terça-feira, março 11, 2008

DIVÓRCIO À VISTA



Conhecido como "partido da ditadura", por ser herdeiro direto da Arena e do PDS, o ex-PFL pode, se quiser e tiver competência, se livrar do carma, livrar o país da mesmice ideológica que caracteriza o quadro partidário brasileiro, e assumir a posição de defensor dos princípios do liberalismo econômico e da democracia. Ou seja, ocupar o espaço ainda vazio de um partido assumidamente de centro- direita e moderno.


Divórcio à vista

O casamento entre o PSDB e o DEM (ex - PFL) pode estar caminhando para o divórcio, e os primeiros sintomas dessa possível separação já poderão ser percebidos nas próximas eleições municipais. É que o Democratas anuncia a sua intenção de fortalecer a sua identidade partidária, acentuar o seu oposicionismo, e descartar o papel de mero coadjuvante das ações políticas protagonizadas pelos tucanos.

Nas próximas eleições, na maioria das capitais e cidades influentes, tucanos e democratas já se declararam dispostos a lançar candidatos próprios. Em SP, o atual prefeito tem conquistado a simpatia de um número crescente de eleitores que até pouco o desconheciam, e se mostrado uma estrela em ascensão. Em que pese o apoio de José Serra, Gilberto Kassab talvez tenha que trilhar o processo eleitoral sem a companhia dos tucanos, uma vez que G Alckmin não abre mão do propósito de chegar à prefeitura e fazer dela um trampolim para o governo do estado,ou, mesmo, para a presidência em 2010.

No Rio, a alegada força eleitoral do prefeito César Maia não tem sido suficiente para demover os tucanos a abrir mão de uma candidatura própria,em favor de uma aliança encabeçada por um candidato do DEM.Sem um nome forte, os tucanos cariocas ensaiam lançar o deputado Fernando Gabeira, o que definitivamente colocaria os dois partidos em campos opostos. O que acontece em SP e no RJ se repete na maioria dos municípios, sob o argumento, válido, de que as eleições municipais são o caminho para o fortalecimento das bases de cada partido, e, para isso o lançamento de candidaturas próprias por cada partido é imprescindível.

No legislativo federal, mesmo que nos discursos, tucanos e democratas troquem juras de amor eterno e confirmem o seu propósito de estarem juntos em 2010, são evidentes as divergências entre eles. Por ocasião da votação da CPMF, no final do ano passado, enquanto os democratas mantinham uma aparência de unidade e firmeza contra a prorrogação do imposto do cheque, os tucanos se apresentavam desunidos e desnorteados. O mesmo se repete agora , por ocasião da crise dos cartões corporativos: enquanto o PSDB age de maneira moderada e tende a uma composição com o governo no sentido delimitar o campo das investigações, os democratas parecem mais dispostos a aprofundar as investigações.

O fato é que pelo andar da carruagem, tucanos e democratas não estão muito distantes de um divórcio definitivo. Os ex-pefelistas talvez ainda não tenham tomado a decisão do rompimento porque não se sentem seguros em caminhar com as próprias pernas rumo à presidência. Falta-lhes o que sobra aos tucanos: um nome com carisma e força eleitoral suficiente para enfrentar o candidato petista e a máquina governamental. Apesar disso, ensaiam os nomes dos senadores Agripino Maia, Kátia Abreu, e dos prefeitos Gilberto Kassab e César Maia.

Além de um nome com densidade eleitoral, também falta aos democratas maior nitidez em sua identidade ideológica. Conhecido como "partido da ditadura", por ser herdeiro direto da Arena e do PDS, o ex-PFL pode, se quiser e tiver competência, se livrar do carma, livrar o país da mesmice ideológica que caracteriza o quadro partidário brasileiro, e assumir a posição de defensor dos princípios do liberalismo econômico e da democracia. Ou seja, ocupar o espaço ainda vazio de um partido assumidamente de centro- direita e moderno.

Os primeiros passos - a mudança de nome, a renovação da direção partidária, e a maior contundência nos ataques ao governo lulo-petista - são um bom indício da construção de um novo caminho para o partido. Existe no Brasil um eleitorado ávido por mais liberdade econômica, menos presença do Estado, menos imposto e mais eficiência governamental. Os atuas partidos defendem justamente o contrario. O DEM poderia ser o representante dessa grande parcela da sociedade.

Muitos temem que o divórcio oposicionista possa acarretar nada menos do que o fortalecimento do PT nas próximas disputas eleitorais. Em São Paulo, por exemplo, a divisão dos votos entre Alckmin e Kassab poderá conduzir à prefeitura a petista Marta Suplicy. Em 2010, o fim da aliança oposicionista poderá fazer com que Lula festeje por antecipação a vitória do seu candidato, seja ele quem for. Outros acham que se for por uma causa justa - o aparecimento de um partido de oposição ancorado em uma forte crença nos valores da democracia e do liberalismo - vale a pena correr o risco. É esperar para ver.
110308

7 comentários:

Rosena disse...

Tucanos e petistas estao cada vez mais proximos. Veja o Aécio em Minas fazendo aliança com o PT. Vc tem razão. Está faltando um partido oposicionista de verdade . mas não acho que ele seja o PFL -ops, Democratas..

Reinaldo disse...

Fernando Soares,Acho sua análise otimista demais com relação ao ex-PFL.É bom não esquecer que no governo FHC eles fizeram o mesmo papel que o PMDB desempenha hoje, isto é, ficaram a reboque do partido hegemônico, no caso o PSDB, da mesma forma como agora o PmdB faz em relação ao PT. Ainda está por surgir o partido com as linhas que vc defende e eu tb concordo. Mas este partido certamente não será o DEM

Anônimo disse...

