segunda-feira, setembro 15, 2008

REPUBLICANO CRESCE E APARECE

Porcos à parte, na essência, estarão em choque duas concepções históricas e antagônicas a respeito de como deve ser gerido o Estado norte americano:de um lado, a defesa da liberdade econômica, a menor intervenção do Estado na sociedade e o conservadorismo nos costumes; do outro lado, o maior controle do Estado sobre a economia, a maior intervenção social e uma maior liberalismo em questões morais e de costumes. Mas na prática, nem sempre as coisas funcionam assim.
REPUBLICANO CRESCE E APARECE

Nos Estados Unidos, as recentes pesquisas eleitorais têm colocado o republicano John MacCain em ligeira vantagem sobre o democrata Barack Obama na corrida presidencial rumo à Casa Branca. Segundo alguns, esta superioridade ainda é reflexo da repercussão da Convenção Republicana e da indicação da governadora do Alaska, Sarah Palin,como candidata a vice; segundo outros, é a conseqüência do esgotamento da superexposição do democrata na mídia, nos últimos meses. O fato é que o que muitos analistas previam, a ascensão avassaladora de Barack Obama nas pesquisas após a vitória contra Hillary Clinton na Convenção do Partido Democrata, não tem acontecido.

Inicialmente, a candidatura de Obama se impôs em grande parte por representar osentimento anti-Bush, ou seja , o candidato capaz de fazer os americanos esquecerem as travessuras perpetradas por um dos piores – e mais azarentos - presidentes de sua História.Como se sabe, seus dois mandatos foram pontuados por gigantescos ataques terroristas, tragédias naturais, acidentes espaciais, e guerras dispendiosas e infrutíferas. Para terminar, uma crise econômica como há muito não se via no País. Em todos esses momentos, Bush não soube dar respostas à altura de um estadista, e , com isso teve a sua imagem definitivamente deteriorada.

Pela sua relativa juventude, pelo seu carisma, e muito menos pelo fato de ser negro, Obama se impôs, inicialmente, como o candidato capaz de exercer uma contraposição ao atual presidente, deixando para os republicanos o ônus da defesa de um governante tão impopular. MacCain tem sabido escapar dessa armadilha e procura manter uma boa distância de Bush ao impor a sua própria agenda e abordar os pontos que realmente interessam ao eleitor: a diminuição dos impostos, o apoio à livre iniciativa e a redução da excessiva intervenção do Estado na vida dos cidadãos.

Para compensar a fama de ser um republicano muito liberal para os padrões do partido, e garantir o voto da maioria do eleitorado conservador, o candidato parece ter acertado o alvo ao convidar uma mulher com fama de conservadora para compor a sua chapa. Agradou a gregos – os que defendiam a presença feminina como meio de capturar eleitores desiludidos com a derrota de Hillary Clinton – e troianos –os que achavam que faltava à chapa republicana um molho mais conservador. O fato é que Obama parece ter sentido o impacto, e, na semana passada, deixando de lado o seu lado cavalheiresco, progressista e politicamente correto, comparou a companheira de chapa de MacCain a um porco: “Você pode passar baton em um porco, e ele continuará a ser um porco”, afirmou o democrata, sob aplausos da platéia.

Porcos à parte, na essência, estarão em choque duas concepções históricas e antagônicas a respeito de como deve ser gerido o Estado norte americano:de um lado, a defesa da liberdade econômica, a menor intervenção do Estado na sociedade e o conservadorismo nos costumes; do outro lado, o maior controle do Estado sobre a economia, a maior intervenção social e uma maior liberalismo em questões morais e de costumes. Mas na prática, nem sempre as coisas funcionam assim. Tivemos presidentes democratas que se mostraram extremamente duros sob o ponto de vista político e republicanos que se mostraram bastante liberais.

A ambos os candidatos não interessa apenas garantir o eleitorado cativo de seus respectivos partidos. É preciso conquistar os eleitores indecisos. O democrata, por exemplo, terá que convencer o eleitor de que não irá estourar o orçamento com políticas de pretensa ajuda aos mais pobres, nem retirar abruptamente as tropas norte americanas no Iraque, deixando o pais entregue aos aliados do Irã ou da Al Qaeda.O republicano terá que convencer de que não vai esvaziar o tesouro e dobrar os impostos por conta da manutenção de guerras inúteis ao redor do mundo. Acima de tudo, ambos terão que convencer o eleitorado indeciso de que serão capazes de recompor a economia norte americana.

