segunda-feira, dezembro 21, 2009

O QUE RESTOU DE 2009


O QUE RESTOU DE 2009

Gastança – O governo Lula decidiu bancar os dois maiores eventos esportivos do planeta. O Brasil vai sediar a Copa de Mundo de futebol em 2014, e as Olimpíadas em 2016. Uma ótima oportunidade para empreiteiros e políticos se dedicarem às modalidades de superfaturamento, desperdício e corrupção generalizada. A conta será paga, mais tarde,pela sociedade brasileira.

Boquirroto – O título de “boquirroto do ano” não podia ser de outro: Lula se notabilizou mais pelas frases de efeito, pelas opiniões estapafúrdias, pelo humor de gosto duvidoso, pelo linguajar tosco do que por opiniões equilibradas e ações positivas do governo.

Popularidade – Eficiência, competência, responsabilidade e probidade parecem ser termos definitivamente banidos do dicionário político em 2009. Em seu lugar, prevaleceu, onipresente, a palavra popularidade."Popularidade" passou a ser uma espécie de mantra sagrado que dá ao governo a sensação de que tem a força de um deus, e espalha um temor reverencial no campo da oposição.

Exemplo – A decisão de reduzir os tributos sobre determinados produtos teve uma motivação estratégica no sentido de aumentar o consumo e minorar os efeitos da crise econômica e uma motivação eleitoreira no sentido de conquistar votos nas próximas eleições.Ao final, sobrou o mérito de mostrar que livre da pesada carga tributária a economia funciona melhor, e todos saem ganhando.

Terceiro mandato – Lula desistiu do terceiro mandato segundo o modelo de Hugo Chávez, mas adotou o modelo Kirchner de reeleição. Como se sabe, Nestor Kirchner elegeu sua esposa, Cristina, para, nos bastidores, continuar a mandar na Argentina. A Cristina de Lula se chama Dilma Rousseff.

Maquiavélico – José Serra não é mineiro, mas age como se fosse. Ficou quieto e mudo, enquanto o seu adversário no partido, Aécio Neves, se exibia como pré candidato do PSDB à Presidência da República. Serra jogou a decisão da candidatura tucana para o ano que vem e tirou Aécio do páreo.

Fez que foi , mas não foi – Aécio Neves é mineiro, mas não agiu como tal na disputa com Serra: falou muito, viajou demais , usou e abusou do marketing pessoal , mas continuou estagnado nas pesquisas de opinião, e acabou por desistir da pré-candidatura.

Panetone de ouro – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda foi flagrado, filmado e fotografado no comando de uma rede de arrecadação e distribuição de propinas. Felizmente, havia certo Durval Barbosa para gravar as suas peripécias.

Cruz Credo! – A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, foi acusada de se beneficiar de uma rede de distribuição de propinas instalada em seu governo. Com a ajuda de sua bancada na Assembléia Legislativa, conseguiu escapar do impeachment. Infelizmente, não havia nenhum Durval Barbosa para gravar as suas peripécias.

Coerência – O presidente do Congresso, José Sarney, permaneceu coerente com o seu passado de político que faz do setor público algo não muito diferente do quintal de sua casa. Continua a usar e abusar do poder em benefício próprio e de seus familiares e amigos. Quase levou o Senado à desmoralização total, mas permanece livre, leve, solto e impune.

Bobo da corte – O senador Eduardo Suplicy chamou a atenção por desfilar de cueca pelos corredores do Senado, pela cantoria na tribuna e por dar cartão vermelho para Sarney. Alem das bizarrices de suas atitudes, se destacou pela inexpressividade de suas opiniões. Não se entende como parcela significativa do eleitorado paulista continua a reelegê-lo.

Em causa própria – O entusiasmo que faltou à Câmara dos Deputados para promover as reformas tributária, educacional, agrária, e dos sistemas de saúde e de segurança, que interessam à sociedade, sobrou na hora de fazer uma mini reforma eleitoral e discutir a divisão dos royalties do pré-sal,temas que interessam diretamente a cada um deles.

A volta dos mortos vivos – 2009 ficou marcado pela ressurreição de algumas figuras tidas como politicamente mortas e enterradas. Renan Calheiros assumiu a liderança de PMDB do Senado, Fernando Collor ganhou a presidência da Comissão de Infra-Estrutura da Casa, José Genoino passou a ser o líder de facto da bancada petista na Câmara, enquanto Antonio Palocci ganhou o status de candidato do PT ao governo de São Paulo.

