terça-feira, setembro 02, 2008

BOLHA DE SABÃO

Os que enxergam a realidade, tal como ela é, costumam ser considerados pessimistas, especialmente num momento em que o governo alcança altos índices de popularidade e se permite a uma autopromoção como nunca antes vista. Acreditando ter encontrado a fórmula mágica do sucesso político, e certo de que irá fazer o seu sucessor em 2010, Lula tende a multiplicar por mil as conquistas sociais e econômicas do seu segundo mandato. Conta com o entusiasmo ingênuo da maioria pobre da população, e a passividade da outra parcela, justamente a mais prejudicada pela atual política.


BOLHA DE SABÃO

O verdadeiro desenvolvimento econômico e social de um país somente se constrói sobre bases sólidas. Caso contrário, não passará de um castelo de areia, ou uma bolha de sabão. Para começar, deve esta ancorado na existência de um Estado enxuto, com uma máquina administrativa racional e eficiente, um sistema financeiro equilibrado, sustentado por uma sólida poupança interna, ampla liberdade econômica e de investimentos, e uma sociedade plenamente educada.Infelizmente, o atual crescimento econômico , alardeado pelo governo Lula não se sustenta, pelo que tem de inconsistente, artificial.

Inconsistente e artificial porque é mais do que notório que Lula e sua turma acreditam que para ser capaz de executar o bem público é Estado deva ser mastodôntico, complexo, burocratizado, e , por conseqüência, dispendioso, esbanjador e corrupto. O aumento progressivo da carga tributária, a contratação maciça de funcionários públicos, a multiplicação do número de ministérios, secretarias, órgãos públicos e estatais, nos levam à certeza de que mesmo tendo acertado no primeiro mandato, ao dar continuidade à política de contenção dos gastos e equilíbrio das contas públicas para o pagamento da dívida externa,no estágio atual, o setor público caminha inexoravelmente para uma faixa de desequilíbrio fiscal, aumento dos impostos, aumento da dívida pública e crescimento da inflação, com conseqüências que se fazem sentir nas costas da classe média e do setor produtivo.

Inconsistente e artificial também porque está baseado numa generosa injeção financeira governamental no sentido de promover o aumento do consumo das camadas populares, o que de fato acontece pela política de facilitação do crediário e dos empréstimos consignados em folha. Também é conseqüência dos sucessivos aumentos do salário mínimo, da política de distribuição de bolsas assistencialistas e do aumento da oferta de empregos no setor público. O resultado tem sido o acesso imediato das camadas pobres a bens de consumo que até então eram privilégio da classe média, tais como automóveis e computadores. Segundo a propaganda oficial, tal aumento do consumo é a parte mais visível da melhoria do padrão de vida das classes pobres no governo Lula


De fato, é o governo agindo com extrema liberalidade na concessão de empréstimos, créditos, bolsas, aumentos salariais e empregos no setor público o que cria a ilusão de aceleração da economia, quando na verdade não vai além de um mero populismo econômico. Essa generosidade tende a se transformar numa gigantesca corrente de endividamento e de inadimplência, assim que uma possível crise internacional abalar a capacidade do Estado de avalizar os milhões de brasileiros que se deixaram iludir pela facilidade do dinheiro fácil.

Por fim, o crescimento econômico atual é inconsistente e artificial porque cria a ilusão de que as desigualdades sociais estão definitivamente sendo erradicadas, quando de fato não estão. Ao promover uma política que privilegia programas assistencialistas o atual governo reforça o desprezo pelos investimentos em setores sociais capazes de efetivamente resgatar milhões de brasileiros da pobreza. Com isso, acentua a crença de que as conquistas da vida não dependem de esforço e são dádivas governamentais.
O fato é que no governo Lula a educação pública continua a ser tão negligenciada como sempre foi. As medidas tomadas pelo ministério da Educação – ProUni, sistema de cotas, etc – não passam de mera maquiagem que não atingem o essencial. E o essencial é que o nosso ensino público, que mal consegue ensinar a criança e o jovem a ler e a escrever, está longe de acompanhar os avanços do conhecimento e da tecnologia, qualificar pessoas para o mercado e formar cidadãos conscientes. A imensa defasagem do nosso sistema de ensino é que, em última análise, mantém milhões de pessoas na marginalidade,por não lhes oferecer os instrumentos que as possibilitem ascender socialmente.

