama de “ricos” – não precisaria arcar com as despesas de serviços particulares de ensino, e seus filhos freqüentariam, junto com os filhos dos pobres, escolas públicas de qualidade, o que certamente possibilitaria, pelo esforço e pela competência , a ascensão social de todos.

No apagar das luzes, Lula confirmou mais uma vez a sua visão limitada sobre as atribuições do governo e do Estado, e sua relação com a sociedade. Penalizou o setor produtivo com impostos extorsivos, manteve a sua massa de eleitores na pobreza e na ignorância, adicionando uma dose de dependência, com o propósito primeiro de dar continuidade ao projeto de perpetuação no poder do lulo-petismo. Nesse sentido, a eleição de Dilma Rousseff representou a vitória do maquiavelismo mais cínico e oportunista.
131210

segunda-feira, dezembro 06, 2010

CHEQUE EM BRANCO


A oposição ao governo mineiro na Assembléia Legislativa pode ter todos os defeitos possíveis, mas tem razão quando dificulta a tramitação do projeto de Lei Delegada, que concede ao governador Antonio Anastasia amplos poderes para promover a reforma administrativa no Estado, sem precisar da aprovação dos deputados estaduais.

A exemplo do que já havia ocorrido nas duas gestões de Aécio Neves, na prática, a Assembléia passa ao atual governador um cheque em branco para criar e extinguir órgãos e secretarias , remanejar funcionários, estabelecer critérios salariais e planos de carreira, contratar e demitir funcionários , e muito mais.

A oposição – limitada ao PT, PC do B,e, apenas em tese, PMDB - faz o que pode, mas não pode muito: o governo tem ampla maioria na Casa. O PSDB e seus aliados argumentam que a reforma pretendida pelo governo é necessária – o que é verdade -,urgente e, portanto, requer tramitação rápida. Alegam que as discussões no parlamento retardariam a sua implementação e resultaria na sua inviabilidade.

Se é indiscutível que a ausência do debate parlamentar agiliza a formalização de qualquer lei, também é fato que nas ditaduras as leis nascem da vontade do déspota ou de um grupo restrito, e sua aplicação é imediata.

Portanto, ao abrir mão do dever constitucional de discutir os passos de uma reforma que altera a estrutura do Estado e modifica a vida de milhares de pessoas, para priorizar a “agilidade”, em nome de uma suposta eficiência, importa saber se os parlamentares mineiros estão dispostos a pagar o preço do enfraquecimento da democracia.

Nesse ponto, as relações entre o Executivo e o Legislativo no Brasil, sempre marcadas pelo avassalador domínio do primeiro sobre o segundo, nos leva a um sentimento de inveja em relação aos países europeus, predominantemente parlamentaristas, onde acalorados debates são travados entre governo e oposição a cada projeto novo. Em Minas, os deputados renunciam à boa prática democrática e não fazem muito menos do que entregar ao governador Anastasia o cetro e a coroa do despotismo.

061210

domingo, dezembro 05, 2010

LUA DE FEL


O presidente Luiz Inácio da Silva é daquelas pessoas sortudas, mas que demonstram acentuada dificuldade em conviver com o que de bom a vida lhes dá. Querem sempre mais e acham que o mundo lhes é um eterno devedor.

Lula tem todos os motivos para celebrar o sucesso: veio da pobreza, viu o ambiente no qual soube aproveitar oportunidades e venceu ao custo de esforço, obstinação e uma sorte rara.

Chegou à Presidência da República, transitou por ela com apoio inédito – política e socialmente falando –, transpôs obstáculos aparentemente intransponíveis, chega ao fim de dois mandatos popular como nenhum outro e carregando consigo o feito de ter convencido a maioria dos brasileiros a eleger presidente uma desconhecida.

Nunca se viu nada igual (para o bem e para o mal) e dificilmente o país verá tão cedo algo parecido.

Lula tem razões de sobra para estar feliz. Felicíssimo. No entanto anda triste. Tristíssimo. Chorando por qualquer coisa, segundo relatos de correligionários. Destilando ressentimento e insatisfação como se pode observar por seus atos e palavras nos últimos tempos.

Durante a campanha eleitoral poder-se-ia atribuir esse estado de espírito à tensão do combate.

Na hora da despedida é difícil perceber por que no lugar de estar em lua de mel consigo, Lula cultiva o fel e se dispõe ao exercício da grosseria com uma frequência atípica para quem teria tudo para estar de bem com a vida.

Não quer largar o poder. En­­tende-se, mas até certo ponto, pois a compreensão da regra do jogo é um imperativo a todo governante. Bem como uma razoável conexão com a realidade.

Lula sai iludido de que é a própria “encarnação” do povo brasileiro. Convenceu-se de que está acima dos demais e que tudo pode. Inclusive dar-se ao desfrute da covardia.

Gratuita, para dizer pouco, a agressividade com que atacou o repórter Leonencio Nossa, do O Estado de S.Paulo, por causa de uma pergunta sobre o motivo de sua visita ao Maranhão, na última terça-feira. O jornalista quis saber se a presença do presidente no estado era uma forma de agradecimento à “oligarquia Sarney”.

Uma pergunta crítica. Respondida de maneira tosca e covarde: “Você tem de se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito”.

De uma investigação psicanalítica necessita o presidente para compreender a razão de defender-se assim diante de uma mera indagação sem nenhuma ofensa. Consciência pesada por ter se aliado ao que há de mais retrógrado na política?

Arrependimento por não ter tentado o lance maior do terceiro mandato?

Consciência tardia de que quebrou o juramento de cumprir a Constituição?

Seja o que for não justifica a ignorância. No sentido de ignorar o sentido do termo oligarquia (governo de poucas pessoas, pertencentes a um mesmo partido, classe ou família) e no sentido da hostilidade e, sobretudo, da covardia, pois sabia que o rapaz não poderia reagir ao ataque.

Esse é só um exemplo entre vários. Demonstração de que o ofício do poder requer preparo, principalmente para deixar de exercê-lo com um mínimo de nobreza.

segunda-feira, novembro 29, 2010

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Finalmente se deram conta de que a segurança da cidade não podia se limitar aos rotineiros e improdutivos enfrentamentos entre policiais despreparados e bandidos, mas que se tratava de uma questão gravíssima, que estava a requerer uma ação bélica frontal e coordenada entre as tropas de elite da policia estadual e as Forças Armadas. Uma ação militar com estratégias de guerra, tal como foi feito.
O governo do Rio de Janeiro e o governo federal fizeram em uma semana o que deveria ter sido feito há, pelo menos, 25 anos: ocuparam pela força das armas áreas sob o domínio do tráfico. Foi preciso que os marginais radicalizassem e partissem para tresloucadas ações de incêndios a veículos, levando pânico à população, para que os governantes acordassem.

Finalmente se deram conta de que a segurança da cidade não podia se limitar aos rotineiros e improdutivos enfrentamentos entre policiais despreparados e bandidos, mas que se tratava de uma questão gravíssima, que estava a requerer uma ação bélica frontal e coordenada entre as tropas de elite da policia estadual e as Forças Armadas. Uma ação militar com estratégias de guerra, tal como foi feito.

Durante as últimas décadas, a relação entre poder público do Rio e o crime organizado vem sendo marcada por grandes doses de incompetência, misturadas com porções de conivência e muita promiscuidade entre os órgãos responsáveis pela segurança e o tráfico.Os sucessivos governos estaduais, em regra, procuravam se isentar da responsabilidade pelo caos e atribuir a culpa ao governo federal, acusando-o de negligencia em relação à segurança das fronteiras, por onde entram as armas e as drogas que abastecem os morros do Rio.

Para complicar, defensores dos bandidos, sob a máscara de uma pretensa defesa dos direitos humanos, dificultavam a ação repressiva da polícia sob o pretexto de proteger os cidadãos carentes que residem nas áreas sob o domínio dos criminosos, minimizando o fato de que as maiores vítimas dessa situação são justamente essa população.

A ocupação do morro Vila Cruzeiro, com a consequente debandada dos marginais daquela área, foi apenas a primeira batalha vitoriosa. A curto prazo, muitas outras serão necessária para a completa desmobilização das quadrilhas. A médio e a longo prazos, a ocupação não poderá se limitar à presença militar: terá que se dar pela presença de escolas, unidades de saúde , obras de saneamento e tudo mais que marque a presença efetiva do Estado. A guerra ainda está por ser vencida, mas a primeira batalha finalmente foi travada. Antes tarde do que nunca.
291110

segunda-feira, novembro 22, 2010

O QUE HÁ DE PIOR

O PMDB é uma confederação de caciques regionais que agem como senhores feudais, mas que se entendem muito bem quando se trata de ocupar postos estratégicos do governo federal. Por “estratégicos” entenda-se, é claro, cargos e funções aquinhoados com verbas orçamentárias suficientes para que esses políticos possam continuar praticando o mais puro clientelismo.O PMDB representa o que existe de pior na política. Sem rosto definido, sem ideário conhecido, e sem estratégia de conquista do poder pelas suas próprias forças, o partido tem levado ao extremo o pragmatismo mais cínico, e feito da permanência no governo acoplado a outro partido a sua marca registrada.

Permaneceu no governo de Fernando Henrique enquanto este esteve forte. Em 2002, na sucessão de FHC, se dividiu entre os que apoiaram a candidatura de José Serra e os que preferiram se aliar ao PT de Lula. Assim que o governo Lula abriu espaço para a sigla, os peemedebistas tomaram de assalto, com fome de leão, ministérios, secretarias, diretorias e tudo mais que representasse poder e dinheiro público.