Holofotes – A atuação do STF em 2009 foi, no mínimo, controversa. Com exceção de Celso de Mello e de Ellen Gracie, sempre discretos e eficientes nas suas decisões, os ministros do Supremo, a começar pelo seu presidente Gilmar Mendes,foram irresistivelmente atraídos pelos holofotes da mídia .Deixaram no ar a suspeita de que em suas decisões pesaram muito mais as motivações e os argumentos de ordem política do que os de ordem essencialmente jurídica.O auge da controvérsia se deu na manutenção da censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo.

Mico Internacional - Em relação à América Latina, a política externa de Lula se submeteu às orientações de Hugo Chávez. Graças a ela, o Brasil se meteu, em Honduras, a apoiar um presidente golpista, justamente deposto do poder por afrontar a Constituição do País em busca de mais um mandato.Apesar de Chavez e Lula terem feito o possível para conturbar o ambiente do país, os políticos e a sociedade hondurenha encontraram o caminhado para a resolução pacífica de seus problemas. Para o Brasil, sobrou um mico chamado Manuel Zelaya.

211209.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

LUZ SOBRE O XADREZ POLÍTICO DE MINAS

A forçada decisão de Aécio ao mesmo tempo em que definiu o quadro eleitoral no ninho dos tucanos, colocou um pouco de luz sobre o confuso xadrez sucessório mineiro, que continua agitado por conta das ambições eleitorais dos principais caciques do PT e do PMDB, partidos da base se sustentação de Lula.
LUZ SOBRE O XADREZ POLÍTICO MINEIRO

A exemplo do que acontece em nível nacional, onde o lançamento da candidatura de Dilma Rousseff precipitou a corrida sucessória, em Minas o processo foi antecipado por conta da pré-candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República, pelo PSDB. Infelizmente para Aécio, o seu desejo de ocupar a cadeira presidencial foi frustrado pela maior força política de José Serra. Seguro pela posição que ocupa nas pesquisas e com maior controle sobre a máquina do partido, o paulista impôs o mês de março como data inicial para a discussão de candidaturas.

Com isso, só restou ao governador mineiro a alternativa de limitar suas ambições eleitorais às fronteiras do Estado, lançando a sua candidatura ao Senado, e trabalhando pela de seu vice, Antônio Anastasia, ao governo.

A forçada decisão de Aécio ao mesmo tempo em que definiu o quadro eleitoral no ninho dos tucanos, colocou um pouco de luz sobre o confuso xadrez sucessório mineiro, que continua agitado por conta das ambições eleitorais dos principais caciques do PT e do PMDB, partidos da base se sustentação de Lula.

Como se sabe, Lula pretende replicar, em toda a federação, a aliança com o PMDB, e, para isso, exige que o PT abra espaço para o PMDB nos estados onde este apresente candidaturas competitivas. E é este o caso de Minas.

Helio Costa, ministro das Comunicações do governo Lula vem liderando todas as pesquisas de opinião, e, embora contestado por um grupo minoritário liderado pelo ex-governador Newton Cardoso, não terá dificuldade de se impor como candidato do partido na Convenção. Mas o PT mineiro quer porque quer a candidatura própria, e diz acreditar que desta vez tem condições reais de conquistar o poder do Estado. Mas, para isso, terá que se entender internamente.

É que o partido está dividido em duas alas, subordinadas, cada uma,aos dois principais caciques do partido no estado: Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Patrus Ananias,ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Pimentel aparentemente tem o controle da máquina partidária; Patrus acredita ter o apoio das bases do partido e dos movimentos sociais ligados ao PT.

Enquanto o PT está submerso num mar de indefinições e conflitos, o seu “aliado” curte o sabor de assistir ao seu virtual candidato liderar com folga as pesquisas de opinião. E tem amplas condições de permanecer no topo até o dia da decisão: primeiro, porque é o nome mais conhecido pelo eleitor de Minas; segundo, porque seus adversários principais, ou se encontram envolvidos numa disputa interna – caso do PT - ou apresentam um candidato pouco expressivo – caso do PSDB; terceiro, porque além do apoio oficial de Lula pode acabar por conquistar o apoio de Aécio, no caso de um segundo turno.
Eleito senador, o atual governador de Minas certamente não vai se contentar em permanecer como mais uma ovelha no rebanho. A presidência do Senado e do Congresso pode parecer pouco para quem desejou a chefia da República, mas será uma etapa importante para quem almeja vôos ainda mais altos.
141209

segunda-feira, dezembro 07, 2009

COMO SEPARAR O JOIO DO TRIGO?