Portanto, a alegada “ascensão social” que vem sendo trombeteada pelo governo petista como exemplo do crescimento do País é mais uma falácia, pois está baseada apenas numa mera transferência de recursos de uma camada ( classe média ) para a outra ( classe pobre ), sem que isso signifique uma real e efetiva mobilidade social. Neste contexto, a exemplo da bolha econômica, o governo Lula cria uma bolha social, pronta também para se desfazer adiante.

Os que enxergam a realidade, tal como ela é, costumam ser considerados pessimistas, especialmente num momento em que o governo alcança altos índices de popularidade e se permite a uma autopromoção como nunca antes vista. Acreditando ter encontrado a fórmula mágica do sucesso político, e certo de que irá fazer o seu sucessor em 2010, Lula tende a multiplicar por mil as conquistas sociais e econômicas do seu segundo mandato. Conta com o entusiasmo ingênuo da maioria pobre da população, e a passividade da outra parcela, justamente a mais prejudicada pela atual política.

Se a atual bolha de crescimento econômico e social não estourar, estarão sendo contrariados todos os bons manuais de economia e de História, que nos ensinam a respeito da ascensão das nações desenvolvidas da América do Norte, Europa, Ásia e Oceania. Eles nos ensinam, sobretudo, que o autêntico desenvolvimento econômico e social se constrói sobre quatro alicerces: ampla liberdade econômica, enorme capacidade de poupar e de investir na produção, existência de um estado enxuto e um governo eficiente, e educação pública de alta qualidade. O ilusório crescimento brasileiro não se baseia em nenhuma destas premissas, e em muitos casos vai de encontro a elas. Portanto, entre acreditar no ilusionismo criado pelo governo Lula e permanecer acreditando na lógica, fico com a lógica.
020908

9 comentários:

Anônimo disse...

Com LULA não precisa gastar muita saliva não. Ele é aquilo que o torcedor grita na arquibancada para o juiz de futebol.

Anônimo disse...

Com LULA não precisa gastar muita saliva não. Ele é aquilo que o torcedor grita na arquibancada para o juiz de futebol.

Dominik Mc Brian disse...

ola caro amigo,

li um artigo seu sobre religiao
e gostei muito da sua critica,
defato nao so a religiao como o amor, a educaçao, a caridade, entre outras coisas viraram negocios para um certo grupo na sociedade.
possu um blog tambem, e faço varios comentarios sobre temas similares, e gostaria de pedir sua permiçao se posso republicar algumas partes do seu artigo no meu blog, fazendo uma analise critica sobre a situaçao exposta.
voce pode entra em contato comigo atraves do meu email - dominik.mc.brian@hotmail.com - aguardo sua posiçao

Anônimo disse...

Um discurso que honra a imprensa livre
No evento realizado ontem em comemoração aos 40 anos da revista VEJA, Roberto Civita, presidente da Abril, fez o discurso que segue. Parece-me uma peça de primeira grandeza na defesa das liberdades democráticas, da imprensa livre e da sociedade de mercado. Não se pode dizer que nessa tríade esteja resumido todo o bem do mundo. Mas se pode assegurar, com base em que tudo o que nos informa a história, que essas conquistas são pré-requisitos para uma sociedade civilizada.


*
Os 40 Anos de VEJA e o Brasil que Queremos Ser

"É para mim - e para todos os meus colegas da Abril - uma enorme alegria e uma grande honra poder receber tantos amigos e presenças ilustres neste dia em que comemoramos os 40 anos de VEJA.

Para nossa satisfação e orgulho, VEJA continua sendo a maior, mais influente e mais prestigiada revista brasileira. Acima de tudo, atribuímos isso ao compromisso permanente da revista com seus mais de 5 milhões de leitores com a defesa intransigente dos interesses do Brasil.

Estamos aqui hoje, à luz do dia, principalmente porque nos ocorreu que, em vez de promovermos mais uma festa com discursos relembrando o passado, seria muito mais útil e estimulante passar um dia em companhia das pessoas mais influentes do Brasil debatendo as alternativas para o país que queremos ser.

E é exatamente isso que estamos fazendo aqui, por meio de seis importantes debates sobre os grandes temas da democracia, economia, educação, meio ambiente, imprensa e megacidades, e também de breves discursos de quatro grandes lideranças políticas expondo a sua visão do que significa governar para a próxima geração.

