segunda-feira, setembro 08, 2008

QUEM DIZ O QUE QUER...

Diferentemente do bate boca com os jogadores da Seleção, no qual, no máximo, ficou arranhada a formalidade e a dignidade do cargo que ocupa, o caso da opinião presidencial a respeito do uso do tabaco se reveste de uma gravidade maior porque foram afrontadas, na melhor das hipóteses, duas normas constitucionais que envolvem a administração pública.
QUEM DIZ O QUE QUER...

Quem fala o que quer, ouve o que não quer. E o presidente Lula teve que ouvir constrangido o goleiro Júlio César sugerir que ele renuncie ao cargo e vá morar na Argentina, porque, “talvez, assim as coisas no Brasil melhorem”.Apesar do posterior pedido de desculpas do jogador, provavelmente pressionado pela CBF, o que ficou foi a resposta desaforada do jogador a uma crítica feita por Lula ao comportamento da Seleção Brasileira.

É bom lembrar que esta não é a primeira vez que o presidente se mete numa troca de farpas com a seleção. Às vésperas da última Copa do Mundo, em resposta a uma constatação de Lula de que estaria gordo, o atacante Ronaldo devolveu com uma insinuação de que o presidente “bebe pra caramba”. Lula teve que engolir calado a resposta do atacante, como agora teve que engolir a do goleiro.

Sem entrar no mérito da opinião de Lula sobre a seleção de Dunga – de fato, o time é tudo aquilo que o presidente e a maioria dos brasileiros dizem –, o cargo de Presidente da República impõe a seu ocupante um padrão de conduta equilibrado e sóbrio. Muito distante, portanto, do estilo boquirroto, marcado pelo linguajar chulo e pela extrema liberalidade com que aborda qualquer assunto.

Ainda na semana passada, em conversa com um grupo de jornalistas, o presidente foi na contramão do que afirmam autoridades da área médica e a Organização Mundial de Saúde, ao defender o “uso do fumo em qualquer lugar”porque “só fuma quem é viciado”. Disse mais, ao demonstrar que não pretende fazer o menor esforço para se juntar às organizações de Saúde no sentido de banir o fumo dos ambientes fechados: “eu não vou propor ( a proibição do fumo). Mando para o Congresso e não voto.”E, como se não bastasse, completou: “Na minha sala, mando eu”, para enfatizar que não pretende largar mão do hábito de fumar cigarrilhas no seu gabinete no Planalto.

Diferentemente do bate boca com os jogadores da Seleção, no qual, no máximo, ficou arranhada a formalidade e a dignidade do cargo que ocupa, o caso da opinião presidencial a respeito do uso do tabaco se reveste de uma gravidade maior porque foram afrontadas, na melhor das hipóteses, duas normas constitucionais que envolvem a administração pública.

A primeira é a que obriga o Presidente a zelar pela saúde pública, o que significa, dentre outras, promover e incentivar campanhas de combate ao uso do fumo, comprovadamente uma das maiores causas de internações e óbitos no Brasil. Ao advogar, de maneira leviana, o livre uso do tabaco, Lula desautorizou todo o esforço que o seu governo, através do Ministério da Saúde, vem fazendo nos últimos anos para limitar os prejuízos causados à saúde pública por essa praga.

A segunda norma afrontada por Lula é a que distingue o espaço público do espaço privado. Ao defender o seu “direito” de fumar no gabinete presidencial, Lula parece desconhecer os limites entre o público e o privado. O cidadão Luis Inácio Lula da Silva tem todo o direito de fumar quantas cigarilhas quiser no ambiente de seu apartamento em S Bernardo do Campo, mas o presidente Lula não pode fazer do gabinete presidencial o seu espaço privado. Como bem disse a jornalista Dora Kramer, trata-se “da mais pública das salas da República”.

Mesmo passando por constrangimentos, Lula certamente continuará usando o seu estilo fanfarrão porque acredita que o povo o prefere assim. Se, em troca da popularidade fácil ele preferir continuar a insistir na falta de compostura no cargo, vai chegar o momento em irá exigir respeito. Então já terá sido tarde, porque a obrigação fundamental de quem quer ser respeitado é dar-se ao respeito.
080908

22 comentários:

C Tomé disse...

Se os jogadores fazem corpo mole nao sei, nem me interessa, mas adorei a espetada que o Julio Cesar deu no lula, e acrescentaria; os esportistas podem ganhar medalhas e trofeus aos borbotoes que a vida continuará igual no mundo real, já ELE, poderia fazer muito mais em vez de ficar enchendo a pança de cerveja, vendo futebol e dando opiniões que não tem nada a ver com ele!!

Anônimo disse...

ACHO QUE VC ESTÁ CERTO NA CRÍTICA QUE FAZ AO PRESIDENTE COM RELAÇÃO AO FUMO E ERRADO COM RELAÇÃO À SELEÇAÕ. COMO TORCEDOR QUE É O PRESIDENTE PODE FALAR O QUE QUISER DA SELAÇÃO SEM CARÁTER

Paulo disse...

Devemos é agradecer o Lula por ter acordado esta seleção. Graças às suas críticas, a seleção finalmente venceu uma!

Lizia disse...

