quarta-feira, outubro 22, 2008

QUEM ENTENDE A POLÍTICA DO RIO?

Ao contrário dos demais estados, onde, para o bem ou para o mal, lideranças políticas costumam fincar raízes, no Rio, a crônica instabilidade do eleitorado - que muitos tentam atribuir ao espírito irreverente do carioca - gera um quadro de imprecisão e de indefinição que se reflete nas campanhas eleitorais.

QUEM ENTENDE A POLÍTICA DO RIO?

O Rio de Janeiro continua lindo, mas a sua política, instável, confusa e indecifrável. Provavelmente em nenhum outro Estado da Federação as lideranças políticas tenham uma permanência tão fugaz, marcadas por uma ascensão tão rápida quanto a queda. Provavelmente, em nenhum outro Estado os partidos políticos tenham tão pouco significado, consistência e influência. Não é por mera coincidência que o Rio é o único dos grandes estados onde o PT não passa de um partido menor, com baixa representatividade e pouca importância política.

Em pouco mais de duas décadas, fixaram residência nos principais palácios do Estado e do Município figuras como Moreira Franco, Marcello Alencar, Luis Paulo Conde, o casal Garotinho,e Benedita da Silva. Quem se lembra deles? Nos últimos anos, o recorde de permanência no primeiro plano da política carioca se deu com César Maia. Mesmo assim, ele termina o seu atual mandato tão enfraquecido que não conseguiu fazer de sua candidata Solange Amaral nada mais que uma mera figurante na campanha do primeiro turno.

Ao contrário dos demais estados, onde, para o bem ou para o mal, lideranças políticas costumam fincar raízes, no Rio, a crônica instabilidade do eleitorado - que muitos tentam atribuir ao espírito irreverente do carioca - gera um quadro de imprecisão e de indefinição que se reflete nas campanhas eleitorais. Se, por um lado , tal fato é positivo no sentido de fazerem os cariocas menos propensos ao coronelismo político, por outro pode deixa-los mais susceptíveis aos aventureiros e arrivistas.

O atual processo eleitoral é uma evidência disso. No início da campanha, o senador Crivella, apoiado no rebanho de fiéis adeptos das igrejas evangélicas ,despontava como o grande favorito ao segundo turno. Ao longo da campanha ,foi ultrapassado pelo candidato do governador, Eduardo Paes, e pelo azarão da disputa, o deputado Fernando Gabeira.

Os analistas políticos tentam decifrar esse labirinto político e encontrar algum indício de racionalidade no processo eleitoral carioca. A tentativa resulta, por exemplo, na argumentação de que Paes seria o candidato das periferia, dos subúrbios e dos iletrados, enquanto Gabeira teria os votos dos cariocas da zona sul, rica e urbanizada. Pode até ser.

Embora o cenário político do Rio tenha particularidades que o diferencia do restante do País,num ponto eles se assemelham: no baixo nível em que a campanha se desenrola. Pressionado pela ligeira vantagem de Gabeira nas pesquisas, os partidários de Eduardo Paes apelam para os golpes baixos e para a desqualificação do adversário.

Se em São Paulo a masculinidade do candidato do DEM Gilberto Kassab é posta em dúvida pelos partidários de Marta, no Rio, os adversários de Gabeira não fazem por menos. Panfletos apócrifos acusam-no de partidário da liberação do consumo de drogas, simpático às causas dos homossexuais, e preconceituoso em relação às pessoas que vivem nos subúrbios.

Em São Paulo, a campanha negativa promovida por Marta e seus partidários teve efeito bumerangue e voltou-se contra a própria candidata. No Rio, não se sabe que efeito terá sobre o eleitorado a campanha difamatória contra Gabeira. Muito menos quem será o vencedor, e por quanto tempo durará a sua liderança sobre a política da cidade. Porque no Rio, em matéria de política, a única certeza é a dúvida.
221008

9 comentários:

Esclarecedor disse...

QUEM ENTENDE A POLÍTICA CARIOCA? Pela primeira vez, dede que Paes seja eleito, o Rio terá o governo estadual e municipal e estadual trabalhando juntos. De quebra com o apoio d presidente Lula. Se o carioca perder o juizo e der um voto de protesto , votando no gabeira,a populaçaõ mais uma vez terá mostrado que não sabe votar e prefere continuar essa mema m de sempre.

Sérgio Dias disse...

Fernando Soares, concordo com o que vc diz,mas vc se esqueceu de mencionar Leonel Brizola que governou o Rio( estado) duas vezes. Foi um dos maiores políticos brasileiros, embora não fosse carioca , mas sim gaúcho. Foi proposital o esquecimento?

Fernando Soares disse...

Olá Sérgio. Seu primeiro governo(1983-1986) foi profícuo, mas o segundo(1991-1994) foi um desastre.Mesmo assim, ao contrário dos demais políticos que governaram a cidade e o Estado do Rio, ele deixou a sua marca.

Muller disse...

É dificil entender o Rio, mas é possivel, minha dica de leituras para entender esse Puzzle:
Leituras para 26 de Outubro

Fernando Soares disse...

Muller.Grato pelas sugestões.Espero que o carioca, desta vez acerte.

Anônimo disse...

O PARTIDO DO MENSALÃO E DOS DÓLARES NA CUECA — verdades factuais, assim como seus representantes PTralhas aloprados merecem perder as eleições em todos os lugares. Só assim o Brasil poderá mudar para melhor!

Anônimo disse...

