terça-feira, março 18, 2008

AMÉRICA LATINA:DE VOLTA AO PASSADO

A visão de uma AL forte, integrada e democrática é um sonho distante. Enquanto os governantes considerarem a sociedade como mera massa de manobra para seus propósitos pessoais e enquanto a sociedade não tomar consciência de que realmente se comporta como massa de manobra, ele permanecerá distante.
AMÉRICA LATINA: DE VOLTA AO PASSADO
Construir a democracia e o desenvolvimento econômico na América Latina não é uma tarefa fácil. Mergulhada em infindáveis crises políticas, e dividida por diversidades étnicas e culturais e enormes desigualdades sociais, nosso continente parece nunca encontrar o norte para o desenvolvimento econômico e social. As esquerdas costumam culpar o colonialismo e o imperialismo pelo eterno atraso do continente. Atribuem aos espanhóis , portugueses, ingleses e norte-americanos a culpa por todos os males que assolam o continente desde o século XVI. Mas, as verdadeiras razões devem ser buscadas principalmente nas próprias fraquezas e contradições internas de cada país.
De um modo geral, existem fatores que são comuns a todos eles: uma elite política e econômica burra, corrupta e egoísta, um Estado patrimonialista, burocratizado e centralizador, completo abandono da educação pública, um empresariado pouco dado à competição e ao risco e muito tendente a se socorrer do dinheiro público,e a presença de um povo alienado, carente e sempre pronto a votar em figuras messiânicas e demagogas que lhe prometa alguma vantagem imediata.
Quando pensávamos que a AL, após atravessar as décadas de 50 e 60 entregue a caudilhos populistas e as décadas de 70 e 80 sob as baionetas dos militares, havia tomado juízo e lançado a pedra fundamental do desenvolvimento econômico e da democracia, eis que reaparecem, a puxar o continente para trás, os mesmos fantasmas de décadas anteriores, com o mesmo discurso “nacionalista” e “anti-imperialista”. Esse ressurgimento está fundamentado na velha crença de que o grande mal da AL é o outro, ou seja, os ianques do norte ,e que o remédio está numa mistura de nacionalização de atividades econômicas , restrição aos investimentos estrangeiros e restrição às liberdades democráticas.O resultado de tais políticas, nós sabemos por experiência própria, são catastróficos e resultam numa maior estagnação , aumento do desemprego, acentuação das desigualdades sociais e intensificação do autoritarismo político.
A AL vive nesta primeira década do século o tal fenômeno da volta ao passado. O exemplo da Venezuela de Chávez parece ter contaminado o Equador de Correa, a Bolívia de Morales, a Argentina dos Kirchners e a Nicarágua de Ortega. O Brasil de Lula é um caso a parte. Embora também adote no plano político e social o discurso e as práticas que vêm caracterizando essa nova esquerda latino –americana, - populismo, assistencialismo e autoritarismo –, no plano econômico toma o cuidado de não se confrontar com as regras do mercado e da globalização, e procura preservar a política de estabilidade implementada pelo seu antecessor, embora não avance um milímetro no sentido de uma maior liberalização da economia e de uma maior eficiência do Estado. É bom lembrar que o discurso do PT quando na oposição estava mais em afinado com o que Chávez defende hoje do que com o Lula pratica agora, em matéria de política econômica.

Se os Estados Unidos têm alguma culpa pela marcha-a-ré que alguns países estão dando, certamente não é porque, como insiste em fazer crer a esquerda, eles se intrometem demais na política latino americana, mas justamente pelo contrário: o governo de Bush tem sido marcado muito mais pela leniência com que trata o sub-continente. A ALCA que se anunciava como um ótimo caminho para a integração continental em bases mais modernas, parece ter ficado esquecida em alguma gaveta da administração Bush, dando ensejo para que lideranças inconseqüentes como Chávez ocupem o espaço vazio e tentem formalizar as sua próprias alianças regionais, baseadas em princípios políticos e econômicos arcaicos e xenófobos.

Desse modo, a visão de uma AL forte, integrada e democrática é um sonho distante. Enquanto os governantes considerarem a sociedade como mera massa de manobra para seus propósitos pessoais e enquanto a sociedade não tomar consciência de que realmente se comporta como massa de manobra, ele permanecerá distante.A fórmula para a verdadeira e desejada libertação continental não é secreta e tem sido praticada por muitos países. Trata-se de promover investimentos maciços em educação, incentivar a liberdade econômica e a livre iniciativa,e,acima de tudo, muita democracia .
180308

Um comentário:

Américo disse...

O nosso continente, com figuraças como Chavez e Lulla esta´mais para América LATRINA.