sexta-feira, novembro 21, 2008

O NOVO APARTHEID

Mais grave é o fato de que essas políticas governamentais, sob o pretexto de estabelecer a igualdade racial, na verdade oficializam uma espécie de apartheid no Brasil. Ao estabelecer que um cidadão pela cor de sua pele tenha mais direitos do que outros , o Estado admite que existem legalmente duas categorias de cidadãos.

O NOVO APARTHEID

Em 20 de novembro comemorou-se o Dia da Consciência Negra. Da pior forma possível. Na crença equivocada de que com decretos, cotas e políticas paternalistas e discriminatórias resolverão a situação de submissão social e econômica em que se encontra a maioria dos negros no País.

Equivocada porque o governo insiste em medidas paliativas que não vão à raiz da questão. Os negros pobres, assim como os brancos pobres, encontram dificuldade de ascensão social porque lhes falta a condição fundamental para que tal aconteça, ou seja , a igualdade de oportunidades, que somente será possível através da educação gratuita e de qualidade.

Determinar que 50% das vagas das universidades públicas sejam ocupadas por estudantes de escolas públicas, como fez a Câmara dos Deputados ontem, agrava o problema, pois impõe a condição social e a cor da pele do estudante acima da competência , elimina os alunos mais capacitados em detrimento de estudantes menos qualificados, deteriora definitivamente a qualidade do ensino publico superior no Brasil e atira no mercado de trabalho profissionais recém formados completamente desqualificados.

Mais grave é o fato de que essas políticas governamentais, sob o pretexto de estabelecer a igualdade racial, na verdade oficializam uma espécie de apartheid no Brasil. Ao estabelecer que um cidadão pela cor de sua pele tenha mais direitos do que outros , o Estado admite que existem legalmente duas categorias de cidadãos. De fato , o que o governo Lula , apoiado pela maioria dos movimentos e entidades negras, é acentuar oficialmente o caráter discriminatório e racista da sociedade brasileira.

A situação legal dos negros no Brasil há muito se encontra resolvida. Eles são cidadãos brasileiros em pleno gozo dos direitos civis, plenamente garantidos pela Constituição e por uma série de leis que punem qualquer tipo de preconceito e de discriminação racial. A situação econômica e social da maioria da população negra não será resolvida com medidas legais de cunho paternalista e racista que não atacam a causa do problema e apenas acentuam o apartheid racial.

A questão social está a exigir altíssimos investimentos no campo da educação básica. Mas isso o governo não faz porque os resultados somente serão visíveis no médio e no longo prazos.Muito além, portanto, da próxima data eleitoral. Desta forma é mais fácil continuar a insistir em medidas demagógicas, inúteis e perniciosas, mas que têm um imediato efeito eleitoral.
211108

7 comentários:

Rosena disse...

Absurdo.PQ não melhoram as escolas públicas? VC já respondeu,, é PQ não traz votos . Ficam com demagogia As nossa universidades, as que ainda prestam vao afundar de vez.

marcosomag disse...

O seu texto é um absurdo.O governo de Luís Inácio da Silva, o "Lula", tem sim, políticas que buscam melhorar a escola pública. Você já ouviu falar do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação?Sabia que este plano prevê um piso salarial nacional para os professores? Quem está tentando derrubar o piso de R$950,00 para os professores, previsto no PNDE? Os governadores dos Estados mais pobres do Brasil?Não! Os governadores José Serra, Aécio Neves e Yeda Crusius, do PSDB!Talvez você não saiba, mas a universidade pública é bancada com dinheiro público.Exatamente por este motivo, lá deveriam estudar exclusivamente oriundos da escola pública.A situação atual, a qual a nova legislação tenta mudar, é que os riquinhos que fizeram escola particular usufruem das universidade públicas, e vão ficar mais riquinhos às custas dos impostos que os operários pagaram em cada quilo de feijão que compraram a vida toda; e seus filhos só podem ver a universidade pública pelo lado de fora!São tão mesquinhos os riquinhos que, quando o Presidente Lula, acertadamente, propôs a volta do Projeto Rondon, no qual formandos de universidades públicas deveriam cumprir um ano de serviços comunitários em pontos remotos do país, a imprensa que tem como seu público os pais dos riquinhos protestou."Perderiam um ano e competitividade no mercado", diziam os protetores de sanguessugas.Em tempo, para ROSENA:as notas de alunos beneficiados por cotas estão no mesmo nível dos sem-cotas, conforme avaliações já realizadas. Portanto, deixe de lado o preconceito contra os cotistas e prepare-se para ver cada vez mais oriundos do povão nos postos de comando do Brasil.

Andesign disse...