O PMDB fez do fato de estar no poder sem precisar disputá-lo diretamente a sua principal razão de existir, embora com a eleição de Michel Temer à vice tenha dado um passo importante no sentido de, eventualmente, assumir o comando da República , o que não acontece desde o malfadado governo de José Sarney.

A última vez que o partido lançou candidato próprio à presidência foi em 1994, quando concorreu melancolicamente com Orestes Quércia – ficou em 4º lugar, atrás de Enéas Carneiro, do Prona. Em 1998, os principais caciques do partido, no propósito de participar do banquete governista, humilharam o ex-presidente Itamar Franco, porque este teve a ingenuidade de se oferecer como candidato da sigla contra o projeto de reeleição de Fernando Henrique, ao qual o PMDB estava vinculado. Em 2006, foi a vez do senador Pedro Simon e outros poucos serem ridicularizados ao defenderem a candidatura própria contra os interesses dos caciques,que já haviam decidido apoiar a reeleição de Lula.

Como se sabe, o PMDB é uma confederação de caciques regionais que agem como senhores feudais, mas que se entendem muito bem quando se trata de ocupar postos estratégicos do governo federal. Por “estratégicos” entenda-se, é claro, cargos e funções aquinhoados com verbas orçamentárias suficientes para que esses políticos possam continuar praticando o mais puro clientelismo. Para isso, manipulam as suas bancadas no Congresso, não no sentido de pressionar o governo a promover políticas corretas e eficientes, mas no de atender às suas demandas particulares.

Lula e o PT entenderam e assimilaram muito bem o espírito da coisa. Tanto que, no governo, o PT ficou cada vez mais parecido com o PMDB. Durante os últimos oito anos mantiveram , muitas vezes entre tapas e beijos, uma parceria que , pelo recente resultado das urnas , parece ter atendido aos interesses de ambos, embora ao custo do empobrecimento da democracia.

Normalmente, o governante em início de mandato procura uma trégua com a oposição.No Brasil, a oposição anda tão mal das pernas e da cabeça que, sob esse aspecto, Dilma Rousseff não tem muito que se preocupar. Ao iniciar o seu governo, sua principal tarefa será aplacar a fome de seu principal aliado. A maneira como agirá nesse sentido vai sinalizar se o seu governo pretende mudar velhos hábitos e costumes ou se vai permanecer com as mesmas velhas e viciadas práticas.
221110

segunda-feira, novembro 15, 2010

EM CAUSA PRÓPRIA


Findo o período eleitoral, os eleitos deixam de lado os temas repetidos ad infinitum, com o propósito de amaciar as mentes e os corações dos eleitores – saúde, educação, segurança, desemprego, salário -, e se concentram nos que lhes interessam particularmente, mas que mexem com o bolso de milhões de contribuintes.

Mal as urnas foram fechadas, os governadores , quase em uníssono, reivindicaram o retorno da CPMF. Agora é a própria presidente eleita que reclama dos valores pagos no Poder Executivo, e, em causa própria, propõe um “ reajuste salarial”. Segundo ela, alguma coisa precisa ser feita, porque o salário “é muito defasado em relação ao mercado”.

Se comparado com os dos demais poderes da Federação, os salários do Executivo de fato são inferiores. Enquanto um ministro recebe pouco mais de R$11 mil, um parlamentar federal ganha R$ 16 mil, e um ministro do Supremo, R$26 mil. Com o reajuste proposto, o presidente da República passaria a receber R$ 28 mil , e um ministro, R$12 mil.

É preciso considerar, entretanto, que os ganhos de um membro do primeiro escalão do Executivo não se limitam ao salário. Cada membro da elite dirigente acumula uma série de vantagens, privilégios e mordomias que não são claramente qualificados e quantificados. Ademais, qualquer aumento salarial na ponta da pirâmide do serviço público pressiona para o alto os salários da base do funcionalismo, provocando um efeito cascata.

Mas não é só. A presidente eleita falseia , ou tenta confundir o contribuinte, quando argumenta que com os atuais níveis salariais do primeiro escalão, “fica difícil conseguir pessoas qualificadas”para o exercício das funções de ministro, secretário, e dirigente de estatais ou autarquias.

O argumento carece de fundamento porque muitos dos escolhidos, quando tem outra cargo público, como senador, por exemplo, optam por permanecer com o salário do cargo de origem..Também porque a escolha dos auxiliares do primeiro escalão raramente se dá pelo critério da qualificação e da competência, mas sim pelo princípio político, levando-se em conta exclusivamente os interesses dos partidos que constituem a base governista. Finalmente porque o atrativo maior da atividade política não são os salários, mas a possibilidade de exercer alguma forma de controle – legal ou ilegal - sobre o destino dos bilhões que alimentam os cofres da União.

Salários maiores para a cúpula dirigente só faria sentido se acompanhados de mais transparência na atividade política. Quando fosse esclarecido, por exemplo, o que leva um candidato a deputado federal a gastar, em média, R$1,1 milhão para se eleger, quando em quatro anos de mandato receberá um total de R$792 mil. Algo está errado nessa equação. Nem a Velhinha de Taubaté acredita em tamanho altruísmo ou tamanho desapego ao dinheiro.
151110

segunda-feira, novembro 08, 2010

FACA NO PEITO

O quadro da saúde pública neste país é dantesco: faltam hospitais, leitos, remédios, médicos e enfermeiros. Mas falta, sobretudo, gestão eficiente.A saúde pública neste país é mal administrada, os recursos financeiros são mal empregados, o desperdício é generalizado.Além do mais, nada garante que os novos recursos arrecadados serão de fato destinados exclusivamente ao setor, conforme prometido.

FACA NO PEITO
Nem ainda assumiram os seus respectivos mandatos, e os chefes de executivo recém-eleitos - presidente e governadores – já nos ameaçam com a volta da CPMF, ou que nome venha a ter. Na busca de votos, prometeram o céu e a terra. Agora, nos anunciam o inferno.

Durante a campanha eleitoral, nenhum candidato teve a ousadia de se declarar favorável a criação de novos impostos. Ao contrário, todos se diziam compromissados com a diminuição da carga tributária. Mal terminadas as apurações, retomaram o discurso da necessidade de uma fonte arrecadadora exclusivamente destinada a financiar a saúde. E que não se culpe apenas o PT pelo mau agouro. O governador tucano de Minas, Antonio Anastasia, revela-se um dos maiores entusiastas da idéia da volta do imposto do cheque.

Morto em 2007, na maior derrota sofrida pelo governo no Congresso, a CPMF não deixou saudade. Mas Lula não engoliu a perda e descarregou toda a sua ira sobre o Democratas, partido que liderou a batalha pela extinção do imposto. Embasada na eleição de um Congresso majoritariamente governista, a presidente eleita se sente segura para retomar o tema. Seria até aceitável, se a proposta viesse no âmbito de uma reforma tributária, ou mesmo de uma reforma do sistema de saúde, pois muito mais do que uma questão de financiamento, a saúde pública no Brasil é uma questão de gerenciamento.

É verdade que o quadro da saúde pública neste país é dantesco: faltam hospitais, leitos, remédios, médicos e enfermeiros. Mas falta, sobretudo, gestão eficiente.A saúde pública neste país é mal administrada, os recursos financeiros são mal empregados, o desperdício é generalizado.Além do mais, nada garante que os novos recursos arrecadados serão de fato destinados exclusivamente ao setor, conforme prometido.

É bom lembrar que por ocasião da criação da CPMF no governo Fernando Henrique, o propósito anunciado era o mesmo, mas o que se viu foi o direcionamento das verbas antes destinadas à saúde para outros setores, o que motivou o protesto e a saída do então ministro da Saúde, Adib Jatene.

Infelizmente, não existem planos e estratégias efetivos para tornar a gestão da coisa pública menos onerosa, mais racional e eficiente. Afinal, é regra, a cada governo que se instala, o preenchimento de todos os espaços da administração com correligionários, apoiadores , parentes , apadrinhados e toda espécie de parasitas e sanguessugas. Se forem necessários novos cargos para ajeitar os amigos, que sejam criados. Afinal, quem paga a conta é a sociedade.

O fato é que o Brasil teve arrecadação recorde no último ano - fato cantado em prosa e verso pelos petistas -, mas continua a empregar mal o que arrecada. Nada tem sido feito para frear a exorbitância do custeio da máquina administrativa dos três poderes. O atual governo não demonstra a mínima disposição para conter os gigantescos ralos da corrupção e do desperdício.

E ainda se dá à desfaçatez de promover num curto espaço de tempo os dois maiores eventos esportivos do planeta, o que certamente promoverá desperdício de dinheiro público jamais visto na História deste país.Assim, falta ao governo autoridade moral para colocar a faca no peito do cidadão e exigir dele cada vez mais recursos para financiar a infindável gastança pública.
081110

segunda-feira, novembro 01, 2010

DE VOLTA À REALIDADE

Dilma não tem sombra do carisma, da popularidade e da mística construída em torno do seu padrinho político. Com seu estilo rude e sua reconhecida inexperiência política, é pouco provável que nos próximos anos consiga se assemelhar à imagem de seu criador político. Terá, portanto, que trabalhar com a realidade , e compensar a total ausência de simpatia com demonstrações de competência administrativa, habilidade política e respeito à ética.Conseguirá?