O presidente Lula perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado quando declarou ser a favor de se fumar em qualquer lugar e que só fuma quem é viciado. Esta declaração só expõe a sua ignorância sobre o assunto, além de desqualificar um esforço legítimo que os governos estadual e federal têm feito para proteger a saúde do cidadão contra o tabagismo passivo. Há poucos dias a Folha noticiou resultado de pesquisa inédita realizada pelo Inca, que revela que pelo menos sete fumantes passivos morrem a cada dia no país por doenças provocadas pela exposição passiva à fumaça do cigarro. Será que só o nosso ilustre presidente não leu a notícia?

Rosena disse...

Pois é Fernando, Lula perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Mas ficar calado é coisa qe ele não faz. Desse jeito somos obrigados a continuar a uvir as asneira que ele diz todo o dia..

Anônimo disse...

LULLA-PTÓQUIO BEM QUE PODERIA RENUNCIAR E IR PRA ARGENTINA!Adiosssssss!

Anônimo disse...

O presidente da República declarou que o Brasil precisava seguir o exemplo dos argentinos.Júlio Cesar, goleiro da seleção brasileira, atacou Lula na resposta. "Acho que ele deveria ir para a Argentina, virar argentino e renunciar à presidência, talvez assim o Brasil melhore".

VAI LULLA-PTÓQUIO, VAI PRA ARGENTINA! MAS, VAI LOGO!

Anônimo disse...

Podcast do Diogo: os grampos no centro do poder e as perguntas sem resposta
Bem antes de grampear o ministro Gilmar Mendes, bem antes de Paulo Lacerda assumir o cargo de diretor-geral, a Abin foi acusada de cometer ilegalidades contra o bando de Daniel Dantas. Ninguém se lembra, mas eu sim.

Em 2004, Lula nomeou Mauro Marcelo para chefiar a Abin. Eles se conheciam desde 1994, quando Mauro Marcelo, delegado da Polícia Civil, coordenou as investigações sobre o seqüestro de um sobrinho de Roberto Teixeira. Para pagar o resgate, Lula arrecadou quatrocentos mil dólares junto a empresários, mas o sobrinho de seu compadre foi libertado antes do pagamento. Sabe-se lá que fim levou o dinheiro. O que se sabe é que, na campanha presidencial de 2002, Mauro Marcelo cuidou da segurança de Lula, ao lado de gente como Freud Godoy e César Alvarez. E, com isso, a amizade deles se estreitou.

Mauro Marcelo, depois de ser nomeado para a Abin, encontrou-se com Giuliano Tavaroli, diretor da Telecom Italia. Segundo o depoimento do próprio Tavaroli à magistratura italiana, Mauro Marcelo teria oferecido à operadora o apoio institucional do governo na batalha contra Daniel Dantas, alegando que o banqueiro "era inimigo do presidente Lula". Outras testemunhas do processo contra os arapongas da Telecom Italia confirmaram o papel de Mauro Marcelo e acrescentaram que ele tinha um parceiro nessa empreitada: o detetive particular Eloy de Lacerda, com o qual ele compartilhava uma Ferrari. Os dois teriam um acordo para dividir inclusive os trezentos mil dólares pagos pela Telecom Italia.

Quem acompanha meus artigos já sabia disso tudo. A novidade surgiu há dois meses, quando esse mesmo Eloy de Lacerda, uma semana depois da Operação Satiagraha, foi preso pela Polícia Federal, na Operação Ferreiro, sendo acusado, veja só, de comandar uma rede de arapongas que realizavam grampos ilegais.

Pergunto:é só coincidência??!!!!




TENHO MUITOS AMIGOS MINEIROS E GOSTO DO AÉCIO - QUE É UM BOM ADMINISTRADOR E UM POLÍTICO DECENTE, MAS O TEXTO ABAIXO FAZ-NOS PENSAR...
(não gosto de quem faz aliança com o PT, pois é vender a alma ao diabo e entregar o povo)

Assim não, Aécio! Ou "Democracia e salvacionismo"
(Ler primeiro o post abaixo)
Aécio Neves é tão simpático, que também eu sou tentado a achar que essa sua visão que mistura catastrofismo com salvacionismo é irrelevante. Também eu penso em fazer como a maioria dos analistas e fingir que ele não disse nada. Mas ele disse.

Então vamos ver: cadê a “radicalização” que, segundo ele, ameaça o futuro do Brasil? Onde ela está? Quero me juntar aos radicais, aos que fazem oposição de raiz... Onde eles estão? No PSDB? Não posso crer. Qual foi a dificuldade real que os tucanos, sejam aecistas, serristas ou de outro “ismo” qualquer menos vistoso, criaram para o Brasil? Ou Aécio aponta, ou serei obrigado a concluir que ele está blefando.

Estariam sendo radicais os tucanos quando, com certa timidez até, cobram do governo providências contra o estado paralelo (ou “estados paralelos”) das escutas telefônicas? Foram radicais na época do mensalão? Ou do dossiê dos aloprados? Ou do dossiê anti-FHC-Ruth? Cadê os radicais, governador? Mostre-me um único voto de vingança dos tucanos — a CPMF não vale porque o governo tinha maioria para aprová-la e não conseguiu. Ademais, as oposições estavam certas: a arrecadação já cobriu com sobra o "buraco".

Por que fico sempre com a sensação de que Aécio se oferece para ser o Salvador de uma mal que não existe? Por que fico com a sensação de que ele “precisa inventar o pecado para, então, inventar o perdão?” Imagino o governador de Minas nos Estados Unidos: “Gente, vamos parar com isso. Vamos nos unir para fazer as reformas de que os Estados Unidos precisam. Pra que tanta divisão?"

