quarta-feira, outubro 08, 2008

A CRISE E OS DISCURSOS TOLOS

Uma crise dessa natureza tem, pelo menos, 50% de componentes psicológicos: da apreensão ao medo, do medo ao pânico, e do pânico ao desespero. A primeira tarefa que se impõe é acalmar os mercados e tranquilizar a sociedade, evitando que a bola de neve assuma uma dimensão e uma força fora de controle.Nesse sentido, o socorro financeiro do governo norte americano aos bancos em situação de falência , discutido pelo Congresso e avalizado pelos dois candidatos à presidência, foi uma providência correta e imprescindível para evitar que a crise se propague como uma epidemia.

A CRISE E OS DISCURSOS TOLOS

A crise financeira que afeta a economia norte americana tem sido comemorada por muitos como um sintoma evidente do fim do capitalismo. Os que estão saudosos dos tempos da União Soviética e países congêneres atribuem a atual crise a mesmo simbolismo que a queda do muro de Berlim teve para o fim do comunismo, prevendo, desde já, um futuro tenebroso, com quebras de bancos e instituições financeiras, falência de empresas e corporações, paralisação do comércio internacional, desvalorização das principais moedas, desemprego em massa e depressão. Os pessimistas chegam a prever algo muito pior do que aconteceu na década de 30, levando-se em conta a globalização da economia.

Calma, pessoal! Não é bem assim. Em primeiro lugar, a atual crise, em que pese a gravidade que assumiu, tem se limitado, por enquanto, ao mercado de empréstimos e financiamentos, e não atingiu o que os economistas chamam de “economia real”, ou seja a que engloba o setor da produção de bens de capital , de consumo e de serviços. Em segundo lugar, a crise não foi causada pela falência do modelo “neoliberal”, como querem os desafetos do capitalismo, simplesmente porque esse modelo não existe da forma como a esquerda a retrata. Por mais “liberal” que a economia norte-americana e de outras nações capitalistas possam parecer, os bancos centrais, as agências de fiscalização e regulamentação, e os fundos de reserva, funcionam como freios e, se muitas vezes, como agora, costumam falhar na missão de dar respostas rápidas a qualquer sinal de perigo, podem se úteis para evitar que as crises fujam do controle.

Uma crise dessa natureza tem, pelo menos, 50% de componentes psicológicos: da apreensão ao medo, do medo ao pânico, e do pânico ao desespero. A primeira tarefa que se impõe é acalmar os mercados e tranquilizar a sociedade, evitando que a bola de neve assuma uma dimensão e uma força fora de controle.Nesse sentido, o socorro financeiro do governo norte americano aos bancos em situação de falência , discutido pelo Congresso e avalizado pelos dois candidatos à presidência, foi uma providência correta e imprescindível para evitar que a crise se propague como uma epidemia.

A decisão de injetar cerca de US$ 700 bilhões de recursos públicos para salvar instituições privadas, apesar das críticas, foi uma forma acertada de evitar o pior, ou seja , o gigantesco prejuízo que milhões de pessoas que tinham as suas poupanças, seguros e pensões confiados a essas instituições.Portanto, o ato de socorro, embora agrida os princípios do liberalismo econômico, foi uma necessidade, levando-se em conta que a ausência do governo nesse caso, significaria , aí sim, um golpe fatal na economia norte americana.

Guardadas as devidas proporções, a mesma crítica que se faz agora ao socorro do governo ao sistema financeiro foi feita ao governo de FHC por ocasião do PROER. Atacado duramente pela oposição petista, viu-se depois que se tratou de uma mediada acertada, pois salvou os correntistas, deixou que os bancos fossem incorporados por outras instituições , ou naufragassem naturalmente, e tornou o mercado bancário brasileiro menos instável, o que , ao final , viria beneficiar o próprio governo petista.

Os primeiros sinais da crise já chegaram ao Brasil, na forma de retirada de ativos para cobrir rombos no exterior, na insegurança dos pequenos bancos e instituições de crédito, e nas oscilações frenéticas dos índices da Bovespa. Nada ainda que seja motivo de pânico, mas nada também que permita cruzar os braços e negligenciar mediadas preventivas contra a ameaça que se avizinha.Nesse sentido, o comportamento e as declarações do presidente Lula têm sido, mais uma vez, lamentáveis.

Durante o desenrolar da crise, não ouvimos do presidente nenhuma manifestação que traduzisse sensatez, equilíbrio e discernimento. Pelo contrário, o estadista de Garanhuns usou e abusou do gracejo, da ironia e do deboche para se referir aos apertos por que passa a economia norte americana. Entre outras pérolas, relativizou a crise - “Crise? Que crise? Vai perguntar para o Bush.” - , ironizou a situação dos bancos – “Bancos importantes que passaram a vida dando palpites sobre o Brasil estão quebrando” - , e atacou o FMI – “O FMI passou anos dando lições ao Brasil, e agora está quietinho”. Discursos tolos não evitam nem amenizam as crises econômicas.

O que Lula não disse, e talvez nunca diga por motivos óbvios, é que a aparente solidez em que o Brasil se encontra não foi obra do acaso, nem fruto de uma política pensada e aplicada pelo seu governo. É herança do governo do seu antecessor , quando foi posta em prática a estabilidade da moeda, dado início a reforma do Estado, com a reforma da previdência e as privatizações das estatais, e ajustadas as contas públicas, sob a orientação e controle do FMI , contra o qual o presidente Lula hoje vocifera. Em vez de destilar ironias e remoer antigas frustrações , Lula agiria melhor se fizesse o dever de casa.

O país atingiu a relativa tranqüilidade em que se encontra, com reservas superiores a US$200 bilhões de dólares e o PIB crescendo na ordem de 5,5% graças a organização das contas públicas segundo o receituário do FMI, e o crescimento das exportações , no primeiro mandato de Lula . No segundo mandato, entretanto, o desejo de se perpetuar no poder vem fazendo com que o populismo supere a prudência. Com isso, a máquina pública se torna cada dia mais inchada, as políticas públicas são orientadas para gastos cada vez com o assistencialismo, em detrimento com investimentos em educação, e o mercado prefira o ganho fácil das aplicações garantidas por juros estratosféricos do que os lucros advindos dos investimentos na produção.

