quinta-feira, julho 31, 2008

AS ELEIÇÕES E OS SENHORES FEUDAIS DO CRIME


Os candidatos que se apresentam como postulantes ao posto máximo da administração da cidade, na verdade se candidatam a dividir a "administração” com centenas de traficantes e chefes de milícias, que para chegar aonde se encontram não precisaram se submeter às regras do jogo democrático: se impuseram pela força das armas, pelo terrorismo e pelo conluio com autoridades legalmente constituídas.

Foto:O Estado de São Paulo
AS ELEIÇÕES E OS SENHORES FEUDAIS DO CRIME

Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro pretendem requisitar proteção de tropas federais para poderem exercer o direito de ir e vir durante a campanha eleitoral. Isso porque a cidade a que se propõem a governar se encontra loteada entre quadrilhas de traficantes e milícias armadas , cada qual impondo suas próprias leis.A livre movimentação dos candidatos nessas áreas depende, portanto, da autorização dos chefões do crime.

A situação de degradação e anarquia a que chegou a antiga Cidade Maravilhosa parece ter alcançado um ponto sem volta. E esta situação tem raízes na promíscua convivência dos sucessivos governos e de grande parcela da população com as organizações que controlavam o jogo do bicho e financiavam o carnaval. A histórica leniência com que a contravenção e o crime sempre foram tratados gerou um monstro indomável que agora paralisa o Estado e aterroriza a população

Os candidatos que se apresentam como postulantes ao posto máximo da administração da cidade, na verdade se candidatam a dividir a "administração” com centenas de traficantes e chefes de milícias, que para chegar aonde se encontram não precisaram se submeter às regras do jogo democrático: se impuseram pela força das armas, pelo terrorismo e pelo conluio com autoridades legalmente constituídas - deputados, promotores, juizes, delegados -, numa promiscuidade que a cada ano solidifica o poder do crime, fragiliza a população e desmoraliza o Estado.

É patética e vexatória a situação que leva o candidato ao posto máximo de uma cidade a ter que pedir autorização para poder circular em áreas, que , em tese, estarão sob a sua responsabilidade caso vença as eleições.É preocupante o fato de que essas áreas venham se transformando em currais eleitorais controlados por criminosos que recorrem à violência para “orientar o voto de seus moradores. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, dos 4,5 milhões de cariocas aptos a votar este ano, pelo menos 500 mil, ou 1 em cada 11 eleitores vivem em áreas sob o domínio d crime organizado.

Fazendo uma analogia, na Europa Medieval os reis possuíam apenas o poder formal sobre os seus reinos, uma vez que os territórios, ou feudos, eram na prática dominados e administrados por senhores da Nobreza. O Rio parece reviver a Idade Média do modo mais grotesco e violento possível: qualquer que seja o vencedor, o povo terá elegido uma espécie de rei medieval, com o poder apenas formal sobre o território da cidade que, de fato, estará sob o controle dos senhores feudais do crime.

310708

segunda-feira, julho 28, 2008

REFORMAR O ESTADO E O GOVERNO


O problema é que os cinco anos e meio do governo Lula levou à situação paradoxal de aumentar a emergência de uma reforma política, e , ao mesmo tempo, torna-la cada vez mais inviável: Lula e sua turma reforçaram os costumes arcaicos que marcam a nossa tradição política, o que torna inviável qualquer tentativa séria de reforma. De fato, a reforma política admitida pelo atual governo se limita apenas aos aspectos circunstanciais e irrelevantes da questão, ou àqueles que beneficiam a perpetuação do PT no poder.


REFORMAR O ESTADO E O GOVERNO

Toda a crise moral e política que permeia o governo Lula tem raízes na própria estrutura do Estado e do Governo, ou seja, na forma como o Estado e o Governo estão constituídos no Brasil.Sem uma reforma profunda nestas estruturas, nada mudará.Continuaremos todos, governo após governo, sujeitos a sucessivas denúncias de atos de corrupção, malversação de recursos e improbidade administrativa, e à eterna briga entre oposição e governo para a instalação ou não de CPIs.