Exemplo de Belo Horizonte? Com a devida vênia, a invenção de Aécio e Fernando Pimentel (PT) inaugurou a eleição biônica pelo método democrático. Uma jabuticabaça! Até ser ungido candidato — sim, foi uma unção!—, os belo-horizontinos não conseguiriam distinguir o futuro prefeito, Márcio Lacerda, e seus óculos escuros de uma peça de mortadela. Juntaram-se as duas máquinas, a do PSDB e a do PT, e ele ganhou a Prefeitura. Sem oposição possível. Aécio tem razão: Belo Horizonte não é exemplo de coisa nenhuma — nem de indicadores sociais — pesquisem; não vou abrir uma picada nova no texto.

Aécio tem todo o direito de pleitear a vaga de seu partido para disputar a Presidência da República. É governador de um grande estado, tem uma aprovação popular altíssima, tem trânsito no establishment político e — sim, é verdade — costuma ser poupado pela imprensa — sobre a mineira, há pouco a falar: Minas é um verdadeiro celeiro do “jornalismo propositivo”. Mas ele não pode depredar assim a teoria política nem inventar uma radicalização que não existe.

Depreda a teoria política quando faz crer que a existência de oposição sabota as aspirações populares. A rigor, é o que pensam todos os autoritários. Aécio certamente não é um deles. Parece nos dizer que o que os outros conseguem pela força — anular a oposição —, ele pode conseguir com um acordo, na base do papo. Meio não é fim; método não é finalidade.

Mas esperem um pouco: o bom é não haver oposição? É assim que o Brasil avança? Se o próximo governo for tucano, de Serra ou de Aécio, espero que o PT seja vigilante. Se Dilma for eleita, espero que haja partidos e líderes que se oponham a ela — Aécio, já sei, não deve estar entre eles. Há algo de surrealista nessa conversa toda.

Ah, lamento não compartilhar desse idílio. Esse negócio de “interesse nacional” é um dos velhíssimos mitos da política. Ou você cai nessa porque leu menos do que deveria ou cai porque, sei lá, acredita que a política atrapalha o ambiente de negócios, e é melhor um ambiente de negócios sem política...

Só agora?
Só agora escrevo isso? Ah, não. Faz tempo. Já escrevi rigorosamente a mesma coisa, acreditem, em favor de Lula. Como? Eu poderia remetê-los ao livro O País dos Petralhas (aguardem, está saindo...), mas digo já.

O hoje governista Fábio Wanderley Reis, acadêmico mineiro, escreveu, em 2001, um texto chamado "Brasil ao quadrado? Democracia, subversão e reforma", que foi debatido por banqueiros. Lá pelas tantas, desconfiava: “Creio haver boas razões para reservas quanto à perspectiva de que um Lula ou assemelhado assuma o poder presidencial e o exerça sem mais, até o momento de transferi-lo ao sucessor. Falta a nossa democracia passar por este teste". Eu o critiquei duramente no site Primeira Leitura. Pareceu um flerte, ainda que distante, com um golpe. E não que eu não quisesse, como vocês devem supor, que o PT fosse combatido. Hoje que Reis é lulista, eu continuo a criticá-lo. Ele e Lula podem ter mudado. Eu não.

Não, não me venham apresentar catastrofismos para vender salvacionismos, ainda que nessa versão light, risonha e boa-praça de Aécio Neves. Se a democracia brasileira corre algum risco, ele não decorre de uma inexistente radicalização, mas justamente da “deslegitimação” do discurso oposicionista. Não existe democracia sem oposição, governador! Ademais, o senhor fique tranqüilo: se eleito presidente, creio que não teria dificuldade nenhuma de fazer um acordo com o PT. Qualquer um, de fato, pode fazê-lo desde que pague o preço.


Por Reinaldo Azevedo

Anônimo disse...

PF investiga esquema de espionagem na reitoria da UnB – É PTralha grampeando PTralha:
A Polícia Federal investiga um moderno esquema de espionagem encontrado na reitoria da Universidade de Brasília. Três microcâmeras e um gravador de voz foram achados escondidos em paredes e lâmpadas no gabinete da reitoria.

PF investiga instalação de sistema de espionagem na UnB
PF investiga instalação de sistema de espionagem em gabinetes da UnB. Plantão | Publicada em 10/09/2008 às 11h08m. CBN. RIO - A Polícia Federal investiga a ...
oglobo.globo.com/.../10/pf_investiga_instalacao_de_sistema_de_espionagem_em_gabinetes_da_unb-548159185.asp - 51k - 11 horas atrás.

Anônimo disse...

Por que Marco Aurélio top, top, top não tem com os oposicionistas radicais bolivianos o mesmo cuidado que tem com os terroristas colombianos? O Brasil de Lula, acreditem, chegou a oferecer o país como “território neutro” para um encontro entre representantes do governo colombiano e das Farc. Neutro? Quer dizer que, entre um e outro, o Apedeuta não conseguia escolher? E notem: há 40 milhões de colombianos sendo molestados por uns 8 mil terroristas. Na Bolívia de pouco mais de 9 milhões, quase a metade gostaria de ver Evo fora do poder. No primeiro caso, neutralidade; no segundo, uma ameaça ridícula.