DE VOLTA À REALIDADE

Agora é pra valer. O que era previsto se concretizou. Menos pelas virtudes da candidata, e mais pelo escandaloso uso da máquina federal, pela atuação acintosamente antiética do presidente, e pelo tom passional da campanha. Tudo isso se traduzindo no número de votos suficientes para levar Dilma Rousseff ao poder. Soma-se o fato da campanha da oposição ter mergulhado num mar de indecisões e contratempos, marchas e contra-marchas, que ajudaram a candidata de Lula chegar no alto do pódio.Mas isso agora é passado, do qual se deve tirar lições.

O que interessa agora é saber o que vai representar a “continuidade” proposta pela campanha do PT. Se significar as incontáveis mazelas praticadas pelo governo Lula, as perspectivas para os próximos anos, é claro, não são nada animadoras.

Se significar, por exemplo, a continuação da apropriação da máquina pública pelos partidários e apadrinhados, o prosseguimento da política populista de distribuição de bolsas e cotas em prejuízo de uma política social efetivamente inclusiva, ou o prolongamento da voracidade tributária, aliada ao descompromisso com o equilíbrio fiscal e ao desprezo aos projetos realmente prioritários no campo da educação, saúde e segurança, Dilma terminará seu governo muito pior do que o atual.

No atual governo, o mito foi maior do que a realidade: Lula somente sobreviveu ao mensalão do seu primeiro mandato porque carregava se impunha a aura de líder messiânico que veio da pobreza para redimir os pobres da ganância da “elite”. O grande público, uma parte da mídia, e a oposição tucana foram condescendentes com as grandes bobagens ditas e feitas por ele porque estava emoldurado por essa aura. Nesse sentido, a eleição de Dilma trouxe o país de volta à realidade.

Dilma não tem sombra do carisma, da popularidade e da mística construída em torno do seu padrinho político. Com seu estilo rude e sua reconhecida inexperiência política, é pouco provável que nos próximos anos consiga se assemelhar à imagem de seu criador político. Terá, portanto, que trabalhar com a realidade , e compensar a total ausência de simpatia com demonstrações de competência administrativa, habilidade política e respeito à ética.Conseguirá?

Escolher bem a sua equipe e impor uma linha construtiva no relacionamento com o Congresso são as primeiras tarefas que vão colocar à prova a sua capacidade e a sua disposição de realizar um governo mais digno do que o atual. Para isso, será imprescindível que se livre de figuras descomprometidas com a ética, como José Dirceu e José Genoino, que voltaram a dar as caras na campanha da candidata. Para isso, terá que saber aplacar a fome dos diversos partidos que se aliaram à sua campanha sem apelar para o velho fisiologismo.

No Ministério da Minas e Energia e na Casa Civil, além de não demonstrar compromisso com a ética e a probidade, Dilma ganhou fama de “mandona”.Na presidência, a arrogância e o autoritarismo terão que dar lugar à liderança. Nesse sentido, muitos duvidam de sua capacidade de se impor ao PT, que saiu fortalecido das urnas. Lula conseguiu fazê-lo porque sempre foi maior do que o partido. Dilma é neófita na agremiação.

Assim, se tiver a competência e o bom senso para saber posicionar bem as peças no tabuleiro político, Dilma poderá projetar a estratégia econômica de seu governo. Como sabemos, a “herança maldita”que Lula atribuiu a seu antecessor - que pode ser traduzida na soma de estabilidade da moeda, ajuste das contas públicas e equilíbrio fiscal - foi, de fato, o que possibilitou a retomada do crescimento econômico no segundo mandato, marcado principalmente pelo boom consumista dos últimos dois anos, em que pese o aumento dos gastos públicos desnecessários.

A futura política econômica, se não contiver medidas efetivas e consistentes no sentido da desoneração das atividades produtivas, da aplicação bem planejada dos recursos em projetos de infra-estrutura – o que não ocorreu no PAC - , e investimentos maciços na área de educação, ficará marcada pelo mesmo imediatismo e pela mesma superficialidade e inconsistência dos atuais projetos.

Dilma Rousseff venceu, mas não da forma avassaladora como imaginavam os petistas no primeiro turno.Uma expressiva e influente parcela da sociedade não votou na candidata de Lula. Se a futura presidente pretende realizar um governo voltado para o conjunto da sociedade, terá que levar em consideração essa realidade. Se, ao contrário, tomada pelo sectarismo que prevalece em grande parte dos países sul-americanos, considerar-se presidente apenas da parcela do eleitorado que nela votou, dividindo a sociedade entre “bons” e “maus”, os “maus “ terão que reagir.
011110



quarta-feira, outubro 27, 2010

O “MORDOMO” APARECE

Se as atuais especulações sobre o real estado de saúde da candidata petista Dilma Rousseff forem confirmadas, Michel Temer cresce e aparece, e o PMDB ganha força no processo político O que os governistas tentam esconder, os oposicionistas mencionam com discrição, e a grande mídia teme repercutir é que o linfoma revelado há dois anos não estaria curado. Por isso, a candidata estaria fazendo uso de esteróides anabolizantes (cortisona), o que explicaria a aparência cansada e o inchaço no rosto que vem apresentando nas últimas semanas.

A se acreditar nas últimas pesquisas e nas especulações sobre a saúde da candidata, a provável vitória de Dilma faria o PT ganhar mas não levar. E traria de volta à cena política o fantasma do vice que assume de vez a cadeira presidencial. Dos 25 anos de governos civis após o fim do regime militar, sete foram sob vice- presidentes que assumiram a vaga dos titulares: cinco anos com José Sarney, após a morte de Tancredo Neves, e dois anos sob Itamar Franco, após a renúncia de Fernando Collor.

Ambos não deixaram boas lembranças. Enfraquecido e tutelado por um Congresso comandado pelo peemedebista Ulysses Guimarães, Sarney realizou um dos piores governos da República; indeciso, e sem liderança, Itamar Franco, pelo menos, teve o mérito de nomear Fernando Henrique ministro da Fazenda. Graças a ele, foi implementado o Plano Real, que salvou o Brasil e o próprio governo Itamar da derrocada.

Michel Temer é o presidente de uma confederação de caciques regionais que atende pelo nome de PMDB. Hábil, persuasivo e conciliador, costuma ser eficiente nas negociações de bastidores, e não foi por outros motivos que se impôs como presidente chefe de uma legenda forte, mas problemática.

Num eventual governo de Dilma Rousseff, certamente não se limitará a um papel figurativo, como Marco Maciel e José Alencar. Se a saúde de Dilma, de fato, estiver claudicante, e se agravar após a eleição, o deputado paulista, apelidado de “mordomo de filme de terror” pelo falecido senador ACM, poderá colocar no colo do PMDB um presente que nos últimos 16 anos foi privilégio do PSDB e do PT.
271010

segunda-feira, outubro 25, 2010

CAINDO DO ALTO DA BOLINHA

Parecia apenas patético Lula adentrar na explicação detalhada e quase cirúrgica do episódio de violência de rua que culminou atingindo na cabeça o candidato Serra. Mas, desta vez, se superou, como nunca tinha conseguido em oito anos de governo. Mostrou que não tem coisa mais inteligente a fazer que verbalizar mentiras da companheirada.

Idiotice e "barrigadas" à parte (barrigada no meio jornalístico é a invencionice que, de tão desbaratada, chega ao extremo do ridículo), o presidente esculpiu em seu currículo um capítulo de parcialidade e superficialidade, destinadas a ficar na história.

O "cara", diria Obama, quebrou a cara e a dentadura com aquela expressão do "sabe-tudo", que na realidade não sabe nada e ainda finge saber.

Para quem está acostumado a distorcer a realidade e a apresentá-la na forma mais utilitarista posValentão e falastrão. "Deixa comigo que vou enterrar o Serra". Entrou na cova e, sem se aperceber, puxou para cima de si a terra cavada pelos seus assessores açougueiros. No dia seguinte, o infalível "estadista", perguntado pela imprensa que quer amordaçar, nada comentou. Não havia o que comentar de uma escorregada "como nunca antes se viu".

O desastroso deslize dele terá efeito sobre a campanha de Dilma? Sobre o humor dos eleitores? Tudo deixa crer que, se houver, não será em dose suficiente para mudar o rumo de um destino escrito por "bolsas" que falam mais alto do que qualquer outro argumento. Nem por isso o eleitor mudará de endereço, mas Lula sim. Descerá mais um degrau. Nunca deu tanta razão para diminuir seu conceito, logo ao surgir de Dilma, para carregar uma bandeira destinada a lhe fazer sombra.

O vídeo com Lula arremessando besteiras por via de uma bolinha está percorrendo o mundo, já traduzido numa dúzia de línguas diferentes. E essa imagem ficará para ilustrar o "cara" e a leviandade tupiniquim. Antes de Lula chegar a um encontro, essas imagens de figura exótica, precipitada, facilmente trapaceada, vulnerável e arrogante, que resistiu a oito anos de mandato presidencial, aparecerão.

Esse episódio confirma a força dos ventos favoráveis que o levaram, durante oito anos, para um sucesso que, provavelmente, não se relaciona com suas estreitas e afoitas virtudes, mas com uma bonança generalizada que teria acompanhado qualquer um a colher os louros do sucesso.
sível, a notícia da bolinha de papel era mais que suficiente, apesar do contexto tranquilo em que a recebeu estar bem diferente do tumulto mostrado pelas imagens do "Jornal Nacional".

Lula pisou, assim, sobre essa pequena, insignificante e inócua "bolinha" para tentar arrebentar a reputação de Serra e se arrebentou.