Na essência, a crise política atual não é mais do que a exacerbação das relações promíscuas entre governo, partidos políticos, Congresso, empresas estatais, e empresas privadas.O governo quer aprovar seus projetos no Congresso e ,para isto, abastece sua base de apoio com liberação de verbas do orçamento, e os “mensalões” da vida. Por seu turno, o Congresso, ou, pelo menos, parte dele, se comporta tal qual um exército mercenário, onde cada projeto aprovado tem o seu preço.

A mesma relação imoral se dá quando partidos políticos se apossam de cargos estratégicos em órgãos públicos e estatais, e,então, promovem um verdadeiro tráfico de influências,no qual uma das atividades mais “lucrativas” é captar recursos de empresas privadas interessadas em fornecer bens e serviços ao governo. Para onde vão tais recursos? Uma parte, certamente para o caixa dois das campanhas eleitorais, a outra parte, só Deus sabe.

Assim, não existe solução à vista que não seja uma radical reformulação – eu diria revolução – do Estado e do Governo.Nunca é demais insistir no óbvio: o Estado brasileiro é gigantesco, ineficiente, lento, perdulário e excessivamente centralizado e burocratizado. Um imenso labirinto onde se perdem milhões a cada hora. Milhões estes que são frutos do trabalho de toda sociedade. Não estou a defender o “estado mínimo” nos padrões clássicos. Mas é de uma necessidade vital que o Estado tenha o seu tamanho diminuído e a seu funcionamento racionalizado. E que ele se afaste o máximo possível das atividades econômicas e concentre os seus esforços e recursos no campo da educação – tão negligenciado – saúde, e segurança.

Como parte desta reforma do Estado, sem a qual estaria incompleta, haveria uma reforma no Governo, uma reforma política, no sentido estrito. O regime presidencialista já provou, aqui e em outros países da América, a sua ineficiência diante das crises. Principalmente quando se tratam de crises éticas. Assistimos , desde a instalação da “Nova República” a uma constante disputa entre o Executivo e o Congresso. Disputa cujas faces mais visíveis são o fisiologismo e a morosidade nas votações de matérias de interesse da sociedade. Desta forma, o governo não anda e a Nação fica prejudicada. Por seu turno, os partidos políticos nada significam em termos doutrinários e programáticos: são associações de políticos, com finalidade puramente eleitoral, e um campo fértil para negociatas fisiológicas. Isto é, meros balcões de negócios escusos.

Já dissemos em outras ocasiões, e reafirmamos agora, que o Parlamentarismo é o menos imperfeito dos regimes de governo. Isto pelo fato de possibilitar a diminuição das tensões entre o executivo e o legislativo – afinal, a maioria no Parlamento é que assume o governo. Dentre as virtudes deste regime está a de favorecer a superação rápida das crises políticas – o governo pode cair a qualquer momento, novas eleições são convocadas e um novo governo é formado. Ademais, fortalece os partidos políticos, que passam a assumir maiores responsabilidades e têm os seus programas valorizados .

Mas a reforma política seria incompleta se a mudança de regime não viesse acompanhada de outras mudanças também fundamentais. Para começar, teria que ser reformulado o financiamento das campanhas, instituída a fidelidade partidária, diminuído o número de parlamentares nas casas legislativas,reduzido os recessos parlamentares, implantado o sistema de votação em listas, e adotado o fim da obrigatoriedade do voto.

O problema é que os cinco anos e meio do governo Lula levou à situação paradoxal de aumentar a emergência de uma reforma política, e , ao mesmo tempo, torna-la cada vez mais inviável: Lula e sua turma reforçaram os costumes arcaicos que marcam a nossa tradição política, o que torna inviável qualquer tentativa séria de reforma. De fato, a reforma política admitida pelo atual governo se limita apenas aos aspectos circunstanciais e irrelevantes da questão, ou àqueles que beneficiam a perpetuação do PT no poder.