Portanto, embora o governo petista queira fazer crer que nos encontramos numa ilha de paz segurança e prosperidade, o Brasil é, de fato, um organismo enfraquecido, campo propício para que as bactérias da crise proliferem . Que o governo, portanto, trate de fortalecer o organismo em vez de deitar falação. Porque, apesar do desejo incontido de muitos, o capitalismo não acabou, e ele não está imune às crises.
101008

14 comentários:

Anônimo disse...

Pô, Fernando! O Lulla até parece que bebe!

Vejam o que o gov. do Mulla-PTóquio já fez: "segundo Miriam Leitão o PIB brasileiro em dólar já caiu cerca de US$ 300 bilhões.

Anônimo disse...

O PT, meus caros, acreditem, teve menos votos em pontos percentuais em 2008 do que em 2004. Sim. Vejam isto:
- Em 2004, para um total de 95.192.900 votos, o PT ficou com 16.326.047 – ou 17,15% do total.
- Em 2008, para um total de 99.053.531 votos, o PT ficou com 16.486.025 – ou 16,64% do total.

Até onde acompanho, 16,64% é um número inferior a 17,15%. Ou estou perdendo alguma revolução matemática? Aí um petralha bravo desdenha: “Então quer dizer que os veículos x, y e z estão errados quando declaram a vitória do PT”? Sim, estão! Petista sério (a seriedade lá deles, para assuntos internos) ficou é preocupado com esse resultado. Até porque chegará o dia em que Lula será apenas um quadro na parede.

Há tempos escrevi aqui sobre “a matemática achada na rua”. Pior do que ela, só a matemática achada em certo jornalismo.

Reis disse...

Não sou PT, mas considero o LULA um homem inteligentíssimo. Não é a toa que o mundo o idolatra. Rei, rainhas, presidentes, enfim, todos o admiram pelo que ele está fazendo com o País. Infelizmente o brasil é um País de hipócritas e preconceituosos e com um nível baixo de educação. Educação no sentido político e social. O Brasil passará ileso dessa crise ( A MAIOR DEPOIS DA CRISE DE 30) por causas de várias mudanças tomadas após a entrada do LULA no poder. Por exemplo a política de diversificação das nossas exportações, o aumento do bolsa família, que alimenta muita gente e movimenta a economia, a reestruturação das instituições federais, como a polícia federal, Receita Federal, aumento dos investimentos públicos, mantendo a política de superávit...enfim, tem muito mais que não dá pra falar isso agora. Sou analista concursado do governo federal e acho que se continuarmos com essa visão de governo, realmente poderemos sonhar com um País melhor. Não há espaço no brasil para o neoliberalismo, o qual o PSDB defende. Vide a Polícia Civil e professores do Estado de São Paulo. Esse comentário não é uma provocação, mas uma colocação para fazer com que as pessoas pensem um pouco.

Anônimo disse...

Finalmente lula desceu do "salto alto" e admitiu que temos uma crise batendo na nossa porta e começando a entrar, felizmente as preces de muitos brasileiros cientes da realidade foram atendidas.

Paulo R -Campinas disse...

Fernando Soares

A crise já estava declarada a alguns meses atrás. O mercado mundial já sangrava de forma lenta. A grande diferença é que o Brasil, através da vossa excelência, o Sr. Luis Ignácio, resolveu adotar uma postura não muito inteligente. O mundo já se preparava, através de medidas, pacotes, enquanto o Brasil se achava "blindado" contra a crise. Empresas nacionais S/A,com desvalorização de até 80% num único dia, e somos obrigados a ver no fim do dia, o nosso torneiro mecânico falando que a crise ainda não chegou no nosso País. Vamos aproveitar esse momento de crise para tentar mudar essa política de ego,onde o maioral não tem nem segundo grau!
Abs

Anônimo disse...

O Lulla-PTóquio não passa de Papagaio-biruta dos aloprados: vive falando m... para uma platéia de analfabeto aplaudí-lo. É um bando de aloprados escutando um Papagaio biruta e bâbado.

Anônimo disse...

O Lulla-PTóquio não passa de Papagaio-biruta dos aloprados: vive falando m... para uma platéia de analfabetos aplaudí-lo. É um bando de aloprados escutando um Papagaio biruta e bêbado.

Anônimo disse...

