terça-feira, outubro 13, 2009

CIRO PROMETE BARULHO

Personalista e voluntarioso, Ciro Gomes pertence àquela linhagem de políticos brasileiros, da qual os representantes mais ilustres são Jânio Quadros e Fernando Collor. Para essa gente, partido político é meramente uma escada que se usa e se descarta de acordo com as circunstâncias; programa partidário é algo que só serve para ser usado durante as campanhas eleitorais e convenientemente esquecido depois; e ideologia é coisa de intelectual elitista distante da prática política. Ciro e seus novos aliados paulistas: o que ele quer é o Planalto
CIRO PROMETE BARULHO

Quando se imaginava que o panorama das próximas eleições presidenciais ficaria reduzido ao embate entre a candidatura oficial, representada pela ministra Dilma Rousseff, e o candidato da oposição, José Serra, eis que se apresenta, mais uma vez, Ciro Gomes.

Personalista e voluntarioso, Ciro Gomes pertence àquela linhagem de políticos brasileiros, da qual os representantes mais ilustres são Jânio Quadros e Fernando Collor. Para essa gente, partido político é meramente uma escada que se usa e se descarta de acordo com as circunstâncias; programa partidário é algo que só serve para ser usado durante as campanhas eleitorais e convenientemente esquecido depois; e ideologia é coisa de intelectual elitista distante da prática política.

Ciro é um daqueles políticos que não joga para o time, mas quer que o time jogue para ele. Mesmo que o time seja pequeno, como é o caso do PSB, ao qual está filiado e escolhido por ele para dar sustentação legal às suas pretensões nada modestas.Ciro quer porque quer o Planalto.Apresentou-se como candidato presidencial pela primeira vez em 1998 e ficou em terceiro lugar com 10,9 % do votos, o que foi considerado um ótimo resultado, considerando-se que era até então um ilustre desconhecido.

Em 2002, voltou a concorrer. Chegou a liderar as pesquisas no primeiro turno, quando o seu temperamento intempestivo se exarcebou: cometeu grosserias contra eleitores e contra a sua mulher, Patrícia Pillar, e foi ultrapassado por Lula , José Serra e Anthony Garotinho. Derrotado, aliou-se de imediato a Lula, que na campanha havia sido chamado por ele de ignorante e despreparado, e foi premiado com um importante ministério no primeiro mandato do petista.

Como ministro, manteve uma postura discreta e fidelidade ao líder petista, quem sabe na esperança de ser ungido por ele como candidato da base aliada. Mas, como sabemos, Lula tinha outros planos, e dentro deles a candidatura de Dilma Rousseff. Desde então, Ciro tem se dedicado a um malabarismo político de tal ordem que poucos são capazes de prever o resultado.

Mesmo sem o apoio de Lula, insiste em se apresentar como uma espécie de segunda opção da base governista por querer usufruir dos frutos que acredita ter ajudado a produzir, e por acreditar que Dilma não tem carisma nem bagagem para derrotar José Serra. Ao se apresentar para a disputa, Ciro joga com a possibilidade de desbancar Dilma ainda no primeiro turno, e colocar, por falta de opção, Lula e toda a máquina governamental a seu serviço no segundo turno.

Sob esse ângulo, a mudança de domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, que a primeira vista poderia parecer rendição ao seu projeto presidencial em troca de uma candidatura ao governo do estado, pode, ao contrário, estar sinalizando que o deputado deseja de fato é construir uma base política minimamente sólida no estado mais forte da federação, e território de Serra.Portanto, não foi por nada que o PSB filiou figuras como o presidente da FIESP, Paulo Skaf, e o ex-tucano Gabriel Chalita, vereador mais voltado de São Paulo.

Pretensioso, arrogante e autoritário, dono de um discurso provocativo e ríspido, Ciro entrou no jogo para fazer barulho. Mas vai ter que aparar arestas se quiser ser um candidato de fato competitivo. Diante da inexpressividade de Dilma Rousseff e da timidez de José Serra, não são pequenas as chances de que ele venha a ser importante protagonista da próxima campanha eleitoral.
131009

5 comentários:

Celio disse...

A turma do Serra morre de medo de Ciro. Ciro andou fazendo umas bobagens em 2002, mas agora está mais preparado para enfrentar a tucanalha. Se eu fosse Lula daria apoio a campanha de Ciro que por dizer verdades é muito perseguido por esta midia suja sediada em SP. Tenho dito.

Celio disse...

A turma do Serra morre de medo de Ciro. Ciro andou fazendo umas bobagens em 2002, mas agora está mais preparado para enfrentar a tucanalha. Se eu fosse Lula daria apoio a campanha de Ciro que por dizer verdades é muito perseguido por esta midia suja sediada em SP. Tenho dito.

Roni disse...

Ele foi um exelente governador do Ceará. Um ótimo ministro da Fazenda que segurou a barra do real.. Trabalhou sério no governo Lula e está preparado para ser presidente.. O seu temperamento meio explosivo é o de menos.

Anônimo disse...

Política no Brasil = piada! Por que a Dilma não segue o mesmo caminho que alguns políticos e primeiro se torna governadora de algum estado? Seria legal se ela concorresse aqui em São Paulo, para vermos de fato qual a sua popularidade e adoração. Não apenas ela, mas qualquer um da região norte do país. Não preciso dizer mais nada!

maria regina disse...

O Ciro nunca cometeu grosserias com a esposa dele. Muito pelo contrario, ele sempre elogia ela, sempre esteve ao lado dela quando ela mais precisou,ele tem muito amor por ela.