terça-feira, fevereiro 03, 2009

DE COADJUVANTE A PROTAGONISTA

Tudo indica que no período final de seu governo Lula não contará com um PMDB cordato e submisso, sempre disposto a apoiar os projetos do governo no Congresso em troca de espaço político, cargos de chefia e verbas orçamentárias. Grande vencedor das últimas eleições municipais, e, agora, no comando das duas casas do Congresso, o PMDB sinaliza não querer mais o papel de coadjuvante, mas sim o de protagonista do teatro político que marcará os próximos dois anos.
Vitória de Sarney e Temer significa uma nova era para o PMDB?
DE COADJUVANTE A PROTAGONISTA

Na recente disputa pelo comando do Senado, houve um vencedor – o PMDB -, e, certamente, dois perdedores – o PT e o PSDB. Convictos de que tinham força e votos suficientes para colocar um ou outro candidato na cadeira da presidência da Casa, os senadores tucanos se assanharam, perderam o senso da realidade, e , de olho nas fatias de poder que o seu apoio poderia gerar, se deram mal.

Comandados pelo nem sempre coerente senador Artur Virgílio, protagonizaram uma espécie de leilão dos votos dos 13 senadores, condicionando o apoio da bancada ao atendimento a uma lista com 12 exigências. Sarney achou muito alto o preço a ser pago, levando a bancada tucana – nem todos, é claro – a declarar o seu apoio ao petista Tião Viana, sob o cínico argumento de que este possuía um projeto de “moralização do Senado”.

Por mais absurdas e incompreensíveis que tenham sido as razões que moveram o PSDB a uma aliança tão inusitada, o fato é que eles – PT e PSDB- morreram abraçados. E levaram juntos o próprio presidente Lula. Neste caso porque em que pese a alegada fidelidade de José Sarney ao Planalto, a vitória do maranhense se deveu muito menos ao empenho de Lula em favor de sua candidatura, e muito mais à vontade do PMDB em se impor no cenário político nacional, nos anos que antecedem as eleições presidenciais de 2010.

Tudo indica que no período final de seu governo Lula não contará com um PMDB cordato e submisso, sempre disposto a apoiar os projetos do governo no Congresso em troca de espaço político, cargos de chefia e verbas orçamentárias. Grande vencedor das últimas eleições municipais, e, agora, no comando das duas casas do Congresso, o PMDB sinaliza não querer mais o papel de coadjuvante, mas sim o de protagonista do teatro político que marcará os próximos dois anos.

Para isso, tanto poderá negociar, em posição privilegiada, uma aliança com o PT ou com o PSDB, como poderá lançar uma candidatura própria. Neste caso, seria bem vindo o rompimento de Aécio Neves com o PSDB, por falta de espaço no partido, e sua adesão ao “projeto” de poder peemedebista. Tudo é possível. O fato é que a conquista do comando do Congresso deu ao PMDB uma visibilidade e uma força que ele não possuía desde os tempos de Ulysses Guimarães.

Mas o partido, que nos anos 80 exerceu um papel fundamental no processo de redemocratização do País, nas últimas décadas perdeu a aura popular, e , em muitos casos, se tornou sinônimo de clientelismo e corrupção.O PMDB se fragmentou, perdeu o que lhe restava de compromisso com idéias e programas e se tornou uma federação de partidos regionais comandados por caciques personalistas .Essas deficiências , se não forem superadas, poderão apagar o brilho de agora e conduzir o partido de volta ao limbo da política nacional, como eterno coadjuvante do PT ou do PSDB.
030209

5 comentários:

fabio disse...

O Presidente Sarney vai DETERMINAR Roseane Sarney para vice. O PT se ajoelhará e aceitará, passivamente, a bênção do MESTRE DA POLÍTICA. Será uma chapa eminentemente feminina: Dilma Presidenta e Roseane Sarney Vice.
Concordar ou não com os métodos usados por Sarney é outra coisa, mas convenhamos, o PROFESOR Sarney tem dado aulas e mais aulas aos neófitos e pseudodoutores da política.

