sexta-feira, setembro 26, 2008

CAPITALISMO E CRISE

"Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu próprio auto-interesse". Essa famosa frase de Adam Smith sintetiza e ilustra o princípio motor do capitalismo. Deixadas livres, sem interferência dos governos, as forças do mercado promoveriam o bem-estar dos indivíduos e da coletividade. A mão invisível guiaria a ação dos indivíduos e, ao fim e ao cabo, cada um aumentaria o seu bem-estar e promoveria o bem comum. Mas a realidade não funciona exatamente como pensava o autor de "A Riqueza das Nações". O mercado não é entidade onisciente e onipotente. O mercado falha e falha redondamente, tanto é assim que há crises. Marx foi, por certo, quem melhor compreendeu a complexa relação de forças do capitalismo. Crises são inerentes à dinâmica do sistema.
É aí que entra o Estado. Não lhe cabe apenas garantir a ordem e a segurança contra os inimigos externos. Garantir a estabilidade macro-econômica e minimizar falhas e imperfeições de mercado são também suas funções. Tivesse o Federal Reserve Bank deixado de socorrer os bancos norte-americanos com linhas de crédito e empréstimos-ponte, quando a bolha do mercado imobiliário explodiu há um ano atrás, as conseqüências da crise teriam sido devastadoras. O FED impediu a quebra do Bearn Stearns e agora resgatou a AIG, a maior seguradora norte-americana, para impedir que o restante da economia fosse duramente atingido e para que investidores, rentistas e aposentados não vissem suas poupanças irem pelo ralo. No "crack" da bolsa em 1929, o banco central americano não interveio. O país entrou em depressão, o desemprego beirou 30% da força de trabalho e a sociedade americana ficou mais pobre. Os mais pobres tornaram-se miseráveis. Os Estados Unidos só saíram da crise com o New Deal, um vasto programa público lançado por Roosevelt, que aumentou a demanda e tirou a economia do buraco. Intervir para evitar risco sistêmico, como agora nos Estados Unidos, ou como no caso que levou ao Proer, no Brasil, é uma coisa.

Intervir para salvar empresas, quando o impacto para a sociedade não é tão grave, equivale a garantir o lucro e instituir o capitalismo sem risco. Houve tempo no Brasil em que o Estado funcionava como um hospital de empresas. Felizmente, esse tempo ficou para trás. O governo Lula, cujos pendores pró Estado são inegáveis, recusou-se a socorrer a Varig e a deixou falir. Fez certo, como certo também agiu o governo FHC quando instituiu o Proer, para impedir a quebra de bancos e evitar uma crise de confiança no sistema bancário. A decisão do FED e do Tesouro americano pode parecer estranha, mas não é absurda e não significa a derrota do capitalismo ou a volta aos tempos do Estado intervencionista e onipotente. O mercado falha e capitalismo e crise não são antípodas. Ao contrário, costumam andar juntos ou próximos. Cabe ao Estado o esforço para que a sociedade ou parte grande dela não pague preço excessivamente elevado para equilibrar de novo o sistema.

Luis Aureliano / O Tempo (http://www.otempo.com.br/otempo/colunas)

11 comentários:

Anônimo disse...

AO POVO O QUE É DO POVO:

O caso de fraude das milhas do senador petista traz à pauta de discussão um antigo e esquecido assunto: o fato de que políticos e funcionários públicos creditam em suas contas pessoais os pontos obtidos com passagens pagas pelos órgãos aos quais são vinculados. Na prática, ao viajar com uma passagem paga com dinheiro público, senadores, deputados, secretários, ministros e funcionários públicos em geral acumulam os pontos que posteriormente podem ser revertidos em passagens gratuitas para uso pessoal.

Apesar de a prática acontecer em todas as esferas de poder, há três projetos solitários na pauta das comissões da Câmara dos Deputados. Todas as propostas propõem que os órgãos recebam as milhas decorrentes dos bilhetes aéreos comprados com verba pública. Uma delas, a qual foram apensadas as outras duas, aguarda pela análise da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara desde maio do ano passado.

Anônimo disse...