Mas no fundamental a essência da atual crise é a mesma que permeou os governos anteriores, dede início da chamada “Nova República”.Basta que um grupo político mal intencionado – ou quadrilha? – assuma a República, e encontrará um campo fertilíssimo para todo tipo de ação condenável. Quem não se lembra do governo Sarney e a enxurrada de concessões de rádio e canais de TVs em troca da prorrogação do seu mandato? ; Ou das ligações entre o presidente Collor e a quadrilha de PC Farias?; Ou dos “anões do orçamento” no governo de Itamar?;Ou das denúncias de compra de votos em troca da reeleição de FHC? O que faz o quadro atual ficar mais exacerbado pode ser atribuído em grande parte à arrogância e ao autoritarismo que os petistas demonstram no governo. Nada muito diferente de quando constituíam a oposição.

Desta forma, não ocorrendo a imprescindível reforma do Estado e do Governo, mesmo que a Imprensa, o Congresso, o Ministério Público e a Justiça passem a limpo a podridão que tomou conta do planalto- e do Planalto – o próximo presidente, seja quem for, ficará sujeito a ser protagonista ou coadjuvante de mais uma dezena de escândalos. E nós continuaremos a pagar caro por isso.
280708

segunda-feira, julho 14, 2008

FORA DO AR...

Ficaremos fora do ar por duas semanas. O motivo é mais do que justo: Guarujá, SP, onde teremos um curto e merecido descanso. Até breve!

sexta-feira, julho 11, 2008

A POLÍCIA FEDERAL A SERVIÇO DE QUEM?


Tudo - exceto a arbitrariedade dessas ações - estaria muito bem se as operações da PF atingissem, indistintamente, todas as organizações criminosas, independentemente do credo ideológico ou da cor partidária dos envolvidos. Isso porque é óbvio que as recentes operações da PF parecem visar, sobretudo, a constranger e expor ao escárnio público pessoas sobre as quais existem graves suspeitas , desde que não sejam partidários , aliados, amigos e companheiros de Lula e do PT.


Foto: Tarso Genro e “sua” polícia: ações espetaculosas em ambientes sofisticados agradam o povão e servem aos propósitos eleitorais do governo e do PT
A POLÍCIA FEDERAL A SERVIÇO DE QUEM?
A Polícia Federal vem ganhando os holofotes da mídia e se destacando em operações tão cinematográficas quanto os nomes atribuídos a elas .Elogiada por muitos, e sendo trombeteada como a prova de que o governo Lula não distingue os ricos dos pobres no combate ao crime, a PF com a parceria do MP e de alguns juizes federais vem desbaratado esquemas criminosos , máfias financeiras, quadrilhas que fraudam o fisco, e colocado algemas em políticos , empresários e banqueiros , categorias que até pouco tempo passavam longe de qualquer delegacia policial.


As ações espalhafatosas da PF pretendem provar que no governo do metalúrgico Lula da Silva os ricos também choram. Em que pese o fato de que a maioria dos detidos nas operações acabe conseguindo habeas corpus, visto que prisões quase sempre se fazem de maneira arbitrária e espetaculosa, a impressão causada na maioria da população, é de que finalmente os criminosos de colarinho banco estão recebendo o mesmo tratamento dado aos pés- de- chinelos.



Tudo - exceto a arbitrariedade dessas ações - estaria muito bem se as operações da PF atingissem, indistintamente, todas as organizações criminosas, independentemente do credo ideológico ou da cor partidária dos envolvidos. Isso porque é óbvio que as recentes operações da PF parecem visar, sobretudo, a constranger e expor ao escárnio público pessoas sobre as quais existem graves suspeitas , desde que não sejam partidários , aliados, amigos e companheiros de Lula e do PT.