Pode não melhorar a nossa relação no que diz respeito ao preconceito, mas que vai dar uma balanceada na situação do nosso povo que na sua grande maioria é composta por negros, mestiços, nordestinos, brancos é claro,mas principalmente por não brancos e esta é a questão se você é branco e pobre claro que as coisas são difíceis mas ainda assim você consegue se você correr atrás de uma escola de um trabalho enfim, basta correr, batalhar e você consegue.
Mas o que o povo negro deste pais tem que se preocupar e isso é uma realidade da grande maioria dos negros do nosso país é simplesmente com um prato de comida, como você vai querer pensar em escola se o seu pai não consegue manter a sua família com um salário mínimo, como você vai se preocupar em aprender inglês se você não tem uma escola que te ensine o português somente. E claro isto é um problema do país mas principalmente dos não brancos que aqui vivem.
Deixo uma pergunta óbvia, se os mais inteligentes vão perder espaço em faculdades ou já o estão perdendo, eu gostaria de saber:
Quem é que está ganhando nesta história toda?
Pois não vejo nenhum negro que tenha se formado em uma boa universidade tomar o lugar de ninguém, pois não vejo negros em posição de destaque no nosso país.
Onde estão estas pessoas que já se formaram com ou sem a ajuda das cotas?
Estão por ai sem poder exercer a sua tão sonhada função, estão por ai, podemos ver advogados trabalhando como garçom, vários técnicos trabalhando como camelô, enfim isso não é novidade.
O que eu quero dizer é que este país é racista SIM, o negro tem que fazer milagres para alcançar um destaque profissional, porque ninguém dá oportunidade para ele, Porque se eu tiver o mesmo ou mais conhecimento que um branco eu ainda assim não sirvo para o cargo por diversas razões que encontram mas nenhuma delas é porque sou negro, claro. O negro que sonha em ser um médico tem que torcer para ganhar na mega-sena primeiro pois ele não tem como passar um dia inteiro só estudando e sem trabalhar, porque já se sabe que o seu pobre pai não tem como bancar isso.
Quem pode me dizer que isso é mentira?
Claro quem vai dizer são aqueles que não passaram por essa dificuldade que nós negros passamos desde que chegamos neste país.

Anônimo disse...

o PROBLEMA NÃO ESTÁ NO FATO DE OS NEGROS NÃO TEREM ACESSO ÀS ESCOLAS. aS ESCOLAS SÃO ABERTAS A TODOS. O PROBLEMA ESTÁ EM QUE AS ESCOLAS PÚBLICAS SÃO DE PÉSSIMA QUALIDADE E O GOVERNO NADA FAZ PARA MELHORÁ-LAS. ESTA É A VANTAGEM DO BRANCO RICO SOBRE O NEGRO POBRE.

nidia disse...

Vamos aos fatos: O racismo no Brasil ainda é bastante acentuado, não vamos tapar o sol com peneira. O preconceito existe entre ricos e pobres, entre negros e brancos, e isso é notório principalmente entre os comentários acima. Porém acho que ações como essas do governo só fazem acentuar as diferenças.Dê condições iguais às pessoas e cada uma se saia conforme sua capacidade. O governo pode sim fazer algo a curto prazo pela educação, basta apenas querer. Mas penso que não ha interesse nisso para que o governo possa manipular melhor os dependentes dele. As cotas são injustas sim, e vão contra os direitos de TODOS, assegurados (deveriam ser) pela Constituição.

Andesign disse...

São quatrocentos anos de desigualdade neste país, quem critica este tipo de medida é quem não vive esta situação, não vive a dificuldade de não saber se vai ter o que comer no outro dia.
Mesmo se todas as escolas fossem boas para o povo ainda assim seria algo a longo prazo para conseguirmos alcançar algo expressivo, porque além de melhorar a educação tem que melhorar as necessidades básicas que ainda são muito escassas.E isso depende dos nossos governantes é claro mas o que esperar deles se eles cresceram e conquistaram tudo o que tem através da desigualdade e do favorecimento direcionado ao branco
Sou formado em pedagogia e dou aula de inglês em uma escola particular. Sou negro sim e você sabe como foi que eu consegui estudar inglês?
Foi através da minha mãe que dez anos atrás era empregada doméstica na casa dos donos de uma escola onde me deixaram estudar de graça já que com o salário que minha mãe ganhava eu não poderia estudar,foi somente assim que eu consegui, ou seja eu só precisei de uma oportunidade.
E hoje estou alcançando algo muito além das minhas expectativas,muito além da realidade que eu vivia.Mas só estou conseguindo isto porque fui melhor que os meus concorrentes nos momentos em que eu disputei uma vaga ou uma chance profissional.
Ou seja não estou dizendo que se você sabe mais que eu você deva perder o seu lugar.Mas se você sabe tanto quanto eu porque não dar a vantagem a quem vem sofrendo desvantagem há 400 anos.Isso é o que vai trazer resultado a curto prazo.Se tivermos o mesmo conhecimento e a mesma formação ainda assim não vou ter a mesma chance pois este país é racista SIM.

Reinaldo disse...

Fernando Soares e Andesign- Acredito que um negro pela sua competência e esforço pessoal possa ascender socialmente, ter um excelente emprego ou uma´ótima atividade profissional. Ele está em igualdade com todos os demais cidadãos brasileiros, exceto pela sua situação social. A maioria dos negros vive em péssima situação econômica e social, conforma diz Fernando em seu texto. Mas o que fazer?Ficar lamentando os quatrocentos anos de escravidão, como faz o andesign, não adianta. Não vai fazer nenhum negro melhorar de vida.Achar que o sistema de cotas vai resolver o problema também é uma ilusão, um ledo engano.Pode melhorar a vida de um ou outro, aqui e acolá , mas a questão permanece.
Agora eu pergunto: pq a popuçlão negra não dá ênfase à necessidade de uma escola de qualidade para todos os pobres?Esta é sim a solução do problema. Sugiro que em vez de defender cotas( = esmola) a população negra deveria defender ESCOLA DE QUALIDADE, em tempo integral. Aí sim estariam todos em condições de competir em igualdade de condições. Acho que o artigo de Fernando Soares não é racista,pelo contrário, e o comentário de Andesign é equivocado.