No campo das propostas e das idéias tem prevalecido o vazio. Mesmo assim, MacCain tem conseguido levar uma ligeira vantagem sobre a imprecisão e as generalidades de Obama. Num país que tem funcionado em sua plenitude, o instinto conservador da sociedade costuma falar mais alto do que o desejo de mudanças. Habilmente, tem construído a imagem de político experiente, com uma biografia emoldurada pela fama de herói de guerra, cujo patriotismo não pode ser colocado em cheque,e, portanto, capaz de dar continuidade das conquistas da Nação norte americana.

Por mais conservador que Barck Obama tente parecer, o que prevalece em grande parte do eleitorado é a imagem do político relativamente jovem, negro – e aí pesa uma carga de preconceito racial ainda existente na sociedade – inexperiente, e, portanto, sob o risco de meter o país em alguma aventura. Daí, talvez, a razão da ligeira superioridade do republicano nas pesquisas de opinião.

É claro que esta análise é um retrato do momento, e os próximos passos de ambos, especialmente os debates na TV, é que vão nortear o futuro da campanha e decidir a disputa. De qualquer modo, o impacto inicial da candidatura do jovem democrata arrefeceu-se, e o público norte americanos tem assistido nas últimas semanas o crescimento lento , gradual e contínuo do velho republicano.
140908

7 comentários:

Nick disse...

Obama representa a atitude reacionária dos ultraesquerdistas, que pregam a interferência do estado na vida de todas as pessoas, sob a hipócrita e mentirosa carcaça de "liberdades individuais". Se estão perdendo, nos EUA, pouparão o mundo todo também de sua presença.

LEO rODRIGUES disse...

Obama tomou a decisão certa, atacar MacCain é a única maneira de ganhar a eleição. Até agora no colégio eleitoral, ou seja no número de delegados estaduais os dois estão empatados. Mrs. Palin é por enquanto só uma febre, e Deus queira que ela não venha a se tornar uma gangrena a nível mundial. A campanha de MacCain mira o eleitor sem instrução, que vive na chamada "américa profunda", que não pensa e só sabe mesmo ser uma amebaSe é pra livrar o mundo dessa corja assassina então que Obama vá lutar na lama que os republicanos adoram viver. A eleição por hora está empatada e os dois lados podem vencer, mas como ainda faltam cinquenta dias para o pleito, cantar vitória é no mínimo uma demonstração de imbecilidade e estupidez, mas cada um vive como lhe convem.

Rosena disse...

Olá Fernando- O MacCain realmente vinha crescendo e aparecendo pq sua proposta é menos demagogiaca do que a de Barack. Mas eu cho que essa crise financeira vai prejudicar a candidatura republicana e beneficiar Barck. O que vc acha?

Arquivo de Artigos disse...

Fernando Soares, parabéns pelo blog.Faça-nos uma visita.

Anônimo disse...

ENQUANTO ISSO AQUI NA REPÚBLICA DOS LADRÕES ALOPRADOS LULLANÁTICOS:


A blindagem de Romênio -
A PF não avança nas investigações sobre o exsecretário nacional do PT acusado de participar de um esquema que desviou R$ 700 milhões

Rudolfo Lago - ISTOÉ - nas bancas.


INQUÉRITO A PF abriu um procedimento para saber por que seus agentes não cumpriram determinação judicial de grampear o ex-dirigente Romênio Pereira
Um procedimento administrativo foi aberto nos últimos dias na Polícia Federal, em Minas Gerais, para apurar as possíveis irregularidades cometidas na Operação João-de-Barro, esquema criminoso que desviou mais de R$ 700 milhões dos cofres do Orçamento da União, incluindo verbas do PAC. A alta cúpula da polícia quer saber se houve negligência ou desvio de conduta de agentes durante a investigação. O problema que bate às portas da PF é dar uma resposta convincente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou escutas telefônicas de Romênio Pereira, secretário nacional do PT, pedidas pelo Ministério Público mas não realizadas pela polícia, conforme revelou ISTOÉ na edição 2025. Nos relatórios, os investigadores justificaram que tecnicamente os grampos não puderam ser instalados na sede do PT porque a escuta acabaria bisbilhotando as conversas de mais de 200 pessoas.

