segunda-feira, agosto 24, 2009

A ESTRELA (DE)CADENTE

A ascensão ao poder, emoldurada pelo slogan de que “a esperança venceu o medo” sinalizava que havendo tomado juízo o PT poderia liderar um processo de modernização política do país, na qual a consolidação da democracia, a estabilização da economia, a acentuação da justiça social e o aprimoramento da ética nas relações públicas caminhariam juntos. Mas não foi o que se viu.
A ESTRELA (DE)CADENTE

Surpreende-me que ainda existam pessoas que se surpreendam com o PT. O partido que atuava sob a aura dos nobres princípios, da luta pela justiça social, e da defesa intransigente da ética, há muito já não existe, se é que algum dia realmente existiu como tal.

A mudança começou ainda na segunda metade da década de noventa, quando após três derrotas consecutivas na sua pretensão presidencial, Lula e seus comandados abandonaram a sua velha rejeição por alianças amplas e heterogêneas e trocaram a bandeira de um socialismo extremado por uma indefinida roupagem social democrata. O discurso raivoso contra tudo e contra todos foi abandonado. A permanente mobilização de setores sindicais e movimentos populares também foram substituídos por um comportamento menos agressivo e pelos acordos e conchavos bem a gosto dos partidos tradicionais.

Essa mudança já vinha se processando antes mesmo da candidatura de Lula em 2002 e da famosa “Carta aos Brasileiros”, na qual era exposto o compromisso de manter os contratos internacionais firmados pelos governos anteriores. Com isso, os petistas tentavam afastar quaisquer insinuações de que iriam mergulhar o país numa perigosa aventura política,, e tentavam atrair os votos da classe média e de setores do empresariado, o que de fato ocorreu. O sectarismo e o maniqueísmo, marcas registradas do partido de Lula pareciam coisas do passado.

A ascensão ao poder, emoldurada pelo slogan de que “a esperança venceu o medo” sinalizava que havendo tomado juízo o PT poderia liderar um processo de modernização política do país, na qual a consolidação da democracia, a estabilização da economia, a acentuação da justiça social e o aprimoramento da ética nas relações públicas caminhariam juntos. Mas não foi o que se viu.

O que se viu foi o PT apoderar-se dos principais cargos da administração federal e das estatais, e distribuí-los entre correligionários, apaniguados, e familiares; o que se viu foi governo petista aumentar de forma descomunal os quadros da administração, inflar os gastos públicos , especialmente com propaganda; o que se viu foi a administração petista onerar a sociedade com o aumento fabuloso da carga tributária; finalmente, o que se viu foi o governo do PT estabelecer uma maioria no Congresso ao preço da prática do mais explícito e despudorado fisiologismo que se tem notícia.

O coroamento de tais práticas não poderia ser outro que não a descoberta do mais amplo esquema de corrupção da História Republicana. Dirigentes partidários, ministros, parlamentares, e empresários movimentaram milhões de reais num esforço para manter sólida a aliança que sustentava Lula no poder. A revelação do esquema fez cabeças importantes rolarem e atirou no lixo a boa fama que ainda restava ao partido de Lula.

Numa mistura da esperteza de Lula com a incompetência da oposição, o presidente conseguiu escapar mais ou menos ileso do imbróglio do mensalão. Mas o PT não mais se recuperou do golpe. Perdeu definitivamente a identidade, e principalmente a parcela de influência sobre o governo Lula. Transformou-se, no Congresso e no Executivo, num mero coadjuvante, obediente e submisso, e teve que engolir o crescimento do prestígio do PMDB junto ao presidente.

Despudorado, assumidamente fisiológico e completamente imune a crises de consciência ou de falso moralismo, o PMDB passou a servir melhor aos propósitos pragmáticos de Lula, tanto no que tange à “governabilidade” quanto no que diz respeito à sucessão presidencial.

A crise no Senado e o apoio oficial do PT à permanência de José Sarney na presidência da Casa expuseram definitivamente as chagas do partido. Desnorteados, os petistas partiram para o salve-se quem puder. Alguns, como Marina Silva e Flávio Arns, saltaram do barco a tempo de tentarem salvar o seu cacife eleitoral em outros partidos. Outros mergulharam num processo hamletiano, da escolha entre os ditames da consciência ou a submissão vergonhosa de suas consciências aos ditames do chefe. No caso do senador Aloísio Mercadante, prevaleceu a segunda opção.