Vinte anos de constituição

Data: 06/10/2008 Fonte: Correio Braziliense – Internet

AUTOR: Saulo Ramos -


Sob a égide da Constituição em 1988, o povo brasileiro esperava soluções fundamentais para o novo Estado de Direito: governos honestos, comprometidos com a ética, a moralidade e a eficiência (art. 37). E democracia com absoluta independência dos poderes (art. 2º), de forma que o Legislativo, livre do jugo do Executivo, pudesse cumprir seus deveres, antes amordaçados pela ditadura que o transformou numa caricata assembléia repetitiva da ladainha dos “améns”.
Tanto os governos que se seguiram à promulgação da Constituição, quanto as legislaturas, tornaram-se completa decepção se analisados sob o ponto de vista da disposição de trabalhar e de legislar bem. A tal ponto permaneceram omissos, que provocaram um fenômeno no processo legislativo brasileiro: o Supremo Tribunal Federal passou a suprir a falta das leis de concreção através de julgamentos fundados na combinação de comandos constitucionais. Fidelidade partidária, greve do funcionalismo público, nepotismo e outras injunções decretadas à base do desespero.
O que ocorreu nesses 20 anos? A austeridade ética foi banida da prática administrativa e política na União, nos estados e nos municípios. Essa tragédia moral acabou por desfigurar o próprio Estado de Direito ao reduzir o Poder Legislativo ao nada que era durante a ditadura militar. A grande maioria das emendas constitucionais, nesses 20 anos, foi obra do Poder Executivo para fortalecer-se e desequilibrar a independência dos poderes.
O Executivo voltou a dominar o Congresso Nacional exatamente como no tempo da ditadura militar. Não se utiliza da força, ou da cassação de mandatos, mas obtém o mesmo efeito através de persuasões inconfessáveis, mensalão, cargos, diretorias de estatais, criação de ministérios com um número imensurável de empregos e sinecuras. Essa patologia contaminou o processo eleitoral e, com base no dispositivo constitucional de que todos são inocentes até o trânsito em julgado da condenação, aventureiros de toda ordem são candidatos a postos eletivos. Até assassinos, como acontece no Rio de Janeiro.
Aquilo que se via na ditadura, sargentos, tenentes, capitães, coronéis, instalados em funções civis, foi substituído por ex-sindicalistas, políticos não eleitos, falsos líderes de comunidades urbanas, invasores de áreas rurais, desde que assegurem dividendos eleitorais. Origens diferentes, mas iguais no despreparo técnico e na arrogância, sem falar-se na concupiscência. O sonhado sistema de pesos e contrapesos desapareceu. Foi substituído por grampos e contra grampos, hipótese não prevista por Montesquieu, que também não previu o estado policial no sistema democrático.
Fizeram, no nosso direito constitucional, tantos estragos como os terroristas de Bin Laden nas torres gêmeas de Nova York. Cito apenas um da Emenda Constitucional no 32, de 11 de setembro de 2001, em invocação à data fatídica. O trancamento da pauta de ambas as casas do Congresso através de medidas provisórias, segundo o § 6o, do art. 62, da Constituição, acrescentado por essa emenda constitucional. Inútil será comentar o uso de medidas provisórias em matérias sem relevância e sem urgência. Ninguém mais liga para isso. Hoje se baixa medida provisória para qualquer coisa. É a mais freqüentada prostituta do processo legislativo.
Menciono, porém, o efeito de trancamento das pautas para demonstrar como o parlamento brasileiro desceu à insignificância de permitir a suspensão de seu funcionamento por atos do Executivo. Qual a diferença das truculências da ditadura militar? O Poder Legislativo brasileiro está paralisado por medidas provisórias e favores permanentes. Antes eram as ordens do dia baixadas por generais. Mas antes e hoje o parlamente não funciona como instituição fiscalizadora.
Na crítica prefiro parar por aqui, uma vez que o espaço é limitado. E peço desculpas aos parlamentares honestos, que ainda os há, tanto entre os governistas quanto entre os de oposição, e que deveriam ser protegidos pelo Ibama por serem espécie em extinção. Impossível, porém, deixar de denunciar não terem sido alcançados os objetivos maiores da Constituição de 1988, a moralidade pública e, em contraste com a ditadura, o Estado de Direito com independência dos poderes.

Anônimo disse...

A Universidade de Brasília (UnB) é conhecida como um ninho de PTralhas. As auditorias tem comprovado que também é um criadouro de corrupção. Nada mais coerente do que PTralhas esquerditas corruPTos - são os esquerdopatas (psicopatas do stalinismo).

Vejam matérias publicadas hoje no Correio Braziliense:



Cespe é suspeito de favorecer candidatos em concursos
Renato Alves - Correio Braziliense e Gizella Rodrigues - Correio Braziliense
Publicação: 11/10/2008 08:10 - Atualização: 11/10/2008 08:15

O Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) é suspeito de favorecer funcionários e prestadores de serviços em concursos públicos. Os indícios das fraudes são apontados por auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) e investigados por procuradores da República no Distrito Federal. Ao menos 35 pessoas teriam sido beneficiadas no esquema, segundo a investigação.

Os indicativos de privilégios e facilidades aos servidores e prestadores de serviços do Cespe constam no Relatório de Ação de Controle elaborado pela CGU a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e tornado público ontem pelo Correio. Com exclusividade, o jornal revelou que o documento aponta uma série de irregularidades ocorridas na administração do Cespe de 1996 a 2005.

Os técnicos da CGU dedicaram 20 das 186 páginas do relatório ao que eles classificaram de “indicativos de favorecimento de servidores e prestadores de serviços em concursos públicos promovidos pelo Cespe”. Em uma análise superficial, que os auditores chamaram de “conservadora”, vieram à tona os nomes de ao menos 35 pessoas aprovadas em concursos públicos organizados pelo Cespe e que na época dos exames trabalhavam para a instituição.

Câmara
Um dos casos citados é o de um professor da UnB, aprovado no concurso para o cargo de analista legislativo (função engenheiro) da Câmara dos Deputados. A seleção foi realizada em 2004 pelo Cespe. Ele atuava como prestador de serviços do Centro de Seleção e Promoção de Eventos, inclusive à época das provas da Câmara, quando deu “consultoria” ao Cespe.

O professor recebeu R$ 636,9 mil do Cespe entre janeiro de 1996 e junho de 2004. Em 2003 e 2004, quando o órgão organizou e realizou o concurso da Câmara dos Deputados, o Cespe pagou R$ 65,4 mil ao docente da UnB. “Observa-se que houve no período uma média de R$ 2.762,91, em valores mensais pagos pelo Cespe ao servidor, o que demonstra a constância do relacionamento professor-Cespe”, destacam os auditores.

Os R$ 65,4 mil foram repassados ao professor por meio de 39 ordens de pagamento. Elas dizem respeito a serviços como elaboração e revisão de questões, conferência de cadastros de inscritos em concursos, empacotamento de provas e “consultoria técnica” - como ocorreu no exame da Câmara dos Deputados, em que ele foi aprovado.

A seleção da Câmara destinava 44 vagas ao cargo de analista legislativo. O salário inicial básico era de R$ 3.603,43. Mas, de imediato, com alguns benefícios pagos a todos os servidores da área, o candidato aprovado no concurso e empossado no cargo passaria a ganhar quase R$ 6 mil mensais, por uma jornada semanal de 40 horas de trabalho (oito horas por dia).

Anvisa
Os auditores da CGU afirmam também que ao menos 21 pessoas que prestavam serviços ao Cespe foram aprovadas no concurso público para preenchimento de vagas de nível superior da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizado pelo órgão da UnB em 2005. Algumas delas receberam do Cespe por trabalho feito no período da elaboração das questões e aplicação das provas.