Não é por mera coincidência que nenhuma prefeitura do PT, nenhum político graduado do partido, nenhum esquema ilegal que envolveu o partido tenha merecido a atenção que polícia de Tarso Genro vem dando a esquemas supostamente criminosos que não envolvem o partido de Lula. Se, numa hipótese surreal, não existissem denúncias envolvendo políticos do PT e do governo Lula , seria justificável tal comportamento da PF. Mas, ao contrário, nos cinco anos e meio de governo a relação de denúncias ultrapassou a casa dos três dígitos.



Por que, então, a PF, tão destemida no combate aos esquemas criminosos dos inimigos do PT, ainda não se deu ao trabalho de investigar as denúncias que envolveram o partido e o governo Lula? E não foram poucas. Refrescando a memória, o escândalo do Mensalão, o dossiê dos "aloprados", o dossiê Dilma Roussef, o escândalo Waldomiro Diniz, o caso Celso Daniel, a administração Palocci em Ribeirão Preto, a administração Zeca do PT em Mato grosso do Sul, o caso da venda da Varig, o caso Gamencorp-Lulinha, somente paraficar nos mais conhecidos.



Por que a PF, tão corajosa, ainda não convidou José Genoino, José Dirceu, Antonio Palocci, Luis Gushiken, Ricardo Berzoini,João Paulo, Delúbio Soares, e outros menos votados, para darem uma passadinha numa delegacia policial e experimentarem um par de algemas? Por que a sede do PT nunca mereceu a honra de uma visita da brava Polícia Federal?



Por tudo, não é difícil chegar a algumas conclusões. A primeira, óbvia, é que o governo usa as ações da PF como um outdoor no sentido de mostrar ao povão que no governo Lula a corrupção está sendo combatida sem tréguas , e que os ricos não estão impunes.



A segunda, é que a sucessão de Lula desencadeou no interior do seu governo uma briga de foice no quarto escuro que envolve, pelo menos, três ministros: Dilma Roussef, Tarso Genro e Patrus Ananias. Cada qual usando as armas que têm: Dilma usa as armas da chantagem e da fabricação de dossiês; Patrus se utiliza dos "pogramas sociais" empreendidos pelo seu ministério; e Tarso coloca em ação a polícia do Estado para ganhar visibilidade.


Sabemos que a maioria dos regimes totalitários teve a sua gênese na perseguição arbitrária a inimigos, que muitas vezes eram apresentados à execração pública como se criminosos fossem. Sabemos também que um dos pressupostos do Estado de Direito é o fato de que todos são presumivelmente inocentes até que se prove o contrário. E todos têm, portanto, o direito a ampla defesa. Todos os cidadãos investigados pela PF devem ser julgados e exemplarmente punidos, se provadas as suas culpas. Até lá, portanto, não podem, como qualquer cidadão, rico ou pobre, estarem sujeitos à arbitrariedade policial.



A terceira conclusão, portanto, é que, gradativamente, o governo Lula vai colocando a serviço dos seus propósitos políticos uma instituição que deveria estar a serviço da sociedade. Agindo como vem agindo, a PF assume o caráter de polícia totalitária , a serviço de um partido e de uma causa política. E mais:de um ministro que tem pretensões eleitorais.



A Polícia Federal somente passará a ter o respeito que merece a partir do momento em que se assumir como instituição do Estado e se colocar a serviço da sociedade, completamente subordinada à Constituição do País. Da maneira como vem agindo, em que pese o aplaudo de muitos para as suas ações, podemos temer pelo pior. O Estado Policial que se pretende instalar no Brasil é meio caminho andado para o totalitarismo.

110708

quarta-feira, julho 09, 2008

É CASTIGO DEMAIS!

A culpa para a situação lamentável em que se encontra a segurança pública do estado deve ser atribuída ao atual governador, Sergio Cabral , mas deve ser estendida também aos seus antecessores, que trataram a questão de forma leviana e populista,possibilitando , inclusive, que se estabelecesse uma situação de promíscua convivência entre policiais e bandidos. João Roberto Amorim, três anos, foi mais uma vítima do caos que tomou conta da segurança pública do Rio.
É CASTIGO DEMAIS!