Valentão e falastrão. "Deixa comigo que vou enterrar o Serra". Entrou na cova e, sem se aperceber, puxou para cima de si a terra cavada pelos seus assessores açougueiros. No dia seguinte, o infalível "estadista", perguntado pela imprensa que quer amordaçar, nada comentou. Não havia o que comentar de uma escorregada "como nunca antes se viu".

O desastroso deslize dele terá efeito sobre a campanha de Dilma? Sobre o humor dos eleitores? Tudo deixa crer que, se houver, não será em dose suficiente para mudar o rumo de um destino escrito por "bolsas" que falam mais alto do que qualquer outro argumento. Nem por isso o eleitor mudará de endereço, mas Lula sim. Descerá mais um degrau. Nunca deu tanta razão para diminuir seu conceito, logo ao surgir de Dilma, para carregar uma bandeira destinada a lhe fazer sombra.

O vídeo com Lula arremessando besteiras por via de uma bolinha está percorrendo o mundo, já traduzido numa dúzia de línguas diferentes. E essa imagem ficará para ilustrar o "cara" e a leviandade tupiniquim. Antes de Lula chegar a um encontro, essas imagens de figura exótica, precipitada, facilmente trapaceada, vulnerável e arrogante, que resistiu a oito anos de mandato presidencial, aparecerão.

Esse episódio confirma a força dos ventos favoráveis que o levaram, durante oito anos, para um sucesso que, provavelmente, não se relaciona com suas estreitas e afoitas virtudes, mas com uma bonança generalizada que teria acompanhado qualquer um a colher os louros do sucesso.

Vittorio Medioli ( O Tempo )

segunda-feira, outubro 18, 2010

PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

Colocada contra a parede, em razão de sua posição favorável à descriminalização do aborto, Dilma Roussef vem tentando, com pouco sucesso, se livrar do sobrepeso de outras medidas polêmicas contidas no documento de 228 páginas, que refletem uma boa parte da ideologia lulo-petista. PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

A versão original do Programa Nacional de Direitos Humanos ( PNDH ), ao contrário do que muitos pensam, não tem a paternidade do PT. Ele foi elaborado no governo FHC, em 1996, como resultado do compromisso firmado pelo Brasil na Conferência Mundial de Direitos Humanos, em 1993.

A terceira versão do Plano é que foi concebida por obra e graça do atual governo.O PNDH -3 foi instituído por decreto, em dezembro de 2009, e no segundo turno da campanha presidencial vem se constituindo numa pedra no sapato da candidata petista.

Colocada contra a parede, em razão de sua posição favorável à descriminalização do aborto, Dilma Roussef vem tentando, com pouco sucesso, se livrar do sobrepeso de outras medidas polêmicas contidas no documento de 228 páginas, que refletem uma boa parte da ideologia lulo-petista.

A revisão do programa em maio deste ano, motivada pela reação dos setores conservadores e pela proximidade das eleições, não conseguiu esconder as reais intenções do petismo. O texto, no seu núcleo, é evidentemente autoritário ao impor padrões e normas de conduta à sociedade, e agride a consciência conservadora e religiosa de grande parte da população brasileira.

Na primeira versão, o PNDH-3 propunha a descriminalização do aborto, novas regras para o acesso e a divulgação de crimes cometidos por órgãos de repressão durante o regime militar, o controle da mídia pelo governo, a proibição de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos, e a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Na nova versão do Plano, publicada em maio, o governo recuou de sua posição inicial. Diante da forte reação de setores da Igreja, das Forças Armadas e da imprensa, amenizou o conteúdo do texto, tornando-o palatável aos setores conservadores. Mas não conseguiu convencer quanto aos reais propósitos de sua nova postura.

Na nova versão, por exemplo, a defesa da descriminalização foi substituída pela idéia de considerar o aborto como tema de saúde pública; o controle da mídia ganhou uma versão genérica, em que não são mencionadas as punições aos eventuais “infratores”; a proibição de símbolos religiosos foi simplesmente suprimida.

A exemplo do que ocorreu em 2002, quando recuou de suas históricas e conhecidas bandeiras para alcançar o poder, o PT se repete de maneira igualmente oportunista, mas de forma atabalhoada, comprometendo mais a já comprometida imagem de sua candidata.

Dilma Rousseff foi uma das signatárias do documento e descobriu tardiamente, ao preço de milhões de votos perdidos no primeiro turno, que posições controversas que são caras ao PT,mas rejeitadas por parte significativa da população,estariam a merecer, no mínimo, debate mais prolongado e amadurecido na sociedade e no Congresso.

Ancorado na falsa premissa de que seus altos índices de popularidade lhe garantiriam salvo conduto para ditar regras sobre temas polêmicos, Lula acabou surpreendido pela reação de setores influentes da sociedade. A oposição soube fazer uso dessa fraqueza, e Serra cresceu nas pesquisas de intenção de voto. Se Dilma Rousseff não vencer, o que parece cada vez menos improvável, terá sido por provar do próprio veneno.
181010


segunda-feira, outubro 11, 2010

SERRA VENCE POR PONTOS

Dado o nível da atual campanha, teria sido uma grande farsa recheada de hipocrisia se as questões que dizem respeito à história política e partidária de cada um não tivessem merecido atenção. Por isso, Serra esteve absolutamente correto quando pediu à candidata petista maior clareza em relação à sua posição sobre o aborto, e quando a inquiriu sobre o escândalo protagonizado pela ex ministra da Casa Civil, sua sucessora e amiga, Erenice Guerra.
SERRA VENCE POR PONTOS

Demorou, mas aconteceu. Finalmente, Dilma Rousseff e José Serra pautaram o seu debate na Band nos temas polêmicos que vêm sendo destaques diários na mídia. Após um longo e morno primeiro turno, os candidatos foram forçados a expor com mais nitidez as suas diferenças e semelhanças. No debate de ontem tiveram tempo e espaço para tal.

O formato do programa ajudou. Pela primeira vez, sem a presença de jornalistas , sem temas previamente acertados e sem outros artifícios, os candidatos se confrontaram de maneira mais franca e direta. Muitos eleitores podem não ter gostado do que viram. Ao invés de Serra dizendo que Dilma tem “duas caras”, e recebendo o troco de que tem “mil caras”, talvez fosse melhor que os candidatos apresentassem propostas e debatessem os temas que angustiam a população, como a educação, a saúde , a segurança, a previdência, e a questão tributária.

Mas, dado o nível da atual campanha, teria sido uma grande farsa recheada de hipocrisia se as questões que dizem respeito à história política e partidária de cada um não tivesse merecido atenção. Por isso, Serra esteve absolutamente correto quando pediu à candidata petista maior clareza em relação à sua posição sobre o aborto, e quando a inquiriu sobre o escândalo protagonizado pela ex ministra da Casa Civil, sua sucessora e amiga, Erenice Guerra.

A propósito, o aborto somente virou tema central do segundo turno por conta das evidentes contradições da petista, que recuou de sua posição inicial -favorável ao aborto, assim como o seu partido – quando constatou a sangria provocada pela fuga de eleitores religiosos contrários ao aborto.

Mostrando indignação pelo que chamou de campanha difamatória promovida pelos tucanos, a candidata abandonou de vez a personagem “Dilminha paz e amor” e expôs a sua face arrogante e autoritária. O tempo todo se apresentou nervosa, tropeçou no raciocínio e nas palavras, atirou para todos os lados, e, ao final, acabou ferida. Do outro lado, mais seguro e tranqüilo, apresentando uma linha de pensamento coerente, e acrescentando uma, até então, inusitada contundência , Serra foi superior.

A lamentar, apenas o fato de que enquanto os candidatos polemizavam na Band, a maioria de seus prováveis eleitores se dividia entre assistir ao Fantástico, ao Pânico na TV ou ao Sílvio Santos, conforme levantamento do Ibope. Não chegou a ser por nocaute, mas no transcorrer do debate Serra acumulou os pontos que o levaram à vitória na luta. Resta ver se tal desempenho terá alguma influência nas pesquisas.
111010

quarta-feira, outubro 06, 2010

segunda-feira, outubro 04, 2010

SEGUNDA CHANCE PARA SERRA

Mas o fato de ter avançado não apagou os graves erros de estratégia e as muitas indecisões que irritaram muitos de seus eleitores e correligionários, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique. Extremamente comedido, muitas vezes indeciso e nada contundente, o tucano falhou ao não apresentar uma agenda de governo que representasse um contraponto ao lulo-petismo.

SEGUNDA CHANCE PARA SERRA

O presidente Lula imaginou que, alicerçado na sua popularidade, seria fácil fazer de Dilma Roussef a sua imagem e semelhança e passar como um trator sobre os adversários no primeiro turno das eleições presidenciais. Não conseguiu. Os 46,91% de Dilma foram insuficientes para conduzi-la diretamente ao pódio. Mais da metade do eleitorado optou por remeter a decisão final para o segundo turno.

A candidata do PT, em que pese o esforço do presidente e o uso escandaloso da máquina oficial a seu favor, ainda não conseguiu convencer a maioria de que é portadora dos atributos necessários para o exercício do cargo.

Mas, para os mais atentos observadores, não constituiu surpresa que uma candidata sem nenhuma experiência política, totalmente dependente do seu “criador”, e, mais grave, atingida por um escândalo protagonizado pela sua principal assessora na Casa Civil, não tivesse passado como um furacão sobre os seus adversários, conforme imaginavam os seus correligionários e aliados e conforme previa a maioria das pesquisas eleitorais.