Por Reinaldo Azevedo

rosena disse...

Tem uma pessoa aí que usa as p´[aginas do blog para ficar postando coisas do Reinaldo Azevedo. Não seria melhor se emitisse a sua opinião ao invés de ficr postando textos dos outros?

Anônimo disse...

Viva a lei e a democracia.

Guerreiros das Sombras da Maldade: Nas sombras não há guerreiros, pois nas sombras vivem o mal e o mau. Cristo e Gandi, guerreiros da paz e do amor, enfrentaram os poderosos a luz do dia e venceram, sem usar armas de fogo. Qualquer guerreiro mostra a cara. Qualquer homem mau se esconde covardemente nas sombras para estabelecer o conflito e a maldade. A natureza das coisas, lei universal, não os deixará triunfar. O mundo é do bem! A lei, produzida e evoluída ao longos dos últimos séculos, que nos deu o Estado Democrático do Direito, não aceita e nem pode aceitar essas agressões nazistas de agentes ditos da lei. O povo brasileiro não merece esse lixo de stalinistas sindicalistas vagabundos aloprados. Concordo também quando alguém aqui já disse que essa operação é um revachismo do Lulla, pois ele declarou o Dantas como inimigo (não quis contribuir pra caixinha dos PTralhas). Todos tinham autorização do Lulla, pois uma operação gigante por mais que aja na sombra, tem que ser autorizada pelo diabo em pessoa.

Anônimo disse...

rosena,
você só pode ser uma PTralha analfabeta.
A opinião do Reinaldo pode ser a opinião dessa pessoa que posta mensagem dele.
Ou será que para ter opinião você mesmo tem que escrevê-las de próprio punho?
Nada como ver um PTalha falar ou se pronunciar por escrito pasra saber que está ali um analfabeto, e pior: pronto para ser o dono da verdade, para mentir, para manipular e para querer te escravizar.

Anônimo disse...

O País dos Petralhas (Record; 337 páginas; 38 reais). O livro reúne os melhores textos de Reinaldo Azevedo sobre o petralhismo, publicados em seu blog em VEJA.com desde junho de 2006 e, antes disso, em sua coluna em O Globo. (...)

O roubo social é uma disciplina que, praticada pelos operadores do petralhismo entranhados no partido e no setor público, se baseia no – como dizer? – roubo. Pode ser o roubo para eleger um candidato, ou o roubo para enlamear um opositor, ou o roubo para encher as burras de dinheiro. Em geral, tudo isso junto. Para que um petralha possa roubar sem constrangimentos, ele precisa contar com a cumplicidade de outros petralhas, enfronhados na imprensa, na internet, nas salas de aula, nos gabinetes, nos tribunais, nas delegacias, nas rodas de samba. (...) Se o Brasil do PT é Patópolis, Reinaldo Azevedo só pode ser o nosso Mickey.

Ele, o camundongo sabido de Dois Córregos, é o melhor blogueiro do país. O termo blogueiro, para quem está acostumado só com a imprensa escrita, pode soar ligeiramente depreciativo. Corrigindo: Reinaldo Azevedo é o melhor articulista do país. É o único capaz de passar com desenvoltura de Robert Musil à egüinha Pocotó, de G.K. Chesterton a Marilena Chaui, de Ortega y Gasset a Marco Aurélio Garcia.
(...)
Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera "bastante convencional". O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama "crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido". E acrescenta: "No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei".

Anônimo disse...

A OPERAÇÃO QUE DEVERIA SER ESTRITAMENTE LEGALISTA, PASSOU A SER UMA ABERRAÇÃO ILEGAL, COM MUITAS PESSOAS - TALVES MAIS DE 100 - VISANDO UM REVACHISMO PTRALHA E DO LULLA (demonstrar que aqueles que não aceitarem a chantagem do Lulla-PTralhas-sindicalistas-stalinistas, como fez o Dantas ao não dar antigamente uma grana pros PTralhas, hoje já corre solto), PARA INTIMIDAR O BRASIL PELO EXEMPLO (ou seja: todo rico deve dividir sua riquesa com os PTralhas, senão irão pra cadeia). NINGUÉM QUE NÃO TIVESSE O APOIO DO MULLA (o diabo em pessoa), TERIA TANTA GENTE DO GOVERNO NUMA MESMA OPERAÇÃO. O TIRO SAIU PELA CULATRA, POIS O PODER ABSOLUTO CORROMPEU ABSOLUTAMENTE AOS AGENTES QUE ULTRAPASSARAM OS LIMITES. VIRARAM BANDIDOS OS QUE AGIAM COMO MOCINHOS, POR QUE NO FUNDO ABUSANDO DO PODER QUE LHES FOI CONFERIDO PELO ESTADO (e pela população), SÃO SIM BANDIDOS POR ÍNDOLE FACISTA-STALINISTA-PSICOPATA. SÃO ENFIM GUERREIROS DAS SOBRAS DO DIABO!

Anônimo disse...

O índio de araque e as Forças Armadas
"Ao presidente da Venezuela, o senhor Hugo Chávez, e à comunidade internacional, dizemos que as Forças Armadas rejeitam enfaticamente intervenções internacionais de qualquer tipo, não importa de onde venham. Não permitiremos que nenhum soldado ou força armada estrangeiros ponham pé em nosso solo."