O grito de dor e de extrema revolta de um pai que perdeu o filho de três anos, vitimado pela estupidez e pelo despreparo de quem deveria zelar pela sua segurança, sintetiza com precisão a indignação de toda uma população que não suporta mais conviver com o estado de violência , anarquia e impunidade que tomou conta do Rio de Janeiro, como de resto das principais metrópoles brasileiras.

De fato, é inconcebível que uma patrulha policial, no auge do descontrole, saia atirando a esmo sob o pretexto de perseguição a bandidos em fuga, e acabe confundindo o veículo de uma cidadã acompanhada de uma criança com o dos supostos marginais.Não existe explicação razoável para um erro tão primário ,a não ser a do desgoverno que se instalou na segurança pública do estado do Rio.

Policiais tresloucados existem e são suscetíveis de cometerem desatinos em qualquer parte do mundo. Mas a prática corriqueira de atos de puro descontrole e arbitrariedade só acontece em lugares onde a “política de segurança”, se é que ela de fato existe, é completamente falha. No Rio de Janeiro, a Polícia carece de profissionais qualificados e bem remunerados, de treinamento adequado, de equipamentos suficientes e, sobretudo, de um projeto de ação racional, que tenha continuidade nas sucessivas administrações estaduais.

A culpa para a situação lamentável em que se encontra a segurança pública do estado deve ser atribuída ao atual governador, Sergio Cabral , mas deve ser estendida também aos seus antecessores, que trataram a questão de forma leviana e populista,possibilitando , inclusive, que se estabelecesse uma situação de promíscua convivência entre policiais e bandidos.

Essa histórica e conhecida cumplicidade entre a polícia e o crime no RJ traz poucas esperanças de que este quadro desolador se resolva em breve espaço de tempo.Há pouco, o MP e a PF denunciaram o ex-secretário da Polícia Civil do estado por formação de quadrilha armada, para praticar lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção.É pouco? A segurança pública do RJ está a exigir uma revolução. Para tal, são necessários homens públicos de caráter firme, moral ilibada, e disposição e coragem para empreendê-la. Infelizmente, falta ao Rio e ao Brasil políticos dessa estirpe.

Nas últimas décadas, o povo fluminense se esmerou em eleger governantes bisonhos, populistas, e de reputação duvidosa, pouco dedicados a enfrentar os problemas agudos que atormentam a população. É até surpreendente que o estado e a cidade tenham sobrevivido aos desgovernos de figuras como Benedita da Silva, o casal Anthony Garotinho e o fabricante de factóides, César Maia. É castigo demais!
090708

terça-feira, julho 08, 2008

O REINO POLÍTICO DA UNIVERSAL


O fato é que através da candidatura do senador ao comando da segunda cidade do país, a IURD dá um passo importante no sentido de ser, de fato, num curto espaço de tempo, uma força política hegemônica. Amparada pelo amplo império das comunicações – que objetiva desbancar a hegemonia da Globo - , e sustentada pelos dízimos arrecadados, com astúcia e agressividade, de uma multidão de fiéis que lotam os seus cada vez mais luxuosos templos, a IURD se lança numa empreitada audaciosa que poderá, ao final, consagra-la como uma poderosíssima força política , econômica e religiosa.

O REINO POLÍTICO DA UNIVERSAL

A presença de tropas do Exército no morro da Providência para dar “proteção “ a um projeto de caráter eleitoreiro patrocinado pelo senador Marcelo Crivella- fato que foi o pano de fundo do assassinato de três jovens por traficantes -traz à tona o poder crescente da Igreja Universal do Reino de Deus . A maneira como o senador, um dos comandantes e mentores políticos da Igreja, transitou nos altos escalões da República para solicitar a presença de soldados do Exército na favela, e a presteza com que foi atendido, confirma a enorme força política da Universal no governo Lula da Silva. O imbróglio envolvendo Crivella, o Exército e traficantes do Rio, revela apenas a ponta do iceberg de um amplo e complexo processo envolvendo a IURD e o poder político no Brasil.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) é hoje a personalidade política mais visível da Universal no Congresso.Mas o número de deputados e senadores que constituem a chamada bancada evangélica é crescente. Sua atuação não se limita apenas a servir de importante base de apoio ao governo Lula, mas principalmente na defesa do conservadorismo em questões que envolvem moral e costumes, tais como o combate sistemático aos projetos de legalização do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo, e do desenvolvimento de pesquisas com células tronco.Além da defesa dessas causas que são comuns aos evangélicos, a IURD tem atuado com muito mais presteza na defesa dos seus interesses particulares , ou seja, a expansão da Igreja e do seu grande império de telecomunicações.

