segunda-feira, agosto 03, 2009

QUEDA DE SARNEY NÃO SALVA O SENADO

Para o bem da República e felicidade geral da Nação não basta o senador José Sarney se afastar ou ser afastado da presidência do Senado. Pelo vergonhoso conjunto de sua obra, mesmo que venha a renunciar deveria ser julgado e ter seu mandato cassado. É o castigo mínimo que o senador pelo Amapá está a merecer. A queda de Sarney não significará a recuperação do Senado aos olhos da opinião pública. Significará apenas uma trégua. Pois é cada vez mais forte a tese da inutilidade do Senado no contexto da moderna democracia.
QUEDA DE SARNEY NÃO SALVA O SENADO

Para o bem da República e felicidade geral da Nação não basta o senador José Sarney se afastar ou ser afastado da presidência do Senado. Pelo vergonhoso conjunto de sua obra, mesmo que venha a renunciar deveria ser julgado e ter seu mandato cassado. É o castigo mínimo que o senador pelo Amapá está a merecer. Comprovada as denúncias de que vem sendo alvo, deveria estar atrás das grades.

Mas os arranjos políticos que obrigarão o velho senador a se afastar da cadeira da presidência farão com que fique preservado o seu mandato. Seus pares, a maioria com culpa no cartório, jamais permitiriam que Sarney se submetesse a um constrangimento maior do que a simples renúncia à presidência. Portanto, assistiremos à reprise do que ocorreu com Renan Calheiros: após meses de resistência, o alagoano renunciou à presidência, se impôs uma cautelosa quarentena, mas retornou à ribalta, lépido e fagueiro para comandar a bancada governista do PMDB. A diferença é que Sarney não tem mais saúde nem idade para um retorno glorioso, e deverá dar os seus últimos passos na vida pública num ostracismo bem remunerado.

No retorno do recesso, Sarney se colocará como vítima das disputas políticas e da deterioração da instituição, anunciará meia dúzia de medidas “moralizadoras”, e comunicará aos “brasileiros e brasileiras” o seu afastamento da presidência, como um ato de sacrifício pela solução da crise. Os processos contra ele no Conselho de Ética serão sepultados , e o velho político gradativamente cairá no esquecimento.Rei morto, rei posto.

Neste imbróglio, quem mais uma vez age de forma canhestra é o presidente Lula. Desde o início, desprezou por completo a autonomia dos poderes da República e interferiu indevidamente na crise do Senado.Não com o propósito de ajuda-lo a sair da lama, mas de forma a colocar mais lenha na fogueira.

Inicialmente, defendeu José Sarney com unhas e dentes, minimizou as faltas cometidas, argumentou que o senador estava acima do bem e do mal, apelou para a biografia do velho coronel maranhense, e, para completar, chamou os senadores de “ótimos pizzaiolos”. Agora, quando vê o barco de Sarney fazer água,dá uma de Pilatos, lava as mãos e diz que a crise não é problema dele, é problema dos senadores. Como sempre,nos momentos em que as crises ameaçam as cercanias do Planalto, se faz de ingênuo e tenta escapar de fininho.

O fato é que as duas semanas de recesso parecem ter servido para a construção de um arranjo provisório para a crise. Apesar das trocas de farpas, os principais líderes do PSDB, PMDB e PT,os dois últimos com o aval de Lula, parecem ter chegado a um consenso sobre o substituto de Sarney. Sobreveio o nome de Francisco Dornelles, do PP, senador pelo Rio de Janeiro. Não sendo do PMDB, seria do agrado dos tucanos , não sendo da oposição, satisfaria os peemedebistas, e sendo um ferrenho governista, agradaria Lula. Pesa a favor do senador fluminense o fato de até agora não ter visível nenhuma cicatriz moral ou ética a desabonar o seu nome.

Ao fim e ao cabo, a queda de Sarney não significará a recuperação do Senado aos olhos da opinião pública. Significará apenas uma trégua. Pois é cada vez mais forte a tese da inutilidade do Senado no contexto da moderna democracia. Na semana passada, a ala do PT capitaneada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a pregar o sistema unicameral, com a extinção do Senado, num raro caso em que a pouca qualidade de quem propõe não desqualifica a proposta.

De fato, o fim do Senado e a instalação de um Parlamento único, porém com reduzido número de representantes, está na cabeça de muitos cidadãos que se preocupam com o aprimoramento da atividade política. A extinção do Senado é um passo fundamental para a concretização de uma Reforma Política. Mas este blog vai mais além ao defender a instituição do Parlamentarismo como o coroamento dessa desejável e necessária reforma. Quem viver, verá.
030809

4 comentários:

Alessandro disse...

E vergonhoso estes que se dizem autoridades, enquanto discutem, pioram ainda mais a imagem desta latrina que e o congresso nacional. Enquanto o país esta sendo varrido pelo tráfico de drogas, e po estes menores infratores, nossa sociedade agoniza a merce destes inuteis do poder...

Alessandro disse...

O senado ja era!!! E agora vendo o bate-boca da para perceber que "os saltimbancos trapalhoes" brincam com nossa passividade!O que sera que eles esperam agora!!Ou melhor nos estamos esperando o que para sairmos as ruas!!!

Anônimo disse...

A INDIGNAÇÃO DO POVO CONTRA OS MAUS POLÍTICOS É INEGÁVEL.
A MÍDIA, DE UMA FORMA GERAL, SÓ SE PREOCUPA COM OS ÍNDICES DE APROVAÇÃO/REJEIÇÃO DO EXECUTIVO, PRINCIPALMENTE, A REDE GLOBO.
- POR QUE NÃO FAZER UMA PESQUISA DE NOSSA INSATISFAÇÃO COM ESSE SENADO CORRUPTO?;
- OU, SE QUEREMOS OU NÃO JOSÉ SARNEY FORA DO SENADO?;
CABERIAM MUITAS OUTRAS...................

Gil disse...

O Senado esta morto, só esqueceram de enterra-lo