terça-feira, junho 10, 2008

O NAUFRÁGIO DA ALIANÇA MINEIRA

O fato é que uma união do tipo da projetada pela dupla Aécio-Pimentel seria inconcebível em qualquer país com fortes tradições democráticas e instituições políticas consolidadas, o que não acontece no Brasil. Em países com a democracia consolidada prevalecem os partidos e os programas dos partidos. No Brasil prevalecem os indivíduos, os projetos políticos individuais.

O NAUFRÁGIO DA ALIANÇA MINEIRA
Aécio Neves, governador tucano de Minas, quer porque quer a presidência da República em 2010; Fernando Pimentel, prefeito petista de Belo Horizonte, quer porque quer ser o sucessor de Aécio em 2010. Para tanto, juntaram a fome com a vontade de comer e submeteram os seus partidos a uma constrangedora e inusitada tentativa de coligação visando lançar uma candidatura comum à prefeitura da capital mineira. O nome escolhido foi o do desconhecido Mauricio de Lacerda, filiado ao inexpressivo PSB, partido no momento a serviço do deputado Ciro Gomes, pretenso candidato à vice-presidência numa virtual chapa encabeçada por Aécio.

Aécio acredita que 2010 é a sua hora e vez, mas sabe que são muitos os obstáculos a serem vencidos desde agora. E os principais encontram-se no seu próprio partido. Como se sabe, a principal barreira chama-se José Serra, que tem o apoio dos principais caciques tucanos e do empresariado paulista. Aécio julga que poderá descartar Serra investindo na divisão do tucanato paulista, arregimentado os aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, e articulando um número cada vez maior de políticos e de partidos em torno de seu nome. Imagina, quem sabe, repetir o avô Tancredo cuja candidatura em 1984 se transformou no símbolo da unidade nacional e da redemocratização do País.

O governador poderia se quisesse, lançar um candidato próprio à prefeitura de BH sem tentar uma composição com o PT. Mas em nome dessa aliança que pretende construir visando 2010, o governador mineiro preferiu abrir mão de uma candidatura que representasse os partidos que o apóiam em Minas e embarcar numa coligação com o seu principal adversário. Por seu turno, Pimentel, respaldado nas pesquisas que o apontam como um dos prefeitos de capitais mais bem avaliados pela população, e picado pela mosca azul, preferiu contrariar uma parte significativa do seu partido e se coligar com Aécio, em troca do apoio à sua candidatura ao governo do Estado. Pimentel, como muitos, acredita que sem as bênçãos de Aécio nenhum candidato ao governo do Estado chegará a ser de fato competitivo em 2010.

Ao projetar a coligação, Aécio e Pimentel deram um passo ousado, mas subestimaram a capacidade de reação dos seus adversários. E ela não tardou: incentivados pelos ministros Patrus Ananias – também pretendente ao trono mineiro em 2010 – e Luiz Dulci, o Diretório Nacional do PT condenou a aliança, mas não rejeitou o apoio “informal” dos tucanos mineiros. Na prática, a decisão do Diretório nacional inviabilizou a esdrúxula coligação.

O fato é que uma união do tipo da projetada pela dupla Aécio-Pimentel seria inconcebível em qualquer país com fortes tradições democráticas e instituições políticas consolidadas, o que não acontece no Brasil. Seria inimaginável, por suposição, que nos Estados Unidos o governador republicano de um determinado estado e o prefeito democrata da capital do Estado forjassem uma aliança em torno uma candidato de um terceiro partido, apenas porque isto interessava aos projetos pessoais de ambos.

Em países com a democracia consolidada prevalecem os partidos e os programas dos partidos. No Brasil prevalecem os indivíduos, os projetos políticos individuais. Aqui, os partidos são usados como meros instrumentos para alavancar os nomes de determinados políticos. E é paradoxal que o mais recente exemplo de partidos colocados a serviço de projetos políticos individuais tenha como protagonistas justamente o PT e o PSDB, partidos que nas últimas décadas vinham tentando superar a tradição do caciquismo e do personalismo que marca a nossa política, e se projetando como partidos com uma boa dose de ideologia e de organicidade.

Aécio Neves e Fernando Pimentel tentaram mais uma vez se colocar acima dos seus respectivos partidos. Desta vez, parece que se deram mal. Ainda bem.
100608

7 comentários:

ROSENA disse...

Fernando a maior gangue do Brasil é sem duvida ao PT... para quem não acreditar levantem os escândalos nas duas gestões FHC e levantem os tranmbiques das gestões lula.... Até existiram problemas nos governos do FHC (mesmo por que o PT vivia exclusivamente para procura-los), mas no governo Lula os escândalos aparecem a cada semana... isso por que não tem ninguem tão empenhado em procura-los... imagina se tivesse...
PT é uma quadrilha... armada com o fanatismo dos despreparados que votam nesse partido.

mARCELO disse...

Votar no Brasil está cada vez mais complicado, uma vez que os partidos políticos estão se padronizando, deixando de lado suas ideologias e se nivelando sempre pelo lado mais sujo.

mARCELO disse...

Votar no Brasil está cada vez mais complicado, uma vez que os partidos políticos estão se padronizando, deixando de lado suas ideologias e se nivelando sempre pelo lado mais sujo.

Anônimo disse...

aÉCIO É UM EXELENTE NOME PARA A PRESIDÊNCIA E É O ÚNICO CAPAZ DE TIRAR A CORJA PETISTA DO PODER E A CORJA PAULISTA TUCANA . ELE APENAS TEM QUE FICAR MAIS CONHECIDO NACIONALMENTE. CHEGA DE PAULISTAS E PETISTAS NO PUDER!!!

Anônimo disse...

BRASIL DO LULLARAPIO SEM LEI: olha tua cara.


VEJAM O BRASIL DO LULLA-LALAU: se é preso autoridades por vender carteira de motorista que custa aprox. 100 reais, mas não se é preso por vender com roubo a VARIG que a TAM ofereceu 758 milhões de dólares e foi vendida para a GOL por 320 milhões de dólares.

Anônimo disse...

É LULA LÁ OUTRA VEZ!!!!!!
MOVIMENTO PELO TERCEIRO MANDATO PARA LULA.

MTM

É LULA L[A OUTRA VEZ!!

Roberta disse...

Descordo fortemente do post acima, pois uma aliança que beneficia a população é bem vinda, ainda que os políticos tenham seus interesses pessoais. Ao dizer que nos Estados Unidos seria impossível o partido republicano ser aliado ao partido democrata, o autor comete um erro absurdo. Um exemplo é o site Republicans for Obama que ilustra um apoio de alguns republicanos ao candidato democrata. O próprio Barack Obama, em diversos discursos e em seu livro discorre que a defesa dos ideias partidários com o intuito de apenas discordar do outro partido é absurda. O principal interesse é o do cidadão. E como cidadã moradora de Belo Horizonte, posso atestar que a cidade está melhor do que nunca e isso por causa do diálogo existente entre o governador e o prefeito. Criticar o que está funcionando e o que é sucesso a despeito do seu próprio bem é uma clara característica dos mineiros. Espero somente que no segundo turno a maioria enxergue que a "aliança", apesar de todos os interesses individuais (que sempre irão existir) somente beneficiará o cidadão