Dos 21 prestadores de serviço, os técnicos da CGU destacaram o nome da irmã de um diretor do Cespe à época do concurso da Anvisa. Ela recebeu R$ 12.781,09 por serviços executados no órgão da UnB. No período da elaboração das questões e aplicação das provas da Anvisa, participou da organização de quatro seleções realizadas pelo Cespe, mas não a da Anvisa.

No entanto, o irmão dela, além de receber o salário de diretor, ganhou por serviços referentes à organização do concurso da Anvisa. Ele ajudou a elaborar o edital e comunicados do exame e participou da avaliação de títulos dos aprovados na primeira etapa da seleção. Os auditores da CGU não tiveram acesso a documentos que comprovem que o ex-diretor avaliou a irmã. Mas não descartaram essa possibilidade.

Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense deste sábado (11/10)

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Investigações: Cespe acumula ilegalidades em todos os setores
Renato Alves - Correio Braziliense e Gizella Rodrigues - Correio Braziliense
Comentários

Técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal devassaram as contas do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), maior organizador de concursos do país. Após um ano de análise da contabilidade do órgão, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), eles encontraram uma série de irregularidades que somam R$ 570 milhões. Elas vão de pagamentos ilegais a sonegação de impostos e compras sem explicação.

O Correio teve acesso, com exclusividade, ao relatório da CGU. Até então, o documento de 186 páginas era mantido sob sigilo absoluto. Ele serve de base para ações que estão sendo preparadas por procuradores da República contra os responsáveis por supostos desvios de verbas públicas. Entre eles, ex-dirigentes do Cespe e da UnB.

O Relatório de Ação de Controle da CGU contém documentos, análises contábeis e conclusões dos auditores. “As irregularidades se processaram em todos os setores e atividades do Cespe, incluindo a apropriação indevida de recurso públicos, os indicativos de manutenção de caixa 2 e caixa 3, além de despesas realizadas sem amparo e observância aos requisitos legais”, denunciam os auditores.

As conclusões da CGU são referendadas por procuradores do Ministério Público Federal (MPF) no DF que integram a força-tarefa responsável por investigar as denúncias contidas no relatório. Os procuradores não dão entrevista sobre a apuração, mas, por meio da assessoria do MPF, confirmam ter provas contra ex-diretores do Cespe. Tanto que começam a denunciá-los à Justiça Federal na próxima semana.

Câmpus Limpo
Técnicos da CGU e da Delegacia da Receita Previdenciária no DF analisaram as contas do Cespe de 1996 a 2005. A apuração começou em 31 de outubro de 2005 e terminou em 17 de fevereiro de 2006. Eles se debruçaram sobre documentos e informações armazenadas em computadores apreendidos na Operação Câmpus Limpo, desencadeada pela Polícia Federal em 19 de outubro de 2005, a pedido do MPF (veja arte).

Além desse material, os auditores recorreram a ferramentas como o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), o Sistema Nacional de Integração em Justiça e Segurança Pública (Infoseg) e declarações de Imposto de Renda. Pesquisaram informações sobre todos os ex-dirigentes e prestadores de serviço do Cespe.

No começo, os auditores estavam atrás de provas da sonegação de impostos, apontada pela Receita Federal. Um relatório preliminar da receita, divulgado em abril de 2005, revelou que o Cespe e seus prestadores de serviço haviam deixado de pagar R$ 22 milhões em tributos e contribuições.

Os dirigentes do Cespe foram acusados de omitir da Previdência Social remunerações pagas a funcionários contratados a prestar serviço à instituição. Eles recebiam pelos trabalhos sob a rubrica de “bolsas científicas”, isentas de pagamentos de tributos. Essa informação provocou a Operação Câmpus Limpo, que resultou em apreensões nos escritórios do Cespe nas casas dos dirigentes da instituição, no Distrito Federal, Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE).


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Relatório da CGU aponta R$ 286 mi em pagamento ilegal feito pelo Cespe

Renato Alves - Correio Braziliense e Gizella Rodrigues - Correio Braziliense
Comentários

Os técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) levantaram todas as quantias pagas a supostos bolsistas e prestadores de serviço do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) de janeiro de 1996 a junho de 2004. Nesse período, 200.628 pessoas receberam dinheiro do órgão da Universidade de Brasília (UnB) sem passar por concorrência pública ou integrar o quadro de funcionários da instituição.

Ao todo, elas ganharam R$ 286 milhões. Na lista de beneficiários estão 57 ocupantes de cargos de direção da UnB. Ou seja: além do salário da universidade, eles recebiam de outra fonte, sem declarar a segunda à Receita Federal. Para burlar o Fisco, o Cespe pagava essas pessoas de forma fracionada, segundo os auditores da CGU. “As evidências demonstram a prática ilegal de fracionamento por supostos serviços prestados ao Cespe e sua classificação como ‘bolsas’, dando margem à sonegação de tributos e contribuição previdenciária, procedimento do qual se beneficiaram direta e indiretamente tanto gestores do Cespe e da UnB como os destinatários dos recursos”, acusam os analistas da CGU.

Eles afirmam ainda que ficou evidenciado “o desvio de recursos do Cespe para proporcionar complementação salarial ilegal aos 57 ocupantes de cargos de direção da UnB que recebiam regularmente do Centro de Seleção por supostos serviços prestados”. Da mesma ilegalidade se beneficiavam, segundo a CGU, servidores da UnB que não ocupavam cargos de confiança.

Ex-reitores
Entre os 57 beneficiários da UnB apontados pelos auditores estão os ex-reitores Lauro Morhy e Timothy Mulholland. O primeiro recebeu R$ 28,9 mil por serviços prestados ao Cespe. O segundo, R$ 900. Muito menos que a ex-diretora do Cespe, Romilda Guimarães Macarini, que esteve à frente da instituição de 1997 a 2005. Além de um salário de R$ 3.080 pelo cargo de direção, ela recebia uma média de R$ 9.953,27 mensais por serviços prestados à instituição que dirigia.