Anônimo disse...

PMDB sairá fortalecido para as eleições de 2010, e que fortalecimento!!!!Do seu jeito. Sarney apoiará o(a) candidato(a) do Presidente Lula, Temer apoiará Serra, adivinhe quel vai ser o resultado disso?
O PT vencendo as eleições ele será governo e se por ventura Serra for o vitorioso, não será diferente,
o PMDB será governo da mesma forma.
Isso é que é partido com ideologia?
Aliás, trocou a ideologia por fisiologismo.

rosena disse...

Olá Fernando, não acho que o pmdb com vocação para governar, ele quer é as delicias do poder. Concordo com o comentário do anônimo. qualquer que seja o vencedor na dispota serra x Dilma o pmdb estara no poder

Anônimo disse...

O GOVERNO DO LULALAU É O GOVERNO MAIS CORRUPTO, INCOMPETENTE E MENTIROSO DA HISTÓRIA DO BRASIL.
NUNCA ANTES “NESSE” PAÍS SE VIU TANTAS MENTIRAS...
Fonte: http://colunas.g1.com.br/sardenberg/2009/02/04/o-pac-e-so-propaganda/

O PAC é só propaganda
O governo Lula não está injetando investimentos, muito menos dinheiro novo no PAC. Está apenas incluindo na rubrica PAC uma série de projetos que já vinham sendo tocados ou planejados por outras instâncias públicas ou pelo setor privado.
Tome o caso do metrô de São Paulo, um empreendimento do governo paulista, com dinheiro do governo do estado, da prefeitura de São Paulo, de empreiteiras privadas e mais financiamentos locais e externos, com uma pequena parte de recursos federais.
Não estava no PAC, agora foi incluída. O que muda?
Nada. A obra continua do mesmíssimo jeito, sujeita às mesmas condições, controlada pelo governo paulista, e dependendo das condições gerais da economia.
A única diferença é que passa a chamar-se obra do PAC.
Idem para os projetos da Petrobrás no pré-sal. A estatal já havia anunciado seus planos de investimentos – aliás exagerados – e já estava em campo para levantar os financiamentos necessários, sobretudo no mercado internacional.
Não estava no PAC. A partir de hoje está. O que muda?
Nada, apenas a propaganda. A ministra Dilma agora pode dizer que o PAC prevê investimentos de muitos mais bilhões.
Faria diferença se os projetos do PAC tivessem, digamos, um rito especial de tramitação. Que fossem aprovados e liberados com menos burocracia. Que, por exemplo, as licenças ambientais fossem aprovadas em processos sumários, passando na frente dos outros.
Não é assim, a obra sendo do PAC ou não sendo, vai igual. Ou não vai.
E Miriam leitão, no seu comentário no CBN Brasil de hoje, matou a charada. Disse ela: se o PAC com esse volume de investimentos vai muito bem, que pouquíssima coisa está atrasada, então por que as empresas estão demitindo, a produção está em queda e a economia brasileira entrando em recessão?
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Por que o Brasil vai crescer menos
Eis uma demonstração simples de como o crescimento recente da economia brasileira se deve em grande parte ao espetacular “boom” da economia global:
- Em 2003, o Brasil exportava soja para a China no valor de US$ 1,3 bilhão; em 2008, foram US$ 5,3 bilhões;
- Em 2003, exportava US$ 765 milhões de minério de ferro; no ano passado, nada menos que US$ 4,9 bilhões;
- Em 2003, a China praticamente não comprava petróleo do Brasil; ano passado, importou US$ 1,7 bilhão.
O que a China faz com isso tudo?
A soja eles comem lá mesmo, mas com a renda obtida com a exportação para os EUA, cujo déficit comercial com o mundo aumentou US$ 4 trilhões no período de 2003/08.
Ou seja: os americanos foram às compras, os chineses venderam para eles e compraram dos brasileiros, que, aliás, também venderam para os americanos.
E os americanos compraram com o crédito barato e farto fornecido pela ciranda financeira.
Acabou a ciranda, todos perdem a dança.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