A fala, como sabem, é de Luis Trigo, comandante-em-chefe das Forças Armadas na Bolívia. Responde à ameaça feita pelo bufão de Caracas, que disse ontem que, caso Evo Morales seja deposto, ele se sentirá autorizado, imaginem só, a invadir a Bolívia. Alguns degraus abaixo, como sempre, Marco Aurélio Top Top Garcia, assessor especial de Lula, também afirmou que o “rompimento do ordenamento institucional boliviano é inaceitável”. O que “inaceitável” quer dizer, na prática, não se sabe.

Evo Morales é um empregadinho moral e ideológico do Beiçola bandoleiro. É evidente que ambos estão em contato permanente — assim era antes da crise; imaginem agora. A reação do comandante das Forças Armadas deixa claro o óbvio: o recado de Chávez não foi dirigido aos oposicionistas, mas aos militares bolivianos. Eis a maneira como o delinqüente decide “ajudar” o país amigo.

O índio de araque está numa posição bastante difícil. Se recua, como querem as oposições, é claro que se enfraquece. Conseguir a coesão necessária nas Forças Armadas para reprimir o levante de parte do país supõe tornar-se refém dos militares.

E por que se chega a isso?

Porque as ações de Evo Morales, a exemplo das de Chávez, tinham e têm uma lógica interna. Elas precisam, para se sustentar, de um regime de força, a exemplo do que se vê Venezuela. Ou, então, supõem uma guerra civil, para que se comece “a nova Bolívia” a partir das cinzas. Vale dizer: o projeto de Morales é incompatível com a democracia. E por isso as conversas têm-se mostrado inúteis.

A reação dos militares bolivianos não deixa de ser, dado o conjunto da obra, também uma advertência a Evo Morales.

Anônimo disse...

PT: o Partido que mais rouba você!

RS
Ala radical do PT fez caixa dois
14 de Setembro de 2008

Um ex-assessor do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul pretende provar na Justiça como ele foi usado pela legenda para fazer caixa dois com o objetivo de financiar campanhas eleitorais. Por meio do processo número 10801965571, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, o técnico em telefonia Paulo Roberto Salazar da Silveira cobra 445.000 reais do PT, ao qual era filiado até o ano passado. Paulo Salazar afirma que, entre 1998 e 2005, era obrigado a devolver ao partido cerca de 4.000 reais mensais que recebia como assessor parlamentar em gabinetes de deputados do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em entrevista a VEJA, narrada na presente edição da revista, Salazar contou o que fez e o que viu como um dos arrecadadores de campanhas eleitorais do partido.

As revelações do ex-petista atingem a Democracia Socialista (DS), corrente radical que reúne 20% do PT, comanda um ministério no governo do presidente Lula e tem como seu líder principal o ex-prefeito de Porto Alegre e ex-secretário-geral do partido Raul Pont. De acordo com Salazar, entre 1999 e 2005 ele foi funcionário-fantasma nos gabinetes de Pont e do deputado estadual Elvino Bohn Gass. Além de não trabalhar, ele repassava o dinheiro que recebia integralmente aos parlamentares.

"Eu sacava todo o salário na boca do caixa no dia seguinte ao pagamento. Até férias e décimo terceiro eram devolvidos. O dinheiro ia para o caixa dois da DS", afirma ele. Extratos da conta de Salazar, em poder da Justiça, comprovam os saques. "Ele trabalhou e sempre recebeu tudo o que deveria", rebate Raul Pont. "É estranho essa denúncia aparecer em pleno período eleitoral." O deputado Bohn Gass confirma que Salazar trabalhou em seu gabinete e atribui sua indicação à cúpula do PT estadual. Ele nega ter se apropriado do salário do ex-funcionário.

‘Era tudo por fora’ – Em vez de trabalhar na Assembléia Legislativa, Salazar conta que despachava na sede de uma tal Associação Em Tempo, um comitê eleitoral extra-oficial em Porto Alegre. Ali ele administrava o caixa dois da corrente petista e recebia salário de 2.000 reais da entidade, com o qual sustentava a família. Na eleição municipal de 2000, Salazar conta que recolhia dinheiro vivo em escritórios de advocacia a cada quinze dias. As remessas variavam entre 20.000 e 40.000 reais. Ele afirma ter arrecadado 250.000 reais para as campanhas apenas nessa eleição. O ex-assessor também recolhia malas em empresas de bebidas, laticínios, material esportivo e até em sindicatos. "Era tudo por fora, tudo caixa dois. Nada entrava nas prestações de contas", diz.

O ex-petista também reclama uma indenização material e moral pelo uso indevido de duas contas bancárias e de seu cartão de crédito pelo comitê eleitoral do partido. A ação judicial pode ser o fio da meada para desnudar os métodos de financiamento de campanhas políticas do PT com dinheiro público, conforme demonstra a íntegra da reportagem da revista VEJA.

Anônimo disse...

