segunda-feira, novembro 30, 2009

O GIGANTESCO CURRAL ELEITORAL


Em que pese a oposição ter se mostrado tímida na crítica ao programa, o fato é que, na sua essência, ele é um gigantesco equívoco, não só porque enfraquece a cidadania, no sentido de que forma uma imensa massa dependente da caridade governamental, como coloca em risco a democracia, na medida que constitui um gigantesco curral eleitoral , amplia o clientelismo a nível nacional, e cria um exército disposto a garantir a permanência de seus supostos benfeitores no poder, mesmo ao preço do autoritarismo.


O GIGANTESCO CURRAL ELEITORAL

Vamos direto ao assunto: o Bolsa Família e outros programas congêneres constituem o maior processo de corrupção eleitoral já visto no País. Graças a eles, Lula foi reeleito com folga em 2006, e tem mantido altos índices de popularidade no atual mandato, a ponto de não serem desprezíveis as chances de fazer de Dilma Rousseff a sua sucessora. E a oposição não tem muito do que reclamar, porque o seu comportamento em relação ao tema demonstra timidez nas críticas e incapacidade de propor uma alternativa que represente a real e efetiva superação da histórica e enorme desigualdade social no Brasil.

Lula e sua turma foram espertos ao perceberem que o programa Bolsa Escola, implementado pelo seu antecessor, poderia se constituir numa inesgotável fonte de votos, desde que ampliado na quantidade de benefícios concedidos e estendido a um número maior de famílias. Em 2003, ao mesmo tempo em que abandonava o factóide denominado “Fome Zero”, o governo instituiu o Bolsa Família, programa essencialmente assistencialista, que concede às famílias cadastradas uma série de benefícios , sem nenhuma contrapartida da parte dos favorecidos, a não ser a da fidelidade eleitoral ao governo.

A escalada de números do Bolsa Família impressiona.Os gastos com o programa aumentaram de R$3,36 bilhões, em 2003 para 11, 8 bilhões em 2009;as famílias favorecidas passaram de 3, 6 milhões para 12, 4 milhões; e o repasse médio por família subiu de R$ 24, 75 para R$ 94,00. Acoplados ao programa principal, o governo concede abertura de contas bancárias simplificadas, auxílio funeral, cobrança reduzida de contas de luz, e ainda promete para 2010, ano eleitoral, a incorporação da “tarifa social do gaz”, a incorporação do “Vale Cultura”, a instituição do “bolsa celular”, do “bolsa geladeira”, e a inclusão de “mais 500 mil famílias no programa.

Os frutos eleitorais dessa gigantesca árvore assistencialista são infinitamente maiores do que os possíveis benefícios sociais. Isso porque a pobreza não vem sendo efetivamente reduzida, mas apenas artificialmente remediada. Os índices de desemprego não foram significativamente reduzidos, a educação não foi melhorada, e as estatísticas apontam que os índices de violência associados à pobreza têm aumentado.Ou seja, a política de concessão de bolsas e cotas não conseguiu melhorar os indicadores sociais do País. Mas, por outro lado, ele tem se constituído num importante instrumento de propaganda eleitoral e de cooptação de eleitores.

Em que pese a oposição ter se mostrado tímida na crítica ao programa, o fato é que, na sua essência, ele é um gigantesco equívoco, não só porque enfraquece a cidadania, no sentido de que forma uma imensa massa dependente da caridade governamental, como coloca em risco a democracia, na medida que constitui um gigantesco curral eleitoral , amplia o clientelismo a nível nacional, e cria um exército disposto a garantir a permanência de seus supostos benfeitores no poder, mesmo ao preço do autoritarismo.

A pergunta que não quer calar serve tanto para os atuais donos do poder como para a oposição, que pretende no futuro próximo tomar as rédeas do País: por que não apresentar ao grande público um programa que concretamente permita a inserção das camadas mais pobres nos quadros do conhecimento, do emprego e da cidadania?

A revolução educacional é a saída que nenhum governo ,muito menos este, ousou assumir. Certamente porque muito além de um programa de governo é um projeto de Estado, o que exigirá a superação das divergências partidárias, a concentração de esforços, e cujos primeiros resultados serão sentidos a médio e longo prazos.Infelizmente, os políticos brasileiros, formados na escola do oportunismo e do imediatismo não têm a envergadura necessária para tal empreitada. Por isso, políticas demagógicas, dispendiosas, inconsistentes e eleitoreiras, como o Bolsa Família, são tão acarinhadas pelo governo e tão invejadas pela oposição.

301109

5 comentários:

Anônimo disse...

E aí?Não vai falar nada sobre o Arruda e os amiguinhos do DEM? Falar mal só do Lula não vale, tá?

Anônimo disse...

E aí?Não vai falar nada sobre o Arruda e os amiguinhos do DEM? Falar mal só do Lula não vale, tá?

tribuna petista disse...

Bem que o TSE avisou: o DEM é o partido mais corrupto do Brasil.

Está lá no site do TSE: o DEM é o partido com mais políticos cassados por corrupção, maracutaias, compra votos, e até assassinatos. Hildebrando Motoserra Pascoal que o diga.

Fora os remanescentes da ditadura militar que se alojam no DEM ex PFL.

Mario disse...

A ONU pode se espelhar no bolsa familia, se antes não verificar o funcionamento verdadeiro.
Pois no nordeste ha muitos desocupados comendo desta esmola tirada do suor de quem trabalha suado. Basta que o cabra fabrique bastentes filhos que ja fica com o burro na sombra. So no brasil.

Rosena disse...

Depois de tanto tempo até agora não foi feito nada para dar a esta gente dignidade e cidadania, porque o PAC não faz um grande proeto para saneamento básico onde o esgoto escorre pelas ruas no interior do país.Pq não construir escolas e centros de saúde, isto daria emprego e esta gent não precisaria das bolsa caridade, que como diz o ditado nordestino, o mata vergonha ou vicia o cidadão!