segunda-feira, janeiro 28, 2008

LULA REFORÇA OS MAUS COSTUMES POLÍTICOS

A ascensão do partido ao poder não trouxe a esperada revolução ou renovação nos costumes políticos . Sem um programa de governo consistente, Lula e sua turma se aferraram a um projeto continuista , no qual o emprego de práticas arcaicas e extremamente negativas tem sido considerado vital.No governo do ex-metalúrgico as mazelas que contaminam a nossa política e que durante muito tempo serviram como alvo da artilharia petista em sua caminhada rumo ao poder, permanecem vivas e atuantes, graças ao reforço que receberam deste governo.



LULA REFORÇA OS MAUS COSTUMES POLÍTICOS

O Partido dos Trabalhadores nasceu e cresceu sob o signo da defesa intransigente da ética e da honradez política. Nas décadas de 80 e 90, incorporou a mística de combatente feroz do fisiologismo, do clientelismo , do nepotismo e da corrupção.Adeptos de tais práticas se enquadravam muitos políticos que hoje dão sustentação ao governo petista no Congresso, ocupando alguns deles inclusive cargos de ministros de governo.

Na sua tarefa de defender as boas práticas políticas, o PT não se fartava , tanto nos horários políticos da TV como nas campanhas eleitorais, de se apresentar como um partido “diferente”, livre de quaisquer práticas viciosas contrárias aos bons costumes políticos, e imune a todas as doenças que atacavam o organismo político brasileiro. Políticos como Lula, Mercadante, Jose´Dirceu e José Genuíno, arautos da moralidade e da ética naquele período, faziam questão de se contrapor a políticos do naipe de José Sarney, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Renan Calheiros, Gedel Vieira Lima ou Edison Lobão.Hoje, poucos são capazes de ver diferenças entre os dois times.

Nunca acreditei no PT, mesmo quando amigos petistas tentavam me convencer da suposta sinceridade das convicções e intenções do partido da estrela vermelha. Sempre enxerguei nas atitudes dos sectários petistas um misto de arrogância, autoritarismo, hipocrisia e falso moralismo. Mas o discurso ideológico petista sempre encontrou ressonância numa parcela da classe média pretensamente intelectualizada e justificadamente cansada do repetido mau comportamento dos políticos e da péssima gestão dos recursos públicos.Quando Lula abandonou o discurso ideológico que lhe era sugerido pelos intelectuais do partido e assumiu de vez o seu discurso populista, foi premiado com uma enxurrada de votos das camadas mais pobres e desinformadas da população, o que lhe possibilitou a chegada ao poder em 2003.

A ascensão do partido ao poder não trouxe a esperada revolução ou renovação nos costumes políticos . Sem um programa de governo consistente, Lula e sua turma se aferraram a um projeto continuista , no qual o emprego de práticas arcaicas e extremamente negativas tem sido considerado vital. A pregação moralista dos tempos de oposição foi substituída pelo pragmatismo cínico de agora; os inimigos de ontem se tornaram os aliados de hoje; e as anunciadas políticas de liquidação das desigualdades sociais deram lugar à mais deslavada prática de assistencialismo, consubstanciada no programa Bolsa Família.

As negociações no Congresso que deveriam estar assentadas sobre princípios , programas, idéias e convicções se fundamentam no velho toma-lá-dá-cá. Ministros continuam a ser escolhidos não pelo conhecimento que cada um deles tem dos assuntos referentes a sua pasta, mas pela força que podem representar no jogo sujo do Congresso. Enfim, no governo do ex-metalúrgico as mazelas que contaminam a nossa política e que durante muito tempo serviram como alvo da artilharia petista em sua caminhada rumo ao poder, permanecem vivas e atuantes, graças ao reforço que receberam deste governo.

Portanto, aqueles que, mesmo depois de tantas demonstrações no sentido contrário, continuarem acreditando que o Partido dos Trabalhadores é um baú de nobres intenções, merece o diploma de ingênuos.Mas aqueles que , mesmo conhecendo todas as mazelas que permeiam a atuação de Lula e do PT no governo, continuam a apóia-lo, merecem , no mínimo, um diploma de mal intencionados. Ingênuos e mal intencionados não são poucos na vida política do Brasil.Infelizmente, é desta mistura perniciosa que a nossa política tem se alimentado nas últimas décadas.
280108

segunda-feira, janeiro 21, 2008

LULA, LOBÃO E O RISCO DE APAGÃO

A escolha de Edison Lobão reforça a certeza de que mesmo diante da ameaça de uma grave crise num setor vital para o País, o presidente prefere priorizar o jogo político menor e medíocre em detrimento da grandeza e da determinação que marcam os grandes estadistas.Mas esperar que Lula assuma a postura de um grande líder é ser ingênuo demais.

