terça-feira, março 17, 2009

CRISE PODE NOCAUTEAR LULA

Em todo o mundo sempre foi assim: a oposição vive da desgraça do governo. E não há cinismo nesta afirmação. É apenas a constatação de uma realidade. Barack Obama ascendeu ao poder sobre o cadáver de Bush e dos republicanos. A oposição no Brasil somente terá as chaves do Planalto se souber aproveitar o esgotamento de Lula e tiver vontade e competência para nocauteá-lo no momento certo.

De costas para o tsunami: Lula demorou a reconhecer a gravidade da crise, que pode derrubá-lo.

CRISE PODE NOCAUTEAR LULA

O prolongamento e a intensificação da crise econômica mundial poderão, no Brasil, provocar o mesmo efeito político que tomou nos Estados Unidos, onde os democratas de Barack Obama desbancaram os republicanos. É o que Lula e sua turma mais temem. A retração econômica, uma realidade no Brasil, poderá em breve se transformar numa importante recessão, mudando a visão que a maioria tem do atual governo, derrubando a popularidade do presidente, e levando de roldão os seus sonhos continuistas.

Até a chegada da crise, Lula navegava nas águas tranqüilas da estabilidade econômica em grande parte herdada de seu antecessor. Iniciou o seu segundo mandato já de olho em 2010, em clima de campanha eleitoral, sustentado por índices de popularidade cada vez maior. A soberba foi tão grande, que levou-o a fazer de uma ministra desconhecida, antipática, e sem história política a sua candidata preferida. Para isso, investiu pesado num conjunto de ações na área de infra-estrutura que recebeu o pretensioso nome de Programa de Aceleração do crescimento (PAC). Somado aos programas assistencialistas que o governo vem adotando desde o primeiro mandato, o PAC passou a ser o núcleo do ambicioso projeto petista de permanência no poder por mais, no mínimo oito anos. A chegada da crise, entretanto, obrigou o governo a baixar a crista e rever os seus planos. Estima-se que este ano serão direcionados para as obras do PAC menos 45% dos recursos orçamentários em relação ao ano anterior.

Lula já não menospreza a crise como fazia no início.Mas tem insistido no erro de se referir a ela como se fosse resultado exclusivo do contexto internacional e responsabilidade única do setor privado. O Brasil não é , ao contrário do que o governo tenta fazer crer, uma ilha tranqüila num oceano conturbado. As poucas e tímidas medidas tomadas nos primeiros meses do ano tem se limitado ao socorro a algumas empresas e bancos, ao incentivo ao consumo, numa tentativa de “aquecer” o mercado, e quase nada em relação à contenção dos gastos no setor público.

A receita padrão para estancar o avanço incontrolável da recessão, segundo a maioria dos economistas, consiste numa redução drástica no custeio da máquina, na diminuição da carga tributária e no direcionamento dos investimentos para projetos sociais efetivos no campo da educação, saúde e saneamento. Tem que atingir o setor público nas três esferas de poder e nos três níveis de governo. Sem medidas desse porte, tudo o que for feito não passará de mera maquiagem, sem nenhum efeito permanente.

Na contramão das medidas consistentes, o governo poderia, por exemplo, compensar os danosos efeitos da crise com a intensificação do populismo. Os programas assistencialistas seriam reforçados, multiplicados e estendidos a um número maior de famílias, beneficiando , assim, os recém empobrecidos pela crise.É uma hipótese que não deve ser descartada, pois faz parte do estilo Lula de governar.Mas a fragilidade de tais medidas logo se revelaria, e colocaria, tudo por terra.

Nos Estados Unidos, o Partido Republicano foi afastado do poder por não ter compreendido a gravidade da crise, e por não ter tido a capacidade de debelá-la a tempo com medidas corretas.Durante a campanha presidencial, Barack Obama soube construir a imagem - se falsa ou verdadeira, saberemos – de que seria capaz de sufocar a crise e reconstruir os país em novos moldes.

No Brasil, se providências corretas e necessária não forem tomadas, a deterioração da economia certamente corresponderá, ao longo deste e do próximo ano, à débâcle do governo Lula. Incapaz de convencer o eleitor de que o (a) sucessor(a) indicado(a) por ele será capaz de fazer o que ele não fez, o quadro político eleitoral estará definitivamente alterado, e o caminho do candidato oposicionista aberto.


De qualquer modo, a chegada do tsunami vai exigir da oposição muita competência - o que até agora não demonstrou possuir - para se projetar aos olhos da população como capaz de fazer o que o atual governo não fez. Agora mesmo, o PSDB se deixa envolver num jogo de intrigas partidárias – Serra X Aécio – que foi alvo de críticas oportunas e prudentes de Fernando Henrique.

Em todo o mundo sempre foi assim: a oposição vive da desgraça do governo. E não há cinismo nesta afirmação. É apenas a constatação de uma realidade. Barack Obama ascendeu ao poder sobre o cadáver de Bush e dos republicanos. A oposição no Brasil somente terá as chaves do Planalto se souber aproveitar o esgotamento de Lula e tiver vontade e competência para nocauteá-lo no momento certo.
170309

5 comentários:

Rosena disse...

Uma pergunta:
Muitos já foram demitidos por conta crise e muitos estão sofrendo.... O que o governo cotou em gastos como foi prometido??

Domingos disse...

Sr Fernando- Vivemos em um país do contraste, nas comunicações andamos de avião ajato, sistema tributário de carroça. O país poderia ser a segunda economia do mundo se houvesse menos impostos, menos burocracia que automaticamente geraria menos corrupção.Pasmen! temos 58 impostos e taxas do tempo do Império!!! Observem as divisas dos estados, gente e mais gente usando carimbos, cadê a "internet"? Os produtos em geral poderiam ser trinta por cento mais barato com um sistema moderno de cobrança de impostos. Deus ajude o Brasil. Domingos.

Anônimo disse...

Infelizmente quem pode nocautear Lula é o voto do zé povinho. E o zé povinho não está nem aí pra crise. Ele já vive em crise ha séculos.Lula vai sair dessa alegre e fagueiro com a mesma conversa fiada de que a culpa é dos gringos. Se bobear ainda consegue eleger dilma , embora eu ache que entre ela e serra, serra ganha.

Gio disse...

rsrsr... Quem vai ser nocauteada é a oposição de m... acho q se o LULA fosse um pouco mais corajoso, ou fizesse reformas de impacto, esse pais mudaria de forma espetacular, pois com uma crise dessa magnitude o pais ta se saindo bem, tem muito a ser melhorado, pois dessa forma ele elege qualquer um para presidente com o aval dele, pois a oposição teve no governo e tem a possibilidade de voltar mais com planos que levaram o mundo para o buraco, e querem levar o pais.

Anônimo disse...

PESQUISA NO MSN:

O novo plano habitacional lançado pelo governo é a principal medida contra a crise?Sim, porque irá gerar muitos empregos e fazer com o que o dinheiro circule pelo mercado - 21%

Talvez, mas o governo também precisa garantir que os bancos abram boas linhas de crédito - 27%

Não. Foi uma medida já pensando nas eleições de 2010 para melhorar a imagem dos possíveis candidatos governistas - 52%

19424 respostas.


CONFIRMADO QUE LULLA-LALAU-PTÓQUIO AINDA PODE ENGANAR MUITA GENTE, MAS NÃO A TODOS.