quarta-feira, fevereiro 25, 2009

VALE TUDO

Sob o pretexto de inaugurar obras e realizar ações administrativas, o presidente não tem feito nos últimos meses outra coisa se não a mais descarada campanha eleitoral. Percorrendo o País de norte a sul, inaugurando pedras fundamentais, obras inacabadas, ou obras projetadas e iniciadas em governos anteriores, Lula não se acanha de se comportar como se já estivéssemos em pleno segundo semestre de 2010, e fosse ele o candidato à sua própria sucessão. VALE TUDO

O que esperar de um Presidente e de um partido cujo espírito público e compromisso com a ética ficaram restritos aos tempos em que militavam na oposição? Desde que assumiu o primeiro mandato, em 2003, Lula e sua turma mandaram às favas qualquer pudor nesse sentido, incorporaram definitivamente um pragmatismo cínico, e, junto com os seus aliados, praticaram uma sequência de atos que degradam e corrompem a política brasileira.

Fisiologismo, clientelismo, apadrinhamento político, troca de favores escusos, negociatas de todo tipo, corrupção eleitoral, ou seja, tudo aquilo que o bravo líder petista combatia com intenso fervor quando o País era governado por José Sarney, Fernando Collor, e Fernando Henrique Cardoso, agora fazem parte do cardápio diário de um governo que parece ter perdido completamente o pudor, ancorado nos supostos 85% de popularidade de seu líder. Não é por coincidência que J Sarney, uma das maiores vítimas do bravo oposicionista Lula, é hoje o principal sustentáculo, no Congresso, do governo de Lula da Silva.

E que não se queira atribuir, como muitos, à adoção do sistema de reeleição a culpa de todos os males que hoje infestam o nosso quadro político.Sem dúvida, a reeleição reforçou o uso da máquina do Estado e o abuso do poder econômico e político nas campanhas eleitorais, o que agravou a corrupção eleitoral. Mas, muito mais responsável pela degradação da política é a mentalidade predominante de que a conquista e a manutenção do poder é um fim em si mesmo, e não um meio para se alcançar o bem comum.Para atingir esse fim, tudo é válido. O governante de plantão pode, por exemplo, continuar a jogar todo o peso da máquina em favor de seu candidato, como tem acontecido agora com o Governo Federal, na tentativa de alavancar a candidatura de Dilma Rousseff. Se este fosse um País sério, e Lula já teria sido chamado à razão , pelo comportamento imoral que vem adotando nos últimos meses.

Sob o pretexto de inaugurar obras e realizar ações administrativas, o presidente não tem feito nos últimos meses outra coisa se não a mais descarada campanha eleitoral. Percorrendo o País de norte a sul, inaugurando pedras fundamentais, obras inacabadas, ou obras projetadas e iniciadas em governos anteriores, Lula não se acanha de se comportar como se já estivéssemos em pleno segundo semestre de 2010, e fosse ele o candidato à sua própria sucessão. A desfaçatez do governo chegou ao cume em 10 de Fevereiro, quando da realização do Encontro Nacional com os Novos Prefeitos, palanque eleitoral que consumiu nada menos do que a bagatela de R$1602832 aos cofres da União.

Vários governadores estão sob a mira da Justiça Eleitoral , ameaçados de terem os seus mandatos cassados, tal como acaba de ocorrer com o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima. Espera-se que esta onda de moralização não se limite a Estados desimportantes e a governadores pouco expressivos , mas atinja também Estados e governadores influentes que tenham usado e abusado da máquina nas últimas eleições. Mas que, principalmente, venha bater à porta do Planalto, e chamar à ordem o Presidente da República. Se o que ele vem fazendo não pode ser chamado de fraude eleitoral, então fica combinado que a partir de agora, em matéria de campanha eleitoral, vale tudo. E não se fala mais nisso.

250209

3 comentários:

Anônimo disse...

Não temos governo nem judiciario nem nada.
O país está no meio de uma crise moral sem tamanho.
E o Lula fazendo campanha prá Dilma 2 anos antes.
Eles não querem perder a teta.
Cambada de safados, se aproveitando de um povo desinformado e ignorante.

Fábio disse...

Uso da máquina pública? Abuso de poder? A oposição está chorando por antecipação a derrota certa em 2010. Quem nesse país não usa a máquina pública estando no poder? O psdb? Os demos??Isto não é crítica séria!

Reinaldo disse...

Fernando,o PAC nao saiu do papel, mas a ministra saiu do palacio para ser "exposta" numa vitrine Brasil afora como "perola rara", tudo feito de forma ilegal, com pouquissimo resultado pratico a nao ser a exposiçao a midia e por conta do contribuinte. O questionamento da oposiçao nao sao as obras do programa, sao as "martketing politico" do presidente. O TSE puniu o governador da PB cassando seu mandato. Ta mais que na hora de punir os atos presidenciais que de legais e democraticos nao tem absolutamente nada.