O argumento, a princípio, não colou. Há quem diga que o que ocorreu na PF foi, de fato, um esquema de blindagem do petista. Oficialmente, a PF não comenta o caso e, laconicamente, diz que a operação está sob sigilo.

SUSPEITA Romênio Pereira acredita que seu apoio à aliança do PT com os tucanos na eleição municipal de Belo Horizonte tenha sido o motivo que levou adversários no partido a derrubá-lo da direção

Enquanto a PF investiga a PF, o exchefe petista leva uma vida quase "clandestina" no mundo partidário. Sem aparecer em público desde que as denúncias o catapultaram da cadeira de secretário nacional do partido, Romênio tem dedicado boa parte de seu tempo à procura dos desafetos que o teriam defenestrado. E aos poucos que freqüenta ele garante que vai voltar e vingar-se deles.

Mas sua situação não é tão boa como ele tem apregoado. Na última semana, Romênio anunciou que iria participar de uma caminhada ao lado do candidato Márcio Lacerda (PSB) pelas ruas de Belo Horizonte. Foi discretamente barrado.

Não dá para o candidato com chance de vitória no primeiro turno aparecer ao lado dele", disse um dos coordenadores da campanha de Lacerda. Em sua avaliação, ele caiu justamente por apoiar a candidatura de Lacerda - uma articulação do prefeito petista Fernando Pimentel com o governador tucano Aécio Neves. De acordo com petistas ouvidos por ISTOÉ, Romênio atribui o vazamento da investigação a integrantes da corrente de esquerda Democracia Socialista e ao grupo da tendência moderada Articulação, do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, radicalmente contrários ao apoio dos tucanos.


"Ele (Romênio) pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna. Não há elemento que o incrimine." Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, diz que a iniciativa de retornar ou não à direção nacional do partido cabe unicamente ao próprio Romênio Pereira. "Ele pediu uma licença; quando quiser retornar, retorna", disse Berzoini. "Não há elemento que o incrimine", diz Berzoini. O presidente do PT rechaça a possibilidade de proteção política a Romênio. "Não acredito nisso. Não há nenhuma intervenção política da nossa parte, nem poderia haver.

As investigações são autônomas. Não poderia haver qualquer intervenção indevida de nossa parte sem que isso não provocasse uma reação imediata de pessoas que estão conduzindo a investigação, na PF ou no Ministério Público", argumenta ele.

Na quinta-feira 11, a Polícia Federal alegou oficialmente que o suposto erro cometido na investigação poderá ser sanado porque a Operação João-de-Barro entrará agora numa segunda fase. Na primeira fase, diz a PF, buscou-se saber quem seriam os integrantes diretos da quadrilha. Agora, irá verificar quem se relacionava com ele e qual a dimensão desse relacionamento. Nesse sentido, Romênio voltaria a ser investigado. Em Minas Gerais, terra de Romênio e onde se centralizam as investigações, essa desculpa tem nome: "Conversa pra boi dormir". Afinal, agora Romênio sabe que está sendo investigado e, claro, não dirá ao telefone algo que o comprometa.

Procuradas por ISTOÉ, as autoridades envolvidas no caso evitaram comentários sobre a possibilidade de proteção política ao PT na Operação João-de-Barro. O ministro Cezar Peluso, que autorizou a escuta, informou que não se pronuncia a respeito de processos de sua responsabilidade, especialmente se correm em segredo de Justiça. Da mesma maneira se pronunciou o procurador Zilmar Antonio Drummond, do MPF, que pediu a escuta. De Genebra, na Suíça, o ministro da Justiça, Tarso Genro, a quem a PF é subordinada, disse que não tem "mais nada a dizer" sobre o caso, uma vez que a PF já se manifestou e a PF é um órgão do Ministério da Justiça.

