terça-feira, setembro 08, 2009

A PETROLULA

Para o setor mais esclarecido da sociedade, permanece a impressão de que, mesmo alardeada como " a empresa do povo brasileiro", a gigantesca estatal serve de fato a poucos senhores. Sem falar no preço do combustível absurdamente alto para o consumidor, os lucros e a alardeada eficiência da Petrobras não se têm traduzido em benefícios concretos para a sociedade.
A PETROLULA

A Petrobras, maior empresa brasileira, tem sido escancaradamente usada como instrumento de promoção política pelo atual governo, como nunca antes havia acontecido. Não que os governos anteriores tivessem desprezado o potencial de prestígio que a empresa oferece. Ao contrário, todos eles sem exceção, desde Getúlio Vargas até FHC, passando pelos militares se utilizaram politicamente da petrolífera , aparelhando-a, se apropriando das suas conquistas e usufruindo de seu enorme prestígio. O atual governo, porém, atravessou todas as fronteiras do razoável e transformou a petrolífera numa espécie de cosa nostra, ou seja, muito mais uma empresa governamental e partidária do que uma empresa estatal.

O uso político da Petrobras tem crescido na medida em que se aproximam as eleições de 2010. O aumento da produção do petróleo, a conquista da auto-suficiência, a descoberta de novos campos petrolíferos, e, especialmente, a identificação da maior jazida de petróleo na camada pré-sal, alimentaram a propaganda governamental no sentido de associar as novas conquistas a uma suposta eficiência do governo no setor energético.

Mas tais conquistas não foram suficientes para apagar a série de denúncias de irregularidades no funcionamento da Petrobras. Que a empresa está recheada delas é fora de dúvida. Levantamentos feitos pelo TCU e investigações da Polícia Federal não deixam dúvidas. Existem claros indícios de irregularidades em contratos de construção de plataformas marítimas, fraudes em licitações para reformas de plataformas, desvio de dinheiro dos royalties do petróleo, fraudes envolvendo pagamento de indenizações feitos pela ANP a usineiros, e artifícios contábeis para redução de recolhimento de impostos.

Tais denúncias conduziram a uma intensa disputa no Senado pela instalação de uma CPI para investigar os fatos. A CPI foi instalada, mas não da forma como queriam os partidos de oposição. Os defensores do governo se apropriaram dos principais cargos da comissão, esfriaram o ânimo investigativo dos oposicionistas, e transformaram-na numa pouco frequentada pizzaria.

Vencida essa etapa, de olho nos louros políticos, e disposto a apagar do noticiário os fatos negativos que marcaram o primeiro semestre, o governo insiste em colocar na pauta do Congresso e da Nação a discussão dos projetos que tratam do modelo de exploração do pré-sal. Com toda razão, a oposição reclama da pressa governamental de regulamentar algo que existe apenas em estado embrionário, e para o qual o País não possui tecnologia nem recursos financeiros. De fato, além de apagar o noticiário negativo, Lula e sua turma enganam a população, criando falsas expectativas cujo sentido não é outro que não o de popularizar a candidata do bolso do colete do Planalto.

A nova onda nacionalista em torno das recentes descobertas – algo como “o pré–sal é nosso” – e o uso eleitoreiro do fato estão ameaçados pela disputa que se estabeleceu entre os estados “produtores” - no caso, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo - que querem a exclusividade sobre os royalties da exploração das novas jazidas , e os demais estados , que reivindicam participação isonômica de todos nos lucros. A briga entre os estados poderá ser a pá de cal sobre os planos de autopromoção eleitoral do governo baseados no pré-sal, pois abre rachaduras na base governista.

Para o setor mais esclarecido da sociedade, permanece a impressão de que, mesmo alardeada como " a empresa do povo brasileiro", a gigantesca estatal serve de fato a poucos senhores. Sem falar no preço do combustível absurdamente alto para o consumidor, os lucros e a alardeada eficiência da Petrobras não se têm traduzido em benefícios concretos para a sociedade.

Num passado ainda recente, o governo FHC ensejou um debate a respeito da privatização da empresa, e foi duramente atacado por isso. Conseguiu, pelo menos, a quebra do monopólio sobre a exploração do petróleo. O fato é que falar em privatização da Petrobras ainda é uma grave heresia que nenhum político ousa praticar ,com receio da pecha de antipatriótico.