A escolha de Édison Lobão visa assegurar a fidelidade de Sarney e seu grupo.O risco de apagão energético que se dane...

LULA, LOBÃO E O RISCO DE APAGÃO

Diante da perspectiva de um iminente apagão energético – o que é admitido por diversos especialistas no assunto – o presidente Lula opta por fazer do Ministério de Minas e Energia não um instrumento de prevenção e de implementação de providências para que tal fato não ocorra, mas sim um território para o exercício da velha e canhestras práticas políticas, numa tentativa de assegurar a maioria parlamentar sustentada por um partido – o PMDB – ávido por cargos,influência e verbas federais.

O escolhido para ocupar o posto de ministro da pasta que vai administrar a possível crise energética foi Edison Lobão que até dois ou três meses atrás fazia parte do time oposicionista no Senado. É verdade que não se tratava de um oposicionista fiel e convicto, pois sua especialidade, muito mais do que se apegar a uma causa, princípio ou idéia, sempre foi prestar obediência ao seu chefe político, o também senador José Sarney. Talvez tal fato explique a metamorfose sofrida pelo novo ministro num curto espaço de tempo. Explico.

Em julho do ano passado, o senador Lobão fez da tribuna do Senado, contundentes ataques à política energética do atual governo, criticando a sua omissão em relação às perspectivas de falta de energia e a conivência do presidente em relação ao descumprimento do acordo de fornecimento de gás do Brasil pela Bolívia. “Há um risco muito alto de apagão no Brasil”, alertava o senador. Na semana passada, já escolhido ministro pelo presidente, o senador elogiou as providências tomadas pelo governo no campo energético e descartou a possibilidade de apagão ou de racionamento de energia. Em qual Lobão devemos acreditar? No oposicionista de julho, ou no governista de janeiro? Seria prudente não acreditar em ambos.

Ademais, é temerário acreditar em qualquer político que tenha governado o Maranhão nas três últimas décadas, se não por outro motivo, pelo fato daquele Estado apresentar o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Dentre os responsáveis estão certamente, além do próprio Lobão, os também senadores José Sarney, Roseana Sarney e Epitácio Cafeteira.

Mas que não se atribua importância exagerada a Edison Lobão. Esse ex-jornalista do Correio Brasiliense, que na década de 70 se especializou em defender o regime militar, nunca passou de um mero vassalo de José Sarney, político que deixou a presidência em 1989 com o País mergulhado numa crise econômica sem precedentes, a inflação mensal se aproximando dos três dígitos, fruto de sucessivos planos econômicos mirabolantes e desastrosos. José Sarney merecia a prisão pelos danos que causou ao País. Mas como estamos no Brasil, após amargar um breve período de ostracismo no qual se elegeu senador por Amapá porque temia não ter votos suficientes no Maranhão, o velho coronel político ressurgiu lépido e fagueiro no governo de Lula a liderar uma das alas do PMDB, presidir o congresso por duas vezes, e servir de mentor político do seu antigo inimigo político.

Para muitos, nada disso importa, porque quem vai continuar a dar as cartas no Ministério de Minas e Energia é a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil. Não foi por outro motivo a exigência, prontamente atendida pelo novo ministro, para que determinados postos chaves do Ministério continuem nas mãos de pessoas da confiança de Dilma.Mesmo assim, a escolha de Edison Lobão reforça a certeza de que mesmo diante da ameaça de uma grave crise num setor vital para o País, o presidente prefere priorizar o jogo político menor e medíocre em detrimento da grandeza e da determinação que marcam os grandes estadistas.Mas esperar que Lula assuma a postura de um grande líder é ser ingênuo demais.
210108

quarta-feira, janeiro 16, 2008

ANACRONISMO POLÍTICO

No atual estágio da política brasileira, em que o conservadorismo de esquerda e de direita impede qualquer tentativa séria de reforma política que interesse à sociedade, talvez fosse muito esperar uma discussão sobre a abolição da vice-presidência. Mesmo assim, se poderia ao menos colocar em pauta o fim da tradição anacrônica de se transmitir ao vice o cargo de presidente a cada saída do titular do País. A abolição desse costume obsoleto poderia tornar o nosso comportamento político menos ridículo.


