segunda-feira, novembro 09, 2009

2009 não é 1989

Os vinte anos que se seguiram àquelas eleições não foram muito animadores. Tivemos avanços, é verdade, mas o conjunto da obra ainda deixa a desejar. Se, por um lado, tivemos um presidente expelido do poder por corrupção ( Collor ) e um plano econômico consistente ( Real), por outro, os costumes políticos pouco evoluíram, os partidos continuam a ter pouco significado e os atentados à democracia, praticados pelos donos do poder continuam freqüentes.
2009 não é 1989

Neste mês, completam-se duas décadas da restauração do regime democrático no Brasil, que se consolidou com a realização das eleições presidenciais diretas,em 1989, após 29 anos de ausência desse sistema de escolha. No retorno à democracia, o país já havia dado passos decisivos em anos anteriores: a Lei da Anistia ( 1979), a campanha das Diretas Já ( 1984) e a Constituinte de 1988 foram etapas importantes nessa direção. Mas faltava o coroamento, que veio no dia 15 de novembro de 1989, com a realização do primeiro turno do pleito presidencial.

As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos foram às urnas escolher o seu Presidente. Ao todo, 22 candidatos se apresentaram. Desde figuras conhecidas da política nacional – Leonel Brizola, Lula, Ulysses Guimarães, Mario Covas e Paulo Maluf –, até ilustres desconhecidos e candidatos que marcaram a sua passagem pela extravagância de suas propostas e pelo grotesco de suas figuras.

Mesmo assim, havia no ar um clima de entusiasmo cívico da população, mesmo com a desilusão provocada pelos seis desastrosos anos do governo Sarney.Em relação aos candidatos, era nítido o desejo de se fazerem conhecidos pelas suas posições ideológicas, à esquerda ou à direita.

No campo da esquerda, em que pese a agonia do regime comunista, Lula, Brizola e Roberto Freire insistiam em apresentar ao eleitor uma plataforma anacrônica marcada pela defesa do estatismo e do socialismo. No campo oposto, candidatos como Guilherme Afif Domingos e Ronaldo Caiado faziam a defesa o liberalismo econômico e da iniciativa privada; no meio, Mario Covas defendia forte presença do Estado no campo social e um “choque de capitalismo” nas relações econômicas.

Os vinte anos que se seguiram àquelas eleições não foram muito animadores. Tivemos avanços, é verdade, mas o conjunto da obra ainda deixa a desejar. Se, por um lado, tivemos um presidente expelido do poder por corrupção ( Collor ) e um plano econômico consistente ( Real), por outro, os costumes políticos pouco evoluíram, os partidos continuam a ter pouco significado e os atentados à democracia, praticados pelos donos do poder continuam freqüentes.A emenda constitucional que permitiu a reeleição de Fernando Henrique, a ocupação do aparelho estatal pelos partidários do presidente Lula , e o escândalo do mensalão que sintetizou bem a promiscuidade das relações entre Congresso, governo e empresários são os exemplos mais lembrados. Mas não ficou só nisso.

As agressões continuam a dar o tom nessa parte final do governo petista. E elas se manifestam no uso escancarado da máquina governamental para impor a candidata do continuísmo, no já conhecido desprezo do presidente pelas instituições que podem conter os excessos autoritários – Imprensa, Ministério Público, Congresso, TCU, Justiça – e na inapetência dos partidos de oposição de fazerem uma oposição de verdade.

Os nobres ideais e o entusiasmo cívico que marcaram 1989 se perderam no tempo, e foram substituídos pelo pragmatismo e oportunismo cínicos que marcam as atuais relações políticas, tanto no governo, quanto nos que se apresentam como oposição. Em muitos aspectos, portanto, o Brasil perdeu, nesses 20 anos.
091109

4 comentários:

Maria Heloisa Pereira Vitoriana disse...

O INFERNO E O MURO DE BERLIM:

O QUE É VERMELHO E TEM PENSAMENTO ÚNICO? E SE TIVESSE BANDEIRA REPRESENTATIVA, SERIA VERMELHA?

Não é o que vocês pensaram, o comunismo, mas sim a matriz: o INFERNO.

BEM, pra não deixar em Branco, comemorei os 20 anos do queda do Muro que separava a liberdade de todas as crenças daquela sucursal do Inferno.

Viva a democracia!

Em 2010, vamos derrotar nas urnas os gafanhotos do Inferno, aquela filial aloprada do Inferno que tem no Brasil!

Viva a democracia!

Anti-petista Assumido disse...

Realmente 2009 não é 1989...naquele tempo o sapo ainda não tinha veneno e ainda haviam políticos do porte de Mario Covas , Em quem acreditar agora? Quem pode nos livrar do sapo que virou monstro? A gentalha se deixa corromper por migalhas que o governo oferece...Assim cada povo tem o governo que merece...Ai de nós!!

Rosena disse...

Fernando e o apagão do Lula, hem?Só faltava um apagão para desmoralizar de vez o governo desse calhorda do Lula. E agora, vão dizer o que do governo de FHC?A desculpa deles é que agora o probl ema é tecnico.. mas no governo anterior era politico rss Estao demoralizados de vez...

Anônimo disse...

ESTA OPOSIÇÃO BRASILEIRA É BUNDONA