Para mim e para meus colegas da Abril, a discussão permanente desses temas que afetam a todos nós faz parte não apenas da nossa missão e vocação editorial mas também da própria essência da imprensa livre, que - por sua vez - é ao mesmo tempo fruto e esteio da democracia.

Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa. Isso pode parecer óbvio (como acontece com todas as grandes verdades após a sua formulação), mas é absolutamente essencial para entender que a multiplicidade de vozes necessárias para garantir e fortalecer a democracia só pode existir numa sociedade em que a liberdade de imprensa é assegurada e na qual a entrada é franqueada a quem quiser e puder se habilitar; em uma sociedade em que existe a liberdade de empreender e em que a concorrência em todas as frentes gera a publicidade, que - por sua vez - fecha o círculo virtuoso ao viabilizar a existência de múltiplos meios de comunicação.

"Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa."

Entretanto, parece evidente que a simples existência de uma multiplicidade de vozes não garante a sua qualidade nem o seu comportamento ético. A velha Lei de Gresham - que postula que a má qualidade expulsa a boa - freqüentemente é aplicável também aos meios de comunicação.

Felizmente, porém, acho que isso não é o que estamos vendo no Brasil. Embora existam (e sempre existirão) jornais, revistas, televisões e rádios sem qualquer preocupação com padrões de ética ou qualidade - e apesar do ainda péssimo nível geral da educação em nosso país -, tudo indica que o público acaba preferindo o conteúdo de melhor qualidade - tanto eletrônico quanto impresso.

Imagino que isso só é assim porque - como nunca é demais repetir - o leitor / telespectador / internauta não é bobo. E também porque acredito que haja outro círculo virtuoso em ação: à medida que o nível da mídia se eleva, à medida que são produzidas reportagens e matérias mais inteligentes, mais bem pesquisadas, mais claras e mais bem apresentadas, o público passa a ser mais exigente e a valorizar os veículos que atendem suas expectativas.

Isso significa que as empresas de comunicação devem continuar resistindo à tentação de colocar o bom jornalismo em segundo lugar na "busca do lucro a qualquer preço". Evidentemente, não significa que essas empresas não precisem ser rentáveis - o que é essencial para poder investir, se desenvolver, criar empregos, pagar impostos e remunerar os seus acionistas.

Portanto, uma das principais atribuições de um bom editor é buscar o equilíbrio permanente entre a excelência e a integridade de suas publicações e a saúde econômica e financeira de sua empresa: para mim, as duas coisas não são antagônicas, mas complementares. Desde que o editorial nunca seja subordinado ou confundido com os interesses comerciais de curto prazo, seu fortalecimento inevitavelmente acabará atraindo mais leitores e anunciantes e produzindo melhores resultados ao longo dos anos.

É também preciso impedir que a tendência inevitável à consolidação não acabe reduzindo excessivamente o leque de fontes de informação e opinião diferentes à disposição do público. E é fundamental não aceitar em hipótese nenhuma que a regulamentação ou tutela governamental substitua o próprio autocontrole da imprensa, auto-regulamentação e compromisso com a sociedade.

É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia. E no fortalecimento da imprensa local e regional, hoje ainda dependente demais das verbas dos governos locais para poder se dedicar à essencial tarefa de fiscalizá-los. Mas, acredito, é só pensar nas conquistas e avanços dos últimos tempos - especialmente nas frentes das denúncias do mensalão e a corrupção endêmica, da discussão cada vez mais racional da gestão da inflação e da economia; da transparência crescente das contas públicas e da conscientização cada vez maior do eleitorado - para constatar que a imprensa brasileira está progredindo aceleradamente.

"É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia."

Precisamos continuar por esse caminho auspicioso - sempre dentro de uma moldura ética, mantendo a primazia do princípio sobre a conveniência, e não esquecendo a nossa responsabilidade permanente com os indivíduos, o público, a nação e até com o futuro do planeta.

Antes de prosseguir com o almoço, o dia e os debates, permitam-me fazer algumas considerações e reflexões sobre como chegamos aqui e no que acreditamos.