Jose Alencar e os quatro últimos vices. Muitos questionam a necessidade da existência do cargo...

A substituição do presidente Lula, em breve viagem ao exterior, pelo vice, José Alencar, já não faria sentido em condições normais. Menos ainda se considerarmos que o vice se encontra enfermo,internado num hospital. Não chega a ser trágico nem cômico, mas simplesmente anacrônico, sob o prisma político. Afinal, todos sabemos que em plena era da informatização e dos modernos e velozes meios de comunicação, o presidente, em qualquer lugar do mundo em que esteja, tem plenas condições de saber o que se passa no seu território e sob o seu governo

No Brasil, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos,onde o presidente, independente de onde se encontre,continua titular absoluto das atribuições do seu cargo, permanece essa estranha tradição de passar o cargo ao vice, a cada saída do Brasil.. Mesmo que atravesse por algumas horas a fronteira com o vizinho Paraguai, o cargo é transmitido ao reserva, como se o titular tivesse , ao se ausentar do País, perdido as condições materiais e a sua capacidade de governar plenamente. Por paradoxal, a própria presença do presidente no exterior se faz devido a um compromisso de governo, e não por lazer.

A propósito, situações como essa levam muitos a questionar a própria necessidade da existência do cargo de Vice – Presidente. Alegam que seria mais prático e menos oneroso ao bolso do contribuinte a substituição interina do presidente da República pelo presidente da Câmara dos Deputados, em situação de emergência, e a convocação de eleições presidenciais em caso de impedimento definitivo do titular . Sem dúvida, uma reforma constitucional nesse sentido, além de representar uma economia aos cofres públicos, principalmente se abrangesse também os cargos de vice-governador e de vice-prefeito, traria a vantagem de evitar algumas situações constrangedoras e outras cômicas, que tem marcado a passagem de alguns vices pelo poder nas últimas décadas.

O fato é que ao assumir o cargo de vice, em 2003, o empresário mineiro José Alencar prometeu que seguiria o estilo do seu antecessor, Marco Maciel, cujo comportamento ao longo do mandato de Fernando Henrique foi elogiado como modelo de discrição e fidelidade. Não se pode dizer que tenha descumprido a promessa – tanto que Lula fez questão de repetir a dose no segundo mandato. A não ser pelas repetidas críticas ao modelo econômico, ao Banco Central, e às taxas de juros, Alencar não tem trazido problemas ao titular.

Mas os seus intermitentes problemas de saúde têm levado à possibilidade cada vez maior de que o cargo de vice fique vago antes do término do mandato de Lula , o que possibilitaria a abertura da discussão sobre a conveniência de aboli-lo definitivamente, ou não. No atual estágio da política brasileira, em que o conservadorismo de esquerda e de direita impede qualquer tentativa séria de reforma política que interesse à sociedade, talvez fosse muito esperar uma discussão sobre o tema. Mesmo assim, se poderia ao menos colocar em pauta o fim da tradição anacrônica de se transmitir ao vice o cargo de presidente a cada saída do titular do País. A abolição desse costume obsoleto poderia tornar o nosso comportamento político menos ridículo.
160108

segunda-feira, janeiro 14, 2008

GUERRILHEIROS OU TERRORISTAS?

Faz muito bem o presidente colombiano ao colocar as Farc no seu devido lugar. Ao contrário do que pretende fazer crer a propaganda da esquerda, não passa de uma organização armada de narcotraficantes homicidas que se escondem sob o falso manto ideológico da luta pelo socialismo, e que não merecem nada mais do que o combate sistemático,impiedoso e sem tréguas.


GUERRILHEIROS OU TERRORISTAS ?

Existe na esquerda latino-americana uma tendência a considerar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ( Farc) um exército de guerrilheiros e não uma organização de terroristas e narcotraficantes.Essa tendência contaminou parte da mídia brasileira que na semana passada dedicou generosos espaços à libertação de duas prisioneiras colombianas – Clara Rojas e Consuelo Gonzáles -, entregues ao presidente da Venezuela Hugo Chávez.Essa parte da mídia tratou o fato como uma vitória do venezuelano,sem questionar que toda a ação, muito mais do que um acordo humanitário,se tratou de uma grande jogada política promocional arquitetada entre o grupo terrorista colombiano e seu patrono venezuelano.Afinal, os que comemoraram a “vitória” de Chávez queriam o quê? Que os terroristas entregassem os prisioneiros a Álvaro Uribe ou a George Bush?