O que o governo diz sobre o PAC
Por Eduardo Cucolo e Lorenna Rodrigues, na Folha Online. Volto no post seguinte:
O governo federal aumentou em R$ 142 bilhões o montante previsto para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para as obras até 2010. Para o período pós 2010, foram acrescentadas obras que somam 313 bilhões. Com isso, o programa soma agora R$ 1,14 trilhão, R$ 455 bilhões a mais do que o previsto no lançamento, há dois anos.
No inicio, a previsão era de gastar R$ 503,9 bilhões entre 2007 e 2010 e R$ 189 bilhões a partir de 2010. Agora, os gastos serão de R$ 646 bilhões e R$ 502 bilhões, respectivamente.
O objetivo do governo é estimular a economia do país durante a crise. Entre os principais projetos do novo aporte está o crédito para a Petrobras explorar petróleo na camada do pré-sal.
Apesar do acréscimo no investimento, o governo encontra dificuldades em gastar o já aprovado. O programa encerrou 2008 com gastos de R$ 18,7 bilhões dos R$ 33 bilhões comprometidos.
Até agora, o governo federal gastou apenas 60,32% do previsto no Orçamento da União para obras do PAC. No ano passado, foram efetivamente pagos R$ 11,4 bilhões por obras do programa, sendo que a dotação era de 18,9 bilhões. O valor empenhado (reservado para pagamento) em 2008 chega a R$ 17 bilhões.
Ainda assim, o total gasto é 55% maior do que o de 2007, quando o governo pagou efetivamente R$ 7,3 bilhões. Desde o lançamento do programa, foram pagos R$ 18,7 bilhões e empenhados R$ 33 bilhões.
Já o setor privado e as estatais gastaram acima de 85% em 2008. De acordo com o balanço do programa divulgado hoje, no setor de geração e transmissão foram executados R$ 14,4 bilhões, 85% do total previsto. Já o setor de petróleo e gás conseguiu gastar 91% da previsão, chegando a R$ 41,8 bilhões.
No acumulado dos dois anos, foram gastos R$ 24,9 bilhões no setor de geração e transmissão (76%) e R$ 72,2 bilhões (83%).

A MAIOR MENTIRA DA HISTÓRIA DO BRASIL
(leia primeiro o post abaixo)
Vocês viram como a bagatela de R$ 503 bilhões que nunca existiram se transforma em mais do que o dobro num piscar dos olhos — novos — da ministra Dilma Rousseff? Faz sentido! Dobrar o que não há é tarefa fácil. Basta submeter os números a uma, se me permitem, plástica. Desta feita, para injetar gordura (ou vento), em vez de tirar.

É mesmo um troço formidável. Para todos os efeitos, o mundo entrou em crise, mas o Brasil aumentou seu programa de investimentos em estupendos R$ 646 bilhões. Só para pôr em perspectiva: o agora trilionário PAC conseguiu gastar, no ano passado, R$ 18,7 bilhões — vale dizer: 1,6% da soma megalômana. “Ah, Reinaldo, o justo é fazer a conta com o que foi efetivamente comprometido, mesmo que ainda não tenha sido pago”. Tá bom: então temos... 2,9%

É uma piada. Nunca se viu máquina de propaganda assim. Não se trata de gostar ou não gostar do governo, de ter ou não afinidade ideológica com ele, de torcer ou não para que as coisas dêem certo (ou errado). Estamos diante de uma das maiores mentiras jamais contadas no país em tempos democráticos. Ouso dizer que, no que concerne à economia e ao futuro do país, é mesmo a maior de todas mentiras, na democracia ou na ditadura.

