segunda-feira, julho 06, 2009

O QUE FAZER COM O SENADO?

Os ânimos estão acirrados, e a biografia da maioria dos senadores demasiadamente maculada para que qualquer atitude séria no sentido da moralização da instituição seja tomada. Muito discurso , muita falação , mas nenhum resultado prático.Nem mesmo o fato de o Senado estar sob as luzes da mídia e o foco da opinião pública motiva os senadores a tomarem uma atitude que ganhe o respeito da opinião pública.

O QUE FAZER COM O SENADO?
Os senadores passaram a última semana discutindo o que fazer com o Senado. Não chegaram a um consenso. Nem poderiam. A relação de malfeitorias é enorme demais para serem consertadas em tão pouco tempo. Além disso, os atores são de péssima qualidade e estão divididos entre interesses partidários, pessoais e eleitorais. Por isso, estão dedicados muito mais em encenar uma farsa do que em tentar de fato a moralização do ambiente.


Os tucanos, capitaneados pelo líder Arthur Virgílio, defendem uma investigação mais profunda, o afastamento do presidente do Senado, e a formação de uma comissão interpartidária “de alto nível”. Primeiro, porque isto significaria um desgaste irreversível na base governista e atrapalharia os planos eleitorais da aliança governista, segundo porque daria chance de um tucano ocupar por algum tempo a presidência da Casa – o vice, Marconi Perillo - , e terceiro, porque deixaria o governo sem uma opção confiável para assumir os destinos do Senado.


O DEM, que foi decisivo na eleição de Sarney, quer saltar da canoa furada, sem fugir de uma tradição que faz parte da sua índole. Foi assim que no início da década de 80, capitaneados por Sarney, saltaram do barco da ditadura que naufragava, para fundar o PFL. Com exceção de três senadores, a bancada democrata no Senado recomendou o licenciamento do presidente da Casa sob o pretexto de tornar isentas e acelerar as investigações. Puro oportunismo.


Nesse imbróglio, o PT faz o papel mais constrangedor. A bancada é amplamente favorável à saída de Sarney, mas não pode contrariar o chefe. Este já reafirmou que precisa do apoio do PMDB ao seu projeto de conduzir Dilma Rousseff ao Planalto.Nesse sentido, os petistas ficam mais uma vez na incômoda posição de ter que abrir mão de seus alegados ideais para defender o que chamam de governabilidade.


Por seu turno, ao presidente pouco importa o fato de o Senado haver se transformado numa casa de horrores. O que o preocupa é o fato de seu projeto de poder estar sob risco. Por isso, insiste na permanência de Sarney na presidência, mesmo enfraquecido. É que as alternativas, sob o ponto de vista do Planalto não são muito animadoras.
O PMDB não oferece outro nome confiável que possa ocupar o espaço e agregar a base aliada. O PT, muito menos. Neste quadro confuso e conflituoso não seria surpresa se a oposição, contando com o apoio de dissidentes da base governista, chegasse ao poder do Senado. O que para Lula seria o pior dos mundos num período pré-eleitoral. Por isso, paradoxalmente, ao fato de Sarney, nas atuais circunstâncias, ter se tornado refém de Lula, este permanece refém do PMDB.


O fato é que, ao fim e ao cabo, a simples saída de Sarney não sanearia nem apaziguaria a Casa. A estrutura do Senado está tão corrompida que somente uma radical reforma administrativa daria um mínimo de racionalidade e probidade ao seu funcionamento interno. Mas para isso os senadores teriam que estar unidos e sinceramente imbuídos deste propósito.


Os ânimos estão acirrados, e a biografia da maioria dos senadores demasiadamente maculada para que qualquer atitude séria no sentido da moralização da instituição seja tomada. Muito discurso , muita falação , mas nenhum resultado prático.Nem mesmo o fato de o Senado estar sob as luzes da mídia e o foco da opinião pública motiva os senadores a tomarem uma atitude que ganhe o respeito da opinião pública. Num ano pré-eleitoral, a reeleição de muitos dos atuais senadores corre perigo. Para o bem de todos e felicidade geral da Nação.
06/07/09

3 comentários:

Anônimo disse...

Todos estão comprometidos com as falcatruas pois se não já haviam botado a boca no trombone. Um fala que vai fazer isso, outro que vai fazer aquilo, mais ninguem faz nada, e a verdade é que tudo vai ficando como está e sempre esteve, uma vergonha como diz o Boris. Será que nem um vai falar às claras?

J R Lopes disse...

De que crise estão falando, se no senado o que não falta é crise. Na minha modesta avaliação essa crise que tanto se fala, não passa de mais um bate boca, por não terem o que fazer. Enquanto o trabalhador com um minguado salário trabalha oito horas todo dia e ainda tem que fazer horas extras para ganhar mais alguns trocados, os senadores passam os dias lavando roupa suja, como se a sociedade não conhecesse o que existe embaixo deste tapete.
O País, pode muito bem viver sem o senado, pois quem mantém o País e o congresso, nós trabalhadores, continuamos trabalhando e não podemos faltar um dia, pois teremos o dia descontado em nosso holerit.
Podem fechar senado, câmara, governo, que nós trabalhadores, com o nosso trabalho, continuaremos pagando os impostos tão necessários para manter o cargo de quem não quer trabalhar, mais sim, bater boca.
Que crise que nada. Tomem vergonha e votem as leis que o povo tanta necessita, como a PEC da maioridade do menor e a CPI da petrobrás, só para ficar nestes dois exemplos.

Rosena disse...

Totalmente apoiado o comentario acima.