terça-feira, junho 09, 2009

PRA FRENTE, BRASIL

Se os investimentos necessários se dessem sob rigorosíssimo controle e fiscalização, tudo já seria um grande desperdício. Mas, como todos sabem, no País do desvio de verbas, e do superfaturamento, certamente os recursos destinados às obras se perderão no buraco negro da corrupção, e farão a alegria de poucos – gente da CBF, do Ministério dos Esportes, de Governos estaduais e de entidades organizadoras do evento. Mas no final, a conta será paga por todos nós.
PRA FRENTE BRASIL!
O Brasil tem um caso de amor quase doentio pelo futebol , e a escolha do País como sede da Copa do Mundo de 2014 deve ter anestesiado a opinião pública e entorpecido o senso crítico de analistas da mídia. Poucos têm manifestado contrariedade com a decisão de um país com graves problemas de toda ordem assumir a organização de um evento milionário. A promoção de um evento de tal porte requer investimentos vultosos. A possibilidade de presenciar o desfile dos maiores astros do futebol seria motivo de regozijo, não fosse o fato de que quem vai acabar pagando a festa é o contribuinte.
O que o Brasil menos precisa nesse momento é de um evento esportivo de tal dimensão. Sob qualquer ângulo, as desvantagens superam em muito os possíveis ganhos. Talvez outros motivos, menos prosaicos, explicariam melhor essa excentricidade que vai custar caro aos brasileiros. Menos a pequenos e poderosos grupos, que juntarão a fome de autopromoção política à vontade de comer fatias do grande bolo financeiro gerado pela organização do evento esportivo. Segundo os promotores, a maior parte vinda do setor privado, mas, ao que tudo indica sairão mesmo dos cofres públicos.
O governo brasileiro assumiu perante a FIFA o compromisso de organizar, e foi o único a fazê-lo: os demais países demonstraram mais juízo. Desde 1986, ano em que a Copa foi sediada no México,países com problemas econômicos e dificuldades sociais não se arriscam a promover espetáculos desta envergadura financeira. Nos últimos 23 anos os mundiais de futebol foram bancados por países desenvolvidos - Itália, Estados Unidos, França, Coréia e Japão, e Alemanha; a exceção fica por conta da África do Sul que se propôs a sediar o próximo mundial, mas vem encontrando graves problemas na organização. Tanto que a FIFA já tem arquitetado o plano B: caso o país africano não dê conta do recado, Inglaterra ou Alemanha já estão preparadas para sediar o torneio.
A principal etapa, que consiste na reforma e construção de estádios, já revela problemas. A iniciativa privada, mergulhada em dificuldades, parece pouco disposta a investir dinheiro em canoa furada. Dos estádios anunciados como sedes dos jogos , nenhum será inteiramente bancado pelo setor privado, como seria desejável. Estádios como o Morumbi,Beira Rio, e Arena da Baixada, que pertencem a clubes, deverão ter suas reformas financiadas através de parcerias público-privadas; os demais certamente serão reformados ou construídos inteiramente com dinheiro estatal.
O grande entrave é saber o que fazer com as arenas após o término da competição. A manutenção de cada uma delas vai exigir um custo que poucos estarão dispostos a assumir Soluções tão mirabolantes quanto inviáveis - transformar os estádios em centros de compra e de lazer e palco de shows musicais – não faltam. O mais provável é que os estádios construídos em cidades onde o futebol profissional praticamente inexiste estarão fadados a se transformarem em vistosos e dispendiosos elefantes brancos.
Mas não são apenas os estádios. A organização exige gastos exorbitantes em obras de infra-estrutura, comunicação, transporte, hospedagem, centros de treinamento, e muito mais. As anunciadas obras estarão direcionadas para um setor específico, e talvez pouca valia tenham após o encerramento do torneio. Melhor se fossem realizadas como rotina administrativa de um projeto de governo, a serviço da população, sem que, para tal, houvesse a necessidade de um evento caríssimo. A herança dos jogos pan-americanos do Rio , em 2007,exemplifica bem: hoje as instalações construídas para o Pan estão entre subaproveitadas ou completamente abandonadas .
Se tais investimentos necessários se dessem sob rigorosíssimo controle e fiscalização, tudo já seria um grande desperdício. Mas, como todos sabem, no País do desvio de verbas, e do superfaturamento, certamente os recursos destinados às obras se perderão no buraco negro da corrupção, e farão a alegria de poucos – gente da CBF, do Ministério dos Esportes, de Governos estaduais e de entidades organizadoras do evento. Mas no final, a conta será paga por todos nós.
Agora Inês é morta, e pouco adianta chorar sobre o leite derramado. Resta, a quem estiver vivo até lá, torcer pela seleção canarinho e exercer marcação cerrada sobre os gastos públicos com a promoção do espetáculo.Afinal, no dia seguinte ao encerramento da Copa, diante da realidade caótica da saúde, segurança, educação e saneamento, talvez não tenhamos forças nem ânimo para gritar “pra frente, Brasil!”

5 comentários:

Jilson disse...

É dificil num pais como o Brasil gastar 52 bilhões numa copa de mundo enquanto o pais ainda é segundo mundo: o pais ainda tem que investir em infraestrutura,agua canalizada combaer esses traficantes, esses bandidinhos que encontram em todo lugar.So que no lugar onde se realizar os jogos isso não vai ocorrer mas logico que nao. Vamos brasileiros acordar

Anônimo disse...

É obvio que a reforma do Morumbi, se sair, será feita com dinheiro público, assim como foi com a construção do próprio estádio, nos anos 60. É uma vergonha.

Lima disse...

Amigo, é a mesma ladainha do PAN. Ai vao atrasando as obras pq de ultima hora pra salvar a copa o gov. federal sera obrigado a injetar bilhoes. Cesar Maia vivia dizendo que ia bancar as obras do Pan inuteis. Depois o gov. federal teve que bancar quase tudo as pressas. Não se fez um metro sequer, uma estacaozinha, nem trem , nem nada. Nao melhorou nada no RJ e ainda construiram estadios e arenas que nem sao mais utilizadas praticamente. Tanto dinheiro que dizem que se "recupera" com o turismo. Sei! O dinheiro todo usado no pan , cerca de 4 bilhoes , serviria muito melhor ao turismo se tivesse sido usado pra acabar com pelo menos as favelas da zona sul do RJ. Seria suficiente pra dar casas pra todos os moradores do cantagalo decentes. Mas preferem torrar com estadios inuteis. AHhhhh mas a FIFA quer que tenha boa visibilidade....so pq um torcedor que pagou 100 reais num ingresso precisa ter "boa visibilidade" vamos torrar 1 bilhao dos impostos pra isso! Por favor né!

Rosena disse...

Fernando, o Carnaval mais longo da história do Brasil já começou. Pior e ver o pessoal discutindo suas cidades. Como o pessoal é corrompido pela mídia -Red Globo!Os políticos adoram isso. De repnte,foi constatado que não temos banheiros apropriados nos estádios. Vão usar o dinheiro púb ico para os gringos terem o que nós brasileiros não tivemos até hoje.rsrs

Paladino disse...

Educação, saude, segurança, que nada! O povão gosta mesmo é de circo.Vão ser cinco anos , até 2014, de muito bla bla bla, muita discussão a respeito da Copa. Acabou? Que nada! o governo jśa está trabalhando firme para trazer as Olimpiadas para o Brasil em 2016. é isso o que o povo quer? então é isso que o governo dá. Quem não quiser assim vai chorar na Suécia, na Finlândia ou Noruega, esses países sem graça e sem emoção.