ESPORTE PTralha:


O ministro do Esporte do Mulla foi duramente criticado por relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), com alegações do ministro Marcos Vinicios Vilaça. Relator do documento, que detectou custos exagerados na organização dos Jogos Pan-americanos do ano passado - Acórdão nº 2101/2008, de 24 de setembro de 2008, do Tribunal de Contas da União, sobre o acompanhamento de ações e obras relacionadas aos 15º Jogos Pan-americanos e 3º Jogos Parapan-americanos Rio 2007..
O gasto total utilizado foi estimado em 3,3 bilhões de reais no Pan (bem acima dos 523,84 milhões previstos no orçamento inicial).
O Ministério do Esporte deve prestar esclarecimentos às solicitações do TCU de apresentar, em 30 dias, maiores detalhes sobre o contrato de supervisão e fiscalização das obras no Complexo de Deodoro, além da prestação de contas para a reforma e adaptação do Complexo Esportivo do Maracanã, construção do Parque Aquático, aquisição e montagem da pista do Velódromo e obras de infra-estrutura da Vila Pan-americana.

Anônimo disse...

GESTAPO DO LULLA-LALAU-PTÓQUIO:


Confundir para não explicar: A sucessão de contradições entre ministros, Abin e Polícia Federal é o caminho mais curto para evitar a identificação e a punição dos responsáveis pelos grampos ilegais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em por fim à crise deflagrada com as escutas telefônicas ocorridas durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, com a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na terça-feira 16, Lula promoveu uma discreta homenagem ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, uma das vítimas dos grampos ilegais. Além de Lula e de Gilmar Mendes, estiveram presentes em um jantar oferecido pelo governo na casa do advogado- geral da União, Antônio Toffoli, os ministros Tarso Genro, da Justiça, Dilma Rousseff, da Casa Civil, e o chefe de gabinete Gilberto Carvalho. Do STF, participaram Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carlos Brito e Carlos Alberto Direito. O empenho do presidente, no entanto, não tem encontrado ressonância entre seus principais auxiliares nas áreas de informação e inteligência. Diretores da PF e da Abin, assim como os ministros Nelson Jobim, da Defesa,e o general Jorge Armando Felix, do Gabinete da Segurança Institucional, continuam protagonizando uma série de contradições e de meias verdades que contribuem apenas para dificultar a identificação e a punição dos responsáveis pelas escutas ilegais.
Na quarta-feira 17, em depoimento à CPI do Grampo, o ministro Nelson Jobim recuou. Há duas semanas, ele confrontou o general Felix e afirmou, na presença do presidente Lula, que a Abin havia comprado junto com o Exército maletas capazes de fazer escutas ambientais e telefônicas. Diante da CPI, Jobim condenou o fato de a Abin ter participado da Operação Satiagraha e apresentou aos parlamentares apenas um manual do equipamento retirado da internet. Feito o recuo, o ministro voltou baterias contra a imprensa e, na maior prova de que o boi que estava na linha do Supremo mudou de lugar, sugeriu a reformulação na legislação que garante aos jornalistas o sigilo de suas fontes.
O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), afirmou que vai remeter os equipamentos da Abin para nova perícia, na Unicamp.
Na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência do Congresso, Paulo Lacerda, diretor afastado da Abin, e Luiz Fernando Correa, diretor da PF, voltaram a divulgar versões contraditórias. Lacerda, que início da crise, negava a participação da Abin, recuou de vez. "Dentro da Abin houve a solicitação para que agentes participassem da Satiagraha", assumiu. "Se na PF isso não ocorreu, eu lamento", afirmou minutos depois de Correa dizer ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI) que na PF não havia nenhuma informação sobre a participação da Abin na operação. O ministro Jorge Felix, mais uma vez desempenhou o papel do desinformado. "Acompanho as operações e não as cooperações", afirmou. O problema é que o ex-agente do SNI, aposentado pela Abin, Francisco Ambrósio Nascimento, confirmou que fazia ponte entre o delegado Protógenes Queiroz e os mais de 50 agentes da Abin. "Ajudei fazendo a separação de e-mails, mas não fiz grampos", afirmou Ambrósio. A participação do espião na operação foi revelada por ISTOÉ há duas semanas.
Com isso, fica claro que se o general não estiver mentindo, ele não acompanhou nem a operação e nem a cooperação. O boi que saiu da linha para entrar no grampo incomoda ainda mais o STF. "Essa parceria formal ou não entre a PF e a Abin é um risco à democracia e à cidadania", disse o ministro Gilmar Mendes. "A Constituição determina que a Polícia Federal é a polícia judiciária do País e não a Abin. Será que querem criar um super Serviço Nacional de Informações?", questiona o presidente do STF.

Anônimo disse...

