segunda-feira, maio 18, 2009

AMADORES E PROFISSIONAIS NO CAMPO DA CORRUPÇÃO

Para o cidadão consciente, pouco importa o tamanho da deliquência, ou o grau de profissionalismo de seus autores. Importa é que o dinheiro público, fruto de uma carga tributária exorbitante, vem sendo saqueado por pessoas que deveriam ser os primeiros a dar exemplo de probidade administrativa e de responsabilidade com a causa pública.
AMADORES E PROFISSIONAIS NO CAMPO DA CORRUPÇÃO

Muitos observadores ficaram surpresos com o fato de que a onda de corrupção que assola o Congresso tenha resvalado em políticos até então considerados exemplos de honradez e ética. Mas não deveriam estar tão surpresos assim, porque mesmo admitindo-se que toda regra tem exceção, o sistema político brasileiro, com destaque para o Congresso, está infelizmente contaminado pela corrupção e pelo banditismo.

Os que se dispõem a entrar na política sabem disso, e, se entram, é porque estão dispostos a se submeter às regras do jogo e sujar as mãos.Os que não se dispõem, sabem que o processo de corrupção se inicia na própria escolha dos candidatos pelos partidos e prossegue durante a campanha eleitoral.Por isso, mantêm-se afastados da política.

O que diferencia os políticos “sujos” dos "limpos" são o tamanho e a profundidade das ilicitudes que estão dispostos a praticar. Ou, em outras palavras, é a intensidade da sede com que vão ao pote. Um político como Sérgio "se lixando " Moraes (PTB-RS), relator afastado do caso Edmar “castelo” Moreira( sem partido-MG), não tem o mínimo pudor de ir ao grau máximo na prática de ilegalidades porque tem certeza da impunidade política e criminal, e plena consciência da alienação e da cumplicidade de seu eleitorado.Caso contrário, como explicar que ele venha sendo eleito sucessivamente vereador (duas vezes),prefeito em Santa Cruz do Sul (dois mandatos ), e deputado estadual (também duas vezes), antes de ser eleito deputado federal?

Políticos como Fernando Gabeira e Eduardo Suplicy, mais conhecidos como arautos da ética e da moralidade, se contentam com a prática de "pequenas " infrações , não porque não tenham plena consciência da ilegalidade e da imoralidade de tais atos, mas porque já incorporaram a cínica crença de que tais práticas, de tão habituais e freqüentes , se banalizaram e fazem parte dos usos e costumes do Congresso.

São considerados pecados veniais diante da grandeza e da gravidade de muitos atos denunciados pela mídia e praticados por colegas muito mais experientes no ramo das malfeitorias.Em síntese, meros amadores diante do “profissionalismo” de gente como Sérgio Moraes e Edmar Moreira.

Para o cidadão consciente, pouco importa o tamanho da deliquência, ou o grau de profissionalismo de seus autores. Importa é que o dinheiro público, fruto de uma carga tributária exorbitante, vem sendo saqueado por pessoas que deveriam ser os primeiros a dar exemplo de probidade administrativa e de responsabilidade com a coisa pública.

A moralização do sistema político é uma tarefa árdua que requer o estabelecimento de duas condições básicas: a primeira, a curto prazo seria uma ampla e profunda reforma política no sentido de remover os entulhos e obstáculos que facilitam a prática sistemática da corrupção. Como resultado, tal reforma criaria os mecanismos para a punição exemplar dos que ultrapassassem as fronteiras da legalidade.

A segunda, a médio e longo prazos, consistiria numa radical reformulação do ensino público brasileiro em todos os níveis, o que, além de abrir as portas para a ascensão social e econômica das camadas mais pobres, criaria as condições para a consolidação de uma ampla maioria de pessoas com uma consciência maior de seus direitos e deveres, e dispostos a cobrar dos seus representantes no Congresso, mais seriedade, honradez e espírito público. Mas, sinceramente, quem dentre os congressistas deseja de fato uma reforma política e uma revolução educacional?

Assim, diante do atual impasse, o Brasil continuará a ser um campo fértil para a proliferação do vírus da corrupção, porque além da impunidade crônica soma-se uma imensa maioria de cidadãos pobres, material e culturalmente; portanto, sem condições de exercer a verdadeira cidadania.
180509

2 comentários:

Paulo MG disse...

Como vc disse , toda regra tem exceção. mas tá difícil de encontrar exceção à regra. Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Henry disse...

Acho que existe uma carga muito grande de pressão sobre o congresso. Fico pensando se o objetivo não seria o de aliviar o incompetente governo de Luladrão.Vamos fazer uma auditoria nos gastos do governo federal , as contrtatações, os salários e tudo mais. Vamos encontrar motivoa para um impeachment. mas ninguém quer mexer nisso porque dizem que o homem é muito popular. E pode até ser reeleito. Deus tenha piedade de nós.