A culpa de Evo Morales
Leiam o que diz sobre Evo Morales um acadêmico boliviano, também professor de Princeton, e me digam se vocês já leram antes alguma opinião parecida. Por Rodrigo Rötzsche, na Folha:

O presidente Evo Morales tem grande parcela de culpa na crise boliviana por solapar as instituições e superdimensionar o significado de sua vitória no referendo revogatório do mês passado. Mas a eterna disputa na Bolívia pelos recursos naturais torna o país suscetível à freqüente repetição de episódios como os dos últimos dias. Essa é a opinião do cientista político boliviano Roberto Laserna, que leciona nas universidades de San Simón, em Cochabamba, e de Princeton, nos EUA. Leia os principais trechos da entrevista que ele deu por telefone à Folha:
FOLHA - As ações de opositores são um golpe civil contra o governo, como diz Morales?
ROBERTO LASERNA - Não creio que haja a intenção de derrubá-lo, mas sim a de obrigá-lo a reconhecer uma realidade política diferente da que ele lê dos resultados da última votação. É uma reação à tentativa de Morales de usar o referendo revogatório como argumento para impor a nova Constituição.
FOLHA - Morales teve uma votação muito expressiva no referendo. Por que não saiu fortalecido?
LASERNA - Ele saiu fortalecido, mas não na magnitude que crê. Dois terços da população querem que ele conclua o mandato. Mas isso não significa apoio a seu projeto. Muita gente votou pela permanência dos governadores e de Evo porque crê na chance de diálogo entre as partes e quer menos rupturas.
FOLHA - E há sinais de disposição de negociação?
LASERNA - A oposição cansou de seguir respondendo aos chamados ao diálogo. Está tentando acumular forças para obrigar o governo a sentar e negociar. Morales viu os 67% no referendo como prova definitiva de que está com a razão. Isso obriga a oposição a mostrar que também tem forças.
FOLHA - O que parece é que, se o governo ceder, enfrentará resistência de seus atuais partidários.
LASERNA - O núcleo central dos conflitos são as expectativas da população sobre a distribuição da renda do gás. E uma grande parte das demandas vem de setores pró-Morales. O país vive uma conflitividade social muito intensa. Qualquer governo enfrentaria dificuldades. Há um alto nível de frustração na população por não usufruir desses recursos.
FOLHA - Morales é vítima dos métodos que usou no passado para chegar ao poder?
LASERNA - Ele é vítima de sua própria falta de respeito à legalidade. Morales dá mais valor à legitimidade do que à legalidade. Incentivou a ação das massas, mudou as leis, aprovou a Constituição sem os dois terços necessários. Ele foi vítima desse processo de desinstitucionalização que ele provocou.

Anônimo disse...

O ENVIADO À AMÉRICA LATRINA PRA INDICAR O CAMINHO DO BEM E DA LEI: ÁLVARO URIBE.

VAMOS VARRER OS COMUNISTAS PRA LIXEIRA DA HISTÓRIA.



14/09/2008 - 19h43
Presidente da Colômbia é descendente de Ricardo Coração de Leão, diz estudo
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da Efe, em Bogotá

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, é um descendente direto de Ricardo Coração de Leão (1157-1199), segundo resultados de um estudo de especialistas em genealogia publicado neste domingo em Bogotá.

"[Uribe] descende diretamente do rei Ricardo Coração de Leão", afirmam os pesquisadores da Associação Colombiana para o Estudo das Genealogias que fizeram o estudo, informou a revista "Semana".

A publicação colombiana especificou que os especialistas descobriram que Leonor de Aquitânia, mãe de Ricardo Coração de Leão, o monarca inglês que protagonizou a Terceira Cruzada para resgatar Jerusalém das mãos dos muçulmanos, aparece na árvore genealógica de Uribe.

A mesma pesquisa descobriu que entre os ancestrais de Uribe também estão o rei Constantino (grego), Nefertiti, rainha do Egito, e o faraó Amenhotep 3º, segundo a última edição da "Semana".

ARQUIVO DE ARTIGOS disse...

Parabéns pelo blog. Faça-nos uma visita.

Anônimo disse...

A GESTAPO DO MULLA NA REPÚBLICA DOS LADRÕES E CHANTAGISTAS ALOPRADOS LULLANÁTICOS:

A blindagem de Romênio
A PF não avança nas investigações sobre o exsecretário nacional do PT acusado de participar de um esquema que desviou R$ 700 milhões

Rudolfo Lago - ISTOÉ - nas bancas.


INQUÉRITO A PF abriu um procedimento para saber por que seus agentes não cumpriram determinação judicial de grampear o ex-dirigente Romênio Pereira
Um procedimento administrativo foi aberto nos últimos dias na Polícia Federal, em Minas Gerais, para apurar as possíveis irregularidades cometidas na Operação João-de-Barro, esquema criminoso que desviou mais de R$ 700 milhões dos cofres do Orçamento da União, incluindo verbas do PAC. A alta cúpula da polícia quer saber se houve negligência ou desvio de conduta de agentes durante a investigação. O problema que bate às portas da PF é dar uma resposta convincente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou escutas telefônicas de Romênio Pereira, secretário nacional do PT, pedidas pelo Ministério Público mas não realizadas pela polícia, conforme revelou ISTOÉ na edição 2025. Nos relatórios, os investigadores justificaram que tecnicamente os grampos não puderam ser instalados na sede do PT porque a escuta acabaria bisbilhotando as conversas de mais de 200 pessoas.

O argumento, a princípio, não colou. Há quem diga que o que ocorreu na PF foi, de fato, um esquema de blindagem do petista. Oficialmente, a PF não comenta o caso e, laconicamente, diz que a operação está sob sigilo.