Há muito se tem questionado a maneira relativamente rápida com que essa instituição religiosa ou empresa, que começou como uma pequena seita evangélica nos anos setenta, ascendeu ao topo do poder econômico e religioso. Há muito se questiona a maneira como o seu principal líder, Bispo Edir Macedo, alcançou a posição invejável de magnata da indústria de comunicações, proprietário de dezenas de emissoras de rádio, canais de TV, jornais, gravadoras e editoras.

Para quem não se lembra, no início dos anos noventa, ainda sem respaldo político, Macedo foi preso sob a suspeita de enriquecimento ilícito e de fraudar a Receita Federal. A partir de então, os líderes da Igreja concluíram que sem uma base política própria,a defender, respaldar e acobertar as ações da instituição,estas estariam indefinidamente sob suspeita e ao alcance das garras da Receita e dos donos do poder em Brasília. Se não se pode combater o inimigo, por que, então, não se aliar a ele? Pensando assim a IURD investiu na constituição de uma bancada representativa no Congresso e passa agora a aspirar a ocupação de postos de comando nos executivos municipais.

Para dificultar a concretização dos seus propósitos, pesa contra a IURD, como ademais contra a maioria das seitas evangélicas, o seu caráter dogmático e sectário e a sua fama de charlatanice, o que, se por um lado, atrai os votos dos simpatizantes, por outro, afasta outros tantos que conseguem enxergar o oportunismo dos seus pastores e líderes.Não é por menos que Crivella vem insistindo em dizer que “será o prefeito de todos”,numa clara tentativa de desvincular o seu nome da Igreja e conquistar eleitores em todas as áreas.

O fato é que através da candidatura do senador ao comando da segunda cidade do país, a IURD dá um passo importante no sentido de ser, de fato, num curto espaço de tempo, uma força política hegemônica. Amparada pelo amplo império das comunicações – que objetiva desbancar a hegemonia da Globo - , e sustentada pelos dízimos arrecadados, com astúcia e agressividade, de uma multidão de fiéis que lotam os seus cada vez mais luxuosos templos, a IURD se lança numa empreitada audaciosa que poderá, ao final, consagra-la como uma poderosíssima força política , econômica e religiosa.Os resultados de tal escalada para a vida democrática do Brasil são imprevisíveis.
080708

quinta-feira, julho 03, 2008

COLÔMBIA NO CAMINHO CERTO


Ao conseguir a libertação de Ingrid Betancourt, Uribe provou o acerto de sua política de endurecimento contra o terror, reafirmou a sua enorme popularidade interna –mais de 80% dos colombianos apóia seu governo -, aumentou o seu prestígio internacional e assegurou à Colômbia o direito de viver em paz, apesar dos gigantescos problemas que ainda marcam a sua vida econômica e social.

COLÔMBIA NO CAMINHO CERTO

O resgate de Ingrid Betancourt e mais 14 reféns do cativeiro das Farc, numa operação precisa do Exército Nacional Colombiano, se constituiu num duro golpe no exército de narcotraficantes sob o manto de guerrilheiros políticos que controla uma parte do território colombiano. Em particular, constituiu-se numa vitória do presidente Álvaro Uribe em sua contínua luta contra o terrorismo de esquerda.