Juntar os cacos do PT não será tarefa fácil. O partido que se pretendia modelo de ética, coerência, organização e pureza ideológica, hoje é uma caricatura de si mesmo. Falta ética, falta espírito público, falta compostura e falta democracia. Mas sobretudo faltam políticos com o mínimo de vergonha na cara.
240849




9 comentários:

Celso disse...

Não é somente o PT., A política brasileira está completamente podre. O problema é que o pt se julgava acima do bem e do mal.É preciso uma reforma política no país.

Brasileiro Ilustre e Desconhecido disse...

Viva Sarney! Viva Collor! Viva Renan! Viva Jader Barbalho! Viva Delúbio! Viva José Dirceu ! Viva Genoino ! Viva Berzoini! Viva Palocci! Viva Dilma ! Viva Romero Jucá! Viva Wellington Salgado! Todos brasileiros ilustres que lutam pelo bem estar e pelo progresso do Brasil!!!! Viva eu !!!

Rosena disse...

Fernando muito boa a analise do pt. Luladrão levou a politica para um nível mais baixo.O Senado é um lixo, os polítcis são um lixo. O piotr e que nas proximas eleições o ze povinho dependente da bolsas vota nesse pessoal mais uma vez. É trite mas é real.

J Carlos SP disse...

Palavras do ex-terrorista dedo-duro, José Genoíno.
" Eles não entendem que não existe Lula sem PT e PT sem Lula"

Mas ele está certo, o criador engoliu a criatura e vice-versa.
O problema para eles, é que lula não estará mais no poder após 2010.
Será o fim do petismo e o início do "lulismo", que reunirá populistas, demagogos e todo tipo de puxa-saco disponível entre as esquerdas capengas e órfãs.
Essa cambada toda que hoje faz parte de seu governo se espalhara por todos os cantos partidários, loucos para não perderem a boquinha que conquistaram.
São parasitas profissionais, nunca trabalharam de verdade e só sabem fazer isso: intrigas e enfiar a mão peluda no dinheiro público.
Pelo menos desta vez, não estarão mais no poder, e não poderão mais fazer o mesmo estrago que fizeram nestes últimos 8 ano

Melina disse...

Ótimo artigo Fernando.
Tudo seria diferente se no Brasil, se a grande maioria de brasileiros tivessem uma educação de qualidade, eficiente. Se todos tivessem consciência dos fatos e da realidade. Se todos fossem cidadãos na plenitude da palavra. Com certeza absoluta Lula jamais seria presidente e muitos dos políticos aí presentes e que estão em Brasília principalmente não seriam eleitos. Torço para que haja um grande movimento na internet, TV, radio, jornais, para não reeleger nenhum dos políticos atuais. Zerar tudo e começar com gente nova (não na idade), com ideias novas e principalmente com novas posturas diante do dinheiro público, do respeito ao povo brasileiro.Os políticos atuais nem para o lixo merecem ir, pois, iriam poluí-lo.Quanto ao PT acredito que ainda não mostaram a sua verdadeira face. O que vemos é apenas um apertivo, um teste para ver a reação do povo brasileiro diante de tantos podres e absurdos. Certamente querem dominar e perpetuar no poder.

Anônimo disse...