Faz muito bem o presidente colombiano ao colocar as Farc no seu devido lugar. Ao contrário do que pretende fazer crer a propaganda da esquerda, não passa de uma organização armada de narcotraficantes homicidas que se escondem sob o falso manto ideológico da luta pelo socialismo, e que não merecem nada mais do que o combate sistemático,impiedoso e sem tréguas. Infelizmente, a ascensão ao poder de governantes populistas de esquerda – Chávez, na Venezuela; Morales, na Bolívia; Correa, no Equador, e Lula, no Brasil – criou em torno do território controlado pelas Farc uma espécie de cinturão de proteção e apoio, e em torno do governo legal da Colômbia um cinturão de pressão e desconfiança.

Em discurso na tarde da última sexta feira, o presidente venezuelano defendeu que o presidente colombiano e países europeus retirem das Farc o rótulo de “organização terrorista”, como se fosse possível caracterizar de outra forma um bando fora-da-lei que seqüestra,aprisiona, tortura, estupra e assassina idosos , crianças e mulheres, e, como se não bastasse, se financia com o narcotráfico.

Em relação à presença desse câncer em território latino americano,fazendo fronteira com o Brasil, é , no mínimo, vergonhosa a posição assumida pelo nosso governo.Em nenhum momento, Lula e sua turma- Marco Aurélio Garcia à frente - se posicionaram de maneira crítica em relação às Farc. Pelo contrário, ao defender uma atitude de “permanente negociação e diálogo” entre o governo legal da Colômbia e o grupo criminoso, o governo brasileiro coloca em posição de igualdade dois entes que são legal e moralmente díspares.

A posição dúbia e condescendente do governo petista nesta questão, paradoxalmente, acaba revelando o que ele tenta esconder: desde o Foro de São Paulo( 1990) existe uma aliança entre a esquerda latino-americana – aí incluídos as Farc e o PT – para a consecução de objetivos comuns a todos os seus membros. Nesse contexto, se insere o até hoje mal explicado financiamento de campanhas eleitorais petistas com dinheiro oriundo da organização terrorista colombiana. Desta forma, em vez de adotar uma atitude dúbia e dissimulada, melhor faria o nosso governo se,tal como faz Chávez, explicitasse de maneira franca e aberta a sua admiração pelos “ideais” e pelos métodos de ação do grupo armado colombiano. Seria menos hipócrita do que a postura atual.

Portanto, a libertação das duas colombianas, ao contrário de uma “vitória política”de Hugo Chávez,como foi transmitido pela mídia simpática à causa esquerdista, foi a vitória de uma grande farsa internacional. Teve, entretanto, o mérito de dar mais nitidez à amizade que une o bufão venezuelano e os narcotraficantes colombianos, sob os aplausos efusivos da esquerda latino americana e o olhar condescendente e amigo do governo brasileiro. Querem todos eles fazer crer que Hugo Chávez é uma reencarnação de Simon Bolívar, o libertador da América, e que as Farc são um Exército do Povo a lutar contra as injustiças sociais na Colômbia. Pobre América Latina!
140108

quinta-feira, janeiro 10, 2008

O GOVERNO PETISTA EM CRISE EXISTENCIAL

Muito mais do que a união da oposição e a infidelidade de alguns aliados na votação da CPMF, o que tem feito o barco brasileiro ficar à deriva é a própria incapacidade do governo em compreender que é impossível administrar com eficiência sem cortar gastos inúteis, diminuir os privilégios e enxugar a máquina pública. Em vez de promover as reformas necessárias - reforma do Estado, aí incluídas as reformas tributária e política, e a reforma educacional – o governo insiste na mediocridade de sempre.



O GOVERNO PETISTA EM CRISE EXISTENCIAL

O fim da CPMF provocou uma crise existencial no atual governo, e expôs de forma mais clara a sua real face. Se antes Lula já não sabia aonde conduzia o país, agora muito menos ainda. O governo tenta recompor a arrecadação perdida com o fim do imposto do cheque, aumentando alíquotas de impostos já existentes. A oposição contesta judicialmente as novas medidas do governo e promete fazer barulho no Congresso. O governo tenta se prevenir de futuras derrotas e amarra a sua infiel base de apoio com as velhas promessas de cargos, vantagens e liberação de emendas do Orçamento.