O Brasil primitivo
A GRAMPOLÂNDIA E A MISSÃO
O presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência, Nery Kluwe, confirmou que os agentes da Abin envolvidos na Operação Satiagraha tiveram em mãos escutas telefônicas – não sabe ele se legais, ilegais ou os dois tipos – que eram transcritas e transformadas em relatórios secretos. Ele, no entanto, diz que os agentes não fizeram nada de ilegal e que foram enganados pelos superiores:
Qual foi a exata dimensão da participação dos agentes da Abin na Operação Satiagraha?
Nossos profissionais foram envolvidos numa investigação acreditando que era uma missão presidencial. O presidente da República está resgatando nossa dignidade profissional. Nada mais natural, portanto, que houvesse uma empolgação dos agentes com a missão. Mas, ao que parece, a missão era uma coisa pessoal e nada tinha a ver com o presidente.
O que você quer dizer com missão presidencial?
Os companheiros que participaram me disseram que receberam a tarefa como uma missão presidencial. Houve uma reunião em Brasília no fim do ano passado, com a presença de alguns diretores da agência, em que foi dito que nossa atuação na investigação da polícia era necessária para atender a uma ordem do presidente da República.
Por Expedito Filho e Policarpo Jr em A Abin manuseou escutas telefônicas

Anônimo disse...

O Brasil primitivo do Mulla:
A GRAMPOLÂNDIA E A MISSÃO ->
O presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência, Nery Kluwe, confirmou que os agentes da Abin envolvidos na Operação Satiagraha tiveram em mãos escutas telefônicas – não sabe ele se legais, ilegais ou os dois tipos – que eram transcritas e transformadas em relatórios secretos. Ele, no entanto, diz que os agentes não fizeram nada de ilegal e que foram enganados pelos superiores:
Qual foi a exata dimensão da participação dos agentes da Abin na Operação Satiagraha?
Nossos profissionais foram envolvidos numa investigação acreditando que era uma missão presidencial. O presidente da República está resgatando nossa dignidade profissional. Nada mais natural, portanto, que houvesse uma empolgação dos agentes com a missão. Mas, ao que parece, a missão era uma coisa pessoal e nada tinha a ver com o presidente.
O que você quer dizer com missão presidencial?
Os companheiros que participaram me disseram que receberam a tarefa como uma missão presidencial. Houve uma reunião em Brasília no fim do ano passado, com a presença de alguns diretores da agência, em que foi dito que nossa atuação na investigação da polícia era necessária para atender a uma ordem do presidente da República.
Por Expedito Filho e Policarpo Jr em A Abin manuseou escutas telefônicas

Leia mais em VEJA!

Anônimo disse...

Brasil « voltar




Espionagem
Agente da Abin admite grampo
27 de Setembro de 2008

O funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e presidente da associação dos servidores do órgão, Nery Klue, admite que ele e seus colegas manusearam grampos telefônicos e mensagens eletrônicas de várias autoridades de Brasília. A revelação, feita a VEJA por Klue e descrita em uma reportagem da presente edição da revista, confirma o envolvimento de agentes da Abin com escutas clandestinas, muitas delas feitas para a operação Satiagraha da Polícia Federal.

Encarregado de analisar o material resultante destes grampos, Klue conta que as escutas chegavam em CDs, eram transcritas e transformadas em relatórios de inteligência. Depois, o material era encaminhado aos chefes dos respectivos setores. O grampo ilegal que captou uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e o senador de Goiás Demóstenes Torres, revelado por VEJA há um mês, percorreu todos estes estágios de produção dentro da agência. No entanto, ele foi descartado, porque não havia na conversa nada de relevante – nem para a investigação da Satiagraha nem para consumo interno da Abin. Os outros – e havia muitos outros – viraram relatórios de inteligência.

A escutas telefônicas circularam pelos gabinetes da Abin em Brasília e São Paulo. Kluwe confirma que, de fato, os agentes do órgão manipularam escutas telefônicas, mas que não cabia a eles questionar se elas eram legais ou não. Como a missão era oficial, subentendia-se que os grampos tinham origem em autorizações judiciais. Segundo ele, apesar da operação ter sido completamente atípica, os agentes da Abin acreditavam estar participando de uma missão oficial.

“Eles foram chamados para supostamente cumprir uma missão de interesse do presidente da República”, diz. A tal ordem de missão, de acordo com o representante dos agentes da Abin, foi repassada pelo ex-diretor-adjunto da agência, José Milton Campana, afastado pelo presidente Lula depois da eclosão do escândalo. A se confirmar isso, os dirigentes da Abin cometeram um delito ainda mais preocupante. Além de atuar nas sombras, interceptando ilegalmente telefones de autoridades, também teriam usado o nome do presidente da República para dar legitimidade às operações clandestinas.