Não deixa de ser sintomático que Dilma seja obrigada a “desmentir” os que dizem que o PAC não existe. Olhem que situação esdrúxula: como é que poderia sequer haver dúvidas, mesmo se vindas de adversários, de que algo tão colossal possa existir?

E notem um truque formidável: dos R$ 646 bilhões de dinheiro fantasma acrescidos ao PAC, nada menos de R$ 455 bilhões foram acrescentados à conta a partir de... 2010!!! Como vocês percebem, a coisa ficará a cargo do sucessor de Lula. Se for Dilma (ou qualquer outro petista), vai-se empurrando a coisa com a máscara recauchutada. Se for um oposicionista, bem... O PT vai dizer que seu plano de salvação do Brasil foi abandonado pelo adversário. Caso as coisas saiam pelo melhor, tudo terá sido obra de Lula. Ele já tem a sua herança bendita. A exemplo de Obama, Lula também é um homem que não faz história, mas pré-história.

Escrevi ontem, e o faço sempre, que o Apedeuta tem uma notável inteligência política. É claro que não concordo com aqueles que divergem da minha opinião sobre o petismo. Afinal, se concordasse, o meu pensamento coincidira com o deles, certo? É burra a crítica que me atribui subestimar o partido ou Lula. Jamais! E é compreensível aquela que me acusa de superestimá-lo, atribuindo-lhe uma articulação inexistente em qualquer outra legenda. Compreendo, mas, reitero, discordo. Qualquer força política que trate Lula e o PT como amadores que só sabem improvisar está cometendo um erro fatal.

O PAC não existe. A verba trilionária do PAC não existe. E por que a oposição se cala? Porque teme os índices de popularidade de Lula — tratei do assunto ontem, em dois textos, vejam lá. E por que boa parte da imprensa se omite? Em parte, pela mesma razão, receando se descolar, digamos, desse sentimento de adesão. Há o receio do contra-ataque. Ninguém quer parecer, como diria Marcelo Coelho, um intelectual do regime, “pessimista e sombrio”.

Aliás, caro leitor, você pode exercer, como se diz hoje em dia, a sua "cidadania". Indague aos jornalistas integrados, otimistas e iluminados, de onde vai sair o trilhão do PAC. Se eles tiverem a resposta, mandem pra cá. Será a descoberta do século.
Fonte: Por Reinaldo Azevedo | 17:19 – hoje 4/2/2009.

Anônimo disse...

O GOVERNO DO LULALAU É O GOVERNO MAIS CORRUPTO, INCOMPETENTE E MENTIROSO DA HISTÓRIA DO BRASIL.
NUNCA ANTES “NESSE” PAÍS SE VIU TANTAS MENTIRAS...
Fonte: http://colunas.g1.com.br/sardenberg/2009/02/04/o-pac-e-so-propaganda/