Muito mais do que a união da oposição e a infidelidade de alguns aliados na votação da CPMF, o que tem feito o barco brasileiro ficar à deriva é a própria incapacidade do governo em compreender que é impossível administrar com eficiência sem cortar gastos inúteis, diminuir os privilégios e enxugar a máquina pública. Lula perdeu a grande oportunidade de realizar, talvez, o melhor governo da História Republicana, pois recebeu de FHC um país com problemas de endividamento, é verdade, mas com os ajustes fiscais, a inflação contida, e um ambiente econômico externo amplamente favorável. O suficiente para que se implementasse um programa de governo que consolidasse essas conquistas, e, a partir daí , liberasse o país para o desenvolvimento econômico e social.

Mas, esse foi, desde o início, o principal problema do partido que assumiu o poder em 2003: a completa ausência de um plano consiste de governo. Não que o PT não tivesse um. Tinha, quando o partido fazia oposição. Mas tal programa mostrou-se completamente inexeqüível, pois se tratava de uma confusa mistura de idéias socialistas e sociais democratas, que, se postas em práticas, resultariam em nacionalização, estatização, rompimento de acordos internacionais. Enfim, o caos total. Lula, que de louco e tolo tem pouca coisa, preferiu, numa mistura de prudência com esperteza, substituir o tal plano (suicida)de governo por um plano de poder , que desandou a partir da descoberta do Mensalão, mas que graças a popularidade do líder não foi totalmente descartado. Pelo contrário.

Na ausência de um programa de governo, Lula e sua turma passaram ao pragmatismo das medidas de apelo social e impacto promocional. Primeiro, foi o “Fome Zero”, que praticamente não saiu do papel. Depois vieram políticas direcionadas aos estudantes, aos jovens e aos aposentados, cujos resultados positivos ninguém conhece.

Mas o carro- chefe de tais práticas tem sido o Bolsa Família que o governo define como o maior programa de transferência de renda do planeta, mas que na prática vem se consistindo num gigantesco programa de cooptação de eleitores para a clientela de Lula e do seu partido, além de instrumento de chantagem eleitoral e amedrontamento dos eleitores pobres, quando candidatos governistas insinuam que uma vitória da oposição significaria na extinção do programa. Sob o ponto de vista social, tal programa, além de não resultar numa melhoria efetiva do padrão de vida das camadas mais pobres, torna-as extremamente dependente da esmola governamental, incutindo nelas o espírito do conformismo e do comodismo.

Ao mesmo tempo em que pratica o mais deslavado assistencialismo, o governo procura garantir o controle da máquina. Em poucos momentos da História do país, os órgãos públicos foram infestados de partidários , apaniguados, aliados, amigos e parentes como tem sido neste governo. Em poucos momentos, cargos e funções de chefias em órgãos públicos e estatais foram objetos de tão explícito e vergonhoso loteamento como tem ocorrido agora.. Em poucos momentos a corrupção grassou com tamanha desenvoltura na base aliada do governo como nesses últimos cinco anos de petismo no poder. E tudo isso sustentado pelos impostos pagos pela população em geral e pela classe média em particular. População que mal teve tempo de comemorar o fim da CPMF, e que mal começado o ano é presenteada com o novo aumento de impostos. Portanto, Lula e sua turma carecem de razão quando tentam atribuir à oposição parlamentar as dificuldades geradas pelo sei (des)governo.

Mas eles não querem aprender a lição. Em vez de promover as reformas necessárias - reforma do Estado, aí incluídas as reformas tributária e política, e a reforma educacional – o governo insiste na mediocridade de sempre. Em vez da adoção de uma política que ordene o Estado e coloque o Brasil na trilha do desenvolvimento, o governo prefere permanecer no caminho do atraso e do desperdício. O exemplo mais recente de tais práticas equivocadas é o projeto de transposição do rio S. Francisco.Projeto faraônico, megalomaníaco, controverso e de resultados duvidosos, mas que sintetiza bem a incapacidade desse governo de lidar com as reais necessidades do país.
100108

segunda-feira, janeiro 07, 2008

CAOS DO TRÂNSITO AFETA MENTE DE MINISTRO

A justa indignação provocada pela tragédia das estradas deve ter afetado a mente do ministro da Justiça, que ao invés de propostas consistentes se saiu com um monte de asneiras...

