segunda-feira, junho 02, 2008

PAULINHO, GAROTINHO E CHIQUINHO

Tal situação tende a provocar uma espécie de darwinismo político, ou uma seleção natural da espécie às avessas, no sentido de que a cada processo eleitoral aumenta o número de candidatos desqualificados, que enxergam na atividade política um meio de montar esquemas criminosos, apropriar-se do patrimônio público, enriquecer de maneira ilícita, e se esconder na imunidade parlamentar. Enquanto isso, cidadãos de bem, que poderiam contribuir para melhorar o nível da atividade política, dela se afastam como o diabo da cruz.

Garotinho no Rio, Paulinho em SP,e Chiquinho no interior de Minas: em comum, o uso criminoso da política.

PAULINHO, GAROTINHO E CHIQUINHO

Paulinho, Garotinho e Chiquinho são políticos, mas têm freqüentado as páginas policiais do noticiário, nas últimas semanas. Os dois primeiros são conhecidos nacionalmente, o terceiro é um ilustre desconhecido. Paulinho e Garotinho foram denunciados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por corrupção e por formação de quadrilha armada. Chiquinho foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais , suspeito de assassinato.

Paulinho é o deputado federal Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, suspeito de fazer parte de um esquema de desvio de recursos do BNDES; Garotinho é o ex-governador do Rio de Janeiro, acusado de formação de quadrilha armada pela PF, por ter usado a estrutura do Estado para dar respaldo político a um esquema de corrupção que envolve a polícia e o crime organizado. Para quem não se lembra, ambos já viveram momentos melhores: participaram das eleições presidenciais de 2002, concorrendo aos cargos mais elevados da República - Garotinho à presidência e Paulinho à vice, na chapa encabeçada por Ciro Gomes.Sobre Chiquinho falaremos adiante.

Os dois casos nos remetem mais uma vez à óbvia conclusão de que políticos dessa espécie não são a exceção, e só conseguem chegar aonde estão por força de um eleitorado pouco informado, carente de cidadania e conivente com as mazelas e os atos nebulosos praticados por cidadãos que se colocam como salvadores da pátria, mas que são no fundo defensores de interesses escusos.

No Brasil, insiste-se no mito do político safado eleito por um eleitorado bem intencionado, porém iludido, ou seja, que o cidadão escolhe o político confiando na sua competência e honestidade, e é por ele traído. Na maioria das vezes, a realidade não é a que parece: se uma parte significativa dos nossos políticos, ao galgar o poder, se comporta de maneira antiética, oportunista, corrupta e, mesmo, criminosa, é porque contou com o voto e a conivência de igual parcela do eleitorado. São inúmeros os exemplos de políticos expostos pela imprensa, investigados pela polícia, denunciados pelo Ministério Público e até cassados pelos seus colegas que, passado o período de turbulência, retornam à vida pública pelo voto do eleitor.

Tal situação tende a provocar uma espécie de darwinismo político, ou uma seleção natural da espécie às avessas, no sentido de que a cada processo eleitoral aumenta o número de candidatos desqualificados, que enxergam na atividade política um meio de montar esquemas criminosos, apropriar-se do patrimônio público, enriquecer de maneira ilícita, e se esconder na imunidade parlamentar. Enquanto isso, cidadãos de bem, que poderiam contribuir para melhorar o nível da atividade política, dela se afastam como o diabo da cruz.

Se homens de bem de bem se afastam, o terreno é cada vez mais ocupados por tipos como “Chiquinho da Farmácia”, o terceiro personagem deste artigo. Trata-se de Francisco Carneiro, médio empresário da cidade de Mariana, interior de Minas, que no último sábado foi preso pela Polícia Civil do Estado, suspeito de haver encomendado o assassinato, no dia 15 de março, de João Ramos Filho, ex-prefeito do município e favorito para as próximas eleições. Estreando na atividade política, Chiquinho da Farmácia preferiu eliminar no tiro o adversário que deveria ser vencido nas urnas. Pelo menos, este foi preso.