O PCB, o Partido dos Comentaristas Brasileiros, previa, como vocês sabem, que Lula esmagaria os adversários na disputa. Aí se descobriu que a tese era mentirosa, como sempre se disse aqui. O PT ficou longe das almejadas 700 prefeituras — elegeu 558, 230 a menos do que o PSDB — e, nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, fez apenas o prefeito de uma capital: Vitória. No Nordeste, duas: Fortaleza e Recife. E as outras três foram conquistada na região Norte: Rio Branco, Porto Velho e Palmas. Aí o PCB mudou de rumo: de súbito, então, a eleição municipal já não queria dizer mais nada — só teria especial significado se Lula ganhasse...
Sim, a eleição quer dizer alguma coisa. Não exatamente a tal antecipação de 2010. Marta, se vocês observarem, teve, no conjunto dos votos, aquilo que o PT sempre tem na cidade de São Paulo: um terço do eleitorado — e ela perdeu eleitores na comparação com 2004 nos dois turnos. E um terço não quer nem ouvir falar do partido. O outro pode pender para qualquer lado. Pendeu esmagadoramente para Gilberto Kassab porque, vejam só!, ele faz uma gestão virtuosa na cidade, as razões de sua vitória: 110 AMAs, dois hospitais, asfaltamento etc.
Mas é evidente que a população de São Paulo, que aprova, majoritariamente o governo Lula, sabia que não votava no PT; sabia que votava nos dois — ou três, já que o PPS se juntou no segundo turno — partidos que se opõem ao presidente. E a legenda de Kassab o faz, na esfera federal, com especial dureza. Não, não quer dizer que vá votar necessariamente contra o candidato do presidente Lula em 2010 — eu realmente acho que aquela é outra eleição e que o potencial de transferência de voto, quando se trata de cargo idêntico, é maior.
A população de São Paulo rejeitou o que eu chamaria, aqui, de uma espécie de tutela ideológica, que esperava que ela abandonasse os dados da realidade para se fixar em artificialismos puramente ideológicos ou valorativos. Ele deveria esquecer, então, as AMAs, os hospitais, o Remédio em Casa, o Mãe Paulistana, as duas professoras em sala, o Cidade Limpa. Tudo em nome de abstrações e demonizações propostas pelo PT, a saber:
A – “Não nos contentamos com pouco”;
B – “Não vote no DEM; esse partido está acabando”;
C – “Você não conhece Kassab” (como não, se a Prefeitura do homem atingia aprovação inédita?);
D – “Ele é casado e tem filhos?”
E – E, claro, o maior de todos os fatores que procuravam tirar o eleitor do mundo real para empurrá-lo para esse universo só das idéias atendia pelo nome de Lula.
Sim, ele entrou de cabeça na eleição paulistana, à diferença do que se diz por aí. No primeiro turno. No segundo, já procurou manter certa distância. Gilberto Carvalho, seu braço direito, ainda tentou o socorro, mas constatou que era inútil e se arrancou antes do fim do jogo. No debate da Globo, como escrevi aqui — aquele em que só Nelson de Sá, da Folha, viu a esmagadora vitória de Marta —, a petista estava sozinha.
É assim que São Paulo:
- rejeitou a baixaria;
- rejeitou a tutela do presidente Lula;
- rejeitou a arrogância do petismo;
- rejeitou uma eleição baseada só num conjunto de sensações;
- rejeiutou a vergonhosa exploração que se tentou fazer da greve da Polícia Civil e da tragédia de Santo André.
Claro, fosse a cidade um "bolsão do bolsismo", com o carente contentando-se em receber a sua ração mensal — e foi em áreas assim que o PT obteve boa parte do seu êxito —, talvez as coisas fossem diferentes. Mas até quem, em São Paulo, recebe Bolsa Família sabe que tem de se virar para complementar o ganho. O Lula Messias, o Lula Salvador, o Lula Doador, tem importância muito reduzida na cidade e no Estado. E, se vocês pensarem bem, esse modelo não chega a ser mesmo um prodígio eleitoral — mesmo hoje, com a economia “bombando”, como diz Marta (os efeito da crise ainda não chegaram à base).

Anônimo disse...

Bilhete premiado do Lulla-Marolinha:

No início da década, o governo brasileiro liberou o petróleo para a exploração por empresas privadas. Depois de quase cinco décadas de monopólio, abriram-se as portas para a concorrência externa – e para um salto adicional de tecnologia e rentabilidade. Com uma reserva de tamanho razoável pelos padrões internacionais, o Brasil vem ganhando espaço no segmento petrolífero através da freqüente descoberta de novas reservas e da expansão das atividades do setor. A auto-suficiência, porém, ainda não veio. Em abril de 2006, o governo torrou 40 milhões de reais em uma campanha publicitária para anunciar que o Brasil tinha passado a produzir mais petróleo do que consome. Mas, apesar da festa toda, o resultado não foi alcançado. Pior: a produção da Petrobras emperrou, o consumo aumentou e o déficit na balança comercial de óleos e derivados voltou a crescer. O rombo em 2008 atingiria 8 bilhões de dólares.

Pior com a crise mundial e o preço do petróleo caindo, o pré-sal ficará a ver navios ou melhor: morreu na praia - aliás, praia é pré-sal da água do mar.

Anônimo disse...

APENAS UMA MAROLINHA (só podia estar bêbado):

Empresas brasileiras perderam R$ 1 trilhão com a crise
De acordo com um levantamento da consultoria Economática, as empresas brasileiras com ações na bolsa de valores valiam R$ 2,099 trilhões no fim de 2007 e apenas R$ 1,055 trilhão em 24 de outubro, uma queda de quase 50%. O setor de construção é o mais afetado pela crise financeira global, com desvalorização de 72% nesse período.