Como não sou político e nem me incomodo com a retrógrada patrulha "nacionalista" que volta a assolar o País, ouso cometer tal heresia. Uma vez privatizada, mesmo que os benefícios sociais advindos da atuação da empresa sejam nulos, tal como acontece agora, a empresa estaria livre dos eternos parasitas políticos que se alimentam de sua pujança e prejudicam a sua eficiência.
080909.

6 comentários:

Abisantos disse...

O Por que será que o Companheiro da "MAROLINHA" quer atropelar o Legislativo e aprovar urgentemente o projeto do pré-sal? Será que ele ainda não se deu conta de que os interesses dos brasileiros estão acima dos seus interesses, e que chega de querer enganar os brasileiros e fazer aquilo que é apenas de interesse dos seus companheiros; aqueles do "mensalão e outros mais" que se lambuzam do seu governo. Chega de faz-de-conta!!!

Anônimo disse...

Coluna do Augusto Nunes
Revista VEJA - 8 de setembro de 2009
A espécie a caminho da extinção começa a crescer nos ibopes
Anotem: os índices espantosos vão minguar a cada pesquisa.

A pesquisa CNT-Sensus divulgada nesta terça-feira informa: ou o Brasil não soube da chegada iminente da Segunda Independência ou nem soube que seria proclamada. A popularidade de Lula caiu alguns pontos, Dilma Rousseff andou para trás, Marina Silva desobedeceu a Franklin Martins e não tirou votos de José Serra.
Enquanto meu amigo e vizinho Reinaldo Azevedo disseca os resultados com o brilho habitual, continuo à procura do entrevistado-pelo-instituto-de-pesquisa. Foi alentador saber que o Sensus conseguiu encontrar mais brasileiros-descontentes-com-o-governo, espécie à beira da extinção de dois anos para cá. Pelo que diziam os ibopes, o que restara da raça agonizava em meia dúzia de blogs.
Os organizadores do levantamento juram que a espécie a caminho do sumiço cresceu repentinamente graças a três derrapagens do governo: o avanço da gripe suína, o apoio de Lula a José Sarney e a sensação de que Dilma Rouseff mente demais. Nada disso é novidade. As trapalhadas já se haviam consumado quando mais pesquisas seguiram desenhando a trajetória que levaria o maior governante de todos os tempos aos 100% de popularidade. Ou 103%, se a margem de erro oscilar para cima.
Anotem: os índices espantosos vão minguar a cada pesquisa. Não porque o país tenha acordado, nem porque o presidente tenha resolvido errar todas, e sim porque a eleição vem chegando. Em outubro, as previsões serão confrontados com os resultados das urnas. A audácia dos alquimistas das porcentagens é de bom tamanho. Mas nunca será maior que o instinto de sobrevivência.

Melhor para o Brasil disse...

Respondam com sinceridade: o que é melhor? A Petrobras nas mão desta canalhada petista que usa a empresa para os seus objetivos, ou nas mão da iniciativa privada, que vai saber faze-la mais produtiva e eficiente?

Anônimo disse...

Toda privatização traz mais impostos ao governo e respectivos benefícios, do que a estatização que só serve para os políticos e para desviar tempos preciosos para solucionar os reais problemas do povo.

Anônimo disse...

A ESQUERDA DE HOJE EM DIA ESTÁ MUITO PARECEDA COM O NAZI-FACISMO: vejam o exemplo da Argentina.


Agentes do fisco fazem blitz
em sede de jornal argentinoA operação da Receita Federal argentina nesta quinta-feira na sede do jornal "Clarín", principal diário do país e crítico da gestão Cristina Kirchner, envolveu cerca de 200 agentes.

Maria Barbosa da Silva disse...

Tudo nesse governo do Lulla-lalau-PTóquio é mentira, vejam mais uma:



Domingo na Folha: Banco público compensa juro baixo com tarifa alta

da Folha Online - 12/09/2009 - 18h00

Para compensar a redução nas taxas de juros, os bancos estatais aumentaram as tarifas bancárias e engordaram suas receitas em até 50%, informa reportagem de Sheila D'Amorim, da sucursal de Brasília, publicada na edição deste domingo da Folha, que já está nas bancas.

A CEF (Caixa Econômica Federal) é a recordista entre os cinco maiores bancos do país. No primeiro semestre, ela aumentou em 50,86% a renda com tarifas bancárias em relação ao mesmo período de 2008.

No Banco do Brasil o crescimento foi de 27,23%. Os bancos privados também tiveram ganhos, mas em proporção menor: Bradesco (11,78%) e Santander/Real (10,96%). No Itaú, houve queda de 5%.