SUSPEITA Romênio Pereira acredita que seu apoio à aliança do PT com os tucanos na eleição municipal de Belo Horizonte tenha sido o motivo que levou adversários no partido a derrubá-lo da direção

Enquanto a PF investiga a PF, o exchefe petista leva uma vida quase "clandestina" no mundo partidário. Sem aparecer em público desde que as denúncias o catapultaram da cadeira de secretário nacional do partido, Romênio tem dedicado boa parte de seu tempo à procura dos desafetos que o teriam defenestrado. E aos poucos que freqüenta ele garante que vai voltar e vingar-se deles.

Mas sua situação não é tão boa como ele tem apregoado. Na última semana, Romênio anunciou que iria participar de uma caminhada ao lado do candidato Márcio Lacerda (PSB) pelas ruas de Belo Horizonte. Foi discretamente barrado.

Não dá para o candidato com chance de vitória no primeiro turno aparecer ao lado dele", disse um dos coordenadores da campanha de Lacerda. Em sua avaliação, ele caiu justamente por apoiar a candidatura de Lacerda - uma articulação do prefeito petista Fernando Pimentel com o governador tucano Aécio Neves. De acordo com petistas ouvidos por ISTOÉ, Romênio atribui o vazamento da investigação a integrantes da corrente de esquerda Democracia Socialista e ao grupo da tendência moderada Articulação, do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, radicalmente contrários ao apoio dos tucanos.


"Ele (Romênio) pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna. Não há elemento que o incrimine." Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, diz que a iniciativa de retornar ou não à direção nacional do partido cabe unicamente ao próprio Romênio Pereira. "Ele pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna", disse Berzoini. "Não há elemento que o incrimine", diz Berzoini. O presidente do PT rechaça a possibilidade de proteção política a Romênio. "Não acredito nisso. Não há nenhuma intervenção política da nossa parte, nem poderia haver.

As investigações são autônomas. Não poderia haver qualquer intervenção indevida de nossa parte sem que isso não provocasse uma reação imediata de pessoas que estão conduzindo a investigação, na PF ou no Ministério Público", argumenta ele.

Na quinta-feira 11, a Polícia Federal alegou oficialmente que o suposto erro cometido na investigação poderá ser sanado porque a Operação João-de-Barro entrará agora numa segunda fase. Na primeira fase, diz a PF, buscou-se saber quem seriam os integrantes diretos da quadrilha. Agora, irá verificar quem se relacionava com ele e qual a dimensão desse relacionamento. Nesse sentido, Romênio voltaria a ser investigado. Em Minas Gerais, terra de Romênio e onde se centralizam as investigações, essa desculpa tem nome: "Conversa pra boi dormir". Afinal, agora Romênio sabe que está sendo investigado e, claro, não dirá ao telefone algo que o comprometa.

Procuradas por ISTOÉ, as autoridades envolvidas no caso evitaram comentários sobre a possibilidade de proteção política ao PT na Operação João-de-Barro. O ministro Cezar Peluso, que autorizou a escuta, informou que não se pronuncia a respeito de processos de sua responsabilidade, especialmente se correm em segredo de Justiça. Da mesma maneira se pronunciou o procurador Zilmar Antonio Drummond, do MPF, que pediu a escuta. De Genebra, na Suíça, o ministro da Justiça, Tarso Genro, a quem a PF é subordinada, disse que não tem "mais nada a dizer" sobre o caso, uma vez que a PF já se manifestou e a PF é um órgão do Ministério da Justiça.

A verdade, porém, é que, quando se trata de investigar petistas, a rapidez e o açodamento da Polícia Federal verificados na Operação Satiagraha dão lugar a omissões inexplicáveis. Romênio não é o único petista que pode escapar por conta de supostos erros na investigação João-de-Barro. O prefeito licenciado de Palmas, Raul Filho, que disputa a reeleição, também foi poupado do grampo telefônico. Documentos obtidos por ISTOÉ mostram como o prefeito teria agido para direcionar a licitação de uma obra de drenagem e pavimentação asfáltica na periferia de Palmas em favor do consórcio Prefisan/Compav. A obra, orçada em R$ 55 milhões, recebe recursos do PAC. Em troca do favor ao esquema, Raul Filho teria ganho de presente um aparelho de ginástica, no valor de R$ 9 mil, do mesmo esquema que supostamente estaria ligado a Romênio. Em um conversa interceptada pela polícia, fala- se também num pagamento de R$ 200 mil. Mas, embora os documentos apontem para a ação de Raul Filho em favor do consórcio, a polícia não colocou o nome do prefeito na lista das escutas solicitadas.

Anônimo disse...

A GESTAPO DO MULLA NA REPÚBLICA DOS LADRÕES E CHANTAGISTAS ALOPRADOS LULLANÁTICOS:

A blindagem de Romênio
A PF não avança nas investigações sobre o exsecretário nacional do PT acusado de participar de um esquema que desviou R$ 700 milhões

Rudolfo Lago - ISTOÉ - nas bancas.