Paulinho de São Paulo, Garotinho do Rio, e Chiquinho do interior de Minas:o que os três casos têm em comum? Tudo, exceto a notoriedade dos dois primeiros e a obscuridade do último.Todos eles são causa e efeito de um mesmo corrompido processo político, no qual se confundem um eleitorado extremamente ignorante e servil, fruto da nossa deseducação política, um Estado faminto que arrecada oceanos de dinheiro, colocando-os à disposição da corrupção e do crime, e políticos devassos, a disputar os recursos públicos como aves de rapina disputam a sua presa, sem nenhum pudor e certos da impunidade.
020808


6 comentários:

Anônimo disse...

SÓ DÁ LADRÃO NO GOVERNO. NUNCA SE ROUBOU TANTO NESSE PAIZ COMO LULLA-LALAU-PTÓQUIO-ALOPRADO E SEU BANDO DE PTRALHAS LULLANÁTICOS.

Indignado disse...

No Rio, o ex chefe da polícia foi libertado pelos seus coleguinhas, nu flagrante desrespeito à Justiça!!!! Que país é esse?, ja perguntava Renato Russo. Eu respondo: um país de safados , ladrões sem vergonhas, e um povo idiota que somete pensa em futebol e cerveja

W Santos disse...

CARO FERNANDO SOARES:
ESSES ESCANDALOS SÓ ESTÃO APARECENDO, POR QUE O GRANDE GOVERNO DO PRESIDENTE LULA DA SILVA, NÃO ESTAR INTERFERINDO NAS AÇÕES DA PF E DO MPF, MUITO PELO CONTRÁRIO, ESTAR CORTANDO NA PRÓPRIA CARNE! DIFERENTEMENTE DOS (DES) GOVERNOS DAS FORÇAS DO ATRASOS (DEM, PSDB, PPS, PP, PARTE PODRE DO PMDB) ESPECIALMENTE DURANTE OS ÚLTIMOS OITO ANOS DO (DES) GORVERNO DO TUCANO F H C !
MAIS ALGUNS LEMBRAM QUE FHC "ESTABILIZOU A MOEDA"!!! REALMENTE FEZ A ESTABILAZAÇÃO DA MOEDA, PORÉM VENDENDO O BRASIL QUASE TODO PARA A BANCA INTERNACIONAL, A PREÇO VIL, E DO POVO "POBRE" DO BRASIL, QUE FOI OBRIGADA A PAGAR A CONTA! ASSIM É FÁCIL, NÃO?
E CASO FOSSE NO GOVERNO DO PT (LULA), SERIA TUDO DIFERENTE: AS ELITES QUE SERIAM CHAMADAS A PAGAR A CONTA DA ESTABILIDADE DA MOEDA!!! ORA BOLAS

Anônimo disse...

PRIVATARIA PTRALHA:
OS PTRALHAS PRIVATIRAM RODOVIAS PARA OS ESPANHÓIS, NEGOCIARAM A VARIG, CONTRA A LEI, COM AMERICANOS E AINDA ACUSAM FHC NAS PRIVATIZAÇÕES.
ESSE PARTIDO DE ALOPRADOS TEM QUE ACABAR - NÃO PODE COMETER TANTO CRIME E FICAR IMPUNE!
Segundo o Estadão, além de Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, a ministra-chefe da Casa Civil pressionou o então presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, a não se opor à venda da VarigLog ao fundo americano Matlin Patterson e a três sócios brasileiros. De acordo com a matéria, depois de Pereira dar entrevistas questionando o negócio, Dilma Rousseff teria dito a ele, por telefone, que não tinha que “se meter nisso”. O brigadeiro confirma a ligação. À época, ele havia qualificado como “impatriótica” a decisão da Anac de permitir a venda – a legislação brasileira limita a 20% o capital estrangeiro em companhias aéreas.

Anônimo disse...

PTRALHAS MALUFISTAS DO LULLA-LALAU E SEU BANDO:

Um aspecto emblemático da atual crise da venda da Varig é que a pergunta que se faz, dentro e fora do Congresso, não versa sobre a inocência ou não dos acusados. Pergunta-se apenas se vai ou não dar em alguma coisa. Já não se discute o conteúdo, mas o resultado. A tanto chegou o chamado relativismo moral do país. A história é simples: a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, braço direito do presidente da República e sua candidata à sucessão presidencial, é acusada de estar no lugar errado, na hora errada fazendo a coisa errada. Isto é, intermediando indevidamente uma transação milionária, de venda de uma companhia aérea, a Varig, induzindo o Estado a práticas ilegais.