Na contabilidade do Cespe, chamaram a atenção dos auditores os pagamentos a Romilda Macarini em outubro e novembro de 2005. Em outubro, a diretora-geral se autoconcedeu R$ 13.242,92 a título de serviços prestados. E, de 1 a 11 de novembro de 2005, Romilda pagou a ela mesma mais R$ 10.333,64.

“No período de 39 dias, Romilda Macarini, utilizando-se da condição privilegiada de dirigente do centro e estabelecendo, ela própria, o valor a receber, apropriou-se do equivalente a 7,65 vezes a remuneração mensal bruta do cargo de direção CD-4 que exercia (R$ 3.080)”, ressaltam os auditores.

Sem concurso
Em um “mapa de lotação” elaborado pelo Cespe, datado de 4 de outubro de 2004, há os nomes de 308 prestadores de serviços permanentes ao Cespe. Juntos, ganhavam R$ 518 mil mensais. São servidores ativos e inativos, bolsistas e outras pessoas. Todos contratados sem concurso público. Além dessas 308 pessoas que recebiam regularmente, mereceu análise dos técnicos o pagamento mensal a 10 advogados. Juntos, até dezembro de 2003, eles ganhavam R$ 25,8 mil mensais para cuidar dos interesses do órgão vinculado à UnB. Eles e os outros 308 “prestadores de serviço” e “bolsistas” recebiam horas extras, 13º salário e férias, o que, segundo os auditores, caracterizava a relação de emprego.

Na documentação apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Câmpus Limpo, os auditores da Receita encontraram ordens de pagamentos a “prestadores de serviço” do Cespe lotados em outros setores da UnB, como laboratórios. Na contabilidade do Cespe, alguns eram identificados como “free lancer” (trabalhador autônomo).

Passagens aéreas
Além das pessoas físicas, foram levantados os pagamentos a todas as empresas que prestaram serviço ao Cespe de 1º de janeiro de 2001 a 22 de novembro de 2005. As 32 maiores fornecedoras ou prestadoras de serviço receberam R$ 320 milhões. Quase tudo pago sem licitação ou qualquer justificativa legal para a falta de concorrência, segundo os técnicos da CGU. Entre as beneficiárias, uma empresa de turismo, que acumulou R$ 1,6 milhão, e a empresa aérea Varig, que faturou R$ 3,1 milhões. Na lista há ainda uma empresa produtora de eventos. Ela recebeu R$ 2,9 milhões do órgão da UnB em quatro anos.

Práticas diferentes
A atual gestão do Cespe garante que a maioria das irregularidades apontadas pela CGU foram extintas. Os prestadores de serviço citados, por exemplo, não atuam mais na instituição. “Para evitar problemas futuros, a gestão pro tempore (do reitor temporário Roberto Aguiar) instituiu o Conselho do Cespe, formado por todos os decanos da UnB e os diretores do centro, evitando que as decisões sejam tomadas por uma única pessoa, de maneira centralizada. O Conselho é a garantia de uma administração transparente de agora em diante”, afirma a direção do Cespe, em e-mail enviado pela assessoria de comunicação.

O centro, ainda segundo a assessoria, está em processo de reestruturação, “realizado sem a perda de qualidade de seus trabalhos técnicos e de confiabilidade. A assessoria ressalta que “a gestão pro tempore, desde o início do mandato, delegou a tarefa de investigação e apuração das irregularidades para as entidades de controle. Todos os dados solicitados pela CGU, Ministério Público e Polícia Federal foram disponibilizados, como é obrigação legal do administrador público”.

Sem resposta
Na noite de quarta-feira e na tarde de ontem, o Correio ligou para casa de Romilda Macarini para tentar marcar entrevista com ela. Em todas as oportunidades, a ex-diretora do Cespe não estava em casa. A equipe de reportagem deixou diversos recados com um homem que se identificou como marido de Romilda. Mas ele disse que ela não quer dar entrevistas porque está afastada do Cespe.

Já o advogado Aldo de Campos Costa, que defende o ex-reitor Timothy Mulholland, afirmou que ele e o cliente não se pronunciariam porque não houve ainda uma denúncia formal com base no relatório da CGU. “Desconheço tal relatório, portanto, não tenho como elaborar uma defesa”, alegou Aldo Costa. O Correio não localizou o advogado de Lauro Morhy nem o ex-reitor.

Anônimo disse...