VEJA nasceu em setembro de 1968 porque meu pai e nosso saudoso fundador, Victor Civita, resolveu permitir que eu, seu filho mais velho, lançasse a revista semanal de informação que vinha imaginando desde minha chegada na empresa dez anos antes.

Lembro-me do orgulho dele na noite em que VEJA nasceu, da sua aflição quando - apenas três meses depois - chegou o AI-5 e a censura, dos longos anos em que a revista perdia todo o dinheiro que a Editora ganhava e das múltiplas vezes em que ele concordou em me dar "mais três meses" para chegar ao equilíbrio.

"Lembro-me do orgulho dele (Victor Civita) na noite em que VEJA nasceu, da sua aflição quando - apenas três meses depois - chegou o AI-5 e a censura."

Lembro também de ele e eu termos, em conjunto, agüentado tantas broncas, ameaças, pressões e sanções que caíam sobre a Abril enquanto VEJA insistia em dizer - ou insinuar - o que não se podia.

Isso incluiu a apreensão de duas edições da revista, a censura durante quase uma década, o corte de toda e qualquer verba de publicidade do governo e suas empresas estatais em retaliação de qualquer crítica e - não menos importante - o veto permanente à entrada da Abril em rádio ou televisão.

Mas a angústia e aflição da primeira década da revista também serviram para reforçar as nossas convicções democráticas e aumentar a capacidade de enfrentar a raiva de governantes contrariados.

Também contribuiu para isso outra grande turbulência, dessa vez que VEJA ajudou a criar: a ascensão e queda de um jovem presidente que parecia estar inaugurando uma nova era e que acabou - sem querer - acelerando o processo de maturação política do país.

Quando VEJA resolveu publicar - em maio de 1992 - as primeiras denúncias de Pedro Collor contra seu irmão Fernando, e continuou martelando o tema de corrupção nos mais altos escalões do governo com mais uma dúzia de capas nos meses seguintes, muitos dos meus supostos "amigos" deixaram de me reconhecer ou cumprimentar. Mas, quando Collor finalmente caiu, em fins de setembro, todo mundo veio dizer que eu tínhamos "salvado" o Brasil. Assim, a revista contribuiu para o triunfo da lei e para a percepção fundamental de que esta deve sempre estar acima - e não a serviço - dos governantes. O episódio também me deu a oportunidade de reconfirmar quão poucos amigos verdadeiros pode ter um editor que leva sua missão a sério.

Pensando bem, me ocorre que contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável. Como declarou Hubert Beuve-Méry, fundador do jornal francês Le Monde, o dever da imprensa é "Dizer a verdade, custe o que custar. Sobretudo se custar..."

"Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável."

A liberdade só pode ser garantida pela responsabilidade. Se opusermos o poder à liberdade, a liberdade sai perdendo. Se acrescentarmos responsabilidade à liberdade, ambas saem ganhando.

Evidentemente, também há enormes satisfações embutidas na gigantesca tarefa de editar VEJA, hoje tão competentemente dirigida por Eurípedes Alcântara. A principal delas é poder honrar o compromisso que assumimos com os leitores desde o início: informá-los corretamente, contar-lhes a verdade, e opinar - sempre - com coragem e independência. Há a sensação do dever cumprido no combate à tortura, à violência, ao arbítrio, à legislação anacrônica, às mentiras, ao racismo e à corrupção. Há o privilégio de trabalhar com tantos jornalistas, gestores e publicitários de talento e imaginação. E o desafio permanente de tentar explicar semanalmente os porquês e implicações dos eventos e mudanças que sacodem o Brasil e o planeta.

Há, adicionalmente, o prazer de ver a revista utilizada como ponte entre a teoria e a realidade em milhares de salas de aula de todo o país. E, acima de tudo, o orgulho de ter desenvolvido um papel fundamental na conscientização política de milhões de brasileiros, na insistência em integridade, eficácia e transparência de parte dos governos, na difícil arte de escrever claramente e bem, na preocupação com a isenção e a responsabilidade jornalística, e no fortalecimento da livre-iniciativa e das nossas instituições democráticas - como acabamos de demonstrar no episódio da escuta ilícita dos telefones do Supremo.

