terça-feira, outubro 28, 2008

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!

Nos seis anos de governo, Lula navegou sobre águas tranqüilas da estabilidade econômica interna que lhe havia sido deixada como herança por seu antecessor, Fernando Henrique, e por um ambiente econômico internacional extremamente favorável.Mesmo assim, o crescimento econômico na era Lula foi pífio.Agora, terá que provar pela primeira vez, que será capaz de lidar com crises econômicas internacionais.
É A ECONOMIA, ESTÚPIDO!

Que o resultado das eleições municipais tem o seu peso sobre o processo político que decorrerá até 2010, é fora de dúvida. A “vitória” de determinados caciques políticos certamente os colocarão no centro das negociações que ocorrerão daqui em diante. Mas não devemos superestimar o resultado das eleições municipais como fator decisivo sobre o ano de 2010.Muitíssimo mais importante do que o resultado das urnas é o tsunami financeiro que começou nos Estados Unidos , atingiu a Europa e a Ásia, e agora ameaça o Brasil.

Apesar de Lula afirmar tratar-se de uma simples marola, o Banco central e o Ministério da Fazenda parecem não pensar como o presidente, e, ante a chegada do inevitável, se movimentaram no sentido da acalmar os mercados e reforçar o caixa de financeiras e pequenos bancos, numa tentativa de manter o consumo aquecido.

Se considerarmos que a crise deixa o campo exclusivamente financeiro e passa a atingir o campo da produção e do comércio, o governo terá muito a fazer para restabelecer a ordem no setor econômico. Medidas que implicarão, sobretudo, em austeridade, ou seja, em cortes de despesas e redirecionamento de investimentos . Para isso, o governo terá que reavaliar todos os projetos de investimentos em obras de grande porte e de escopo evidentemente eleitoreiro, como a projetada transposição do rio São Francisco.

Nessa altura, não se sabe até que ponto o governo estará disposto a tomar medidas impopulares, porém necessárias. A popularidade de Lula foi construída a custa de muita propaganda, obras assistencialistas e estabilidade econômica. A maneira como o seu governo lidará com a crise, e o estado geral em que estará o país no ano de 2010 é que serão decisivos na escolha do próximo presidente.

Lula já provou que é capaz de passar incólume por graves denuncias de corrupção contra o seu governo, mas dificilmente resistiria a uma má gestão de uma crise de grandes proporções. Isso porque aqui como em qualquer parte do mundo, a economia é fator decisivo para a ascensão e queda de qualquer governante. Nos Estados Unidos, George W Bush foi atirado definitivamente no fundo do poço por conta da sua incapacidade de evitar que a crise atingisse a proporção que atingiu. De quebra, parece levar consigo o candidato republicano John MacCain, que o eleitorado identifica como a continuação da política de Bush. Em contrapartida, a ascensão de Barack Obama se deve em grande parte à crença do eleitorado de que ele será capaz de reverter o estado atual da economia norte-americana.

Nos seis anos de governo, Lula navegou sobre águas tranqüilas da estabilidade econômica interna que lhe havia sido deixada como herança por seu antecessor, Fernando Henrique, e por um ambiente econômico internacional extremamente favorável.Mesmo assim, o crescimento econômico na era Lula foi pífio.Agora, terá que provar pela primeira vez, que será capaz de lidar com crises econômicas internacionais.

Em 1992, James Carville, assessor da campanha presidencial de Bill Clinton, encerrou uma discussão sobre a melhor estratégia para derrotar os republicanos com uma afirmação definitiva: “É a economia, estúpido!”( “It's the economy, stupid!"). Com o tsunami econômico que se aproxima, será o governo capaz de lidar com a crise? Fará os cortes necessários na máquina estatal, mesmo que isso resulte na impopularidade do presidente? Ou preferirá sustentar artificialmente a sua popularidade evitando tomar as medidas necessárias e adiando a explosão definitiva da crise?

De qualquer forma, mesmo que o bordão de Carville tenha sido pronunciado em outro contexto, permanece válido e atual. Muito mais do que o resultado das eleições municipais de 2008, é a economia que ditará os rumos de 2010.A crise poderá definitivamente sepultar o mito Lula, assim como a corrupção feriu gravemente o PT.
281008
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3 comentários:

Rui Ruiz disse...

As vacas magras chegaram no brasil E chegaram para ficar, espero que não durem 7 anos como no sonho do Faraó Lula I interpretado pelo José do Egito. O fato é que precisamos economizar urgentemente. Já teríamos que te-lo feito no passado, mas ainda dá tempo.

Anônimo disse...

TUDO ISSO NÃO EXISTE. EU PELO MENOS NÃO ESTOU SABENDO DE NADA , ALIAS COMO NOSSO PRESIDENTE. NÃO É?
QUE CRISE? QUE PROBLEMAS? O LULA ME FALOU QUE NÃO TEM NADA DISSO , SOMOS IMUNES E SE NÃO SOMOS NÃO ESTOU SABENDO DISSO E NEM ELE.

ateuatoa disse...

Fernando, a meu ver existem duas visões sobre o tema.
A primeira é que a crise afeta a todos os cidadãos e sempre com maior intensidade os mais pobres;
A segunda é que se a crise chegar na "renda" dos miseráveis que dependem das diversas bolsas-esmolas o pelego-mor (by ateuatoa) perde a popularidade e ficará mais fácil a extinção dos petralhas (by Reinaldo Azevedo) da face do Brasil ao menos.
Só por isso vale o sacrifício de pagar o pão e o leite mais caro!