10/10/2008 - 08h15
Caseiro foi sondado para mudar versão, diz revista
da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Folha de S.Paulo
O caseiro Francenildo dos Santos Costa, cujo depoimento prestado em março de 2006 à CPI dos Bingos teve como conseqüência a demissão do então ministro da Fazenda Antonio Palocci, foi sondado por emissários que teriam oferecido dinheiro para que ele mudasse sua versão.
As revelações são de reportagem da revista "Piauí" deste mês, assinada pelo editor e cineasta João Moreira Salles.
O caseiro e seu advogado, Wlicio Chaveiro Nascimento, de acordo com a revista, se recusaram a continuar a negociação. O contato de um "conhecido" do advogado teria ocorrido horas antes de uma entrevista coletiva convocada pelo caseiro, em 16 de março de 2006. Era a primeira vez que o caseiro poderia confirmar ou desmentir o que havia dito dias antes ao jornal "O Estado de S. Paulo". Ele testemunhou que Palocci freqüentava uma casa de lobistas em Brasília, desmontando o depoimento prestado pelo ministro à CPI. Na coletiva, o caseiro manteve todas as declarações.
Dois dias depois daquela entrevista, o sigilo bancário do caseiro foi quebrado ilegalmente na Caixa Econômica Federal.
A revelação sobre a tentativa de suborno tem duas versões. Segundo a "Piauí", o advogado do caseiro foi procurado por um "intermediário do dono de um restaurante onde, no passado, dirigentes do PT costumavam se reunir, Lula inclusive. O dono do restaurante mandava avisar. "O pessoal está querendo uma conversa. Nada de objetivo. Querem só trocar umas idéias'". Ouvido ontem pela Folha, o advogado disse que não revelará o nome do homem porque não sabe se ele de fato representava terceiros ou se estava blefando. O advogado negou ter discutido valores.
Francenildo Costa, segundo a "Piauí", disse: "Eles falaram em um milhão de reais, mais uma casa, para eu negar tudo. O Wlicio me disse assim: "O conhecido falou em um milhão de reais. O dinheiro é bom: você arranja a tua vida e eu fico com a metade. Mas o dinheiro também é ruim: você vai ter que mentir e vai correr perigo. No teu lugar, eu não aceitaria'". A revista conta que nenhum dos dois levou a conversa adiante com os emissários.
O advogado negou ontem à Folha ter falado em valores com o caseiro. Sobre os emissários, declarou: "Vou me abster de fazer qualquer comentário a respeito, porque lendo a matéria você vê que não fui quem declarei. E mesmo se eu tivesse declarado, ou tivesse acontecido algum tipo de proposta, isso não mudaria nada. Não quero polemizar".
A reportagem também descreve constrangimentos a que o caseiro foi submetido pela Polícia Federal. Teve que passar uma noite, em precárias condições, num barraco a que foi conduzido após ter sido incluído no programa de proteção a testemunhas do governo.
A revista discute as motivações da PF. Entrevistado, o delegado responsável, Wilson Damázio, disse que houve uma solicitação da CPI dos Bingos e negou qualquer irregularidade.
Em outro ponto da reportagem, o ex-senador Antero Paes (PSDB-MT) diz que foi o senador Tião Viana (PT-AC) "quem estimulou o governo a quebrar o sigilo do caseiro". Ontem a assessoria de Viana informou: "O senador não vai comentar nada porque tem a consciência tranqüila. Jamais cometeu qualquer deslize ético".
Por causa da quebra, Palocci, seu assessor de imprensa, Marcelo Netto, e o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso foram denunciados ao Supremo Tribunal Federal. Os três foram indiciados pela Polícia Federal pela violação do sigilo do caseiro.
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25/02/2008 - 20h40
Procuradoria denuncia Palocci ao STF por quebra de sigilo funcional
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou o deputado Antonio Palocci (PT-SP) ao STF (Supremo Tribunal Federal) por quebra de sigilo funcional no episódio envolvendo o caseiro Francenildo Costa --ocorrido em 2006. A denúncia, que será relatada pelo ministro Gilmar Mendes, chegou ao Supremo na última sexta-feira. Palocci passará a responder em ação penal no STF se a denúncia for acatada pela Corte.
O ex-ministro da Fazenda é acusado de ordenar diretamente ao então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, para que violasse o sigilo bancário do caseiro --depois que Francenildo revelou publicamente ter presenciado visitas de Palocci em uma casa alugada em Brasília, onde seus assessores Rogério Buratti e Vladimir Poleto eram acusados de fazer negociações com lobistas.
No extrato do caseiro, foram encontrados depósitos na conta de Francenildo. O assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto, se apressou, na época, em divulgar os extratos para tentar comprovar que o caseiro teria recebido dinheiro em troca de revelar as denúncias contra Palocci.
Francenildo, porém, comprovou que os recursos foram depositados de forma legal em sua conta. O episódio resultou no afastamento de Palocci do Ministério da Fazenda, quando foi substituído no cargo pelo atual ministro Guido Mantega.
Apesar de não confirmar oficialmente, a expectativa é que Mattoso e Neto também tenham sido denunciados pela PGR ao STF.
O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, não foi localizado para comentar a decisão da Procuradoria.
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15/02/2008 - 16h03
Ministério Público acusa Palocci de fraudar licitação em Ribeirão Preto
da Folha Online
O Ministério Público Estadual ingressou com uma ação civil pública contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP) contra supostas irregularidades na licitação para compra de molho de tomates pela Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) quando o petista administrou a cidade.
Os promotores acusam Palocci de favorecer empresários do setor de alimentação ao exigir em uma licitação a inclusão de molho de tomate com ervilha, produto fornecido por poucos fabricantes.
O advogado José Roberto Batochio, que defende Palocci, disse que os promotores ressuscitaram um assunto que já foi julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2003, quando o ministro Sepúlveda Pertence determinou o arquivamento de um inquérito penal sobre o mesmo assunto.
Segundo Batochio, o ministro acatou na época um parecer da Procuradoria-Geral da República que não havia encontrado qualquer indício de irregularidade na licitação para aquisição de molho de tomate com ervilha.
"Agora, cinco anos depois, querem ressuscitar um assunto contrariando uma decisão do Supremo e o entendimento do chefe maior [o procurador] deles [os promotores]", afirmou o advogado.
Batochio disse ainda que não pretende tomar nenhuma decisão enquanto a Justiça de Ribeirão Preto se posicionar sobre a ação proposta pelo Ministério Público.
"Eu não vou fazer nada. Mas acho que o juiz de Ribeirão, se tiver bem informado, deverá rejeitar a ação e devolvê-la aos promotores", disse.
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06/06/2007 - 20h20
Palocci é condenado à perda de cargo em 2 decisões judiciais
JORGE SOUFEN JR.
da Folha Ribeirão
O deputado federal, ex-prefeito de Ribeirão Preto e ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho (PT), foi condenado em primeira instância à perda de função pública em duas decisões judiciais, ambas por improbidade administrativa. Cabe recurso contra as decisões.
A primeira, por ter praticado gastos considerados irregulares na obra conhecida como Vale dos Rios, em Ribeirão. A obra, orçada em R$ 8 milhões, era um projeto de revitalização da área central da cidade.
Segundo a decisão, Palocci não fez estudo de impacto ambiental da obra e infringiu o princípio constitucional da eficiência ao não priorizar um projeto contra enchentes.
A segunda decisão analisou uma doação da prefeitura, em 2002, para a Associação Ribeirão-pretana dos Funcionários da USP, no valor de R$ 14.601. Foram condenados, além de Palocci, quatro secretários à época --João Theodoro Feres Sobrinho, Ralf Barquete, Aparecido Moreira e Donizeti Rosa-- e dez vereadores que aprovaram o projeto.
Os parlamentares condenados são o atual presidente da Câmara, Wandeir Silva (PMDB), os atuais vereadores Leopoldo Paulino (PSB), Jorge Parada (PT), Coraucci Netto (DEM), Bertinho Scandiuzzi (PSDB) e Walter Gomes (PR) e os ex-vereadores Amauri de Souza, José Alfredo Carvalho, Luiz Geraldo Dias, Plauto Garcia Leal Filho e Waldyr Villela.
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01/02/2007 - 17h08
Ministério Público pede a rejeição das contas de campanha de Palocci
da Folha Online, em Brasília

O MPE (Ministério Público Eleitoral) em São Paulo pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) a rejeição das contas de campanha do deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). No recurso ao TSE, o MPE alega que o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo aprovou as contas de Palocci, apesar de parecer contrário do próprio órgão ministerial e da Secretaria de Controle Interno do TRE.

