sexta-feira, abril 17, 2009

DE HERÓI A BUFÃO

Muito mais dos que as idiossincrasias do delegado, interessa ao grande público saber o que o motivou a monitorar autoridades, grampear telefones, e arquivar diálogos comprometedores. Interessa principalmente saber se ele agiu por sua própria conta e risco, motivado, quem sabe, por um impulso incontrolável de fazer justiça, ou, como parece ficar cada vez mais evidente, respaldado em ordens superiores. Neste caso, tem o dever de dizer sob ordens de quem e sob quais propósitos.
DE HERÓI A BUFÃO

Existe um saudável consenso de que no país da impunidade é sempre bem-vindo todo tipo de ação que vise investigar, indiciar, julgar e punir criminosos de colarinho-branco. Entretanto, não existe consenso sobre a forma como isso deva ser feito. É o que se deduz dos aplausos que a Policia Federal vem recebendo de alguns, pelas ações que vem promovendo no governo Lula, e, ao mesmo tempo, das críticas de outros, por conta do modo arbitrário e espetaculoso com que se revestem essas ações.
As ditas ações seriam bem vindas se acompanhadas de menos espetáculo e mais discrição, seriedade, e, sobretudo, respeito à Lei. A Operação Satiagraha passou a ser um caso exemplar desse modo equivocado de investigação, e colocou na berlinda a controversa figura do delegado Protógenes Queiróz.

O delegado, no comando da operação para investigar o banqueiro Daniel Dantas,suspeito de falcatruas no setor financeiro, exorbitou de suas atribuições, praticou uma série de arbitrariedades, foi promovido à herói em alguns setores que consideram que os fins justificam os meios, e acabou passando de investigador a investigado.

Revelado os seus métodos pouco usuais de investigação,Protógenes assumiu o papel de vítima dos tentáculos vingativos de Daniel Dantas, incorporou a figura do santo guerreiro em luta contra o dragão da maldade, mas se recusa a revelar toda a verdade do caso que o envolve, mergulhando cada vez mais num mar de contradições, como ficou comprovado no depoimento que prestou à CPI dos Grampos.

Muito mais dos que as idiossincrasias do delegado, interessa ao grande público saber o que o motivou a monitorar autoridades, grampear telefones, e arquivar diálogos comprometedores. Interessa principalmente saber se ele agiu por sua própria conta e risco, motivado, quem sabe, por um impulso incontrolável de fazer justiça, ou, como parece ficar cada vez mais evidente, respaldado em ordens superiores. Neste caso, tem o dever de dizer sob ordens de quem e sob quais propósitos.

Protógenes Queirós poderá entrar para a crônica política e policial, caso tenha fatos relevantes e os queira revelar, como alguém que ajudou a desvendar o submundo da comunidade de informação e arapongagem diretamente subordinada ao Planalto; ou como um mero bufão em busca de notoriedade instantânea.

A segunda hipótese se apresenta mais provável, visto que o delegado emudece em relação a questões incômodas, se limita a atacar com veemência o banqueiro Dantas, mas sorri, picado pela mosca azul, sempre que lembrado que poderá disputar, pelo PSOL, a presidência, nas próximas eleições. Mais uma vez, um caso que envolve ações suspeitas de agentes públicos pagos com o dinheiro do contribuinte, caminha para terminar em farsa.A velha e conhecida pizza.
170409

2 comentários:

Melina disse...

Olha Fernando, de tudo que vi, li sobre o caso de Daniel Dantas, tirando os as corrupções inerentes aos bancos.... tudo parece ser mais uma orquestra sob o total controle do palácio central, para na época desviar a atenção da população de tantos escândalos vindo de lá. Aí sobrou para a banqueiro. Quanto ao delegado Protógenes Queiróz exagerou na maquiagem, na roupa, no brilho e na atuação. Virou o palhaço do "estória".

Miriam disse...

Protógenes cometeu erros? Cometeu. Mas está sendo perseguido porque foi investigar logo quem?Ele mesmo , DD,com o qual muita gente grauda da República e at´pe do STF tem o rabo preso.