Desde o início de seu governo , e colocando em prática o principal compromisso de sua campanha eleitoral, Uribe, ao contrário de seus antecessores no cargo , promoveu um combate duro e sem tréguas contra as Farc, enfrentando inclusive a falta de solidariedade de governantes de vizinhos.De fato, o colombiano, em que pese o apoio recebido dos Estados Unidos, teve que assistir as declarações de simpatia e o apoio financeiro e logístico da Venezuela e do Equador aos terroristas. Isto porque na América Latina, guerrilheiros de esquerda ainda mantêm aquela aura de heróis míticos, defensores dos pobres e dos oprimidos contra as malvadezas do imperialismo norte americano.

Esse discurso, que parecia sepultado com os escombros do muro de Berlim, ressuscitou na América nas vozes de uma nova geração de líderes populistas e autoritários dos quais Hugo Chavez da Venezuela é o principal representante.Essa aura mítica que colocou no altar da santidade figuras como Fidel Castro e Che Guevara, ainda está muito presente e é a responsável pelo desprezo que o governo de Uribe desperta em muitos setores.

Entretanto, os narco-guerilheiros colombianos com a sua sistemática prática de seqüestros, assassinatos, torturas e tráfico de drogas mostrou a verdadeira face dessa gente. O martírio da senadora Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência do país, revelada numa fotografia, agora famosa, onde ela aparece esquálida e deprimida, teve o mérito de despertar o mundo para o drama das pessoas em poder dos criminosos colombianos, e chamar a atenção de todos para a extensão dessa chaga incrustada em plena território sul-americano.

A morte do sub-comandante das Farc, Raúl Reyes, em território equatoriano, e a revelação da verdadeira extensão do apoio da Venezuela aos terroristas, foram dois golpes contundentes nas pretensões dos terroristas, e os conduziram, ao que tudo indica, para um gradativo enfraquecimento. Tal constatação foi o que levou Chávez a patrocinar uma demagógica libertação de prisioneiros, numa frustrada tentativa de mostrar uma (ainda inexistente ) face conciliadora do movimento armado, e também como forma de aumentar o seu próprio prestígio como principal líder das esquerdas na América Latina.

Na verdade, Chávez e Correa (Equador), principais aliados das Farc, começam a reconhecer a inviabilidade dos métodos violentos e passam a propor a deposição das armas e a inserção dos atuais adeptos da guerrilha no processo institucional da Colômbia sob a forma de partido político. É o reconhecimento antecipado da derrota inevitável.

Ao conseguir a libertação de Ingrid Betancourt, Uribe provou o acerto de sua política de endurecimento contra o terror, reafirmou a sua enorme popularidade interna –mais de 80% dos colombianos apóia seu governo -, aumentou o seu prestígio internacional e assegurou à Colômbia o direito de viver em paz, apesar dos gigantescos problemas que ainda marcam a sua vida econômica e social. O temor de muitos- e isso não pode ser descartado - é que o sucesso atual lhe suba à cabeça e faça com que ele, através de um golpe branco, prorrogue o seu mandato e tente se perpetuar no poder. Afinal , na América Latina tudo é possível.
030708

quarta-feira, julho 02, 2008

ESMOLISMO E POPULARIDADE

Em diversas ocasiões, Lula repetiu que é fácil governar para os pobres. De fato, a pobreza material somada à pobreza cultural cria no governado um sentimento de impotência, de submissão, de dependência que torna a permanência do governante no poder menos árdua. Talvez esse fato explique por que Lula, mesmo tendo realizado um governo medíocre e com suspeita de conivência com a corrupção, permaneça incólume e se projete para além de 2010 sustentado nos altos índices de popularidade.
ESMOLISMO E POPULARIDADE

Está aí, à vista de todos: somente quem é tolo, cego ou cúmplice não é capaz de reconhecer que o governo Lula da Silva tem comprado a consciência da maioria do povo brasileiro com o dinheiro tomado desse mesmo povo. E não se trata como muitos pensam de uma prática à la "Robin Hood"- que rouba dos ricos e distribui aos pobres -, mas de uma planejada, astuciosa e mal-intencionada política que toma da sociedade cerca de 40% dos seus recursos e a ela devolve em forma de “bolsas” uma parte dessa arrecadação.E os pobres - o objeto de todas essas políticas distributivas - também pagam uma parcela da conta, em razão dos impostos embutidos nos preços dos produtos e serviços.