Pois é exatamente essa preocupação permanente de VEJA - e de um punhado de outros veículos responsáveis - que tanto tem contribuído para o aperfeiçoamento da nossa democracia num momento em que o auspicioso avanço da nossa economia às vezes mascara ou até esquece a fundamental necessidade de também reforçarmos o arcabouço institucional do Brasil. Um país que está finalmente assumindo a posição no mundo que seus extraordinários recursos naturais, a manutenção da estabilidade econômica e política e o vigor e competência de seu setor privado lhe proporcionam, não pode deixar de insistir nas múltiplas reformas básicas que ainda faltam. E no contínuo progresso na eliminação das iniqüidades sociais com as quais convivemos há séculos.

Faço votos, do fundo do meu coração, que VEJA possa continuar informando, fiscalizando, questionando e debatendo tudo isso cada vez melhor ao longo dos próximos 40 anos!

Muito obrigado!

Anônimo disse...

Chamem o Gato Félix
Aposentem o general Jorge Félix e chamem o Gato Félix. Absurdo por absurdo, o felino ao menos tinha a sua graça.

Segundo o ministro do Gabinete da Segurança Institucional, a única coisa que temos a fazer para combater a indústria do grampo é “fechar a boca” ao telefone. Compreendo que não se trata de algo simples. Com efeito, nessa área, a, se me permitem, “crímeno-tecnologia” leva sempre vantagem. Mas isso é coisa que se diga? É o melhor que pode nos oferecer o homem que é chefe da Abin — Agência Brasileira de Inteligência e de Produção de Oximoros? Ele é o primeiro? Não é. Tarso Genro já havia culpado a tecnologia, também bastante conformado.

Questão: o sistema de telefonia brasileiro não difere do existente em outros países. E por que não se vê essa lambança no resto do mundo? Para o general, nada há a fazer senão o cidadão abrir mão do direito de manter conversas privadas.

Mas Félix não ficou por aí. Como sabe que Daniel Dantas virou o Lobo Mau dos terrores infantis da política brasileira, não fez por menos: atribuiu ao empresário o mando do crime — se homens da Abin foram usados, teria sido no interesse do banqueiro. Ele é chefe da, digamos assim, “Inteligência”: tem alguma evidência ou mesmo indício que sustentem a sua acusação? Nada.

O chefe do Gabinete da Segurança Institucional percebeu que a fábula de que Dantas lidera uma grande conspiração tem lá a sua popularidade. E mandou ver. Um monte de gente acredita. A tramóia, então, seria a seguinte: o ministro Gilmar Mendes estava sendo estupidamente acusado, por alguns setores, de ter beneficiado Dantas. Então o que faz o maquiavélico dono do Opportunity? Manda grampear o seu suposto “aliado” só para desmoralizar a Operação Satiagraha... Uau! Em tempo: a tal operação precisa ainda ser desmoralizada (ver nota abaixo)?

Daqui a pouco, desentendimentos conjugais, espinhela caída, joanete inflamada, dores de amores, borborigmos, tudo será culpa de... Daniel Dantas, também suspeito de ter comido a vovozinha e de ter papado a cesta de lanches de Chapeuzinho Vermelho — quiçá a própria bobinha se deu mal enquanto perguntava o que era aquele nariz tão grande... Tenham paciência! O homem está todo enrolado em diversas operações, mas não deve ser a fonte única de todo o mal do Brasil.

Ademais, leiam abaixo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) diz que a Abin comprou maletas para escutas — e, se o fez, elas são ilegais. O general ficou entre negar e não saber de nada, um hábito deste governo.

Deve haver, sim, muito bandido grampeando telefone por aí por conta própria. Que o Código Penal se encarregue deles. É crime comum. Quando um agente do estado o faz, aí estamos falando de uma violação da Constituição. Aí se trata de um crime político. Eis a diferença que muitos deslumbrados com a dita “eficiência” de Paulo Lacerda não percebem ou fingem não perceber.


Por Reinaldo Azevedo

Anônimo disse...

