terça-feira, julho 07, 2009

O GOLPE NO GOLPE

Apesar da condenação mundial, o golpe ocorrido em Honduras foi de fato um contragolpe. O propósito de Zelaya de alterar a Constituição para se perpetuar no poder é uma réplica do que tem se tornado corriqueiro na América Latina , a partir do exemplo do venezuelano Hugo Chávez. O GOLPE NO GOLPE
Vamos aos fatos. Em Honduras, o presidente do País, Manuel Zelaya, afrontando a Constituição, decide consultar a população sobre a convocação de uma Constituinte. A Suprema Corte, o Ministério público e o Congresso consideram a consulta ilegal. Desobedecendo a decisão das três instituições, Zelaya mantém a consulta e demite o comandante da Forças armadas, por se recusar a colaborar. A Suprema Corte reverte a decisão , mas Zelaya não acata a decisão e mantém a consulta. A Suprema Corte manda os militares prenderem Zelaya por descumprimento de ordem judicial, e Roberto Michellet, presidente do Congresso assume a presidência.

Estes são os fatos, e contra fatos não há argumentos. Apesar da condenação mundial, o golpe ocorrido em Honduras foi de fato um contragolpe. O propósito de Zelaya de alterar a Constituição para se perpetuar no poder é uma réplica do que tem se tornado corriqueiro na América Latina , a partir do exemplo do venezuelano Hugo Chávez.

O esquerdismo de caráter populista que assola a América Latina nada tem de democrático e há muito tem chamado a atenção dos que de fato se preocupam com os rumos da democracia. A ascensão de Barack Obama na presidência dos EUA e a sua política de apaziguamento em relação aos novos caudilhos incentivam o acirramento das agressões aos princípios liberais e democráticos, em nome de um suposto “novo socialismo” .

O caso de Honduras é sintomático dessa nova postura. Manuel Zelaya foi eleito presidente em 2006 com um discurso de direita, diferente do que passou a praticar depois de assumir a presidência. No poder, se metamorfoseou em Chávez & Cia, e projetou o prolongamento do seu mandato, a exemplo do que vêm fazendo , um a um, os seus modelos latino-americanos.

Portanto, pode-se criticar a forma abrupta com que os demais poderes e instituições reagiram à tentativa de golpe de Zelaya - muitos defendem que o caminho adequado teria sido um processo de impeachment -mas não se pode contestar o mérito da ação.

Não se pode desprezar, entretanto, o risco de que uma radicalização da crise leve os atuais detentores do poder a endurecerem e conduzirem o país a uma ditadura militar de fato, sob o pretexto de conter a reação dos partidários de Zelaya. Então, toda a justeza de propósitos do contragolpe terá se dissipado, e Honduras definitivamente mergulhada num grave impasse.

A esta altura da crise, toda e qualquer negociação que vise restabelecer a ordem no país será bem vinda, dede que seja balizada no respeito absoluto à Constituição. Por mais que a opinião pública mundial e organismos internacionais condenem o golpe, o verdadeiro golpista responde pelo nome de Manuel Zelaya.
07/07/09

4 comentários:

Ilton disse...

É muito controversa a situação em Honduras. Os governistas acham que aquilo foi um golpe militar. Os oposicionistas dizem que estavam defendendo a democracia ao derrubar Zelaya. Quem tem razão? Acho que nehuma das partes. Zelaya queria se transformar num ditadorzinho no estilo de chavez, mas a oposição não pode negar que derrubou um presidente eleito pela força. Será que não havia um outro caminho para enquadrar ou para afastar Zelaya do poser?

Anônimo disse...

Hondurenhos aguentem firme!!! É sempre mais escuro antes do anoitecer!! Esse Zelaya já preparou o terreno para sua morte!! Assim que por os pés em Honduras é um falecido! Aí então as coisas se acalmarão por si mesmas! E voces terão vencido esses jornalistas comunistas, asceclas de Chaves!

Contra as Elites daqui e de lá disse...

Que mal existe em se fazer uma consulta ao povo? O presidente queria apenas isto. As elites tinham medo de que o povo votasse SIM, e desse mais um mandato a Zelaya. Então, aonde foi o GOLPE? É claro que foi das elites contra um presidente legitimamente escolhido pelo povo.

Rosena disse...

Fernando, acho que a onu , a oea e até os Estados unidos nãoentenderam bem o que aconteceu. Vc disse muito bem. Eles destituiram um presidente golpista, que pretendia ficar no poder indefinidamente. O verdadeiro golpe estava programado pelo tal zelaya.