terça-feira, junho 16, 2009

DA PIOR FORMA POSSÍVEL

A busca do consenso poderia se dar por meio de um amplo debate com a participação de todas as frentes interessadas na questão.Enquanto não se encontra o caminho que permita a exploração econômica da região, de forma sustentável, a atitude do governo não deve ser outra que não a intensificação da fiscalização e da repressão a todos as ações predatórias do meio ambiente. Senadoras Marina Silva e Katia Abreu: choque de concepções sobre a Amazônia.



DA PIOR FORMA P0SSÍVEL

O governo Lula e o Congresso Nacional tentaram consertar uma agressão sistemática ao meio ambiente da pior maneira possível: legalizando-a. É o que se deduz da MP 458,aprovada pelo Senado em 3 de junho, que dispõe sobre a venda ou doação de uma área gigantesca na Amazônia - 67,4 milhões de hectares, o tamanho dos territórios da Alemanha e Itália somados .

O governo argumenta que as áreas já estavam ocupadas há muito, e que a legalização da posse formalizaria uma série de compromissos dos proprietários com o Estado, e, por conseqüência, facilitaria a fiscalização dos órgãos governamentais contra a progressão continuada do desmatamento e a agressão sistemática ao meio ambiente. Para os ambientalistas, entretanto, o governo nada mais fez do que entregar o ouro aos bandidos e oficializar a grilagem de terras.

De fato, a questão amazônica, não é de hoje, tem requerido uma atenção especial, o que nenhum dos últimos governos republicanos soube ou quis fazer.A sua imensa riqueza e diversidade biológica a faz alvo de ambições de toda sorte. Além do mais, a sua complexidade social faz com que se contraponham numa simbiose explosiva, interesses de posseiros, latifundiários, grileiros, índios,ambientalistas, missionários , agricultores sem terras, e ONGs internacionais.

O que acontece é que por força da radicalização das posições e da omissão do Estado a solução para os problemas da região tem sido adiada com prejuízos tanto para o meio ambiente quanto para as populações locais. Os ambientalistas extremados não deixam de ter razão quando insistem que a biodiversidade local deva ser preservada, mas pecam quando não admitem que o desenvolvimento econômico possa ser feito de maneira equilibrada e sustentável.

Da mesma forma, os ruralistas têm razão quando defendem que a floresta e seus recursos não podem permanecer eternamente intocáveis , mas erram feio quando desconsideram a degradação natural que uma ocupação mal planejada pode provocar. Encontrar um meio termo entre essas duas concepções é uma tarefa que vai exigir um amplo e profundo debate em busca de bom senso e equilíbrio, sob mediação do governo.No Senado, as duas posições antagônicas ficaram evidentes nas figuras das senadoras Marina Silva( PT – AC ), ex-Ministra do Meio Ambiente, e Kátia Abreu ( DEM- TO ) atual presidente da Confederação Nacional da Agricultura( CNA).

A busca do consenso poderia se dar por meio de um amplo debate com a participação de todas as frentes interessadas na questão.Enquanto não se encontra o caminho que permita a exploração econômica da região, de forma sustentável, a atitude do governo não deve ser outra que não a intensificação da fiscalização e da repressão a todos as ações predatórias do meio ambiente.

O governo Lula, pressionado pelas forças políticas ligadas à ocupação predatória da região amazônica, a maior parte acantonadas na sua base de apoio, sob a alcunha de “bancada ruralista”, optou pela mais simples e pior das alternativas. Uma decisão que deveria ser tomada, no mínimo, através de um Projeto de Lei, foi atirada no Congresso através de uma Medida Provisória.

O conteúdo da MP não separou o joio do trigo, e o resultado foi a legalização das terras, beneficiando os posseiros que as ocupavam. Para muitos, tratou-se de um prêmio aos que ocuparam as terras de maneira ilegal e um incentivo a que novos aventureiros e predadores ocorram à região, em busca da terra prometida.

Com isso, não se resolveu o núcleo da questão da ocupação predatória do território, legalizou-se a grilagem, não se estruturou um sistema eficiente de fiscalização, e, ao final, com uma canetada, talvez se tenha praticado contra a Amazônia a maior agressão ambiental de toda a História. O tempo dirá o tamanho do crime cometido.
160609

5 comentários:

iLKO disse...

SOBRE ESTE ASSUNTO PENSO O SEGUINTE: estamos sendo impedido de viver com dignidade neste país, não veem que todas essas ONGS e Greenpeace, juntos com os traidores da Pátria têm outra intenção, não perceberam que eles estão dão ordem em todas essas áreias a mando de várias instituições de fora do país, com a intenção absoluta de Internacionalizar toda essa área??? Se vocês não sabem, o solo inerte desta área e um dos mais ricos do mundo, precisa dizer mais alguma coisa???

Reinaldo disse...

O que o governo fez foi liberar e legalizar a grilagem de terras públicas,através da recente M P. Esses grandes grileiros agraciados com a mão do governo, dizem ajudar na atividade econômica,mas onde há atividade predatória,não há economia sustentável. É incrível a incompetência e falta de jurisdição aplicada no que tange ao meio ambiente no Brasil. Todos sabem que uma Amazônia em pé é muito mais rentável do que um pasto de vacas. Mas o problema é que as terras brasileiras são terra de ninguém ou de quem chega primeiro,como se não houvesse Estado para proteger sua integridade e soberania. Não se sabe quantos milhões de hectares de terras estão em mãos estrangeiras e de grileiros. Mas com uma MP o governo resolve tudo dando legalidade a quem deveria estar na cadeia ou pagando caro pelas terras que roubou,só ficamos "tristes" por mais esse desrespeito às leis e ao povo como um todo,que todo dia tem que engolir um sapo gigantesco,muitas vezes barbudo....

Anônimo disse...

É preciso que tomemos cuidado e fiquemos muito atentos, pois esse um complô de fora e dentro do país, com o loby muito forte, com interesses escusos e cujo fim principal a a Internacionalização de toda essa área e o cidadão brasileiro, ignorante e muitas vezes inocentes manobrados, estão entrando nesta. CUIDADO SE NÃO VAMOS PERDER TODA ESSA AREA.

Melina disse...

Olha Fernando, os ambientalistas “extremados” estão certos. A Floresta Amazônica tem uma enorme biodiversidade (ainda/e/ou) em fase de ser descoberta., solo riquíssimo, sem contar com uma grande bacia hidrográfica. As pessoas precisariam receber uma educação ambiental mais sólida, inteligente para que pudessem viver de forma harmônica com este ambiente único do mundo, viver e conviver de forma sustentável. Mas, no Brasil falar em educação dar arrepios e entristece muito, principalmente neste governo atual que acaba de sucatear o ensino superior. Somente com uma boa informação, formação tudo seria viável.

Paladino disse...

Os países que desmataram, poluiram, sujaram,defecaram, agora ficam impondo regras. É claro que não sou a favor de se desenvolver a economia, destruindo a natureza, mas é preciso ter cuidado co esses ambientalistas que querem deixar a floresta como está. Estão a serviço de quem?Quais os interesses que eles defendem? Na Amazônia tem pessoas que precisam trabalhar e produzir como em qualquer parte do mundo. Todo crescimento econômico traz algum prejuizo à natureza. Isto é inevitável.