Com o mensalão de Brasília, o Democratas, partido do governador Arruda, fechou o círculo de corrupção que vinha sendo desenhado pelo PT e aliados, e pelo PSDB. O discurso em defesa da moralidade e da ética que a oposição pretendia usar na futura campanha eleitoral, avivando na memória do eleitor os vários escândalos do governo Lula, perdeu o sentido e a oportunidade, uma vez que cada um dos dois principais partidos de oposição – PSDB e DEM – tem a sua carga de corrupção para carregar.


COMO SEPARAR O JOIO DO TRIGO?

Mais um escândalo de corrupção, e os políticos de todos os naipes e cores partidárias logo se apressam em responsabilizar o “sistema político e eleitoral” pelo ocorrido.Afirmam que a atual sistema de financiamento eleitoral é imperfeito e a legislação é permissiva. É uma meia verdade, pois na mesma proporção e intensidade que se deve mudar a legislação, precisa ser alterado o caráter dos políticos. E isto é infinitamente mais difícil.

Realmente, o sistema político brasileiro não é um modelo a ser imitado, tem falhas gritantes, e precisa ser consertado, principalmente no que se refere à responsabilização e punição dos que cometem atos de improbidade administrativa, abuso de poder e assalto aos cofres públicos.Associado a isso, a consciência política do nosso povo é incipiente, o que leva à condescendência e, mesmo, à cumplicidade. O resultado dessa junção de políticos espertalhões com sociedade passiva é o que leva à cínica conclusão de que não existe governança sem uma dose de corrupção.

Isso tudo conduz os políticos a encararem a sua atividade muito mais como um meio de enriquecimento pessoal, lícito ou ilícito, do que como um instrumento de promoção do bem coletivo. Os atos de malversação dos recursos públicos e assalto ao erário se repetem e os malfeitores se sucedem, alicerçados numa impunidade crônica. Só para ficar nos exemplos mais conhecidos, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Renan Calheiros, Fernando Collor, José Sarney, José Dirceu e José Genoino foram e continuam alvos de gravíssimas acusações, mas permanecem firmes e fortes politicamente, a desfilar poder e soberba.

A cada novo escândalo, parte da sociedade, desarticulada, manifesta revolta e indignação em sites, bares e blogs, mas não vai muito além disso.No mais recente escândalo, que envolveu cuecas, meias, panetones e muito dinheiro, os atos de revolta e indignação se limitaram a meia dúzia de pedidos de impeachment do governador do Distrito federal,José Roberto Arruda, e da ação de uma dúzia de jovens ligados ao PSTU e ao PCdoB que protagonizaram cenas de vandalismo, falta de educação e destruição do patrimônio público, quando ocuparam a Assembléia Distrital do DF, movidos muito mais por disputas partidárias e ideológicas do que por qualquer sentimento de cidadania. O restante da sociedade acompanha o noticiário sobre o incidente passiva e anestesiada.

O fato é que, ironicamente, o mensalão de Arruda se juntou ao mensalão de Eduardo Azeredo e ao de Lula e sua turma. Em todos, uma característica comum: o uso sistemático de recursos públicos e privados para alimentar campanhas políticas e sustentar maiorias parlamentares de apoio aos governos.

Com o mensalão de Brasília, o Democratas, partido do governador Arruda, fechou o círculo de corrupção que vinha sendo desenhado pelo PT e aliados, e pelo PSDB. O discurso em defesa da moralidade e da ética que a oposição pretendia usar na futura campanha eleitoral, avivando na memória do eleitor os vários escândalos do governo Lula, perdeu o sentido e a oportunidade, uma vez que cada um dos dois principais partidos de oposição – PSDB e DEM – tem a sua carga de corrupção para carregar.

Dessa forma, visto que os principais partidos envolvidos na próxima campanha presidencial carregam o seu fardo, nada melhor para todos do que um prudente silêncio em relação ao tema, que ficará convenientemente guardado no fundo do armário de cada um. Com uma campanha eleitoral reforçada de cinismo e hipocrisia, mesmo o eleitor mais consciente terá dificuldade de separar o joio do trigo.
071209

O MENSALÃO DO DF