terça-feira, junho 23, 2009

SARNEY É A CRISE

Pegos mais uma vez em flagrante delito, os senadores procuram simular seriedade e desejo de colocar tudo em pratos limpos, mas os debates que se travam no plenário e nos corredores não conseguem esconder o cinismo e a hipocrisia.De fato, está em curso mais uma tentativa de se construir uma farsa, dentre muitas que já marcaram a vida do Congresso nos últimos anos.Poucos são os senadores, se é que existem, sinceramente dispostos a investigar o que quer que seja, sem antes fazer uma autocrítica do próprio comportamento. SARNEY É A CRISE

Nas últimas semanas, o Senado Federal dedicou-se a debater os malfeitos praticados por membros e funcionários graduados da instituição. O tempo que deveria ser investido na elaboração de projetos em benefício da população, foi inteiramente dedicado a uma espécie de purgação interna. Os malfeitos não foram poucos nem de pouca gravidade. A relação inclui o pagamento de verbas indenizatórias indevidas, a criação de um número absurdo de diretorias (181, com salários em torno de R$20 mil), o pagamento de horas extras durante o recesso parlamentar, a nomeação de amigos e parentes através de atos secretos, as fraudes na contratação de serviços terceirizados , e a utilização de funcionários públicos regiamente pagos para serviços particulares, como acaba de ser denunciado em relação à ex-senadora Roseana Sarney. Ela mantinha um mordomo em sua mansão em Brasília com salário pago pelo contribuinte.

Pegos mais uma vez em flagrante delito, os senadores procuram simular seriedade e desejo de colocar tudo em pratos limpos, mas os debates que se travam no plenário e nos corredores não conseguem esconder o cinismo e a hipocrisia.De fato, está em curso mais uma tentativa de se construir uma farsa, dentre muitas que já marcaram a vida do Congresso nos últimos anos.Poucos são os senadores, se é que existem, sinceramente dispostos a investigar o que quer que seja, sem antes fazer uma autocrítica do próprio comportamento.

Nessa crise de desmoralização que mais uma vez toma conta do Senado e paralisa as atividades parlamentares a figura central é a do presidente da Casa. Num discurso em que tentava justificar o injustificável, José Sarney, alegou que a crise não é exclusivamente de sua responsabilidade, mas de toda a corporação. Velho de guerra, o senador amapaense sabia que suas palavras seriam recebidas em silêncio pela platéia que assistia ao seu discurso. De fato, os senadores, com poucas exceções, foram partícipes, cúmplices ou omissos em relação ao festival de indecência e de ilegalidades que assolava o Senado, e que somente foi tornado público como reflexo da disputa mal resolvida entre o PT e o PMDB pela presidência da Casa.

Mas o velho senador exagerou em sua tentativa de se isentar de culpa pela situação caótica em que se encontra a Câmara Alta. Como presidente da Casa pela terceira vez nos últimos quatorze anos – 1995-1997, 2003-2005, e a partir de 2009 -, José Sarney tem total responsabilidade sobre a montagem da estrutura que permitiu a série de negócios escusos e desvios de conduta que agora vêm a público. Se estivéssemos num País sério, o mínimo a se exigir seria a imediata abertura de inquérito para investigar a atuação do senador nos anos em que ocupou a presidência, Com certeza, o resultado seria o mais deprimente possível para a sua biografia .

Pois o que Sarney mais tem feito nas últimas semanas é apelar para o seu passado de sessenta anos de vida pública e alegar, em sua defesa, um histórico de bons serviços prestados ao país.Mas, mesmo ajudado por um holofote, fica difícil encontrar na biografia de Sarney algo que o faça mais semelhante a um estadista e menos parecido com um tradicional coronel da política nordestina, com todos os defeitos.

O que a História registra foi que num momento crucial da nossa vida política, Sarney viu cair no seu colo a presidência da República , mas não teve o discernimento e a grandeza que o momento exigia. Só para lembrar, o seu período na presidência é lembrado muito mais pela inflação estratosférica, pelos planos econômicos mirabolantes e desastrosos e pela sua relação extremamente fisiológica com o Congresso do que por algum projeto ou ação no sentido de levar o Brasil ao desenvolvimento. Sarney entrou para a galeria dos piores governantes da História deste País.