Anônimo disse...

VEJA desta semana chega com uma questão que vale fantásticos US$ 418 milhões. Isto mesmo leitor: estamos falando da bagatela de R$ 670 milhões. Estão vendo o documento acima? Por meio dele, a TAM admitia comprar a Varig por US$ 1,2 bilhão. A proposta depois foi fechada em US$ 738 milhões. Mas a empresa, por razões que o capitalismo, a aritmética e o bom senso se negam a explicar, foi vendida por US$ 320 milhões para a Gol. Qual será o mistério?

Lembram-se daquele texto de anteontem, em que eu falava de “Dilma, a fascinante”? Num determinado trecho do artigo, não vendo mais nos fatos os instrumentos para retratar o surrealismo nativo, recorri, então, à imaginação. E o tio lhes propôs a seguinte “ficção”. Para quem não se lembra (segue em azul):

Marco Antonio Audi deixa claro que o chinês Lap Chan ameaçou não dar mais um tostão ao negócio e que praticamente impôs a venda da Varig à Gol. É preciso saber:
a) a TAM estava disposta a dar mais pela Varig?;
b) se a TAM aceitava dar mais, por que o governo só autorizaria a venda para quem aceitava dar menos?;
c) digamos que alguém estivesse escrevendo um roteiro de ficção:
1 – Hipotéticas empresas G e T estão interessadas na também hipotética empresa V;
2 - a empresa V, que não é boba, prefere a empresa T, que paga mais;
3 - mas o negócio depende de autorização do governo, que só aceita vender para a empresa G, que paga menos;
4 – o roteirista já tem um mistério, um enigma, e precisa tirar o leitor ou telespectador da sinuca. O que se passa?
5 – o roteirista, cheio de caraminholas, inclui em sua história o pagamento de um complemento, "por fora" (vocês sabem: "recursos não-contabilizados", como diria Schopenhauer) não ao dono da empresa V, mas aos agentes oficiais que forçaram a venda para a empresa G.

Isso foi o que imaginou um ficcionista. A primeira pergunta que fiz acima já está respondida.
Sim, a TAM aceitava pagar mais pela Varig. Muito mais. R$ 670 milhões a mais. Já o resto permanece um ministério, não é mesmo? Ou mais ou menos. Pegadas da Casa Civil – chefiada pela ministra Dilma Rousseff - apareceram na pressão feita na Anac para que a agência deixasse de cumprir sua função e aprovasse logo o negócio. E já se começa a perceber, também, a pressão oficial para que a empresa fosse vendida para a Gol.

Quem é a personagem onipresente na negociação do começo ao fim, de cabo a rabo? Ele mesmo: Roberto Teixeira, o “Papai”. Uma dívida bilionária da Varig desapareceu, foi parar numa empresa “podre”. O que se vendeu foi só a parte boa. Teixeira, depois, “arrombou as portas” da Anac para que se permitisse a venda para o consórcio que tinha o tal fundo americano. Lap Chan, o chinês que punha dinheiro na empresa, avisa que a fonte está seca, que é preciso vender a Varig. E impõe a Audi a venda para a Gol. Teixeira, que era advogado de Audi, passa a assessorar os compradores, tanto é que os conduz até a sala de Lula. E hoje? Hoje, ele é advogado de Lap Chan, o mesmo que tirou a escada dos sócios brasileiros, obrigando-os a passar a empresa adiante.

Resumo da operação:
- Varig com dívida bilionária: ninguém quer;
- Consórcio compra o enrosco por US$ 24 milhões;
- Anac diz que consórcio não cumpre requisitos legais;
- Teixeira faz lobby; Dilma pressiona Anac e Infraero;
- Dívida bilionária desaparece;
- Varig volta a valer uma fortuna;
- TAM propõe valor inicial de US$ 1,2 bilhão, mas termina oferecendo US$ 738 milhões;
- Impõe-se ao consórcio a venda à Gol por US$ 320 milhões.


Leiam os detalhes deste incrível negócio na VEJA desta semana. Abaixo, imagens que retratam bem a era Lula.