Entre as supostas irregularidades cometidas pela campanha de Palocci, o MPE aponta que o candidato teria deixado de declarar gastos com a contratação de advogados que atuaram em duas representações que correm junto ao TRE. Os advogados teriam tentado evitar a aplicação de multas eleitorais.

Anônimo disse...

Diogo Mainardi:

“Linha de crédito”

Walter Salles Jr. foi entrevistado pelo programa Hardtalk, da BBC News. Ele elogiou Lula sem parar. A última estrela do cinema a manifestar tanto entusiasmo pelo líder de sua pátria deve ter sido Lyubov Orlova, nos tempos de Stalin. Ou Oscarito, nos tempos de Getúlio Vargas.
(...)
o apresentador do programa perguntou por que Central do Brasil tinha um tom bem mais otimista do que seu último filme, Linha de Passe, apesar de os brasileiros, com Lula no poder, estarem nadando em dinheiro. Walter Salles Jr. refletiu por um instante e respondeu candidamente que, quando realizou Central do Brasil, o país estava tomado pelo clima de euforia do fim da ditadura militar. Só para lembrar: Central do Brasil é de 1998. O AI-5 foi abolido em 1978.

Assim como chegou atrasado para comemorar o fim da ditadura militar, Walter Salles Jr. chegou atrasado também para comemorar o lulismo. No último domingo, Lula deu o primeiro passo rumo ao esquecimento.

Leiam a íntegra na revista VEJA.

Anônimo disse...

Mais uma do amigão de Lula: depois da Odebrecht, Equador anuncia a expulsão de Furnas
Por Fabiano Maisonnave, na Folha:
O presidente Rafael Correa disse ontem que já assinou o decreto que regulamenta a rescisão dos quatro projetos da construtora Odebrecht no Equador e que a medida inclui também a expulsão da estatal brasileira Furnas do país.
"Anteontem [quinta-feira] já assinei o decreto ratificando a expulsão. E expulsando também a firma fiscalizadora [Furnas], porque também é responsável pelo desastre de San Francisco. Também é brasileira. A empresa construtora é brasileira, e a fiscalização é brasileira. Amigos de alma", disse ele em seu programa de TV.
Furnas e a sócia equatoriana Integral foram as responsáveis pela fiscalização da usina de San Francisco, construída pela Odebrecht e paralisada desde 6 de junho, cerca de um ano após sua inauguração, por problemas no túnel principal e em uma das turbinas. A Controladoria Geral do Equador diz que o consórcio Furnas-Integral poderia ter evitado os defeitos.
Como o trabalho de Furnas em San Francisco já está concluído, a expulsão terá apenas um efeito prático, a exclusão da empresa da concorrência para fiscalizar a hidrelétrica Toachi Piláton, que também estava a cargo da Odebrecht. A empresa se considerava "potencial vencedora" da licitação por ter apresentado o menor preço.

Anônimo disse...

O DEVER DA RESISTÊNCIA

Inserção do PT na TV indaga se o prefeito Gilberto Kassab é casado e tem filhos. A cidade inteira sabe que a resposta é “não” e “não”. Então por que a pergunta? É óbvio que se tenta fazer um questionamento sub-reptício, covarde como sói na turma, sobre a sua sexualidade, que não interessa a ninguém, a não ser a ele próprio. Seria ridículo sustentar isso ou aquilo, asseverar esta ou aquela condição. Corresponderia a fazer o jogo da canalha que tenta transformar preconceitos em escolha política.
E se ele fosse gay? Isso o impediria de ser o grande prefeito que é? O PT chafurda na lama, na propaganda mais odienta, na escolha mais desprezível, na discriminação mais asquerosa. Ao mesmo tempo em que assim procede, tenta criminalizar o DEM, como se o partido não tivesse direito de existir. É o fim da linha. No partido de Celso Daniel, de Santo André, e de Toninho do PT, de Campinas, tudo é permitido, tudo vale, tudo pode. Eis a campanha que está sob o gerenciamento de Gilberto Carvalho, braço direito de Lula — o mesmo Carvalho que era braço direito de... Celso Daniel.
Alguém poderia indagar: “Mas a própria Marta não foi vitima de preconceito por ter-se separado de Eduardo Suplicy e casado com o argentino Felipe Belisário Wermus?” Eu acho que sim. Já escrevi isso aqui. E também observei à época que seus acertos e seus erros nada tinham a ver com a sua opção. Mas há algumas diferenças aí. Quem levou o drama de alcova do trio para a praça pública foi um dos vértices do triângulo: o marido agravado. Ninguém foi escarafunchar a vida de Marta ou perguntar se ela primeiro se divorciou para, então, ficar com seu novo amor. Mais: Belisário Wermus, que prefere ser chamado de Luís Favre, fez questão se tornar uma espécie de assessor especial de marta e de participar do debate público brasileiro. Kassab não ofereceu a sua vida privada ao escrutínio de ninguém. Obs.: Enquanto E. Suplici demorava duas horas para fazer um pergunta no Senado, M. Suplici corria rapidinho pros braços do Argentino, que diga-se, pelo retrospecto com mulheres endinheiradas, parece um gigolo.
A campanha de Marta comete uma dupla canalhice ética. A primeira, evidentemente, é especular, sem que lhe tenha sido dada licença, sobre a condição sexual de alguém, o que é inaceitável; a segunda é sugerir que, se fosse verdadeira a ilação, seria uma mácula. Não! Kassab, acreditem, não está sendo pessoalmente atingido. Mas todos os gays do país estão. Marta quer lhes cassar a cidadania com uma campanha covarde e homofóbica, que nem mesmo ousa dizer seu nome. Justo ela, que iniciou a sua carreira política fazendo proselitismo entre os homossexuais. Mais uma farsa se revela — ou uma “bravata”, para usar expressão do presidente Lula: os gays serviram para dar visibilidade a Marta Suplicy. Agora, se preciso, ela os manda para a fogueira para conquistar os votos evangélicos. Foram usados e agora são jogados fora. No PT, vale tudo para se eleger. Sempre valeu. Obs.: fizeram as contas: tem mais eleitores gays ou evangélicos? Bem, se tem ais evangélicos e são mais fiel, vamos manipulalos, mesmo que mandemos pra fogueira os gays de São Paulo – isto é PTrlhas.
o dia 10 de julho de 2006, o jornal O Globo registrava uma fala emblemática. Indagaram a Marco Aurélio Top Top Garcia, então presidente interino do PT, se não era constrangedor para Lula dividir o palanque com mensaleiros. Sabem o que ele respondeu? “Constrangedor é não ter voto”. É o vale-tudo. Como sempre são aproveitadores