Aliás, as referidas pesquisas também subestimaram o crescimento da candidata verde Marina Silva. Ao longo da campanha, com tempo e espaço na mídia bastante reduzidos, a senadora, sabendo aproveitar os recursos de que dispunha, cresceu, apareceu e se tornou decisiva na derrubada do propósito petista de eliminar o segundo turno. Tendo iniciado a campanha atrelado à agenda monotemática da defesa do meio ambiente, a candidata verde foi diversificando os temas, sem cair na armadilha da pura demagogia.

Sobrou em Marina o que faltou no candidato tucano: garra, otimismo e discurso coerente. Grande parcela do eleitorado reconheceu nela essas virtudes e despejou na candidata quase 20% dos votos válidos, que, ao final, interromperam a festa petista e deram a Serra uma segunda chance. O tucano deve agradecer a ela o fato de estar no segundo turno.

Mas o fato de ter avançado não apagou os graves erros de estratégia e as muitas indecisões que irritaram muitos de seus eleitores e correligionários, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique. Extremamente comedido, muitas vezes indeciso e nada contundente, o tucano falhou ao não apresentar uma agenda de governo que representasse um contraponto ao lulo-petismo.

Raras vezes Serra evidenciou a necessidade de fazer do Estado menos um usufruto de um partido político, e mais uma instituição a serviço da sociedade; poucas vezes foi contundente nas críticas às mazelas e escândalos que marcaram a administração petista; quase nunca soube confrontar a sua reconhecida experiência política e administrativa com a inexperiência da adversária. Para piorar, em alguns momentos, mostrou respeito reverencial e até mesmo uma admiração incontida pela figura de Lula.

Ao final da jornada, apelou para o oportunismo demagógico das promessas mirabolantes e dispendiosas. Mesmo assim, uma significativa parcela do eleitorado, que repudia o modelo petista de governar e o que ele representa em matéria de ameaça às instituições democráticas e à livre-iniciativa, sem opção melhor, deu ao tucano 33% dos votos válidos

Pela mediocridade que marcou a primeira etapa, o segundo turno é bem vindo. Será mais uma oportunidade para que o confronto de idéias, teses e projetos aconteçam de forma nítida, e evidencie a real diferença entre as duas candidaturas. Dilma terá que se livrar da barra da calça do padrinho, se quiser desconstruir a imagem de marionete de Lula, enquanto Serra não poderá continuar tão contido como foi até agora.

Salvo da forca pela campanha afirmativa de Marina Silva, José Serra não poderá fugir do confronto e da necessária contundência nas críticas a Lula e ao modo petista de governar.
041010

segunda-feira, setembro 27, 2010

CAMPANHA MEDÍOCRE BENEFICIA DILMA

Para combater os erros, as mazelas e os freqüentes desvios autoritários do governo petista, agora personalizados na evidente mediocridade da candidata indicada por Lula, a oposição enveredou pelo tortuoso caminho da indecisão, da falta de projeto e do acovardamento, sob a responsabilidade maior de seu candidato, José Serra. CAMPANHA MEDÍOCRE BENEFICIA DILMA

As recentes denúncias envolvendo a Receita Federal, os Correios e a Casa Civil da Presidência parecem não ter abalado o favoritismo da candidata oficial. Dilma Rousseff continua a desfilar impávida, convicta de que ao seu eleitorado tais questões estão a milhões de anos-luz do centro de suas preocupações. Para essa parcela majoritária, interessa mais o crescimento econômico, acompanhado do que ela julga serem avanços sociais.

O crescimento econômico é inegável, e se deu em função da estabilidade construída no governo de seu antecessor - que os petistas dão como “herança maldita” -, e do panorama internacional favorável. Os avanços sociais são discutíveis, pois são frutos de práticas assistencialistas, de acentuada matiz eleitoreira. Nos seus oito anos de poder, o governo Lula não levantou um tijolo sequer no sentido de se construir algo de mais consistente e efetivo no campo social - educação, saúde e segurança - que fosse além do imediatismo inconsistente das bolsas e das cotas.

Para combater os erros, as mazelas e os freqüentes desvios autoritários do governo petista, agora personalizados na evidente mediocridade da candidata indicada por Lula, a oposição enveredou pelo tortuoso caminho da indecisão, da falta de projeto e do acovardamento, sob a responsabilidade maior de seu candidato, José Serra. Iniciando tardiamente a sua campanha, o ex-governador paulista talvez acreditasse que os tropeços da inexperiente Dilma seriam suficientes, por si só, para jogá-la ladeira abaixo.

O fato é que, indo adiante das mais pessimistas das previsões, José Serra naufragou na falta de projeto, no discurso vago e na maneira reverencial com que tratou o presidente. Em plena campanha chegou a considerá-lo “acima do bem e do mal”, e mereceu, por isso, uma reprimenda do ex-presidente Fernando Henrique, que criticou essa tendência à mitificação de Lula. O resultado é que a campanha oposicionista mergulhou na mediocridade geral, não demarcou ideologicamente o seu território, e, além de não conquistar indecisos, perdeu muitos eleitores para Marina e para Dilma.

A incapacidade da oposição de gerar, nessa campanha presidencial, uma batalha de idéias, projetos e programas era tudo o que os governistas queriam para fazer Dilma transpor, com poucos constrangimentos e sem grandes questionamentos, a barreira eleitoral, e marchar na direção do Planalto.

Se nos próximos anos a democracia brasileira perder terreno para a construção de um projeto autoritário do tipo chavista, conforme muitos temem, uma parte da fatura deve ser cobrada da atual oposição.
270910

segunda-feira, setembro 20, 2010

MAU SINAL

A candidata petista à presidência, Dilma Roussef, disse que do senador Álvaro Dias não aceita convite nem para cafezinho. A declaração veio em resposta ao manifesto desejo do senador tucano de chamá-la para depor no Senado, no ensejo do mais recente escândalo no governo, envolvendo a sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra. A ex-ministra tem todo o direito de recusar convite de quem quiser para o que quer que seja de suas atividades particulares ou íntimas. Só não pode fazê-lo de uma autoridade pública, numa questão relativa ao patrimônio coletivo.

Álvaro Dias, quando falou em ouvi-la, o fez na condição de senador da República, no bojo de uma série de denúncias envolvendo corrupção, tráfico de influência e abuso de autoridade, e no exercício do cargo para o qual foi eleito por mais de dois milhões de eleitores paranaenses, com a finalidade, dentre outras, de fiscalizar o Executivo.

As falcatruas expostas pela imprensa ocorreram no segundo mais importante gabinete do Palácio do Planalto, quando Dilma ainda era ministra da Casa Civil, e Erenice Guerra era secretária-executiva e “braço-direito”da ministra.Portanto, independentemente da questão eleitoral, a oposição tem o dever de denunciar, investigar e exigir a punição dos responsáveis.

Já se considerando eleita, e tomada pelo deslumbramento, a candidata petista demonstra, precocemente, que os princípios e valores da democracia e da República não dizem respeito a ela. Ao contrario, tanto quanto o seu padrinho político, parece acreditar que a popularidade deva ser a principal referência a balizar os rumos de seu eventual governo.

Assim, convencida de que ao povo que vai elegê-la pouco importa os incômodos da oposição, já começa a dar um show de soberba, autoritarismo e desprezo pelas instituições. Um mau sinal.
200910

segunda-feira, setembro 13, 2010

ROTINA DE ILEGALIDADES

A invasão do sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outras pessoas ligadas à oposição, configura, portanto, mais uma grave ilegalidade, na rotina de ilegalidades que o governo vem praticando desde que assumiu o seu primeiro mandato, em 2003.Pelo que as autoridades e políticos do governo e do PT deixam transparecer em suas declarações sobre o mais recente escândalo, os acessos ilegais aos dados sigilosos da Receita Federal são atos rotineiros e de menor importância, não merecendo, pois, a relevância que a mídia vem dando ao caso. Pode até ser corriqueiro para o partido e para o governo, se considerarmos que esse não é o primeiro e, provavelmente, não será o último caso envolvendo dossiês, trambiques, espionagem e propina. Mas jamais será um caso menor.

A democracia pressupõe, entre outros, o princípio da inviolabilidade bancária, fiscal, telefônica e de correspondência. O governo Lula, que se movimenta na fronteira entre a constitucionalidade e o autoritarismo populista, tem a sua ação pautada na lógica de que os fins – no caso, a perpetuação no poder – justificam os meios – a agressão frontal aos direitos dos cidadãos. O caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, executada presumivelmente a mando do ex-ministro da Fazenda e atual coordenador da campanha de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, ainda está vivo na memória de muitos para que seja reprisado.

A invasão do sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outras pessoas ligadas à oposição, configura, portanto, mais uma grave ilegalidade, na rotina de ilegalidades que o governo vem praticando desde que assumiu o seu primeiro mandato, em 2003.

O presidente Lula, inebriado pela sua popularidade, empolgado pela ascensão meteórica de sua candidata nas recentes pesquisas, e convencido de que o tema tem pouca ou nenhuma repercussão entre a grande parcela da população carente e desinformada que constitui a maioria de seu eleitorado, debocha da oposição e decide que não tem que dar satisfação do ocorrido à parcela esclarecida da sociedade.