Neste imbróglio, como é de praxe, o presidente Lula somente abriu a boca para dizer besteira. E saiu em defesa de Sarney, ao manifestar aberta solidariedade ao presidente do Senado, do qual, aliás, se mostra um hábil aprendiz na arte de fazer política de baixo nível, com grandes doses de fisiologismo.Em final de mandato, e mendigando o apoio do PMDB ao seu plano de continuar no poder através da eleição de Dilma Roussef, mais do que nunca ele precisa dos préstimos do senhor do Maranhão e do Amapá para poder driblar a oposição e aprovar os de seus projetos no Congresso.

Pressionado pela mídia, pela opinião pública e por um diminuto grupo de senadores, o presidente do Senado, numa tentativa de dar uma aparência de respeitabilidade à sua gestão, apressou-se, na semana passada, em formalizar uma comissão de sindicância interna que, sob o “acompanhamento” do TCU e do Ministério Público investigará a série de denúncias.Os alvos principais são os ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

Fica claro que se punições acontecerem, elas atingirão exclusivamente o corpo administrativo da Casa, pois dificilmente algum senador será responsabilizado. E se for, terá direito ao foro privilegiado do STF. Ou seja, ao fim e ao cabo, será responsabilizado meia dúzia de funcionários, isentados todos os senadores. E a vida segue porque o povo esquece, pensam os donos do poder.

E não deixarão de ter razão enquanto a opinião pública não ensejar uma ação pública, num amplo movimento pela moralização do Congresso. Pelo atual andar da carruagem, se tiver tempo, saúde e vontade, José Sarney ainda terá uma sobrevida política.Ele conhece muito bem o chão em que pisa e melhor ainda os seus companheiros de viagem.
230609

6 comentários:

GIL disse...

Não é de estranhar que continuem usando o congresso para suas falcatruas. Eles não se consideram povo e não entendem que são empregados do povo que os elegeram para os representar e não para se representaram como fazem. Tenho vergonha de votar pois não existe candidato sério e agora os cargos passam de pai para filho, neto bisneto pois virou herança.

Reinaldo disse...

Fernando , penso que ex-presidentes jamais deveriam ocupar cargos públicos após exercerem a Presidência da República. Tal fato só contribui para depreciação do cargo de Presidente. Quando ex-presidentes voltam para a política só fazem denegrir a imagem , o cargo de presidente, e a própria biografia de cada um, isto se eles tiverem uma biografia elogiável. Eles deveriam se dar por satisfeitos por terem exercido o cargo máximo do país. Homens como Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco deveriam ser proibidos de exercerem novos cargos.

Rosena disse...

Fernando leio que Demóstenes pede demissão de Agaciel e afastamento de Sarney da presidência do Senado
Não é só o afastamento não!!! O dinheiro público gasto indevidamente tem que ser devolvido e o envolvidos tem que ir para a cadeia. É a lei,
aConstituição foi desrespeita

Observador disse...

Lula apoiou Renan até o último momento; Lula apoia Sarney até o último momento. Lula está pouco interessado em moral, ética, essas coisas. O que ele quer é a manutenção do poder nas suas mãos . Se Dilma for eleita, quem vai continuar mandando politicamente é ele. por isso ele não se importe de fazer aliança até com o diabo, para conservar o SEU poder.

Anônimo disse...

Que motivo fez esse traste do Sarney ainda se inserir dentro do contexto político da nação brasileira? Essa praga não ficou satiseita de ter roubado muito o erário? a gula é tanta que ele ainda se passa por isso? será que é chefão da máfia parlamentar? o escovão de xoxota não se manca?

Melina disse...

Sarney é a crise, é o imoral e o amoral, é uma das piores imagens de um político. Quando vejo tudo isso acontecendo, tenho vergonha de ser brasileira... e o povo não reage a mais nada.
Pq um avião lotado com todos os políticos brasileiros e com o chefe maior da gangue não cai no oceano e não deixa nenhum rastro.
Rs pensando bem, iria poluir o mar e matar muitos animais e plantas marinhos. Melhor seria se no avião tivesse uma bomba de neutrons, desintegraria tudo e todos.