A verdade, porém, é que, quando se trata de investigar petistas, a rapidez e o açodamento da Polícia Federal verificados na Operação Satiagraha dão lugar a omissões inexplicáveis. Romênio não é o único petista que pode escapar por conta de supostos erros na investigação João-de-Barro. O prefeito licenciado de Palmas, Raul Filho, que disputa a reeleição, também foi poupado do grampo telefônico. Documentos obtidos por ISTOÉ mostram como o prefeito teria agido para direcionar a licitação de uma obra de drenagem e pavimentação asfáltica na periferia de Palmas em favor do consórcio Prefisan/Compav. A obra, orçada em R$ 55 milhões, recebe recursos do PAC. Em troca do favor ao esquema, Raul Filho teria ganho de presente um aparelho de ginástica, no valor de R$ 9 mil, do mesmo esquema que supostamente estaria ligado a Romênio. Em um conversa interceptada pela polícia, fala- se também num pagamento de R$ 200 mil. Mas, embora os documentos apontem para a ação de Raul Filho em favor do consórcio, a polícia não colocou o nome do prefeito na lista das escutas solicitadas.

Anônimo disse...

Eis aqui: Diogo anteviu tudo!
Pois é.
No podcast do dia 25 de março, Diogo deu o caminho das pedras para entender á guerra de facções do petismo. Seguem um trecho e link para ouvir íntegra:

Agora só o PT pode destruir o PT
Eu recomendo o blog de Paulo Henrique Amorim. Mas é preciso saber ler direito. Nos últimos anos, ele se transformou num agente da ala trotskista do PT, cujo mentor é Luiz Gushiken. O plano da ala trotskista do PT era reestatizar a telefonia com o dinheiro dos fundos e do BNDES. A Telemar está abocanhando a Brasil Telecom, mas seu comando será entregue aos grandes financiadores de Lula e de seus filhos, em sociedade com Daniel Dantas. Para quem está do lado de fora, é uma farra acompanhar a guerra entre os companheiros petistas. O Brasil está completamente rendido. Agora só o PT pode destruir o PT.
Para ouvir, clique aqui



Por Reinaldo Azevedo

Anônimo disse...

Enquanto isso, no Brasil sem Lei do Lulla-PTóquio-Aloprado e seus lullanático temos a República da Grampolêndia.

Vejam:


À CPI, Jobim confirma que maletas da Abin são capazes de fazer escuta
GABRIELA GUERREIRO - da Folha Online, em Brasília - 17/09/2008 - 15h22

O ministro Nelson Jobim (Defesa) reiterou nesta quarta-feira em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara que recebeu a informação de que as maletas compradas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em conjunto com o Exército para a execução de varreduras ambientais têm capacidade para realizar grampos telefônicos.
Jobim disse, porém, que as Forças Armadas não têm aparelhos com capacidade para realizar escutas --uma vez que as maletas foram compradas exclusivamente para o uso da Abin, que não tem autonomia para comprar os aparelhos e, por isso, precisou do apoio do Exército.
"Eram três instrumentos [de varreduras], um deles feito junto à comissão de compras do Exército em Washington. Havia informações de que esses instrumentos tinham condições de fazer interceptação. Depois vieram notícias da participação da Abin no caso. O Exército não comprou para si, mas a pedido do GSI esses instrumentos. A informação que eu tinha é que isto viabilizava interceptação", disse Jobim.
O ministro reiterou que foi informado pelo próprio Exército de que as maletas têm capacidade de realizar escutas, mas ressaltou que o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Jorge Felix, ficou de posse do material para checar se realmente tem condições de fazer grampos.
Felix negou publicamente que as maletas tenham condições de executar grampos, o que acabou deixando os dois ministros com versões distintas sobre os equipamentos. Jobim disse que a Abin não tem competência para realizar escutas telefônicas, como proibido pela Constituição Federal.
"Durante reunião com o presidente Lula, eu disse que não competia à Abin esse tipo de participação. A função da Abin não está distante dos processos criminais, mas as investigações de crime comum são competência da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça. Não haveria justificativa para a participação da Abin nesse tipo de atividade."
Depoimento
O depoimento de Jobim à CPI das Escutas Clandestinas estava marcado para a semana passada, mas o ministro adiou sua ida à comissão com o argumento de que precisava acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem a Coari (AM).
Jobim, porém, acabou não participando da viagem devido a uma crise alérgica. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a estratégia do Palácio do Planalto foi tirar o ministro do foco da CPI em meio à dupla versão sobre as maletas apresentadas por Jobim e pelo ministro-chefe do GSI.