Em época de grave crise , catástrofes ou conflagração é compreensível e justificável que os governos adotem programas de socorro social. Os Estados Unidos tiveram que recorrer, por meio do programa New Deal, implementado na década de trinta pelo presidente Franklin Roosevelt, às práticas assistencialistas.Estas, porém, estavam acopladas a programas de recuperação e reconstrução do país abalado pela grande crise econômica. No Brasil, o atual assistencialismo governamental, além de ser um fim em si mesmo, tem se constituído num meio der manter cativa e subserviente a imensa parcela carente da população que passa a se constituir na gigantesca massa de manobra e clientela eleitoral de Lula , sempre pronta a retribuir com os seu voto tamanha “generosidade” governamental.O fato é que com o Bolsa Família e seus congêneres,Lula e o PT federalizaram o velho clientelismo que ainda permanece intocável nos rincões do país.

A adoção do assistencialismo como política social padrão do governo petista, cria nos mal informados a falsa ilusão de que a renda das camadas mais carentes da sociedade está sendo consistentemente aumentada, o que de fato não acontece pelo óbvio motivo de que os setores públicos que de fato poderiam contribuir para consolidar a diminuição das desigualdades não estão sendo trabalhados: a educação, a saúde pública, o saneamento e a qualificação profissional continuam tão desprezados pelo governo atual quanto o foram nos governo anteriores, o que impede que as camadas desfavorecidas tenham uma real ascensão social. O atual quadro que une o assistencialismo à negligência com as políticas sociais efetivas tende a perpetuar o quadro de pobreza, pois a simples caridade governamental,sem a oferta dos instrumentos e das oportunidades para a ascensão social, cria apenas uma situação de momentânea melhoria no padrão de vida da população mais pobre.

O resultado não poderia ser outro: enquanto o presidente Lula anuncia o reajuste de 8% dos benefícios do programa Bolsa Família e chama de "insensíveis " os críticos do reajuste, o levantamento CNI-IBOPE divulgado na última segunda feira mostra que 58% dos entrevistados considera sua gestão "ótima ou boa". Em que pese a maioria dos brasileiros rejeitar as políticas para a segurança, os juros e a inflação ascendentes, cerca de 60% da população está de acordo com os programas sociais de combate à fome, ou seja , a Bolsa Família e seus derivados .

De fato, poucos são os que criticam o caráter eminentemente clientelístico dos programas sociais de Lula. A própria oposição tem receio de tocar no assunto, e quando o faz é para aplaudir "com restrições". Na campanha eleitoral de 2006 era visível o temor do candidato tucano em denunciar o espírito oportunista e eleitoreiro do Bolsa Família. Perguntado se iria acabar com o programa , respondia que iria “melhorá-lo”. Poucos, também, são os que questionam a necessidade urgente de uma revolução no ensino público brasileiro, fato que seria capaz de construir uma nova geração de pessoas altivas e conscientes, com chances reais de sair da pobreza, e dispostas a construir o País com o seu próprio esforço, livres, portanto, da eterna dependência do governo.

Em diversas ocasiões, Lula repetiu que é fácil governar para os pobres. De fato, a pobreza material somada à pobreza cultural cria no governado um sentimento de impotência, de submissão, de dependência que torna a permanência do governante no poder menos árdua. Talvez esse fato explique por que Lula, mesmo tendo realizado um governo medíocre e com suspeita de conivência com a corrupção, permaneça incólume e se projete para além de 2010 sustentado nos altos índices de popularidade.O mal que o governo Lula e o imenso esmolismo federal está causando ao País só será melhor avaliado daqui alguns anos. E aí, a tarefa de algum futuro governante que se proponha a construir, de fato, o Brasil, será gigantesca.
020708