Governo paga ações criminosas do MST
Planalto - 29 de agosto de 2009 - VEJA
Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra são evasivos quando perguntados de onde vêm os recursos que sustentam as invasões de fazendas e manifestações que o MST promove em todo o Brasil. Em geral, respondem que o dinheiro é proveniente de doações de simpatizantes, da colaboração voluntária dos camponeses e da ajuda de organismos humanitários. Mentira.
O cofre da organização começa a ser aberto e, dentro dele, encontram-se as primeiras provas concretas daquilo que sempre se desconfiou e que sempre foi negado: o MST é movido por dinheiro, muito dinheiro, captado basicamente nos cofres públicos e junto a entidades internacionais. Em outras palavras, ao ocupar um ministério, invadir uma fazenda, patrocinar um confronto com a polícia, o MST faz isso com dinheiro de impostos pagos pelos brasileiros e com o auxílio de estrangeiros que não deveriam imiscuir-se em assuntos do país.
VEJA teve acesso às informações bancárias de quatro Organizações Não-Governamentais (ONGs) apontadas como as principais caixas-fortes do MST. A análise dos dados financeiros da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), do Centro de Formação e Pesquisas Contestado (Cepatec) e do Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo (Itac) revelam que o MST montou, controla e tem a seu dispor uma gigantesca e intrincada rede de abastecimento e distribuição de recursos, públicos e privados, que transitam por dezenas de ONGs espalhadas pelo Brasil:
- As quatro entidades-cofre receberam 20 milhões de reais em doações do exterior entre 2003 e 2007. A contabilização desses recursos não foi devidamente informada à Receita Federal.
- As quatro entidades-cofre repassaram uma parte considerável do dinheiro a empresas de transporte, gráficas e editoras vinculadas a partidos políticos e ao MST. Há coincidências entre as datas de transferência do dinheiro ao Brasil e as campanhas eleitorais de 2004 e 2006.
- As quatro entidades-cofre receberam 44 milhões de reais em convênios com o governo federal de 2003 a 2007. Há uma grande concentração de gastos às vésperas de manifestações estridentes do MST.
- As quatro entidades-cofre promovem uma recorrente interação financeira com associações e cooperativas de trabalhadores cujos dirigentes são ligados ao MST.
- As quatro entidades-cofre registram movimentações bancárias estranhas, com vultosos saques de dinheiro na boca do caixa, indício de tentativa de ocultar desvios de dinheiro.
Há muito o que desvendar a respeito do verdadeiro uso pelo MST do dinheiro público e das verbas provenientes do exterior.
Para fugir a responsabilidades legais, o MST, embora seja onipresente, não existe juridicamente. Não tem cadastro na Receita Federal, e, portanto, não pode receber verbas oficiais. "Por isso, eles usam estas entidades como fachada", diz o senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, que presidiu a CPI das Terras há dois anos, e, apesar de quebrar o sigilo das ONGs suspeitas, nunca conseguiu ter acesso aos dados bancários. Aliados históricos do PT, os sem-terra encontraram no governo Lula uma fonte inesgotável de recursos para subsidiar suas atividades.
As ONGs ligadas ao MST chegaram a receber quase 70 milhões de reais em um único ano. No início do governo Lula, em 2003, esses repasses não chegavam a 15 milhões de reais. No ano seguinte, mais do que dobraram, ultrapassando os 32 milhões de reais. Em 2005, o valor novamente dobrou, atingindo os 64 milhões de reais. No segundo mandato, as denúncias de irregularidades envolvendo entidades ligadas aos sem terra ganharam força. E o dinheiro federal para elas foi minguando. Em 2007, ano de abertura da CPI, os repasses às ONGs ficaram em 56 milhões de reais. No ano passado, as entidades receberam 46 milhões. O governo Lula agora experimenta o gosto da chantagem de uma organização bandida que cresceu sob seus auspícios.

Anônimo disse...

Há indícios contra Palocci, dizem juristas
Avaliação é de que fator político pesou no STF, mas placar apertado expôs tendência pela abertura de ação
Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Havia motivos suficientes para abertura da ação penal contra o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), sustentam procuradores da República, advogados criminalistas e juristas que seguem a linha de entendimento de quase metade da composição do Supremo Tribunal Federal (STF). Para esses profissionais da área do direito, o placar apertado do julgamento - cinco votos contra a ação, quatro a favor -, expõe a tendência em mandar Palocci para o banco dos réus. "Foi um julgamento atípico, que revela a influência política sobre o Judiciário", aponta o advogado Alberto Carlos Dias. "É questão clara de status, 99,9% dos brasileiros na situação do ex-ministro seriam réus a essa altura", acusa o jurista Luiz Flávio Gomes.

Anônimo disse...

O PETISMO COMO A FASE CIENTÍFICA DO MALUFISMO
sexta-feira, 28 de agosto de 2009 | 16:59
O lulo-petismo já se encarregou de espalhar a verdade oficial: Antonio Palocci vai disputar o governo de São Paulo não exatamente para tentar ganhar a eleição, mas para limpar a sua Imagem. Ah, entendi: campanha eleitoral agora virou lavanderia de reputações.

É assombroso, mas não chega a ser original. É o que faz Paulo Maluf — no aspecto moral, o petismo é a fase científica do malufismo e, por isso, é mais caro — desde que disputa eleições.

Pobre Palocci! Teve a reputação abalada por um caseiro mau como um pica-pau.

Rosena disse...

Fenando srá que seremos obrigados a engolir o PT por mais tempo? Esse ewlitorado comprado por bolsas esta no bolso e não sei se alg sera capaz de derrotar a máquina corrupta do govwerno. Vc tem rtazão , o pt caiu mas o sapo continua iludindo o povão.