Por sua vez, José Serra e seus aliados, que agora mostram justa indignação e revolta, pagam o preço alto por terem sido, ao longo do governo Lula e mesmo no início da atual campanha eleitoral, tímidos, evasivos e condescendentes diante do festival de mazelas e arbitrariedades praticadas por Lula e sua turma. Agora é tarde, Inês é morta.
130910

segunda-feira, setembro 06, 2010

TIRIRICAS NO CONGRESSO


Afora o cinismo e a hipocrisia que sempre caracterizaram o nosso mundo político, a atual campanha eleitoral tem acrescentado mais um ingrediente: o deboche, como tática de conquista do votos.Não que tal componente estivesse ausente dos pleitos anteriores. É que agora ele aparece de forma mais evidente, por conta do grande número de decadentes “astros” da TV e do esporte que resolveram testar o que ainda resta de sua popularidade e disputar um lugar no Congresso Nacional ou em alguma Assembléia Legislativa.

E não são poucos: Maguila, Sérgio Reis, Dedé Santana, Túlio Maravilha ,Mulher Melão,Tati Quebra Barraco,Ronaldo Esper, Romário, Marcelinho Carioca e Tiririca são apenas alguns dos pretensamente populares, somados a centenas de candidatos extravagantes e grotescos que parecem não possuir outro objetivo que não seja melhorar de vida com o dinheiro público.

O comediante Tiririca protagoniza a mais inusitada debochada e risível de todas as apresentações, digna de seus melhores momentos nos humorísticos da televisão. Sob o lema “vote no Tiririca, pior do que tá não fica” , o candidato diz não saber o que faz um deputado, e pede que seja eleito para cuidar dos mais necessitados , entre eles “a sua família”.

A fala de Tiririca e de outros candidatos do mesmo naipe revela apenas a ponta do grande iceberg da degradação da política, desmoralização dos políticos e despolitização do povo brasileiro. De fato, não são poucos os que desconhecem a finalidade do Parlamento e a função dos parlamentares, em parte porque o comportamento desvirtuado dos políticos leva a esse desconhecimento, e em parte porque o próprio processo eleitoral coloca em segundo plano as eleições legislativas. A atual legislação eleitoral é rígida, anacrônica e discriminativa em relação às eleições para o Legislativo. Desestimula o debate, o confronto de idéias e o conhecimento amplo que o eleitor deveria ter sobre cada candidato.

Sufocada pela maciça campanha na mídia para os cargos executivos, as campanhas para o Congresso e para as Assembléias Legislativas ficam resumidas aos outdoors e ao limitadíssimo espaço no rádio e na TV. Exemplo de como a política não deve ser tratada, o horário eleitoral “gratuito”na mídia eletrônica deveria ser abolido, para o bem da democracia.

Dessa forma, pouco se conhece das idéias, propostas e história pública dos candidatos. E é nesse enorme vazio de idéias e de projetos que figuras excêntricas ganham espaço e visibilidade. A continuar assim, corremos o sério risco de ver, em 2011, grande parte das cadeiras da Câmara e do Senado ocupadas por centenas de tiriricas.

06/09/10

segunda-feira, agosto 30, 2010

DILMASIA: A INFIDELIDADE PREMIADA


Em Minas, as mais recentes pesquisas colocam o candidato governista, Antonio Anastasia ( PSDB, DEM, PPS, PP) em situação de empate técnico com o seu principal oponente, Helio Costa ( PMDB). Costa está coligado ao PT e tem o apoio formal de Lula. Há poucos meses, poucos imaginariam uma situação tão confortável para o tucano, pois, a exemplo da presidenciável petista Dilma Roussef, Anastasia era um ilustre desconhecido pela maioria dos mineiros. Isso, apesar de sua participação ativa nos dois mandatos do padrinho, Aécio Neves. O que o levou a uma ascensão tão rápida?

Para Hélio Costa, a resposta é simples e óbvia: o uso indecente da máquina pública a favor da candidatura adversária. E não deixa de ter razão.De fato, após assumir a governança do Estado, devido a renúncia de Aécio para concorrer ao Senado, Anastasia mostrou uma desenvoltura até então desconhecida.
A exemplo do que acontece em nível nacional com a campanha da afilhada de Lula, mas talvez de uma forma menos obscena , vem usando e abusando da força e do prestígio do cargo para convencer prefeitos e políticos do interior a aderirem a sua campanha.

Mas o uso da máquina estadual explica apenas parte do crescimento de Anastasia. A outra parte pode ser explicada na produção bem elaborada da campanha e no discurso mais convincente do candidato, contrapostos ao discurso demagógico do opositor e ao evidente desinteresse do presidente Lula em ajudar os seus aliados mineiros.

O fato é que tal situação tem levado boa parte dos políticos de ambos os lados a um não dissimulado descompromisso em relação aos seus respectivos partidos ou coligações. Enquanto políticos da aliança de Helio Costa mudam de barco e apóiam o atual governador, seus adversários da coligação tucana, que deveriam, por obrigação partidária, trabalhar pela candidatura presidencial de José Serra, não se envergonham de declarar amor eterno a Dilma Rousseff.

O resultado da traição generalizada é o surgimento, nesta campanha, de um monstrengo apelidado de “Dilmasia”, ou seja, a campanha de políticos dos dois lados pelo voto casado em Dilma, para presidente, e em Anastasia, para governador. Pelos resultados das últimas pesquisas, em Minas, a infidelidade partidária vem sendo premiada.
300810

segunda-feira, agosto 23, 2010

OCULTANDO SERRA

Um dos indícios mais fortes de que uma campanha presidencial não vai bem aparece quando, nos Estados, o nome do principal candidato começa a ser omitido na propaganda eleitoral dos demais candidatos do partido ou coligação do presidenciável. É o que vem acontecendo com a candidatura de José Serra. Enquanto no campo situacionista todos fazem questão de associar seu nome ao de Dilma Rousseff , no campo da oposição tem acontecido o contrário. As recentes pesquisas eleitorais, que sinalizaram a irreversibilidade da queda do candidato tucana, estabeleceu um clima de velório entre os partidários de Serra. Para muitos, esta situação é reflexo dos seguidos erros de estratégia eleitoral cometidos desde o início da campanha, e que dificilmente serão revistos e corrigidos , por absoluta falta de tempo. O fato é que faltou a Serra um discurso convincente , um projeto atraente, e sobretudo ousadia para enfrentar Lula e a máquina do governo.

O desânimo que toma conta da campanha nacional se projeta nos Estados, onde os candidatos ao governo, ao Congresso e às Assembléias não fazem a mínima questão de terem as suas campanhas associadas à do candidato presidencial. Fogem de Serra como o diabo da cruz. Isso acontece mesmo nos Estados onde tucanos e aliados têm grandes as chances de vitória.

Enquanto isso, no campo petista políticos se acotovelam em busca de espaço ao lado de Dilma e de Lula . O poder de atração da candidata em ascensão nas pesquisas já começa a ir muito além do ponto de vista programático e ideológico, e se aproxima perigosamente do campo do mais puro fisiologismo.

A essa altura, muitos candidatos não se envergonham de pular do barco oposicionista para o barco governista de olho na velha política do toma lá, dá cá que foi uma das marcas registradas do governo Lula, e que , tudo indica , marcará também o provável governo de sua afilhada política.
230810



segunda-feira, agosto 16, 2010

ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.
ÓRFÃOS DE CANDIDATURAS

Para muitas pessoas, dentre as quais me incluo, o Estado é um mal necessário. Infelizmente, a cada dia somos convencidos de que ele é mais um mal e menos uma necessidade. Isto porque os gastos da sociedade com a máquina governamental se avolumam, numa proporção inversa aos benefícios proporcionados em obras e serviços.Cada vez mais, fica evidente que a maioria dos serviços hoje prestados pelo Estado poderia perfeitamente estar a cargo da livre iniciativa, com muito mais vantagens e com custo zero para a sociedade.

O mau gerenciamento dos recursos, o desperdício generalizado, o aparelhamento da administração, os abusivos salários de políticos, magistrados e altos funcionários, o alto custo da manutenção de um exército de funcionários parasitas,a corrupção generalizada e a promiscuidade entre agentes públicos e “investidores” privados são apenas algumas mazelas inerentes ao gigantismo do Estado. Elas geram déficits crescentes, cujas tentativas de correção levam inevitavelmente a aumento de impostos, contração de empréstimos ou emissão de dinheiro.O resultado , todos sabemos, é o endividamento progressivo e a inflação descontrolada.

No Brasil, o gigantismo e a complexidade do aparelho estatal, a carga tributária elevada, e a excessiva burocracia na administração explicam em grande parte o vacilante crescimento da economia e o imenso atraso social nas últimas décadas. Desde Getulio Vargas, nossos governantes não têm feito mais do que aumentar o tamanho e a ineficiência da máquina, sempre sob a justificativa falaciosa de que o intervencionismo induz o crescimento econômico e promove a “justiça social”.

Desde então, o que temos assistido prova justamente o contrário: o crescimento econômico se deu muito mais apesar dos governos do que graças a eles. Governos como os de José Sarney e Fernando Collor, por exemplo, se constituíram em verdadeiras catástrofes, acentuando, com seus irresponsáveis planos econômicos , para o caos econômico e social. Quanto a decantada justiça social, não resiste mesmo a um olhar superficial, diante do quadro de imensa degradação dos serviços essenciais e de intensa violência em que vivemos.

Em determinado momento, forçados pelo caos econômico, alguns poucos tiveram a lucidez de colocar ordem na casa. Itamar franco e Fernando Henrique tomaram medidas no sentido da estabilização financeira ( Plano Real ) e da redução dos gastos governamentais ( privatização de estatais, reforma da Previdência e Lei de Responsabilidade Fiscal ). Foi pouco, porém o suficiente para que o país fosse entregue ao governo petista em situação menos caótica do que se encontrava na década anterior.