Protógenes, a Land Rover e o EcoSport
Leiam o que vai Folha. Volto em seguida:
O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, entregou ontem ao juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto De Sanctis, as chaves de dois carros apreendidos em 2007 e que haviam sido colocados à disposição do delegado no final de 2007 por ordem judicial para uso na Satiagraha.
O "Painel" informou no sábado que a cúpula da PF abriu sindicância para averiguar o uso dos carros, que foram apreendidos no decorrer das investigações sobre a empresa esportiva MSI. Por decisão judicial, o delegado passou a ser o fiel depositário deles.
Protógenes entregou ao juiz um relatório no qual afirmou que os carros, um EcoSport e uma Land Rover, foram usados entre dezembro passado e julho "exclusivamente" no âmbito da Satiagraha. Segundo ele, os carros eram necessários na vigilância nos endereços dos investigados. Carros caracterizados, diz, poderiam atrair a atenção dos investigados.
O delegado escreveu que outro delegado e três agentes usavam os carros.

Comento
Em que país democrático do mundo um policial se torna, como indivíduo, fiel depositário de benes apreendidos? Em nenhum! Essa é mais uma das jabuticabas com que o país constipa as suas entranhas. É o fim da picada. Na Nicaráguia, o sandinistas ocuparam todas as mansões dos "lacaios do imperialismo". E não entregaram mais.

Protógenes diz que usava os veículos na Operação Satiagraha. Os carros seriam necessários na vigilância do endereço de investigados. Huuummmm... Quer dizer que, não fossem essas apreensões, a Polícia Federal estaria impedida de fazer apurações por falta de... Land Rover e EcoSport?

Não sei como ninguém teve a idéia de se apropriar, em benéfico da investigação — sempre! — da mansão de Naji Nahas. Talvez fosse o caso de mudar a lei: os federais poderiam ter o direito, como as tropas mercenárias de Roma, de ficar com o espólio decorrente de suas invasões. O que lhes parece?

Como se vê, essa gente saiu e está fora de qualquer controle. Mesmo!


Por Reinaldo Azevedo

Anônimo disse...

Jobim diz que Abin comprou ilegalmente malas de grampo
Por Alan Gripp, na Folha:
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) adquiriu ilegalmente maletas de interceptação telefônica, revelou o ministro Nelson Jobim (Defesa) durante reunião de coordenação política do governo, anteontem à noite, no Palácio do Planalto.
A informação foi decisiva para o afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, sacramentado logo após o encontro.
A revelação surpreendeu o presidente Lula, o vice José Alencar e outros seis ministros presentes, segundo relatos obtidos pela Folha. Por lei, a Abin é proibida de fazer escutas. As maletas podem fazer grampos em celulares sem depender de operadoras telefônicas e, por isso, em tese, sem a necessidade de autorização judicial.
Jobim já foi presidente do STF, tem bom trânsito no tribunal e é visto como interlocutor entre o governo e Mendes. A informação deixou Lacerda em situação insustentável.
Além de lançar novas suspeitas sobre a Abin no episódio envolvendo o grampo ilegal do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, contradiz seu depoimento na CPI dos Grampos, no dia 20 de agosto. Na ocasião, Lacerda negou que a Abin faça escutas.
Por meio de sua assessoria, a Abin negou que possua qualquer equipamento para o monitoramento telefônico. Disse ter adquirido apenas aparelhos de "contramedida", com objetivo de identificar grampos. A maleta permite tanto a escuta como a contramedida.
A Defesa descobriu que a Abin adquiriu o equipamento por meio do sistema de compras do governo. Jobim recebeu documentos mostrando que a agência aproveitou uma licitação já feita pelas Forças Armadas para não ter de iniciar um novo processo. Essa modalidade de compra é conhecida como "registro de preço".
Esses equipamentos de interceptação estão hoje entre os mais modernos do mundo, usados por unidades de elite da Europa e dos EUA. À primeira vista, é apenas um laptop e uma antena condicionada em uma maleta tipo 007. Mas o software que o acompanha é capaz de decodificar comunicação digitais criptografadas.

Anônimo disse...

O ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou ontem que não descarta a hipótese de agentes do órgão cedidos à Operação Satiagraha serem os autores do grampo no telefone do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.

TA TUDO DOMINADO POR CORRUPTOS!

Barreto disse...

Li o artigo iniciamente no CMI e achei muito pertinente a sua análise. De fato, é o que ocorre. A propaganda do governo, seguindo a máxima de Goebels ( veja de quem ! ) repete mentiras até que elas se tornem verdade. Um grande parte da mídia coloca Lula no pedestal, sem nenhum senso de crítica. Como vc diz, o crescimento do Brasil com Lula é ilusório. No governo Lula tudo é ilusório, menos a corrupção e a incompetência