terça-feira, maio 06, 2008

AGINDO EM 2008, PENSANDO EM 2010


Em que pese todo o esforço dos caciques políticos em federalizar o processo eleitoral municipal deste ano, para o cidadão comum continua prevalecendo a preocupação com os temas municipais.Assim, não é improvável que o atual malabarismo político engendrado pelos grandes caciques, com o pensamento em 2010, acabe não tendo o respaldo do eleitor, com os seus candidatos derrotados em outubro , jogando um balde de água fria sobre suas pretensões futuras.


De olho no Planalto,Serra, Lula e Aécio querem subordinar as eleições municipais deste ano às eleições presidenciais de 2010. O eleitor dará a palavra final...
PENSANDO EM 2010

Em São Paulo, ao que tudo indica,o PSDB preferiu abrir mão da candidatura própria e apoiar o candidato do DEM, Gilberto Kassab; em Minas,da mesma forma , o PSDB optou por construir uma inusitada aliança com o PT do que lançar um candidato do partido à prefeitura de BH. Nesses dois estados. os tucanos foram consagrados nas urnas em 2006 com a eleição de José Serra e de Aécio Neves. Seria, portanto, natural que fizessem prevalecer a sua hegemonia lançando candidatos próprios nas respectivas capitais. Mas tal não acontece. Por quê?

A primeira razão é a inconsistência ideológica e programática dos partidos no Brasil, superada pelo caráter personalista e populista que historicamente marca o nosso processo político. É mais um fruto da deseducação política de nosso povo.O Brasil, antes de ser o País do PTB, da UDN, do PMDB, do PSDB ou do PT - apenas para citar alguns partidos que se destacaram ao longo dos últimos 50 anos- foi sobretudo o País de Vargas, de Juscelino, de Brizola , de Jânio, de Maluf, de Tancredo e de Lula, numa mostra clara que aqui as personalidades políticas sempre se sobrepuseram às agremiações. E agora não é diferente: os interesses de Lula, de Aécio e de José Serra estão acima e adiante de qualquer projeto partidário. E o eleitor faz a sua parte, votando no candidato, e não no partido.

Essa subordinação do pensamento e do programa partidários aos projetos políticos de lideranças transforma os partidos em meros apêndices nas disputas entre os caciques, como vem acontecendo em São Paulo, entre Serra e Alckmin, e em Minas, entre o prefeito de BH, Fernando Pimentel - favorável à aliança com o PSDB de Aécio – e o ministro Patrus Ananias, contrário à aliança.

A segunda razão , umbilicalmente ligada à primeira,é o desejo dessas lideranças de subordinar as eleições municipais deste ano ao processo eleitoral de 2010: os partidos e suas lideranças trabalham em 2008 com o pensamento voltado para 2010 e querem fazer do próximo pleito eleitoral uma espécie de “preview” do seguinte.

Em São Paulo,J Serra prefere apoiar Kassab obviamente porque precisa do apóio do DEM em 2010 como parte do seu projeto de tentar mais uma vez a Presidência. Em Minas, Aécio Neves arquitetou uma frente de partidos , e nela incluiu uma ala do PT ligada a Fernando Pimentel, porque também almeja a presidência , e para se contrapor à Serra , sonha em construir em torno de si uma expressiva base de sustentação.Nesse caso, pretendendo contar, inclusive ,com o apoio de Lula, na esperança de que este não encontre no seu partido alguém melhor para apoiar, ou não queira ser candidato à sua própria sucessão como muitos temem.

Uma situação anacrônica como esta seria inimaginável num país com sólidas raízes democráticas e instituições partidárias fortes, como os Estados Unidos .A atual disputa entre os democratas Barack Obama e Hillary Clinton , longe de representar uma ruptura interna, é muito mais o retrato vivo de uma disputa saudável , pois se dá de maneira transparente, dentro do programa e das regras, e sob total controle da direção partidária. Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde as disputas partidárias internas costumam ser como briga de faca e foice em quarto escuro.

Mas em que pese todo o esforço dos caciques políticos em federalizar o processo eleitoral municipal deste ano, para o cidadão comum continua prevalecendo a preocupação com os temas municipais: a ampliação dos postos de saúde, a qualidade das escolas, a eficácia dos serviços de transportes coletivos, a iluminação e o calçamento das ruas,o valor do IPTU. Ou seja, a qualidade de vida na cidade onde reside. O eleitor, muito antes de interessar saber a quem o seu voto atual beneficiará nas eleições de 2010, interessa saber quem será mais capaz de resolver os seus problemas cotidianos básicos. Assim, não é improvável que o atual malabarismo político engendrado pelos grandes caciques, com o pensamento em 2010, acabe não tendo o respaldo do eleitor, com os seus candidatos derrotados em outubro , jogando um balde de água fria sobre suas pretensões futuras.