Ao assumir a Presidência em 2003, portanto, Lula tinha a faca e o queijo nas mãos para, a partir da promoção de um clima de maior liberdade econômica, menos impostos e pouca burocracia ,colher os frutos de uma era de desenvolvimento mais consistente. Isso, se ao invés de inchar a máquina governamental, aumentando os seus custos e penalizando a sociedade, tivesse, por exemplo, priorizado a reforma educacional. Estaria fazendo muito mais pelos carentes do que a soma de todas as práticas assistencialistas e eleitoreiras do seu governo.

Mas, seria muito exigir que um político com visão tão limitada e tão apegado aos velhos preconceitos ideológicos de uma esquerda moribunda tivesse o discernimento de implementar um projeto de governo moderno e liberal.

Os oito anos de governo Lula em nada contribuíram para o arejamento das mentes e corações de políticos, intelectuais e formadores de opinião. Ao contrário. Todos os falsos dogmas do nosso passado político continuam, com muita intensidade, presentes na atual campanha eleitoral, e isso nos dá poucas esperanças de que algo mude de verdade.

Sobre Dilma Rousseff, nem é preciso falar: unindo as suas raízes comunistas ao pragmatismo oportunista do seu mais forte aliado – o PMDB –, é possível que tenhamos a reprise, em escala mais radical e autoritária, do que foi o governo do seu padrinho.

Marina Silva tem o DNA petista, participou do atual governo e padece da mesma visão estatizante que caracteriza a atual gestão e dos mesmos preconceitos políticos que marcam o PT. De diferente, a sua intransigente e particular visão sobre preservação do meio ambiente, que levada ao governo se traduzirá em mais burocracia na liberação de novos empreendimentos econômicos .

José Serra talvez tenha um perfil menos populista e mais democrático, e uma prática menos assistencialista em políticas públicas. Mas, pelo seu histórico como governante e pelas suas promessas de campanha, nada sugere que seria menos intervencionista em matéria de ações econômicas do que os demais concorrentes. Neste particular, os projetos do PT e do PSDB são mais semelhantes do que os discursos, de um lado e de outro, parecem sugerir.

Deste modo, uma parcela significativa do eleitorado está se sentindo órfã diante das candidaturas já postas na atual campanha eleitoral: é a que se identifica com os valores do liberalismo econômico ,e acredita que somente um Estado mínimo, enxuto e organizado é capaz de cumprir com eficiência as suas funções básicas - educação, saúde e segurança -, liberando a sociedade para os empreendimentos lucrativos.

160810




segunda-feira, agosto 09, 2010

CAMPANHA MORNA FAVORECE DILMA


O fato é que Serra perde por não se impor como oposição de verdade ao governo Lula, e por não assumir a defesa dos pontos positivos, que não foram poucos, do governo FHC. Temas não lhe faltariam, se preferisse uma campanha menos complacente e mais contundente.

Inferiorizados na corrida pela sucessão presidencial, os tucanos argumentam que os debates televisivos farão o quadro reverter, em razão da maior experiência política e do melhor preparo de seu candidato, José Serra. Pode ser, mas não foi o que se viu no primeiro debate, promovido pela Rede Bandeirantes. A atuação de Serra não foi nada convincente no sentido de se impor como contraponto ao artificialismo das propostas da candidata governista, Dilma Rousseff.

Na verdade, todo o debate foi insípido, inodoro e incolor, com os candidatos, à exceção do franco atirador Plínio de Arruda Sampaio, repetindo sem convicção as mesmas ladainhas que permeiam todas as campanhas eleitorais, com ênfase na saúde, educação e segurança. Difícil descobrir em que pontos as propostas de cada um se difere das dos demais, tal a semelhança entre elas.

Propostas de campanha, como sabemos, não são projetos de governo. Deste modo, tudo o que é dito agora é esquecido adiante, quando o candidato se torna governante. Se não fosse assim, não seriam a saúde, a educação e a segurança, justamente as questões mais negligenciadas e os candidatos estariam a discutir outros temas.Parece até que tomados pelo espírito de Maquiavel, propositalmente desconsideram esses temas, quando no governo, com o propósito de torná-los vedetes na campanha seguinte, no sentido de iludir e conquistar o voto do eleitor carente e menos informado.

O fato é que, voltando ao início, Serra perde por não se impor como oposição de verdade ao governo Lula, e por não assumir a defesa dos pontos positivos, que não foram poucos, do governo FHC. Temas não lhe faltariam, se preferisse uma campanha menos complacente e mais contundente.

Poderia , por exemplo, atacar e propor alternativas para o inchaço do setor público, o aparelhamento da máquina estatal pelo PT e aliados, as políticas sociais predominantemente assistencialistas, a queda da qualidade do ensino superior, as relações promíscuas entre o governo e o Congresso, os baixos investimentos em infra-estrutura, o descaso com a qualidade da educação, a ausência de investimentos na saúde, o caos na segurança, o crescimento da carga tributária , e, como se não fosse pouco, a volta gradativa e ameaçadora da inflação.

Subjugado pelo mito de que a popularidade de Lula é o fruto de uma política interna bem gerenciada , Serra tem direcionado sua fraca artilharia contra a política externa do atual governo: critica, com razão, a suspeita amizade entre o PT e as Farc e bombardeia a não menos suspeita simpatia de Lula pelo regime totalitário iraniano. Mas isso não basta para que Serra se imponha como candidato de oposição, pois política externa é a última das preocupações dos brasileiros.

Ao optar por uma campanha eleitoral morna, bem comportada, ou, como preferem os tucanos, “civilizada”, a aliança oposicionista abre mão da oportunidade de alvejar os pontos fracos do adversário e, de quebra, fornece à aliança governista as armas e o terreno para que , em nome da continuidade no poder, continue a praticar ações lícitas e sobretudo ilícitas em favor de Dilma Rousseff. O progressivo crescimento da candidata governista constatado nas recentes pesquisas indica que muita coisa não vai bem na campanha tucana.
090810

LULA E CABRAL DÃO SHOW DE ÉTICA E ELEGÂNCIA

segunda-feira, julho 26, 2010

DATASERRA VS VOX DILMA


Pode o eleitor confiar no que dizem os institutos de pesquisa eleitoral? Pelos dados discrepantes de dois dos mais conhecidos deles, não. Com intervalo de poucos dias, o Vox Populi e o Data Folha divulgaram os resultados de suas últimas pesquisas sobre a sucessão presidencial. Pelo primeiro, Dilma Rousseff consegue uma pequena, mas significativa vantagem sobre o seu principal oponente, José serra – 41% contra 33% , no primeiro turno, e 46% a 38%, no segundo turno. Já o Datafolha, em pesquisa publicada neste fim de semana, aponta “empate técnico” entre os dois principais candidatos. Quem errou?

Há muito, as principais empresas de pesquisa eleitoral – a carioca IBOPE, a paulista Datafolha e a mineira Vox Populi – vêm sendo alvo de uma justa desconfiança por parte de candidatos e eleitores. Resultados conflitantes e previsões que não se confirmam nas urnas têm fortalecido os indícios de que a neutralidade, a isenção e a aplicação de uma metodologia confiável nos estudos não têm fundamento, conduzindo-os a um progressivo descrédito e acirrando as tocas de acusações entre os partidos políticos.

Num passado recente, levantamentos desfavoráveis ao partido levavam os petistas a acusar o IBOPE de estar a serviço do PSDB. Agora, é o Datafolha que se tornou alvo da ira dos partidários de Lula, enquanto o Vox Populi que vem sendo acusado por tucanos de estar a serviço da aliança governista.

Nesse imbróglio,o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, atribuiu a uma suposta “diferença de metodologia” a razão da disparidade entre os resultados dos dois institutos. Criticou o instituto paulista de “entrevistar pessoas na rua e só falar com quem tem telefone”. Por seu turno, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificou os resultados apresentados pelo Vox Populi: “enquanto um ( Datafolha) faz pesquisa, o outro ( Vox Populi) faz propaganda eleitoral”.

O fato é que somente uma investigação isenta sobre a atuação desses órgãos poderá confirmar se as desconfianças têm fundamento e determinar o grau de comprometimento de cada um deles com interesses partidários ou interesses econômicos escusos. Ou, por outro lado, concluir que tais diversidades são provenientes apenas de metodologias mal formuladas, desatualizadas e, portanto, falhas. A abertura da “caixa preta” desses órgãos e a maior transparência quanto as técnicas empregadas darão maior confiabilidade às pesquisas e afastarão as suspeitas de estarem a serviço de causas menos nobres.
260710

segunda-feira, julho 19, 2010

ACIMA DA LEI

Como nunca antes na História deste país, o governo aparelhou a máquina pública federal, fazendo os postos estratégicos ocupados por militantes do PT, e os postos secundários entregues a partidos aliados.Em relação à Justiça, não foram poucas as vezes em que o presidente demonstrou desdém pelas suas decisões e nenhum empenho em cumpri-las.
ACIMA DA LEI

O presidente Lula se considera acima da lei. Afronta acintosamente a legislação eleitoral na tentativa de fazer Dilma Rousseff a sua sucessora. Iniciou a campanha eleitoral muito antes da data legal, conduziu a então ministra a todos os eventos da Presidência, transformando-os em prematuros palanques eleitorais . Por isso, foi “punido” pela Justiça Eleitoral com irrisórias multas, cujos valores são risíveis quando comparados com o orçamento de uma campanha eleitoral previsto para CR$150 milhões.