INQUÉRITO A PF abriu um procedimento para saber por que seus agentes não cumpriram determinação judicial de grampear o ex-dirigente Romênio Pereira
Um procedimento administrativo foi aberto nos últimos dias na Polícia Federal, em Minas Gerais, para apurar as possíveis irregularidades cometidas na Operação João-de-Barro, esquema criminoso que desviou mais de R$ 700 milhões dos cofres do Orçamento da União, incluindo verbas do PAC. A alta cúpula da polícia quer saber se houve negligência ou desvio de conduta de agentes durante a investigação. O problema que bate às portas da PF é dar uma resposta convincente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou escutas telefônicas de Romênio Pereira, secretário nacional do PT, pedidas pelo Ministério Público mas não realizadas pela polícia, conforme revelou ISTOÉ na edição 2025. Nos relatórios, os investigadores justificaram que tecnicamente os grampos não puderam ser instalados na sede do PT porque a escuta acabaria bisbilhotando as conversas de mais de 200 pessoas.

O argumento, a princípio, não colou. Há quem diga que o que ocorreu na PF foi, de fato, um esquema de blindagem do petista. Oficialmente, a PF não comenta o caso e, laconicamente, diz que a operação está sob sigilo.

SUSPEITA Romênio Pereira acredita que seu apoio à aliança do PT com os tucanos na eleição municipal de Belo Horizonte tenha sido o motivo que levou adversários no partido a derrubá-lo da direção

Enquanto a PF investiga a PF, o exchefe petista leva uma vida quase "clandestina" no mundo partidário. Sem aparecer em público desde que as denúncias o catapultaram da cadeira de secretário nacional do partido, Romênio tem dedicado boa parte de seu tempo à procura dos desafetos que o teriam defenestrado. E aos poucos que freqüenta ele garante que vai voltar e vingar-se deles.

Mas sua situação não é tão boa como ele tem apregoado. Na última semana, Romênio anunciou que iria participar de uma caminhada ao lado do candidato Márcio Lacerda (PSB) pelas ruas de Belo Horizonte. Foi discretamente barrado.

Não dá para o candidato com chance de vitória no primeiro turno aparecer ao lado dele", disse um dos coordenadores da campanha de Lacerda. Em sua avaliação, ele caiu justamente por apoiar a candidatura de Lacerda - uma articulação do prefeito petista Fernando Pimentel com o governador tucano Aécio Neves. De acordo com petistas ouvidos por ISTOÉ, Romênio atribui o vazamento da investigação a integrantes da corrente de esquerda Democracia Socialista e ao grupo da tendência moderada Articulação, do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, radicalmente contrários ao apoio dos tucanos.


"Ele (Romênio) pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna. Não há elemento que o incrimine." Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, diz que a iniciativa de retornar ou não à direção nacional do partido cabe unicamente ao próprio Romênio Pereira. "Ele pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna", disse Berzoini. "Não há elemento que o incrimine", diz Berzoini. O presidente do PT rechaça a possibilidade de proteção política a Romênio. "Não acredito nisso. Não há nenhuma intervenção política da nossa parte, nem poderia haver.

As investigações são autônomas. Não poderia haver qualquer intervenção indevida de nossa parte sem que isso não provocasse uma reação imediata de pessoas que estão conduzindo a investigação, na PF ou no Ministério Público", argumenta ele.

Na quinta-feira 11, a Polícia Federal alegou oficialmente que o suposto erro cometido na investigação poderá ser sanado porque a Operação João-de-Barro entrará agora numa segunda fase. Na primeira fase, diz a PF, buscou-se saber quem seriam os integrantes diretos da quadrilha. Agora, irá verificar quem se relacionava com ele e qual a dimensão desse relacionamento. Nesse sentido, Romênio voltaria a ser investigado. Em Minas Gerais, terra de Romênio e onde se centralizam as investigações, essa desculpa tem nome: "Conversa pra boi dormir". Afinal, agora Romênio sabe que está sendo investigado e, claro, não dirá ao telefone algo que o comprometa.

Procuradas por ISTOÉ, as autoridades envolvidas no caso evitaram comentários sobre a possibilidade de proteção política ao PT na Operação João-de-Barro. O ministro Cezar Peluso, que autorizou a escuta, informou que não se pronuncia a respeito de processos de sua responsabilidade, especialmente se correm em segredo de Justiça. Da mesma maneira se pronunciou o procurador Zilmar Antonio Drummond, do MPF, que pediu a escuta. De Genebra, na Suíça, o ministro da Justiça, Tarso Genro, a quem a PF é subordinada, disse que não tem "mais nada a dizer" sobre o caso, uma vez que a PF já se manifestou e a PF é um órgão do Ministério da Justiça.

A verdade, porém, é que, quando se trata de investigar petistas, a rapidez e o açodamento da Polícia Federal verificados na Operação Satiagraha dão lugar a omissões inexplicáveis. Romênio não é o único petista que pode escapar por conta de supostos erros na investigação João-de-Barro. O prefeito licenciado de Palmas, Raul Filho, que disputa a reeleição, também foi poupado do grampo telefônico. Documentos obtidos por ISTOÉ mostram como o prefeito teria agido para direcionar a licitação de uma obra de drenagem e pavimentação asfáltica na periferia de Palmas em favor do consórcio Prefisan/Compav. A obra, orçada em R$ 55 milhões, recebe recursos do PAC. Em troca do favor ao esquema, Raul Filho teria ganho de presente um aparelho de ginástica, no valor de R$ 9 mil, do mesmo esquema que supostamente estaria ligado a Romênio. Em um conversa interceptada pela polícia, fala- se também num pagamento de R$ 200 mil. Mas, embora os documentos apontem para a ação de Raul Filho em favor do consórcio, a polícia não colocou o nome do prefeito na lista das escutas solicitadas.