sexta-feira, outubro 31, 2008

A NOIVA DISPUTADA

Se por um lado a diversidade e a inconsistência ideológica do partido impede que ele tenha uma atuação nacional à altura do seu tamanho, não impede, entretanto, que seja alvo da cobiça dos que aspiram a próxima candidatura presidencial. O grande número de prefeitos, governadores e parlamentares filiados ao partido, bem como a sua penetração em todos os estados da federação, fazem dele o parceiro dos sonhos de todos os presidenciáveis. Feia e desengonçada, porém possuidora de dotes cobiçados, a noiva é alvo do desejo de petistas e tucanos.

A NOIVA DISPUTADA

Se existe um partido que sintetiza a política brasileira com suas virtudes (poucas) e seus defeitos (muitos) , esse é O PMDB. Constituído por políticos de diversas tendências, reúne o que de melhor e o que de pior existe na política brasileira. Nas recentes eleições, foi o que elegeu o maior número de prefeitos. E não apenas prefeitos de pequenas e médias cidades do interior , como já era esperado, mas também de centros importantes como o Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis

Diferentemente dos demais grandes partidos brasileiros, que fazem questão de se aparentarem ideológicos e programáticos, o PMDB é um partido propositalmente indefinido nesse campo, o que talvez explique o seu grande número de filiados e a sua capilaridade.Incorpora , pois, políticos de todas as cores e matizes.

O que mais o caracteriza é o governismo enraizado.É o típico partido fisiológico, que não se envergonha da prática escancarada do "é dando que se recebe". Vota com fidelidade canina as matéria de interesse do Executivo no Congresso, e em troca recebe ministérios, cargos nas estatais, chefias de autarquias e liberação de verbas orçamentárias.Assume despudoradamente tais práticas como definitivamente incorporadas aos costumes políticos do Brasil.

Mas falta unidade ao partido. O partido carece de um centro de poder que coordene e imponha uma linha coerente de ação nacional. Muito apropriadamente se tem dito que o PMDB não é um partido, mas sim uma federação de partidos regionais , cada qual com a sua liderança.É o partido de Orestes Quércia(SP) , de José Sarney(MA), de Renan Calheiros(AL) , de Geddel Viera Lima(BA) , de Jader Barbalho (PA), de Helio Costa(MG), de Garibaldi Alves Filho(RN),de Mão Santa(AL),de Sérgio Cabral(RJ), e por aí vai. Enfim, é o partido com muitos índios, mas também com muitos caciques.

A multiplicidade de lideranças, a grande diversidade e a falta de unidade do partido têm impedido que ele apresente candidatos nas eleições presidenciais . Suas últimas tentativas nesse sentido – Ulysses Guimarães em, 1989, e Quércia, em 1994 -, resultaram em fracasso total.

Se por um lado a diversidade e a inconsistência ideológica do partido impede que ele tenha uma atuação nacional à altura do seu tamanho, não impede, entretanto, que seja alvo da cobiça dos que aspiram a próxima candidatura presidencial. O grande número de prefeitos, governadores e parlamentares filiados ao partido, bem como a sua penetração em todos os estados da federação, fazem dele o parceiro dos sonhos de todos os presidenciáveis. Feia e desengonçada, porém possuidora de dotes cobiçados, a noiva é alvo do desejo de petistas e tucanos.

Pelo PT, Lula já anunciou que quer os peemedebistas ao lado de seu candidato em 2010, e, para isso lhe reserva, para início de conversa, a vice presidência.Os tucanos não fazem por menos . Em Minas, Aécio vem trabalhando a formação de um grande arco de alianças em torno de seu nome ,e, dentro dele, concede um lugar privilegiado ao PMDB.Caso a disputa interna dentro do PSDB resulte na vitória de José Serra, não será surpresa que ele se desligue do partido e se filie ao PMDB. Acenos nesse sentido já foram feitos ao governador de Minas.

Por seu turno, José Serra não esconde que uma aliança com o PMDB seria bem vinda embora o seu aliado preferencial seja o DEM. Serra já experimentou caminhar com o PMDB em 2002. E a experiência foi frustrante. Dividido, o partido pouco contribuiu para alavancar votos para a candidatura do tucano. Uma grande parte aderiu informalmente à candidatura de Lula, deixando Serra a ver navios.

Projetando 2010, tudo indica que a maioria do PMDB permanecerá aliada ao PT. Mas até lá muita água vai rolar sob a ponte, e tem uma crise econômica no caminho. O governo poderá perder o controle da situação e Lula, a popularidade. Volúvel como é , pode ser que a noiva desejada traia o parceiro da última jornada e caia nos braços de seu maior inimigo.É esperar para ver.
311008

3 comentários:

Valter. disse...

Fernando Soares
Chamam o PMDB de partido ônibus, e nã é a toa. Cabe todo mundo. Não é um partido, é um aglomerado, mas o lula não consegue governar sem ele. è lel que dá equilibrio ao governo Lula. Se for deixar por conta do PT e este país estaria f a muito tempo. Lula deve dar graças a deus a saney e sua turma.
abs

Certeza disse...

Pode ter certeza. Escrevo e assino em baixo. Aécio vai ser o candidatyo do pMDB. Serra vai pelo PSDB. Dilma, ou outo que Lula indicar vai pelo PT. Quem viver verá..

Anônimo disse...

Embora a noiva seja o PMDB, vejam os PTralhas chantagistas querendo fazer politização da anistia. Está certo, mais uma vez, Gilmar Mendes: o crime de terrorismo é imprescritível. Esse governo do Lulla cheio de terrorista do passado, apoiador dos terroristas internacionais atuais e do passado, devia estar na cadeia.


Presidente do STF rebate ministros de Lula e diz que terrorismo também é imprescritível.

THIAGO FARIA - 03/11/2008 - 19h15 -colaboração para a Folha Online:

O ministro Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), voltou a condenar nesta segunda-feira o debate sobre uma possível revisão da Lei da Anistia levantado pelo governo federal. Mendes, que já defendeu o fim das discussões sobre o tema, afirmou repudiar as tentativas de ideologização e politização que envolvem este tipo de debate.
"Evidente que esse tema --direitos humanos-- se presta a idealizações ou politizações, eu tenho uma posição clara com relação a isso: repudio qualquer tentativa de manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente os casos de direitos humanos. Direitos humanos valem para todos: presos, presidiários, presos políticos, da mesma forma", afirmou o ministro.
O ministro também aproveitou para responder às declarações da ministra Dilma Roussef (Casa Civil), que afirmou considerar "imprescritíveis" os crimes de tortura cometidos no país. "Essa discussão sobre imprescritibilidade é uma discussão com dupla face, porque o texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível", disse Mendes.
A declaração de Dilma --que foi presa e torturada durante o regime militar no Brasil (1964-1985)-- foi motivada pelo parecer emitido pela AGU (Advocacia Geral da União) que considera perdoados pela Lei da Anistia os crimes de tortura cometidos na ditadura.
O ministro Tarso Genro (Justiça), outro defensor da revisão da lei, sinalizou nesta segunda-feira que o parecer poderá ser revisto pela AGU.