Mas a questão seria menor se Lula não fosse reincidente em matéria de atos e palavras que revelam menosprezo pelas instituições republicanas e agridem a democracia.Desde o seu primeiro mandato, já demonstrando disposição para uma longa permanência no poder, não escondia a dificuldade em se relacionar com os demais poderes e instituições.

Como nunca antes na História deste país, aparelhou a máquina pública federal, fazendo os postos estratégicos ocupados por militantes do PT, e os postos secundários entregues a partidos aliados. Propôs a criação do Conselho Federal de Jornalismo, numa evidente tentativa de cercear a liberdade de imprensa; impôs o silêncio e submeteu os movimentos sociais e os sindicatos de trabalhadores à vontade do Planalto, ao custo de generosas verbas públicas. Sufocou o Congresso sob uma enxurrada de medidas provisórias e a prática sistemática do mais puro fisiologismo, cujo auge ocorreu por ocasião da prática do mensalão. O resultado é que no atual governo o poder legislativo se caracterizou sobretudo pela docilidade e inoperância.

Em relação à Justiça, não foram poucas as vezes em que o presidente demonstrou desdém pelas suas decisões e nenhum empenho em cumpri-las.Ao longo dos seus dois mandatos, foi beneficiado pelo fato de terem sido abertas sete vagas no STF o que lhe proporcionou o privilégio inédito de poder indicar e nomear ministros mais compatíveis com o modo petista de ser.Tal fato pode não explicar, mas é um bom indicativo para a lentidão com que processos em que a União e o PT são réus tramitem com tanta lentidão.

Com um currículo tão recheado por atitudes autoritárias, não constitui surpresa que, respaldado em pesquisas que lhe atribui grande popularidade, se julgue acima do bem e do mal e continue a usar todos os instrumentos legais e ilegais, lícitos e ilícitos para colar a sua imagem na de sua inexpressiva candidata. Através de quem, pretende continuar a mandar neste país, não importando se ao preço de sérios danos para a incipiente democracia brasileira.
190710



segunda-feira, julho 12, 2010

MILHARES DE “ELIZAS”

Segundo o estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, do Instituto Sangari, durante um período de dez anos (1997 a 2007) ocorreram dez assassinatos de mulheres por dia no país. O índice é de 4,2 mortes por 100 mil habitantes, uma média acima do padrão internacional.

O número de denúncias de agressões às brasileiras também é alto. A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SPM) registrou 271.719 atendimentos, de janeiro a maio de 2010, o que significa um aumento de 95,5% em relação aos primeiros cinco meses de 2009. Em Minas Gerais, o número de denúncias cresceu 300% no mês de junho, em comparação a maio, segundo a Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social (Seds).

O escabroso caso do assassinato de Eliza Samudio ganhou destaque não pelo ineditismo, mas pelo fato do envolvimento de conhecido jogador de futebol. Infelizmente, por uma questão de pura perversidade somada ao forte machismo que ainda prevalece em nossa sociedade, dezenas de outras “Elizas” continuam a ser mortas diariamente no Brasil.

Pessoas de índole perversa e tomadas de forte sentimento machista existem desde que o mundo é mundo. No Brasil, o problema ganha dimensões gigantescas, e alimenta de forma negativa as estatísticas sobre o assunto, pelo generalizado sentimento de impunidade que impulsiona determinadas pessoas a agirem da forma como agem.

Bestas humanas como as que cometem crimes bárbaros devem ser severamente castigadas. Para isso, se faz necessária a reformulação da legislação penal. Preconceitos de caráter machista só podem ser erradicados num processo educacional que gradativamente tente substituir os valores hoje tristemente dominantes por outros baseados na solidariedade e no respeito às diferenças entre os seres humanos.No Brasil,a reformulação das leis penais e a revolução na educação passam longe das propostas de todos os candidatos à Presidência.
120710

segunda-feira, junho 14, 2010

CLIMA DE DERROTA

Na campanha de Serra, o discurso é pouco audacioso e as decisões vão sendo adiadas. A ausência de um vice, por exemplo, por mais que os tucanos insistam ser por uma questão de estratégia, passa a impressão de indecisão e fraqueza. Mas o pior é que o tucano parece temer de o confronto direto com Lula.

Em eleição, só existem dois caminhos viáveis: o do apoio ao governo e o da oposição ao governo. O caminho de Dilma Rousseff está bem definido: ela é governo, é apoiada pelo governo, usufrui da máquina do governo, e fala como governo. Se José Serra julga que é possível ser, ao mesmo tempo, oposição e governo, ou mesmo candidato de uma suposta terceira via, é melhor desistir, pegar as malas e ir embora.

Enquanto nas hostes da candidatura oficial, em que pese a inexpressividade da candidata, tudo transcorre conforme o programado, no quartel adversário a indecisão predomina.Na campanha governista, graças a um bom trabalho de articulação entre os caciques do PT e do PMDB, a candidata vem conquistando mais apoios políticos e recursos financeiros , ao mesmo tempo que cresce nas pesquisas .

Na campanha de Serra, o discurso é pouco audacioso e as decisões vão sendo adiadas. A ausência de um vice, por exemplo, por mais que os tucanos insistam ser por uma questão de estratégia, passa a impressão de indecisão e fraqueza. Mas o pior é que o tucano parece temer de um confronto direto com Lula, de quem chegou a dizer que está acima do bem e do mal. Serra pensa que pode ser o "pós Lula", quando deveria ser o anti-Lula..

Tucanos e democratas, que durante os oito anos de mandato de Lula fizeram uma oposição tímida ao governo, querem brigar com Dilma , mas evitam bater no presidente. Numa analogia futebolística,é como se um adversário da seleção Argentina entrasse em campo fugindo da disputa direta com o craque do time, Messi. Impossível. Se quiserem de fato vencer o confronto, vão ter que enfrentar Lula.

O fato é que, embora latente, existe um inegável clima de derrota no campo da aliança oposicionista. É obvio que ainda é cedo para se afirmar que tal candidato será vencedor ou derrotado , pois a campanha oficial nem começou. Mas se quiserem afastar o fantasma do derrotismo, Serra e sua equipe terão que mudar com urgência e de forma radical a orientação da campanha.

Precisarão buscar identificação com a grande parcela do eleitorado que rejeita o governo Lula.Para isso, apresentar discurso, projetos e atitudes que de fato representem essa faixa do eleitorado.E deixar o eleitor decidir. Se, no final, decidir pela continuidade, paciência. É do jogo democrático.
140610

quinta-feira, junho 10, 2010

QUE OPOSIÇÃO?

Dos três principais candidatos, até agora, nada além de uma miscelânea de promessas vagas e propósitos indefinidos, que pouco convence de que teremos algo muito diferente do que o atual governo está a praticar. QUE OPOSIÇÃO?

Uma significativa parcela da sociedade brasileira não se sente representada por nenhum dos candidatos à sucessão presidencial. São pessoas que se posicionam contra o governo Lula , seja por convicção ideológica , seja por tudo que o atual governo praticou ou, principalmente, deixou de praticar nos quase oito anos de mandato. Esses cidadãos não encontram em José Serra, Marina Silva, e muito menos em Dilma Rousseff, propostas, projetos e compromissos que se identifiquem minimamente com o pensam e desejam para o País. Pelo menos, até o atual momento da campanha eleitoral.

Dos três principais candidatos, até agora, nada além de uma miscelânea de promessas vagas e propósitos indefinidos, que pouco convence de que teremos algo muito diferente do que o atual governo está a praticar. Se, por um lado, avaliações apressadas e superficiais , na maioria das vezes com propósitos eleitorais , atribuem excelente conceito ao governo Lula ,análises mais profundas e criteriosas ressaltam o que o Brasil perdeu ou deixou de fazer nos últimos anos. E não foi pouco.

Os cidadãos que não se sentem representados pelos partidos e candidatos que disputam o poder desejam, por exemplo, modificações estruturais que permitam a redução da carga e a racionalização da política tributária, investimentos maciços e prioritários em educação, saúde e segurança, combate sem trégua à corrupção e ao desperdício dos recursos públicos - especialmente nos altos escalões de Brasília -, reforma política, mudança na orientação da política externa - priorizando as relações com as nações democráticas - , e uma política social que elimine de vez o mero assistencialismo e ofereça reais oportunidades de educação e emprego a milhões de pessoas.

Querem também que o próximo governo conclua o que foi iniciado pelo governo anterior, qual seja, o prosseguimento da política de privatizações de estatais dispendiosas e que pouco beneficiam o cidadão comum. Em outras palavras, é preciso acabar com o tabu de que a Petrobrás , o Banco do Brasil e a Caixa Federal são instituições intocáveis.

O governo Lula, que teve o mérito de manter a estabilidade construída pelo governo anterior, propagou o mito do crescimento do PIB conseguido à custa da forte presença do Estado. Não é verdade: o atual estágio de crescimento foi muito mais fruto da conjunção do esforço da iniciativa privada com a situação mundial favorável às exportações brasileiras.

O mito do crescimento econômico como obra exclusiva do governo, que ganhou ares de verdade incontestável graças a atuação da máquina de propaganda governamental aliada ao inegável carisma pessoal do presidente, resultou no crescimento da popularidade do presidente . A popularidade de Lula atemorizou os seus adversários, que além de incapazes de fazer um discurso eleitoral autenticamente oposicionista, não conseguem convencer de que têm um projeto diferente do atual.
100610