CAOS DO TRÂNSITO AFETA MENTE DE MINISTRO

Alguns ministros do governo Lula dão a impressão de que são pagos pelos contribuintes para terem idéias estapafúrdias e de nenhum sentido prático.É o caso de Tarso Genro, Ministro da Justiça, que aparentando não ter coisa mais útil a fazer, sugeriu o ordenamento do trânsito brasileiro através de medidas punitivas extremas aos infratores, que vão do estabelecimento de multas no valor do veículo do infrator até a prisão do motorista que ultrapassar determinado limite de velocidade.

Não é por aí, ministro.O caos e a tragédia no trânsito brasileiro são resultado de quatro ou cinco fatores que se completam, nem todos eles de responsabilidade exclusiva dos cidadãos, conforme parece sugerir a declaração do ministro: estradas em péssimo estado de conservação, má educação dos motoristas, falta de fiscalização, corrupção dos órgãos de trânsito e impunidade.

O Código de Trânsito Brasileiro, aprovado em 1997,apesar de requerer alguns ajustes, é suficiente para ordenar o trânsito. O problema é que não é cumprido, como também muitas outras leis neste país. Quando desrespeitado, não existe punição, e quando, excepcionalmente, a punição acontece, o famoso jeitinho brasileiro entra em ação, no Detran ou na Justiça, para livrar a cara do infrator ou do criminoso.

Mas ao invés de culpar o cidadão por tudo de ruim que acontece no trânsito, e sobre ele querer descarregar mais uma carga de multas pesadas, o governo melhor faria se atuasse com eficácia no que lhe compete nessa questão, ou seja, cuidasse para que as rodovias do Brasil tivessem condições decentes de tráfego, estancasse a corrupção que assola os órgãos de trânsito, aumentasse a eficácia da fiscalização, e enfatizasse nos currículos escolares a educação para o trânsito, de tal forma que as novas gerações fossem mais diligentes e menos imprudentes e homicidas do que a atual.

É justa a indignação de muitos diante da carnificina que assola as nossas estradas, em especial nos feriados prolongados.Durante o ano passado, somente nas estradas federais , foram registrados 123 mil acidentes, com a inacreditável marca de 6840 mortes e mais de 75 mil feridos. O que não pode é o governo permanecer inerte diante desta tragédia, e quando convocado a se manifestar, o fazer de forma tão pequena, despropositada e leviana, como na recente manifestação do ministro da Justiça.
070108

quinta-feira, janeiro 03, 2008

ANO NOVO, VIDA VELHA

O governo Lula começa o ano com aumento de impostos. A sociedade nem teve tempo de curtir o fim da CPMF...


ANO NOVO, VIDA VELHA
Ano novo, vida nova? Que nada! Pelo menos no governo de Lula da Silva. Nada no horizonte está a indicar mudanças nos hábitos e nos costumes políticos deste governo.A passagem de ano não serviu para que os atuais donos do poder refletissem sobre os seus erros passados e, a partir daí, se comprometessem a uma mudança de mentalidade e de atitudes. Seria esperar muito que este governo tivesse tal comportamento.

O fim da CPMF mal representou uma chance para que a sociedade respirasse aliviada e o governo, mal começado o ano, nos presenteia com um pacote de aumento de impostos que vai incidir sobre o setor finaceiro, mas cuja conta será paga por toda a população.E vai ser assim, pelo menos enquanto durar o mandato de Lula e a sua crença de que governar significa escorchar a sociedade.

Lula e sua turma acreditam que governar é inchar a máquina pública de apaniguados, é fazer planos mirabolantes que nunca saem do papel, é multiplicar ministérios, secretarias e órgãos públicos inúteis, é adotar uma política financeira que enche os cofres dos banqueiros e esvazia o bolso dos cidadãos , é fazer políticas sociais meramente assistencialistas,é destinar verbas milionárias para o setor de propaganda governamental, enquanto os hospitais públicos padecem com a falta de recursos´Enfim, é percorrer os velhos e conhecidos caminhos da burocracia, do desperdício, da corrupção e da ineficiência.

O governo Lula finge não entender o que todos os setores esclarecidos da sociedade já sabem: nenhuma política social será consistente e efetiva se não for implementada a partir de uma revolução da educação pública que invista na formação acadêmica, profissional e cívica das nossas crianças e jovens.É a única forma de livrar a geração futura -a atual geração já está perdida - da miséria, da marginalidade e da extrema dependência das esmolas governamentais.

Lula e sua turma não querem saber de revoluçãoalguma.Preferem continuar a manipular essa massa amorfa e sem consciência crítica, disposta a aplaudir as bobagens que ele diz em seus discursos , e a dar o seu voto ao líder a cada eleição.
030108