A Abin nunca admitiu o envolvimento de seus agentes com escutas. Apesar da gravidade, a depender das investigações do governo, é pouco provável que as ações ilegais dos arapongas sejam desnudadas. Entenda por que na íntegra da reportagem da revista VEJA(exclusiva para assinantes).

Anônimo disse...

PTralhas são todos iguais: aloprados, analfabetos, manipuladores, mentirosos, franco-atiradores, besta-fera, malucos, infiltradores, dedo-duro, chantagistas, ditadores, cerceadores da liberdade alheia, incomPTentes, inePTos, inescrupulosos, injustos, querem a lei manipuladas pra si e injusta aplicadas a seus adversários, odeiam democracia, etc. Vai um exemplo abaixo:


Tarso e a liberdade de imprensa
O ministro da Justiça, Tarso Genro, é capaz de muitos prodígios. Vejamos:

"Quanto te esperei e quanto sêmen
inútil derramei até o momento"

São versos de sua autoria, feitos com as próprias mãos. Na prosa, ele também deixa a imaginação correr solta. Um de seus livros chama-se Lênin, Coração e Mente. Como já observe aqui, nunca ninguém tinha achado antes coração no assassino contumaz, de mente obviamente perturbada. Tarso achou. Talvez se referisse ao fuzilamento da família imperial, incluindo as crianças — sabem como é: o humanismo revolucionário se faz é na base da bala. Ou aos milhões de mortos do regime que ele criou.

A VEJA desta semana traz um texto de Fábio Portela sobre o projeto que o valente enviou ao Congresso. Ele pune com cadeia o jornalista que divulgar o conteúdo de grampo. Tarso acha que o negócio é cortar a cabeça do mensageiro. Já escrevi a respeito dessa bobagem e expliquei por que isso é inconstitucional. Ocorre que Tarso não se emenda. Informa VEJA: “Para Genro, a democracia jamais será boa o suficiente sem uma pitada de ditadura. ‘Uma sociedade humanizada só será realizada na sua plenitude quando o engenho humano unificar democracia e socialismo’, escreveu ele em março, em artigo destinado a rever o ‘legado de Lênin’, o tirano bolchevique, teórico e prático do terror como um braço do estado."

Pois é... Tarso é autor ainda destes versos, cheios de graça infantil:

"A vovó Cacilda parecia uma patinha
e a vovó Julica elétrica e risonha
conversava com lagartos"

E o neto, como se constata, conversa com os dinossauros.


Por Reinaldo Azevedo

Anônimo disse...

PACderme ou Parou Antes de Começar = PAC:


PAC segue devagar. E agora enfrenta a crise
Por Lu Aiko Otta, no Estadão:
Um ano e nove meses depois de lançado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) segue numa velocidade menor do que a determinada pelo próprio governo e com uma ameaça no horizonte: a redução dos recursos disponíveis, em razão da crise financeira internacional. Até o balanço do programa está atrasado. Se fosse mantido o calendário tradicional, teria sido divulgado em 20 de setembro. Dessa vez, o balanço só será apresentado após as eleições.
A própria "gerente" do PAC, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vem se desdobrando em aparições em campanhas políticas Brasil afora. Outros ministros ligados ao PAC têm a agenda igualmente ocupada. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tirou uma curta licença para concentrar-se nas eleições de seu Estado, o Maranhão. Ainda assim, na última quinta-feira houve uma reunião para avaliar o andamento do PAC nas rodovias.
Grandes obras previstas no programa estão fora do prazo. É o caso da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). Pelo balanço do PAC divulgado em abril, o relatório de impacto ambiental da obra deveria ter sido entregue ao Ibama até 31 de julho. Mas, segundo o órgão ambiental, a documentação não foi entregue no prazo.

Sergio disse...

Gostei do artigo. TB acho que muita gente, principalmente da esquerda frustrada, deve ter comemorado o fim do capitalismo. Bobagem. Capitalismo é assim mesmo e está sujeito a crises. Em casos como este, não vejo mal no governo tentar salvar as instituições. Piuor seria deixar tudo explodir como em 1929.

Anônimo disse...

ESSA PESQUISA SOBRE A POPULARIDADE DO MULLA DIVULGADA É MENTIROSA. BASTA QUALQUER PESSOA FAZER UMA PESQUISA COM SEUS CONHECIDO PARA VER A GRANDE MENTIRA.