O PAC é só propaganda
O governo Lula não está injetando investimentos, muito menos dinheiro novo no PAC. Está apenas incluindo na rubrica PAC uma série de projetos que já vinham sendo tocados ou planejados por outras instâncias públicas ou pelo setor privado.
Tome o caso do metrô de São Paulo, um empreendimento do governo paulista, com dinheiro do governo do estado, da prefeitura de São Paulo, de empreiteiras privadas e mais financiamentos locais e externos, com uma pequena parte de recursos federais.
Não estava no PAC, agora foi incluída. O que muda?
Nada. A obra continua do mesmíssimo jeito, sujeita às mesmas condições, controlada pelo governo paulista, e dependendo das condições gerais da economia.
A única diferença é que passa a chamar-se obra do PAC.
Idem para os projetos da Petrobrás no pré-sal. A estatal já havia anunciado seus planos de investimentos – aliás exagerados – e já estava em campo para levantar os financiamentos necessários, sobretudo no mercado internacional.
Não estava no PAC. A partir de hoje está. O que muda?
Nada, apenas a propaganda. A ministra Dilma agora pode dizer que o PAC prevê investimentos de muitos mais bilhões.
Faria diferença se os projetos do PAC tivessem, digamos, um rito especial de tramitação. Que fossem aprovados e liberados com menos burocracia. Que, por exemplo, as licenças ambientais fossem aprovadas em processos sumários, passando na frente dos outros.
Não é assim, a obra sendo do PAC ou não sendo, vai igual. Ou não vai.
E Miriam leitão, no seu comentário no CBN Brasil de hoje, matou a charada. Disse ela: se o PAC com esse volume de investimentos vai muito bem, que pouquíssima coisa está atrasada, então por que as empresas estão demitindo, a produção está em queda e a economia brasileira entrando em recessão?
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Por que o Brasil vai crescer menos
Eis uma demonstração simples de como o crescimento recente da economia brasileira se deve em grande parte ao espetacular “boom” da economia global:
- Em 2003, o Brasil exportava soja para a China no valor de US$ 1,3 bilhão; em 2008, foram US$ 5,3 bilhões;
- Em 2003, exportava US$ 765 milhões de minério de ferro; no ano passado, nada menos que US$ 4,9 bilhões;
- Em 2003, a China praticamente não comprava petróleo do Brasil; ano passado, importou US$ 1,7 bilhão.
O que a China faz com isso tudo?
A soja eles comem lá mesmo, mas com a renda obtida com a exportação para os EUA, cujo déficit comercial com o mundo aumentou US$ 4 trilhões no período de 2003/08.
Ou seja: os americanos foram às compras, os chineses venderam para eles e compraram dos brasileiros, que, aliás, também venderam para os americanos.
E os americanos compraram com o crédito barato e farto fornecido pela ciranda financeira.
Acabou a ciranda, todos perdem a dança.
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O que o governo diz sobre o PAC
Por Eduardo Cucolo e Lorenna Rodrigues, na Folha Online. Volto no post seguinte:
O governo federal aumentou em R$ 142 bilhões o montante previsto para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para as obras até 2010. Para o período pós 2010, foram acrescentadas obras que somam 313 bilhões. Com isso, o programa soma agora R$ 1,14 trilhão, R$ 455 bilhões a mais do que o previsto no lançamento, há dois anos.
No inicio, a previsão era de gastar R$ 503,9 bilhões entre 2007 e 2010 e R$ 189 bilhões a partir de 2010. Agora, os gastos serão de R$ 646 bilhões e R$ 502 bilhões, respectivamente.
O objetivo do governo é estimular a economia do país durante a crise. Entre os principais projetos do novo aporte está o crédito para a Petrobras explorar petróleo na camada do pré-sal.
Apesar do acréscimo no investimento, o governo encontra dificuldades em gastar o já aprovado. O programa encerrou 2008 com gastos de R$ 18,7 bilhões dos R$ 33 bilhões comprometidos.
Até agora, o governo federal gastou apenas 60,32% do previsto no Orçamento da União para obras do PAC. No ano passado, foram efetivamente pagos R$ 11,4 bilhões por obras do programa, sendo que a dotação era de 18,9 bilhões. O valor empenhado (reservado para pagamento) em 2008 chega a R$ 17 bilhões.
Ainda assim, o total gasto é 55% maior do que o de 2007, quando o governo pagou efetivamente R$ 7,3 bilhões. Desde o lançamento do programa, foram pagos R$ 18,7 bilhões e empenhados R$ 33 bilhões.
Já o setor privado e as estatais gastaram acima de 85% em 2008. De acordo com o balanço do programa divulgado hoje, no setor de geração e transmissão foram executados R$ 14,4 bilhões, 85% do total previsto. Já o setor de petróleo e gás conseguiu gastar 91% da previsão, chegando a R$ 41,8 bilhões.
No acumulado dos dois anos, foram gastos R$ 24,9 bilhões no setor de geração e transmissão (76%) e R$ 72,2 bilhões (83%).