Mais uma vez: enquanto os CÃES oposicionistas ladram, a caravana petista passa.
Não adianta chorar, Lula elege o sucessor e ainda volta ao poder em 2014

Anônimo disse...

TÁ NA HORA DA VERDADE: passado 8 anos de FHC e 5 anos de lulla-lalau, podemos concluir que desses 13 anos só sobrou: política econômica de FHC, Incentivo e indicativo à exportação de FHC e programas sociais de FHC. Mais nada - NADA MESMO.

Vamos ter que reconhecer (inclusive eu, que achava um monte de defeito no FHC, mesmo tendo algumas qualidades) que só deu FHC nos últimos 13 anos.

TÁ NA HORA DE COMEÇAR A ERGUER ESTÁTUA DO HOMEM!

Anônimo disse...

BRASIL DO LULLARAPIO SEM LEI:
Por Alexandre Oltramari:
O Brasil continua vivendo o paradoxo de premiar quem deveria ser punido e punir quem deveria ser premiado. Em 1968, Orlando Lovecchio Filho (acima, em foto de Robson Fernandjes/AE), então com 22 anos, foi vítima de um ato terrorista. Uma bomba detonada por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um grupo terrorista de esquerda, dilacerou uma de suas pernas, que teve de ser amputada. A ação tinha como alvo o consulado americano em São Paulo. Mutilado, Lovecchio, a vítima, teve de abandonar o sonho de se tornar piloto comercial e, há quatro anos, passou a receber do INSS uma pensão por invalidez no valor de 571 reais. Na semana passada, o colunista Elio Gaspari, dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, revelou que o destino, ou melhor, o estado brasileiro foi bem mais generoso com um outro personagem da história. Diógenes Carvalho Oliveira, o autor do atentado, recebeu do governo federal a confirmação de sua aposentadoria como vítima da repressão durante o governo militar. Além de uma pensão vitalícia de 1 627 reais, Diógenes vai embolsar 400 000 reais referentes a pagamentos atrasados. Um prêmio, sem dúvida, ao absurdo.

Anônimo disse...

Diogo Mainardi
O esquerdismo
clinicamente morto

"Li que Dilma Rousseff perdeu 12 quilos para se eleger
à Presidência. Pelo que entendi, trata-se do principal
ponto de sua plataforma eleitoral. Estou torcendo para
que Dilma Rousseff seja a candidata do PT em 2010.
Estou torcendo muito. Sem a Dilma, o PT chega em
terceiro lugar. Com a Dilma, ele chega em quinto"

"Como deixei de ser um esquerdista clinicamente morto." É mais ou menos esse o título de um artigo de David Mamet no Village Voice. Para quem está boiando, David Mamet é um dos maiores dramaturgos dos Estados Unidos. Village Voice é um jornal de Nova York. E "esquerdista clinicamente morto" é todo mundo menos a patota de VEJA, considerando-se o que se diz por aí a nosso respeito.

David Mamet foi um esquerdista clinicamente morto até o dia em que se pegou imprecando contra a rádio pública americana. Ele se deu conta de que suas antigas idéias políticas já não refletiam a realidade: do preconceito contra as grandes empresas – cujos produtos ele consumia – ao ódio pelos militares – que arriscavam a vida para protegê-lo de um mundo hostil. Ele passou a questionar o papel do governo, rejeitando o intervencionismo estatal, um dos mitos inabdicáveis dos esquerdistas clinicamente mortos: "Mas, se o governo não intervém, como é que nós, meros seres humanos, vamos fazer? Eu li e refleti, e me ocorreu que eu conhecia a resposta, que é a seguinte: parece que nós simplesmente sabemos". Para demonstrar isso, David Mamet fez um paralelo com o teatro: "Tire o diretor de uma peça teatral e o que acontece? Em geral, menos conflitos, um período mais curto de ensaios e um resultado melhor".

O teorema de David Mamet pode ser aplicado a todas as esferas da política. Dilma Rousseff está tentando cacifar sua candidatura presidencial graças ao PAC. Tire Dilma Rousseff do PAC e o que acontece? Menos conflitos, um período mais curto de obras e um resultado melhor.

Estou torcendo para que Dilma Rousseff seja a candidata do PT em 2010. Estou torcendo muito. Sem a Dilma, o PT chega em terceiro lugar. Com a Dilma, ele chega em quinto. Quinto é bem melhor do que terceiro. Com a Dilma é bem melhor do que sem a Dilma. Os esquerdistas clinicamente mortos parecem entusiasmados com Dilma Rousseff. Eu também. No que se refere à sua candidatura, pode-se dizer que sou esquerdista clinicamente morto.

Li que Dilma Rousseff perdeu 12 quilos para se eleger à Presidência. Pelo que entendi, trata-se do principal ponto de sua plataforma eleitoral. Quem também emagreceu um bocado no último período foi Caio Blinder. O suficiente para se eleger vereador. Caio Blinder é a Dilma Rousseff do Manhattan Connection. Passei a semana com ele, para a festa dos quinze anos do programa. Falamos sobre o passado e sobre o futuro. O passado remete a 1993, quando o Manhattan Connection foi ao ar pela primeira vez. Em 1993, eu era um romancista sem leitores. É bom ser um romancista sem leitores. A gente só pensa na posteridade. Agora minha vida piorou tremendamente. Eu só penso no futuro, e o futuro é muito mais aborrecido do que a posteridade. Meu futuro é tentar sobreviver aos esquerdistas clinicamente mortos.

Luiz Stephano De Módena disse...

Realmente nada muda neste país.
Privilégio está e continuará ao lado dos poucos privilegiados da real elite do país, sim estou falando da elite política, estes sim são a real definição de elite, pois para eles não há crise, afinal o povo paga a conta, não importa quanto e como, e ponto.