Vão silenciar?
Imaginem se um partido considerado “de direita” pela imprensa fizesse com um petista o que a campanha do PT fez ontem com o dito “conservador” Kassab? Vocês já imaginaram a reação da imprensa e das falanges do politicamente correto? Maria Rita Kehl escreveria, claro, um artigo indignadíssimo, mostrando quão suja pode ser a direita... Mas, desta feita, o silêncio deve gritar a pusilanimidade dessa gente. Porque eles não só tem o monopólio da representação de supostas minorias, como também reivindicam o direito de discriminá-las se isso for útil à sua causa. Aliás, em matéria de preconceito, Marta está se tornando um caso de estudo. Ontem, no debate da Band, só faltou pedir que declarem a ilegalidade do DEM (comento num post abaixo)
Por quê?
Marta investe no preconceito. Afinal, qual é o problema do DEM?
- O partido foi pego extorquindo bicheiro?
- O partido promoveu o mensalão?
- O partido foi pego com dólares na cueca?
- O partido foi flagrado com uma mala de dinheiro tentando comprar um dossiê falso para fraudar uma eleição?
- O partido usou a Casa Civil para montar um dossiê contra adversários políticos?
- O partido promoveu a quebra ilegal do sigilo de um pobre caseiro?
- O partido mantinha em Brasília uma casa de prazeres & negócios, onde São Jorge costuma ser exibido de ponta-cabeça?
- O partido tem algum figurão cujo filho recebeu R$ 10 milhões de uma empresa concessionária de serviço público, de que o BNDES é sócio?
- O partido recebeu dólares de Cuba?
- O partido recebeu recursos das Farc?
- O partido deu a Petrobras de presente para um índio de araque?
- O partido endossa os regimes de força da Bolívia, da Venezuela e do Equador?
- O partido mudou uma lei só para beneficiar uma empresa gigante da telefonia?
- O partido tentou instaurar a censura no país?
- O partido puxa o saco de tudo quanto é ditadura no mundo?
- O partido deu emprego para a mulher de um narcoterrorista?
- O partido apóia uma organização narcoterrorita enquanto trata a pontapés o país que os terroristas ameaçam?
Convenham! Se o DEM tivesse feito tudo isso, deveria ter sido extinto, e seus dirigentes mereceriam estar atrás das grades.
Não! Reacionária é Marta Suplicy. Ela, sim, sob o pretexto de respeitar minorias — de quem queria o voto —, avança, sem qualquer respeito ou pudor, sobre a vida privada de um indivíduo que nada lhe deve, tampouco explicações.
“A propaganda petista que questiona a vida privada de Kassab é uma apelação abjeta e obscurantista. Entre a eleição e a compostura, seria melhor optar pela segunda.”

Todos temos o dever de preservar a democracia e combater os obscurantistas: uma resistência não-partidária, uma resistência cidadã, uma resistência em nome da civilidade.Enfim, e também por que não, uma resistência ao PTralhismo esquerdopata (psicopatas stalinistas).

Anônimo disse...

As bobagens de Hobsbawm
O britânico Eric Hobsbawm, que deve ser o intelectual marxista vivo mais importante — ou, vá lá, mais famoso ao menos — concedeu uma entrevista à BBC. Estou aqui às gargalhadas. Vocês acreditam que ele decretou o fim de mais uma era? Só falta agora escrever o livro correspondente. Que tal “A Era da Conversa Mole e do Papo Furado”? Não deixou de falar as besteiras que as esquerdas vêm repetindo mundo afora sobre a crise — e confessou satisfação com a crise. Mas fiquei contente: segundo ele, sabem quem será beneficiado pela crise mundial? A direita!!!

Hobsbawm é marxista, né? E isso quer dizer que ele é dialético. Um dialético pode afirmar uma coisa e o seu contrário ao mesmo tempo, sem que elas conversem entre si, na suspeita de que o interlocutor se encarregará de estabelecer as ligações entre uma coisa e outra. O homem está feliz com o fim de mais uma era, com a crise do capital, mas a direita — capitalista, suponho — sairá ganhando, ele garante. Então tá bom. Vou ficar na torcida. Embora, adverte o mestre, o estado vá ter uma importância maior do que teve nos últimos 30 anos. Como o conjunto se explica? Ora, dialética, gente! Agora prestem atenção a esta pergunta e a esta resposta:

O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?
Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia). Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado. O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados. Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos. Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média. Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelvelmente superior a qualquer outro lugar do mundo. E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.

Comento
É uma coleção de asneiras do "grande" Hobsbawm. Sabem onde estão os maiores beneficiários do “neoliberalismo” dos últimos 30 anos? Na China, na Coréia do Sul, na Índia... Deve ser o que ele chama “nós, no Ocidente”, que vivemos como príncipes. Impressionante! A bobagem é dita e, claro, como ele é um autoridade no próprio pensamento, ninguém solta um pio para contestá-lo.