A MAIOR MENTIRA DA HISTÓRIA DO BRASIL
(leia primeiro o post abaixo)
Vocês viram como a bagatela de R$ 503 bilhões que nunca existiram se transforma em mais do que o dobro num piscar dos olhos — novos — da ministra Dilma Rousseff? Faz sentido! Dobrar o que não há é tarefa fácil. Basta submeter os números a uma, se me permitem, plástica. Desta feita, para injetar gordura (ou vento), em vez de tirar.

É mesmo um troço formidável. Para todos os efeitos, o mundo entrou em crise, mas o Brasil aumentou seu programa de investimentos em estupendos R$ 646 bilhões. Só para pôr em perspectiva: o agora trilionário PAC conseguiu gastar, no ano passado, R$ 18,7 bilhões — vale dizer: 1,6% da soma megalômana. “Ah, Reinaldo, o justo é fazer a conta com o que foi efetivamente comprometido, mesmo que ainda não tenha sido pago”. Tá bom: então temos... 2,9%

É uma piada. Nunca se viu máquina de propaganda assim. Não se trata de gostar ou não gostar do governo, de ter ou não afinidade ideológica com ele, de torcer ou não para que as coisas dêem certo (ou errado). Estamos diante de uma das maiores mentiras jamais contadas no país em tempos democráticos. Ouso dizer que, no que concerne à economia e ao futuro do país, é mesmo a maior de todas mentiras, na democracia ou na ditadura.

Não deixa de ser sintomático que Dilma seja obrigada a “desmentir” os que dizem que o PAC não existe. Olhem que situação esdrúxula: como é que poderia sequer haver dúvidas, mesmo se vindas de adversários, de que algo tão colossal possa existir?

E notem um truque formidável: dos R$ 646 bilhões de dinheiro fantasma acrescidos ao PAC, nada menos de R$ 455 bilhões foram acrescentados à conta a partir de... 2010!!! Como vocês percebem, a coisa ficará a cargo do sucessor de Lula. Se for Dilma (ou qualquer outro petista), vai-se empurrando a coisa com a máscara recauchutada. Se for um oposicionista, bem... O PT vai dizer que seu plano de salvação do Brasil foi abandonado pelo adversário. Caso as coisas saiam pelo melhor, tudo terá sido obra de Lula. Ele já tem a sua herança bendita. A exemplo de Obama, Lula também é um homem que não faz história, mas pré-história.

Escrevi ontem, e o faço sempre, que o Apedeuta tem uma notável inteligência política. É claro que não concordo com aqueles que divergem da minha opinião sobre o petismo. Afinal, se concordasse, o meu pensamento coincidira com o deles, certo? É burra a crítica que me atribui subestimar o partido ou Lula. Jamais! E é compreensível aquela que me acusa de superestimá-lo, atribuindo-lhe uma articulação inexistente em qualquer outra legenda. Compreendo, mas, reitero, discordo. Qualquer força política que trate Lula e o PT como amadores que só sabem improvisar está cometendo um erro fatal.

O PAC não existe. A verba trilionária do PAC não existe. E por que a oposição se cala? Porque teme os índices de popularidade de Lula — tratei do assunto ontem, em dois textos, vejam lá. E por que boa parte da imprensa se omite? Em parte, pela mesma razão, receando se descolar, digamos, desse sentimento de adesão. Há o receio do contra-ataque. Ninguém quer parecer, como diria Marcelo Coelho, um intelectual do regime, “pessimista e sombrio”.

Aliás, caro leitor, você pode exercer, como se diz hoje em dia, a sua "cidadania". Indague aos jornalistas integrados, otimistas e iluminados, de onde vai sair o trilhão do PAC. Se eles tiverem a resposta, mandem pra cá. Será a descoberta do século.
Fonte: Por Reinaldo Azevedo | 17:19 – hoje 4/2/2009.