060508

6 comentários:

Anônimo disse...

A direita brasileira é uma corja. Só interessa o poder pelo o poder. O povo vem em segundo plano!

Anônimo disse...

O José Serra continua com sua postura obsessiva de derrubar seus desafetos.É impressionante.

nILO disse...

O PT sabe que no Brasil de agora, ser etico, correto, é o mesmo que ser otário. Se não vejamos, Marta encontra-se com Paulinho-PDT para unir força, pois bem Paulinho esta sendo investigado por suposto esquema de proprina para liberar dinheiro do BNDS, mais como o PT sabe o povo brasileiro esta pouco se lixando para corrupção, roubos de politicos. O LULLA CONTINUA NAS ALTURAS.
BRASIL UM PAIS DE TOLLOS.

Reinaldo disse...

Fernando
Esse racha no PSDB é mais uma etapa na desmoralização da política brasileira. O partido foi fundado por descontentes com a vertente adesista do PMDB e agora acontece com ele o que aconteceu com o partido de origem; racha em dois, num salve-se-quem-puder forçado pelo rolo compressor da popularidade de Lula. A sobrevivência torna-se o aspecto mais importante da carreira política e as perspectivas eleitorais do PSDB são péssimas, no momento. Como Lula concorrerá ao 3o. mandato, Serra torna-se uma bóia provisória, até a próxima formação e desenho da nuvem política. Escancarou-se escandalosamente a realidade interna dos partidos, que não passam de aglomerados informes de postulantes a cargos eletivos. Só depois que passar o furacão Lula, sabe-se lá quando, poderá haver um reordenamento político. Se ainda houver tempo!

Rosena disse...

Lula afirmou ontem que não quer o terceiro mandato pq não quer ser um ditadorzinho..ha ha ...partindo do quem partiu é para acreditar no contrario do que disse.

Anônimo disse...

Nascido em 8 de dezembro de 1969, quase um ano depois que o AI-5 mergulhou o País nas trevas da repressão política, o paraibano Luís Lindberg Farias Filho se tornaria nacionalmente conhecido como um dos mais importantes líderes estudantis da geração surgida com a redemocratização. Em 1992, como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lindberg liderou o renascimento do movimento estudantil ao colocar nas ruas os chamados "caras-pintadas", que pediam o impeachment, por corrupção, do então presidente Fernando Collor de Mello - ele acabaria renunciando em dezembro daquele ano. Enrolado na bandeira da ética na política, Lindberg elegeu-se deputado federal pelo PCdoB em 1994. Recebeu nota dez do Diap e bandeou-se para a extrema-esquerda, no PSTU - o que lhe custou a reeleição em 1998. Entrou para o PT e voltou à Câmara em 2002, na esteira da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Dois anos depois, elegeu-se prefeito de Nova Iguaçu (RJ) - cidade que tem o quarto orçamento do Estado do Rio de Janeiro - com o apoio entusiasmado do presidente Lula e da cúpula do PT. Agora, em plena campanha pela reeleição, Lindberg Farias está enfrentando graves denúncias de corrupção feitas pela ex-secretária de recursos humanos Lídia Cristina Esteves, que o acusa de montar um esquema na prefeitura para se manter no poder. Além disso, várias ações suspeitas de seu governo estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) do Rio de Janeiro, pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). ISTOÉ obteve com exclusividade fitas gravadas em que assessores e ex-assessores acusam o prefeito de montar um esquema que beneficia empresas que financiaram sua campanha política, paga propinas a funcionários, dá cargos e dinheiro a vereadores em troca de apoio político e conduz licitações viciadas. Um deles, Jaime Orlando, ex-presidente da Comissão de Licitação, diz que Lindberg "trata as coisas e depois eu é que tenho que me virar para atender".
Um dos casos mais graves ocorreu na área de educação. Há alguns meses, a Secretaria de Educação de Nova Iguaçu foi denunciada pelo Ministério Público Estadual por causa de uma licitação superfaturada para compra de merenda escolar em 2006. Esta denúncia provocou o afastamento da secretária de Educação, a vereadora Marli de Freitas, e do presidente da Comissão de Licitação da prefeitura, Jaime Orlando. Por conta disso, o MPE determinou o bloqueio das contas e a indisponibilidade dos bens de Marli e de Orlando. Também na área de educação ocorreu outro caso polêmico, a contratação do Instituto Paulo Freire para elaborar o arcabouço pedagógico do Programa Bairro-Escola, carro-chefe do prefeito na área de educação. A responsável pelo programa era a mulher do prefeito, Maria Antônia Goulart. A ex-secretária de recursos humanos da prefeitura Lídia Cristina Esteves diz que havia desvio de dinheiro do programa para o prefeito e sua. mulher. O convênio da ONG com a prefeitura custa aos cofres municipais R$ 800 mil por ano.