POR OUTRO LADO, LULLA-LALAU-PTÓQUIO E SEU BANDO ESTÃO ROUBANDO O BRASIL:


TCU recomenda a paralisação de 48 obras:

Lúcio Vaz - Correio Braziliense e Noelle Oliveira - publicação: 30/09/2008 -

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta terça-feira (30/09) recomedações de obras a serem paralisadas devido à presença de graves irregularidades. Ao todo, 48 obras com orçamento total de 1,51 bilhão integram a lista. Entre as recomendações, 13 obras são do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e representam orçamento de 1,15 bilhão. A listagem inclui, ainda, 20 obras de rodovias, oito hídricas e quatro aeroportos. Além das sugestões de paralisação, o tribunal listou 12 obras que sofrerão retenção de recursos devido a irregularidades, o que soma uma economia de 2,8 bilhões. Nesse segundo caso, a maior parte das obras são rodoviárias, no valor total de 1 bilhão.

A recomendação do TCU foi feita ao Congresso Nacional, que então decidirá pela paralisação ou não das obras. Em 2007, o tribunal determinou a paralisação de 77 obras. Este ano, das 153 obras fiscalizadas, apenas 15 não tinham ressalvas.


Veja as 13 obras do PAC que estão na lista de recomendações do TCU

Obra/Órgão/Irrregularidade

Canal Adutor do Sertão Alagoano (AL) / Integração Nacional / Superfaturamento, reajustamento irregular, sobrepreço

Terminal de passageiros no aeroporto de Macapá (AP)/ Infraero/ Pagamento de serviços não realizados, irregularidades na administração do contrato

Implantação do Terminal de Pecém (CE) /Petrobrás / Sobrepreço

Terminal de passageiros no aeroporto de Vitória (ES)/ Infraero/ Execução e pagamento de serviços não previstos no contrato

Construção da barragem Berizal (MG) / Dnocs/ Irregularidades graves no aspecto ambiental

Adequação de trechos na BR-381, Antônio Dias - Nova Era (MG)/ Dnit / Subcontratação irregular de contrato, superfaturamento, irregularidades na administração do contrato

Construção de trechos na BR-265 Divisa RJ - Ilicinéia - Divisa SP (MG) / Dnit / Irregularidades ambientais e na administração do contrato

Construção de trechos na BR-163, Divisa MT - Santarém (PA) / Dnit / Superfaturamento, contratação sem licitação regular

Construção de trecho na BR-230, Marabá -Altamira -Itaituba (PA)/ Dnit / Superfaturamento, acréscimo do valor acima do limite legal, contratação sem regular licitação

Melhoramentos no aeroporto Santos Dumont (RJ) / Infraero/ Alterações indevidas de projetos e especificações

Restauração de rodovias em Roraima (RR) / Dnit / Projeto básico deficiente, alterações indevidas de projetos, má qualidade dos serviços

Adequação de trechos na BR-101, em Osório (RS) / Dnit / Acréscimo contratual acima do limite legal

Construção de terminal de passageiros no aeroporto de Guarulhos (SP) / Infraero / Sobrepreço, projeto básido deficiente, irregularidades na licitação.

LADRÃOS NO PODER!

Anônimo disse...

Gilmar Mendes alerta para a ''República da polícia''
Por Fausto Macedo, no Estadão:
O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a advertir ontem, após conferência em São Paulo sobre os 20 anos da Constituição, para os riscos do que chamou de "república da polícia, república do juiz, do promotor". Em sua cruzada contra abusos de investigações patrocinadas por órgãos oficiais sob o manto do combate ao crime organizado e à corrupção, ele incluiu em seu libelo excessos e desobediências de comissões parlamentares de inquérito.
"Já tivemos exemplos em que havia um consórcio entre Ministério Público e um dado juiz e a partir daí se imaginava que se tinha fundado uma república. Vivemos isso em algum momento. Agora, em tempos mais recentes, temos vivido um tipo de república da polícia e também, às vezes, o consórcio com juiz e promotor."
Mendes reiterou a necessidade de enfrentar a "ditadura do grampo telefônico". "Aqui talvez seja um processo de devido controle dos principais setores envolvidos, seja o próprio Judiciário, o próprio Ministério Público, mas aí são dissintonias que não têm nenhum significado no sistema macro estrutural da Constituição. São questões que podem ser corrigidas sem nenhuma alteração constitucional. Uma mera alteração legislativa, às vezes, ou uma mera reinterpretação por parte do Judiciário já pode fazer essas correções." Ele condenou "tribunais de exceção" e as seguidas incursões de segmentos da máquina pública pela soberania.